Pensamentos

1 Sirius Black parecia dominar os seus pensamentos.


Notas iniciais
oi gente! e aqui vamos nós, com uma blackinnon para participar desse projeto incrível que é o blackinnon day. e amo muito esse casal e participar de algo sobre os dois simplesmente enche o meu coração de amor. acho que a fanfic não ficou exatamente como eu esperava, mas eu quis fazer algo fofo envolvendo os dois, só para variar. além disso, eu quis trazer um pouco de vulnerabilidade para a Marlene, porque pra mim, ela é cheia de pensamentos assim como eu hahah enfim, eu quero dedicar essa fanfic a Lubs e a Trice, as duas pessoas que me ouvem tagarelar sobre blackinnon e dividem comigo um amor tão puro por esses dois! obrigada também a Foster, por estar junto com a Trice por trás desse projeto incrível. espero que gostem e nos vemos nos comentários, eu espero!

Marlene não conseguia parar de encarar o pergaminho que estava na sua frente. Até aquele momento, tudo o que tinha escrito nele era o seu nome, e nada envolvendo o que ela precisava de fato escrever.

Ela odiava os momentos de bloqueio que tinha. Para Lily parecia tão fácil sentar e escrever milhares e milhares de palavras sobre qualquer tema que a professora Minerva passasse. Mas para ela, dependia do momento.

E aquele era, com certeza, um daqueles péssimos momentos de bloqueio.

Já tinha lido pelo menos três vezes em seu livro de Transfiguração o capítulo sobre animagia, mas nada daquilo parecia fazer sentido em sua mente no momento. Nenhuma informação parecia se conectar, ela sentia que os conceitos sobre o assunto flutuavam em meio aos seus pensamentos, sem se relacionar um ao outro.

E ela realmente odiava essa sensação.

Talvez devesse pedir ajuda a Lily, mas sabia que ela estava ocupada demais aproveitando o resto de noite com James (que também não poderia ajudá-la, é claro). E Remus... bem, ele também poderia ajudar, se não estivesse na enfermaria tratando uma gripe ou qualquer coisa do tipo. Sua saúde era sensível demais, aparentemente.

Ou seja, só restava ela, seu livro e seus malditos pensamentos que ela estava tentando ignorar a todo custo. Deitou a cabeça em cima de seu pergaminho, sem se importar se sujaria seu rosto de tinta e ficou ali, esperando alguma inspiração surgir. Até mesmo o salão comunal parecia silencioso naquela noite... Ou talvez seus próprios pensamentos só estivessem altos demais naquele momento.

Talvez se ficasse ali deitada por um tempo, Morgana decidisse a abençoar repentinamente e todos os seus pensamentos alheios ao assunto da tarefa sumisse.

Ou talvez não.

— Você precisa de ajuda? — ela ouviu alguém perguntar. Por um momento, fingiu não reconhecer a voz, mas nem mesmo de longe ela poderia deixar de reconhecer a voz rouca que lhe dava arrepios, principalmente de uns tempos para cá. Fechou os olhos, respirando fundo e pensando se deveria responder ou simplesmente fingir que estava dormindo...

— Não, Sirius, estou perfeitamente bem — ela murmurou sem emoção, levantando finalmente sua cabeça para encará-lo. Apesar de parecer confuso, assim que Marlene o encarou, ele não pôde deixar de sorrir um pouco.

— Não sei se perfeitamente bem é um bom termo para descrever alguém com tinta no rosto, McKinnon — ele murmurou, estendendo a mão para limpar com delicadeza um canto de sua bochecha. Ela quase corou com a intimidade do toque, mas preferiu revirar os olhos para disfarçar. Odiava como um simples toque dele a fazia querer agir como uma garotinha do quarto ano e suspirar, por isso era mais seguro simplesmente agir como se não estivesse sentindo nada.

