Pedindo a Morte II


Ó, querida morte

Tu que és tão sublime e bela

Ouça o apelo desta pobre alma

Que no escuro de um quarto por ti chama

Ouça minhas lamúrias infindáveis

Minhas fúnebres desventuras

Seque minhas lágrimas dolorosas

Com seu sorriso

Quero ter meu pobre corpo desfalecido

Por teus braços tão frios envolvido

Ó, amada morte

Leve-me contigo

Pois quando estás em meus pensamentos

Finda-se meus lamentos

Amenizando meu sofrimento

Minha linda deusa

Venha buscar-me

Com um beijo fatal

Sugar o que resta de minha alma

Para que em algum lugar distante

Ela possa ter a calma

Nunca tida antes

É no escuro de meu quarto

Que meus secos lábios

Chamam por ti

Mas não vens

Não estás aqui, nunca estivestes

Todo este tempo que mais precisei

Não atendeste ao meu chamado

Faça meu coração sangrar

Faça meu sangue jorrar

Faça as lágrimas pararem de cair

De meu triste olhar

Em meus momentos de loucura

Penso em tua presença tão pura

Acalentando meu chagado coração

Com sua ternura

Adormeço pensando em ti

Meu espírito vaga até te encontrar

Num reino funéreo e sombrio

E então me abraças

Roubas minha dor

Até restar uma tênue cicatriz

E ao acordar

A desgraça e a dor retornam

Restando apenas doces lembranças

De tua melancólica presença