Notas iniciais
Disclaimer: Os personagens, lugares e citações que forem reconhecidos como sendo da saga de Harry Potter são da prioridade de J. , Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Nenhum lucro foi auferido pela criação desta fic. Nota da Autora: Oi! Mais uma fanfic que escrevi. É uma one-shot, com Severus Snape como personagem principal. É uma cena que imaginei que poderia ter acontecido durante o ultimo livro da série "Relíquias da Morte". Espero que gostem. Bjs 😘 Uma boa leitura a todos ^^

Severus caminhava silenciosamente pelos corredores sombrios de Hogwarts, sua capa esvoaçando ameaçadoramente atrás de si. Tinha sua varinha fortemente presa na mão. Não podia baixar a guarda, poderia ser atacado a qualquer momento por algum apoiante da Ordem. Só tinha inimigos no castelo. Os retratos, ao vê-lo, se escondiam com receio do que ele pudesse fazer. Alecto não tinha gostado da forma como um antigo retrato da escola lhe tinha olhado e o tinha incendiado. Ainda se recordavam dos gritos que tinham escapado da pintura, antes de deixar de existir definitivamente. Nunca tinham escutado um som tão aterrador.


Os fantasmas também não tinham aparecido naquele dia, escondidos em uma sala, festejando entre eles aquela festividade. Peeves também tinha dado uma pausa em suas travessuras com os estudantes, atacando viciosamente os irmãos Carrow, que não tinham arrumado uma forma de expulsar o Poltergeist dos terrenos da escola. Através das janelas do castelo, conseguia ver a neve caindo até ao solo pintado de branco. Era um espetáculo belo de se ver.


Era diretor de Hogwarts, um cargo que nunca tinha desejado, mas que tentaria fazer o melhor por seus alunos. Mesmo não podendo diretamente. Não podia protegê-los tanto como gostaria já que — embora não parecesse — era vigiado pelos irmãos Carrow que, tal como Bellatrix, não tinham acreditado em sua história: de que sempre tinha espionado Dumbledore, recolhendo informações para o Lord e que nunca o tinha procurado por estar sempre debaixo de olho do antigo diretor.


Pensavam — embora não soubessem que tinham razão — que era um traidor. Mas, por ter morto Albus, tinha caído nas boas graças do Lord. O que o tinha salvado de uma morte lenta e dolorosa. Olhou pela janela e viu como a neve caía, pintando de branco aqueles terrenos tão seus conhecidos. Como tinha sido feliz ali, com Lily a seu lado, o ajudando a superar o bullying causado pelos Marotos. Se arrependia amargamente de a ter chamado de Sangue Ruim.


Suspirou, tinha perdido as pessoas que mais amava, por sua culpa. Não tinha conseguido salvar sua mãe, morta às mãos de Tobias, e tinha entregado Lily para a morte em uma bandeja e assassinado seu mentor, a única pessoa com quem tinha confidenciado seus maiores segredos. Embora o odiasse por lhe ter imposto uma missão tão dura, sabia que era o único que a tinha de fazer. Albus estava morrendo por causa de uma maldição ancestral, sem cura, e Draco não tinha a coragem para matar. O garoto era um bully, um menino mimado por seus pais, mas não um assassino. E ele já tinha visto mortes suficientes e matado gente para saber que nunca mais uma pessoa recuperava de uma provação tão difícil. Havia sangue inocente em suas mãos. Tinha contribuído direta ou indiretamente, para a morte de inocentes. E sabia que suas mortes o atormentavam para o resto de seus dias.


Desceu as Grandes Escadarias em direção ao Salão Principal. Frio e sem vida, Hogwarts parecia outra. Hagrid não tinha realizado sua tradição de por uma árvore no meio do Salão Principal, nem Flitwick e seus estudantes tinham decorado o castelo para aquela época do ano: o Natal.


Severus preferia festejar o Yule, o Natal era uma tradição cristã, para os nascidos Muggles. O Yule era uma festa pagã, que comemorava a chegada do inverno, onde os bruxos realizavam rituais para aumentarem seus níveis de magia. Onde podiam contatar seus ancestrais. Onde podiam ser quem realmente eram.


Olhou para uma parede vazia, há poucas semanas tinha havido um tronco para chicotear alunos mal comportados ou rebeldes, trazendo um clima de medo e terror. Os Carrows estavam sedentos de sangue depois de tantos anos presos em Azkaban. Mas Severus tinha convencido o Lord das Trevas a obrigá-los a remover o tronco, já que ia haver derramamento de sangue puro. E Lord Voldemort não queria sangue jovem e puro desperdiçado. Tinha definindo os castigos comuns e, em casos mais extremos, a maldição Cruciatus. Severus não teve como impedir, a palavra do Lord era lei naquele mundo.


Suspirou. Estava cansado de mentir, de espionar. Estava cansado de não poder ser ele próprio. Queria viver em um mundo seguro, sem ameaças. Durante toda sua vida, não sabia o que era paz. Tinha tido uma infância horrível com as discussões e agressões entre seus pais, os Marotos tinham destruído sua autoestima durante sua adolescência e ser Comensal tinha destruído sua vida adulta. Sentia que nunca seria feliz. Desde que tinham perdido sua amizade com Lily, nunca mais tivera momentos de felicidade.


Felizmente, a maioria dos estudantes tinham ido para casa, deixando os professores com a missão de protegerem o castelo. Embora preferisse ignorar, sabia que todos os professores estavam reunidos na sala de Flitwick descansando e comemorando o Yule, sabendo que não iria haver torturas naquela noite. Filch estava em seu gabinete, acompanhado por Madame Norra.


Os Carrows tinham ido para a Mansão Malfoy torturar alguns nascidos Muggles e ele tinha preferido ficar por ali. Não tinha ido visitar o túmulo de Lily, que estava sendo vigiado para o caso de Potter aparecer. Apertou a gola das vestes e saiu para o frio da noite. Caminhou devagar para o túmulo de seu mentor, sabia que não estaria lá ninguém.


Precisava de companhia, mas ninguém o queria a seu lado. Como tinha conseguido ficar tão sozinho? Que vida triste e cruel que tinha. Decidiu aparatar em frente ao túmulo do velho diretor, o único que tinha sido sepultado em Hogwarts. Ao ver a lápide do velho diretor, um soluço escapou de seus lábios e murmurou:


- Albus... — Caiu de joelhos na neve fofa e fria, deixando as lágrimas escapando de seu rosto. Como precisava de um abraço, de um carinho. Chorou de saudade de todos os que tinha perdido.


Sentiu saudades das palavras de conforto de sua mãe, da risada cristalina de Lily e como seus cabelos ruivos esvoaçavam com o vento. Das palavras de consolo do diretor, quando chegava de mais uma sessão de tortura do Lord. Sabia que tinha uma missão, e que iria cumpri-la até ao fim. Não sabia o rumo que a guerra iria tomar. Se o Lord das Trevas iria vencer, ou se Potter iria derrotá-lo.


Mas sabia de uma coisa: que teria de dar o melhor de si para que o mundo ficasse melhor. Nem que desse sua vida por aquela causa.


FIM

Notas finais
Oi! Espero que tenham gostado dessa fanfic. Adoraria saber vossas opiniões. Tenham um Feliz Natal e um ano de 2025 cheio de coisas boas. Bjs :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!