A relação entre os dois estava um tanto quanto estranha ultimamente, por isso não tinha o cogitado para a ajudar. Para falar a verdade, ela não fazia ideia do que estava acontecendo entre os dois. Talvez isso também estivesse atrapalhando sua concentração. Na verdade, era exatamente isso que vinha a corroendo e fazia seus pensamentos fluírem com tanta força e intensidade que sequer conseguia se concentrar em uma tarefa idiota.

Todavia, não tinha certeza se estava pronta para admitir isso ainda.

— Eu só estou... — Marlene suspirou, apontando para seu pergaminho — Tentando escrever sobre animagia, mas aparentemente não consigo me concentrar o suficiente para escrever um parágrafo sequer sobre esse assunto. Ou sobre qualquer coisa, para falar a verdade.

Quando Sirius sorriu, Marlene arqueou a sobrancelha, incomodada. Ela já estava se sentindo péssima o suficiente para ter que lidar com Sirius a caçoando por não conseguir escrever uma maldita redação.

— Se você pretende fazer alguma piadinha sobre isso, eu sugiro que você simplesmente não faça, Black. Pelo menos, se você tem amor ao seu cabelo — murmurou ela mal humorada, fechando seu livro e reunindo seu material, pronta para sair do salão comunal e subir para seu dormitório. E mais uma interação entre os dois tinha ido por água abaixo, deixando somente uma tensão no ar. Provavelmente uma tensão sobre tudo o que não vinha sendo dito e esclarecido entre eles.

— Marlene, espera — Sirius disse arrependido, colocando sua mão delicadamente por cima da mão da garota. Ela parou no mesmo momento, mas não puxou sua mão para longe dele. Talvez... Talvez estivesse sentindo falta de estar perto dele. Mas não pretendia dizer isso para ele. — Eu não... Eu não pretendia fazer qualquer piada. Só achei engraçado porque... Bom, porque eu gosto desse assunto. Para ser honesto, gosto muito — ele deu de ombros, abaixando o olhar para sua mão que continuava em cima da dela.

Marlene suspirou, tirando sua mão de perto da dele delicadamente.

Aquilo parecia estranho agora. Não pareceu tão estranho em outros momentos, mas agora... Bom, eles mal conseguiam manter uma conversa civilizada por mais de cinco minutos, então com certeza era no mínimo esquisito.

— Ótimo, mas eu acho esse assunto absolutamente confuso — ela murmurou cansada, em uma frase que poderia definir tanto como ela se sentia em relação a esse maldito conteúdo, tanto a relação dos dois. Se é que o que eles tinham, ou tiveram, podia ser chamado de relação.

Ela sabia que o que os dois tinham, ou tiveram, não seria eterno. Marlene tinha plena consciência que os dois só estavam se divertindo, escapando uma ou mesmo duas vezes por dia por aí, dando uns amassos em algum armário de vassouras. Mas... Uma parte dela, uma pequena parte, ansiava que Sirius a visse de outra forma. Que ele enxergasse nela mais que uma amiga colorida, uma parceira de amassos... Ela não pretendia e muito menos, queria ter se apaixonado por ele.

Mas seus sentimentos eram tão incontroláveis quanto os seus pensamentos.

Por isso, quando notou o que sentia, quando finalmente percebeu o quanto ela queria mais, o quanto ela ansiava por mais que apenas algumas fugas noturnas, mais que uma transa ou um beijo despretensioso, é óbvio que ela havia se afastado.

E Sirius não entendia exatamente o porquê disso.

É óbvio que não. Ele nunca entenderia o quanto doía estar tão perto de alguém que você ama, mas não poder admitir em voz alta.

E era por isso que a tensão sexual que antes emanava dos dois, tinha sido trocada pela simples e regular tensão. Isso vinha afetando até mesmo os treinos de Quadribol da Grifinória, mas James vinha sendo legal o suficiente para não se meter entre os dois.

Marlene simplesmente queria distância. E, por mais que ela esperasse que Sirius simplesmente seguiria em frente após o término (se é que eles tinham algum relacionamento), ele queria saber o porquê. Talvez fosse apenas por seu ego ferido ou talvez...

