Pensamentos, Sentimentos E Tormentos
32 Beleza Morta
Beleza Morta
Aqui junto a teus pés
Estou contemplando tua beleza
Sem igual, solene riqueza
Ficastes mais belo, meu amor
Tua tez antes rosada quanto uma flor
Agora tão lúrida e gélida quanto a neve
Teus lábios antes tão vermelhos quanto vinho
Agora tão azuis quanto formosas violetas
O ardente fulgor do teu sorriso
Agora tão tétrico e mortiço
A vida por um suspiro se vai
Porém eu não a quero mais
Anjo piedoso que lhe estendeu a mão
Encheu meu peito de uma lânguida ilusão
Tua alma agora com ele está
Entretanto esquecestes de junto me levar
Por que esta não seria minha hora de partir?
Vejo a felicidade a se esvair
Começo a esmorecer
O que será de meu peito chagado?
Como ficará meu corpo inanimado
Sem ti para me reviver?
Aqui junto a teus pés
Estou contemplando tua beleza
Lívida e mórbida riqueza
Pobre amante perdido
Agora se encontra adormecido
Pássaro emudecido que não mais gorjeia
Jamais ouvirá tua amada que
[ao teu lado pranteia
Como és tão belo, meu querido
Tão sublime quanto um sonho
Tão tênue quanto uma gota de orvalho
Tão álgido quanto uma manhã de inverno
Como não fui capaz de imaginar
O quão imaculada a morte poderia ser
Dando-lhe traços tão finos e delicados
Abençoando-te com infinda formosura
Algo fungível e sombrio
Que irá além de tua sepultura
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