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Eu


Não tenho tempo para chorar

Estou ocupada sorrindo

Um sorriso que não é meu

Eu o vejo na televisão, nas revistas

Em todos os lugares


Não tenho tempo para sofrer

Estou ocupada sendo feliz

Absorvendo uma felicidade mesquinha

Ou seriam apenas sopros

De uma mentirosa alegria

Que arranca um ou dois sorrisos de mim

E depois morre em meu âmago

Num lugar que nem desconfio existir?


Não tenho tempo para odiar

Estou ocupada evitando

Cada puro e sincero sentimento

Que se aproxima de mim


Não tenho tempo para nada que é ruim

Pois tudo já me corroeu


As lágrimas que nunca chorei

Inundam meus olhos

Impedindo-me de sorrir


O sofrimento que nunca libertei

Entranhou-se em minha alma

Alimentando-se de cada coisa boa

Que me acontecia

Fazendo-me apenas sonhar e questionar:

“Como é ser feliz?”


A atenção que nunca dei ao ódio

E num piscar de olhos ele cresceu

Tão rápido... Tão silencioso

Como pude deixar acontecer?


E assim, eu tudo guardei

Com medo de ir embora

Conti cada medo, cada fracasso

Cada momento que me afastei

De um sincero abraço


E assim, eu não percebi

Isso me transformou

Se misturou e tão forte cresceu

De nada mais posso me livrar

Senão não seria mais tão... Eu!