Bom, Marlene preferia não pensar em todos os “talvez” que existiam entre os dois.

Definitivamente eram muitos. E aquele não era o melhor momento para pensar naquilo. Não enquanto uma guerra estourava fora do castelo de Hogwarts e ela estava ali, fingindo se preocupar com uma porcaria de redação de Transfiguração.

Não enquanto Sirius Black a perseguia em seus próprios pensamentos.

Notou somente que tinha feito de novo, que tinha simplesmente caindo em uma espiral de pensamentos, quando Sirius a chamou pelo que parecia ser a segunda, ou mesmo terceira vez.

— Desculpe, o que você disse? — perguntou a garota, franzindo o cenho. Ela realmente não tinha ouvido uma palavra do que ele havia dito, simplesmente porque estava... Bom, pensando em Sirius Black, é claro.

— Eu disse que posso te ajudar, se você quiser — Sirius coçou a nuca, parecendo sem graça. Essa aproximação, mesmo que mínima, era justamente o que Marlene não queria naquele momento. Porém... Bem, Sirius era a sua única opção disponível, no fim das contas.

Então suspirou, um pouco contrariada, o que fez Sirius arquear uma das sobrancelhas.

— Claro, se você não tiver nenhum plano... — Sirius balançou a cabeça, em negação e se sentou ao seu lado, puxando sua cadeira para perto de Marlene. Tão perto que ela podia sentir o cheiro amadeirado dele... Mais perto que ela tinha estado dele nas últimas semanas.

Sirius pegou seu livro de Transfiguração, abrindo-o novamente no capítulo sobre animagia. Passou os olhos pelo livro rapidamente e deu uma risadinha, fechando o livro logo em seguida.

— Para começar a falar sobre animagia, preciso te dizer que pouquíssimos bruxos conseguem fazer isso. É um processo longo, complicado e cá entre nós, um pouco chato. Muito chato, na verdade — Sirius disse, como se tivesse total experiência no assunto. Se bem, que se tratando de Sirius... Bom, ela sabia que podia esperar qualquer coisa vindo dele.

— E os que conseguem, precisam se registrar no Ministério da Magia, eu sei. Essa parte eu consegui absorver, antes dos meus pensamentos tomarem seus próprios rumos — murmurou Marlene baixinho, imediatamente arrependida do que disse. Sirius parecia ter percebido, pois não insistiu no assunto. Na verdade, ele não vinha insistindo em saber o que havia acontecido com ela, entre os dois, há alguns dias. O que era bom, de certa forma.

Mas também um pouco desolador.

— Sim, exatamente. O caminho para se tornar um animago é longo e doloroso. Envolve um processo complicado, que começa utilizando uma folha de mandrágora... — Sirius pareceu um pouco perdido em pensamentos por um momento, sorrindo um pouco — Existem alguns passos específicos que estão bem descritos no livro, talvez agora você consiga entender um pouco melhor — o garoto murmurou, abrindo o livro novamente. Sirius aproximou mais, se é que isso era possível, e indicou para a garota onde estava descrito com detalhes todo o processo para se tornar animago.

Marlene conseguiu se focar por tempo o suficiente pare ler onde o garoto tinha apontado. Mas seu foco sumiu no mesmo momento que sentiu os dedos de Sirius acariciarem despretensiosamente sua mão que estava apoiada na mesa, ao lado de seu livro. Respirou fundo, sentindo a enxurrada de pensamentos, sentimentos e tudo o que ela não havia dito para ele. Tudo parecia simplesmente transbordar quando Sirius estava por perto.

É exatamente por isso que ela achava que estaria melhor longe dele. Bem longe.

Não dessa forma, sentada ao seu lado, enquanto ele a encarava com atenção, enquanto ela fingia ler o mesmo parágrafo pela segunda vez. Definitivamente não era dessa forma que ela superaria seus sentimentos por ele.

