Notas iniciais
Heey! Agradecimentos à Guess Fever, que favoritou a fic e à Lynn, à Anah Vi XD e ao Kikonsam por comentarem. Boa leitura (=

Só porque se acostumaram com o mundinho deles e o caralho que os prende a ele — com os pés no chão- não significa que as coisas acabaram. Eu não me acostumei. Ainda me assusto quando olho para o espelho e vejo uma garota estranha.

Acabou, eu repetia sem cessar. Mas não, não acabou ainda. Lutar — é até engraçado usar essa palavra — não faz sentido. E mesmo assim, eu ainda tento vencer alguma coisa dentro de mim. Eu não sei o que é. Eu só tento, porque é o que eu deveria fazer. Eu queria gritar para que me deixem em paz. Eles quem? Eu estava sozinha. E eu fiquei com medo, pois as vozes brigavam na minha mente e me obrigavam a ser como todo mundo.

Eu era diferente, sabia disso. Passei a ser louca, depois de tantas risadas. Porque será que ninguém vê? Tem algo de errado, todos sabemos que tem. Não, eles não queriam saber e isso era o suficiente para ignorarem a questão inteira. Os subterfúgios apareciam só para seguirem com a moral que eles nem se importavam.

Eu queria mesmo gritar para que me deixassem em paz... Mas, eles nunca fariam isso, porque eles sou eu. É estranho, confesso. Só que os limites estão dentro de nós. Acompanhados de medo, do terror, da angústia e da solidão. E eu ainda estou tentando me livrar deles.

Parece fácil quebrar barreiras, seguir em frente ou que merda seja. Odeio quem diz isso. Só porque se acostumaram com o mundinho deles e o caralho que os prende a ele — com os pés no chão- não significa que as coisas acabaram. Eu não me acostumei. Ainda me assusto quando olho para o espelho e vejo uma garota estranha. Imploro, mentalmente, para que ela corra, que ela fuja, que ela seja feliz. Mas seus olhos são mortos, vazios e ela me ignora até eu ir embora. Eu queria muito que ela ouvisse…

Eu sei que é uma ilusão, que ela não existe e que quando aparece está fadada a ser eu, contudo eu não queria mesmo que ela fosse. Porque é inútil. É inútil dizer essas palavras só para depois ganhar o título de hipócrita. Só para ser aprisionada dentro de si como mais uma das pessoas com qualidades pejorativas do mundo. E nós temos que lutar contra isso o tempo inteiro. A realidade... A realidade é insuportável. E ela se tornou pior quando percebi que eu não tinha controle sobre ela. Os outros me dominavam e ainda queriam alguma resistência por minha parte.

Queriam que eu fosse como eles, ignorasse tudo e mentisse sobre o que sinto? Queriam algum ato que provasse a merda que eu pensava sobre tudo? Queriam que eu tentasse só para depois negarem-me? O que eles querem?! Porque onde eu estou, a opressão social me acompanha. Quero dizer, tem algum momento em que não somos manipulados ou forçados a pensar de dada maneira, fazer alguma coisa, sonhar alguma merda? E nem mesmo esse pensamento, essa ação ou esse desejo podem ser considerados como verdadeiros. São frutos de uma imposição! Eu insisto que não sejam reais. Forço-me a rejeitá-lo.

Não que a minha rejeição a eles seja algo a qual me condeno. Na verdade, quando digo “forço-me”, refiro-me à facilidade que a sociedade tem de mantê-los conosco só para que nós continuemos neles. Então, todos os dias, o choque entre a realidade leva-me a uma resistência mais intrínseca e oculta, cujas raízes alimentam-se de palavras vagas, imaginações utópicas — ou meramente catastróficas-, ironias implícitas e tudo aquilo que eles ainda não tiraram de mim.

Notas finais
É isso. Espero que tenham gostado. Encham-me de comentários ou esvaziem-se neles. Espero vê-los me breve. Beijos e até Ç: