Sonambulando Pelo Passado

Vagando pelas sombras do passado

Encontro teu rosto

Padecendo entre sorrisos falsos

Lamentando de terrível desgosto

Flutuando entre os dias que morreram

Chorando pelas manhãs que pereceram

O que nunca foi meu

Viscoso e carmesim pelos dedos escorreu

Caminhando pelas ruínas do tempo

Tudo que construí tornou-se fungível

Minhas forças outrora concretas

Agora estão mortiças como as chamas de uma vela

Através de meus olhos apenas o vazio

Em meus poros entra o frio

Em minhas veias o tormento corre a fio

Silêncio...

É o que ressoa em meu peito

A voz da esperança se calou

E todas as noites que tranquila eu dormi

Com suas traiçoeiras garras me tomou

Tudo é nada

Muito é pouco

Início é fim

A natureza no esquecimento jazia

Ao longe vejo um anjo

Que para ela uma flor trazia

Ouço os ponteiros do relógio

Turva está minha visão

Minha mente agora voa

Meu corpo delicadamente frio cai ao chão

Ainda posso vagar pelos destroços

Porém sem mais escutar

As batidas de meu coração