— Acho que entendi — Marlene forçou uma tosse leve, aproveitando para levar a mão que Sirius vinha acariciando a boca, um pouco desconfortável com o fato de que o mais singelo toque dele podia fazer o coração dela disparar daquela forma — Mas... — ela tentou pensar em qualquer pergunta, alguma que fizesse sentido, e felizmente conseguiu — Quem se transforma, ainda se lembra de quem é? Quero dizer, a pessoa continua consciente?

Sirius assentiu, indicando o final do capítulo com o dedo.

— E não há escolha em qual animal a pessoa vai se tornar. Cada bruxo que se torna um animago, vira um animal que combina consigo e sua personalidade. Acho que tem a mesma lógica que um patrono.

— Ah! Sério? Então qual seria o seu animal? — perguntou Marlene de forma leve, um pouco aliviada por estar finalmente entendendo um pouco sobre o conteúdo. Afinal, Sirius realmente parecia saber do que estava falando.

— Um cachorro, com toda certeza — os olhos de Sirius brilharam, cheios de mistério e diversão. Marlene riu um pouco, pela primeira vez desde que havia terminado tudo com Sirius, e balançou a cabeça.

— Faz todo sentido. Combina com você — brincou, meio ácida. Não queria necessariamente atingir um ponto fraco em Sirius, mas foi exatamente o que pareceu ter feito, quando ele a encarou com aquele olhar penetrante que ele tinha.

Antes que ele pudesse dizer algo, voltar a questioná-la sobre suas ações e sobre seu afastamento, Marlene suspirou, recolhendo novamente seu material.

— Obrigada, Sirius. Sua explicação me ajudou muito — ela murmurou séria, apertando a mão dele por um breve momento e se levantou, pronta para sair da mesa e correr de volta para seu dormitório. Ela não tinha condições alguma de escrever um pergaminho inteiro sobre animagia enquanto Sirius Black, o culpado por sua distração, estivesse tão perto de si.

— Lene, posso só fazer uma pergunta? — Marlene suspirou de forma involuntária. Como ele realmente havia a ajudado, ela assentiu, temendo pelo que ele perguntaria. — Você quer ir a Hogsmeade comigo amanhã? Acho que precisamos conversar. E uma cerveja amanteigada parece ser um bom acompanhamento — ele disse parecendo inseguro, o que fez Marlene morder seu próprio lábio inferior, nervosa.

A resposta óbvia para aquela pergunta era não, claro.

Mas mesmo assim, Marlene respondeu sim.

E a culpa era toda de seus sentimentos confusos e pensamentos barulhentos, que com certeza não a permitiam pensar bem o suficiente para chegar à conclusão que aquela era uma péssima ideia.

Mas bem, Sirius Black estava no comando de seus pensamentos, de qualquer maneira.

***

Já era de se esperar que Marlene não conseguiria dormir naquela noite. Mas depois de uma noite repleta de pensamentos, inseguranças e até mesmo arrependimentos, lá estava ela: de pé, arrumada e pronta para dizer para Sirius que aquela era uma péssima ideia. Que ela não havia pensado antes de responder e que era melhor que eles continuassem afastados, pelo bem de sua sanidade.

Mas obviamente, e encorajada por Lily e Dorcas, ali estava ela. Sentada no Três Vassouras em frente a Sirius Black, que estava charmoso como nunca, pronta para admitir que não conseguia parar de pensar nele, por isso andava tão distraída...

— McKinnon? — Sirius chamou, acenando em frente ao seu rosto.

— Desculpe, o que? — ele riu, cruzando as mãos em cima da mesa.

— Eu perguntei se você conseguiu escrever seu pergaminho sobre animagia ontem — ele arqueou a sobrancelha, curioso.

— Por incrível que pareça, sim — ela suspirou, desviando o olhar de Sirius e olhando para as mãos. Sabia que parecia ridícula naquele momento, nada parecida com o que costumava ser normalmente: destemida, confiante e até mesmo determinada.

Mas por outro lado, toda a sua determinação de se manter afastada de Sirius Black tinha durado bem menos do que esperava.

