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Narciso


Teus olhos lascivos incidem o pecado

A luxúria escorre por teus rubros lábios

O prazer está entranhado em teu peito

A voz que me atordoa

É o desejo que em meu âmago ressoa

A volúpia que lancina

Confessa que não sou mais aquela inocente menina

Por que tens que ser assim?

Um ser poderoso e imaculado

Um venusto anjo libertino

Teus olhos são o pecado

Teu corpo é meu desatino

De paixão queimo por dentro

Abandono minhas crenças

Por ti morro chorando

Por ti nasço sofrendo

Tu és minha perdição...

Da tênue beleza ele foi criado

Tal qual encontrou-se dominado

Sentindo-se perdidamente apaixonado

Num lânguido encanto fora aprisionado

E após fenecer na própria formosura

Uma lembrança perfumada surgiu sobre tua sepultura