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Beleza Morta

Aqui junto a teus pés

Estou contemplando tua beleza

Sem igual, solene riqueza

Ficastes mais belo, meu amor

Tua tez antes rosada quanto uma flor

Agora tão lúrida e gélida quanto a neve

Teus lábios antes tão vermelhos quanto vinho

Agora tão azuis quanto formosas violetas

O ardente fulgor do teu sorriso

Agora tão tétrico e mortiço

A vida por um suspiro se vai

Porém eu não a quero mais

Anjo piedoso que lhe estendeu a mão

Encheu meu peito de uma lânguida ilusão

Tua alma agora com ele está

Entretanto esquecestes de junto me levar

Por que esta não seria minha hora de partir?

Vejo a felicidade a se esvair

Começo a esmorecer

O que será de meu peito chagado?

Como ficará meu corpo inanimado

Sem ti para me reviver?

Aqui junto a teus pés

Estou contemplando tua beleza

Lívida e mórbida riqueza

Pobre amante perdido

Agora se encontra adormecido

Pássaro emudecido que não mais gorjeia

Jamais ouvirá tua amada que

[ao teu lado pranteia

Como és tão belo, meu querido

Tão sublime quanto um sonho

Tão tênue quanto uma gota de orvalho

Tão álgido quanto uma manhã de inverno

Como não fui capaz de imaginar

O quão imaculada a morte poderia ser

Dando-lhe traços tão finos e delicados

Abençoando-te com infinda formosura

Algo fungível e sombrio

Que irá além de tua sepultura