— Eu... — Sirius começou a dizer, sem parecer saber o que queria dizer ou por onde começar — Por que você se afastou de mim, Marlene? Eu simplesmente não consigo entender — ele perguntou frustrado.

Por sorte, ou talvez azar, Madame Rosmerta apareceu antes que Marlene pudesse abrir a boca, trazendo duas cervejas amanteigadas e um grande sorriso para Sirius. O garoto agradeceu, dando menos atenção a ela, do que ela provavelmente esperava receber, encarando Marlene com atenção.

Isso a fez suspirar. E seus pensamentos começarem a rodar e rodar, deixando-a mais confusa que seus sentimentos por Sirius.

— Honestamente? Porque era demais para mim, Sirius — ela sussurrou cansada, em tom de desabafo — Porque é cansativo pensar tanto em você. Minha cabeça simplesmente... Está cheia de pensamentos e você não sai deles. É exaustivo para caralho estar com você, sem saber se eu realmente estou.

Sirius pareceu surpreso, tanto por ela estar finalmente o respondendo e não só fugindo do assunto, tanto pela sua resposta.

— Você nunca me disse nada disso, eu achei que... — ele tentou dizer, mas Marlene o cortou.

— Isso foi antes, obviamente. Antes de... Merda, eu ter mais sentimentos do que eu gostaria de ter por você — Sirius balançou a cabeça, parecendo achar tudo aquilo surreal. Ou hilário, Marlene não sabia ao certo.

Os dois ficaram em silêncio por um momento. Até mesmo os pensamentos de Marlene pareciam ter se silenciado naquele instante.

— Você sabe quantas garotas eu trouxe aqui? Ou eu saí no meio da noite, simplesmente para conversar? — McKinnon revirou os olhos, pronta para dizer “milhares”, mas Sirius continuou — Nenhuma além de você. Eu nunca levei nenhuma garota além de você ao dormitório, e muito menos a Sala Precisa. Eu sequer conversei por mais tempo do que eu estou conversando com você aqui, com qualquer outra garota, com exceção talvez, a Lily. Você tem ideia do quão exaustivo é pensar em você e tentar adivinhar o porquê você me deu um pé na bunda, sendo que parecíamos ótimos juntos?

Sirius pareceu ter dito, de uma vez só, tudo aquilo que vinha assombrando os pensamentos dele nas últimas semanas. E era estranho ver ele ser tão sincero, enquanto Marlene mal tinha coragem de enfrentar seus sentimentos, pensamentos e o fato de que Sirius Black parecia tão confuso quanto ela.

— Nós deveríamos nos afastar... — expressou Marlene, cansada. Cansada de sentir tanto, de pensar tanto. — Quer dizer, a guerra tem piorado, tudo está tão confuso, Sirius. Quer dizer, nós nunca tivemos nada sério, certo? — a garota sorriu fraco, sentindo-se pior a cada palavra que proferia. Por que parecia tão difícil se afastar e simplesmente parar de pensar em Sirius Black?

— Você ouviu alguma coisa do que eu disse, Marlene? — Sirius parecia frustrado e cansado. Parecia tudo menos aquele garoto sarcástico e engraçado que ele geralmente era, pronto para contar uma piada e distrair a todos do que acontecia fora dos perímetros de Hogwarts. — Não use a porcaria da guerra como desculpa para não admitir o que você sente, McKinnon.

Um pouco ofendida, Marlene cruzou os braços em frente ao peito, apoiando as costas no banco que estava sentada, encarando-o irritada.

— Como você tivesse alguma intenção de admitir algo ou sequer sentisse algo a mais por mim que apenas tesão.

Sirius revirou os olhos, passando as mãos pelos cabelos logo em seguida, parecendo frustrado e cansado de lutar contra Marlene. De estar ali, conversando com ela e tentando entender tudo o que vinha acontecendo entre os dois.

— Como se eu não demonstrasse o suficiente... O que você espera de mim? Você me conhece, Marlene. Minha maior demonstração de afeto por você é estar do seu lado, porra. Ser seu maldito confidente e amigo de transa, nas horas vagas — ele murmurou de forma ácida, parecendo irritado — Quando nós começamos a sair, você concordou comigo que éramos amigos acima de tudo. O que diabos você quer que eu faça, se você sequer conversa comigo? Você me magoou, porra. Você simplesmente se afastou!

