Aprendi a admirar a chuva

Pois ela nunca parava

Era sempre tão feroz

Devastante

Agoniantezante

Porém era sublime

Era o que não tornava tudo sedento

Suas pequenas gotas

Se sobressaiam no cinza gélido e sem graça

Se espalhavam rapidamente

E tornavam o caminho sujeito a quedas e brincadeiras infantis

Banhos de chuva em uma tarde fria e sólitaria

A chuva era, porém, imperceptível

Para aqueles que dirigiam com pressa

Naquele longo caminho

A chuva era apenas um detalhe

De uma tarde gélida, sólitaria e sem graça

Ou uma tarde de brincadeiras infantis e alegres

Com o tempo percebi

Eu não admirava a chuva

Eu era a chuva.

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