Marlene se sentiu magoada pelas palavras dele. Ela sabia que ele não nutria os mesmos sentimentos por ela, é claro que sabia. Mas ainda doía ouvir ele dizer que estava tão magoado com ela. Ela só queria... Pensar com clareza.

— Eu quero que você saia dos meus malditos pensamentos, Sirius. Quero parar de sentir tudo o que tenho sentido por você, sendo que obviamente eu não sou correspondida. Eu só... Cansei de me sentir iludida — Marlene resmungou, bebendo um grande gole de sua cerveja amanteigada, finalmente. Sem esperar por uma resposta, a garota largou o copo e se levantou, pronta para sair do local e voltar para Hogwarts.

Aquela conversa já estava mais confusa e fora dos trilhos que seus próprios pensamentos.

— Você acha que você não está nos meus pensamentos 24h por dia também, Marlene? — Sirius riu, incrédulo com o que ela havia dito — Não é correspondida? Merda, Marlene, eu sou literalmente um idiota aos seus pés. Desde que você me beijou pela primeira vez, eu nunca mais olhei para ninguém. É impossível que você não enxergue isso.

Marlene não sabia ao certo o que dizer. Seus sentimentos estavam tão confusos, mas seus pensamentos nunca pareceram tão quietos antes. Tudo o que ela conseguia prestar atenção era na forma que Sirius a encarava, esperando uma resposta, ansiando que ela simplesmente largasse seu orgulho de lado.

Mas antes, ela talvez precisasse de um pouco de ar. Sem pensar no que estava fazendo, Marlene simplesmente balançou a cabeça, saindo do Três Vassouras logo em seguida, ouvindo os resmungos de Sirius atrás de si.

Afastando-se, parou perto de uma árvore qualquer e encostou-se a ela, esperando Sirius a encontrar. Era claro que ele vinha atrás dela depois daquilo... Ela só não sabia o que pensar e o que dizer.

Quando Sirius parou na sua frente, Marlene sorriu, balançando a cabeça.

— Eu sou um pouco idiota, não sou? — ela resmungou, irritada. Consigo mesma, com a bagunça que sua cabeça estava. Ela queria tanto que tudo fosse mais simples: que ela fosse apenas uma garota menos ansiosa e sem tantas inseguranças. Não era culpa de Sirius que seus pensamentos simplesmente a deixassem confusa e desesperada, muito menos que ela tivesse dificuldades de aceitar e mesmo confiar nele e na suposta existência de seus sentimentos.

Ela só estava assustada. Eram tantas coisas acontecendo… E no meio de tudo, Sirius Black parecia realmente disposto a admitir tudo aquilo que ela não gostaria de admitir. Tudo aquilo que ela nunca esperou sentir por ele.

— Você é um pouco cabeça dura, na verdade — Sirius sorriu um pouco, colocando as mãos nos bolsos — E eu juro, essa sua mania de sair no meio das conversas… — ele revirou os olhos, parecendo frustrado — Me deixa completamente louco. Você me deixa louco, para falar a verdade — ele deu de ombros, como se não fosse nada demais.

Mas para Marlene, era tudo.

Porque naquele momento, tudo o que ela conseguia pensar era em beijar Sirius Black. E foi justamente o que ela fez, agarrando-se a ele, finalmente com a mente vazia. Nenhum pensamento ousaria cruzar sua mente naquele momento, não enquanto Sirius a beijava contra aquela árvore, não enquanto eles estivessem tão juntos que Marlene não sabia onde ela começava e onde Sirius terminava.

Não enquanto eles estivessem juntos.

Quando se separaram, Marlene respirou fundo, escolhendo o que deveria dizer.

— No que você está pensando? — Sirius perguntou, fazendo Marlene balançar a cabeça, suspirando.

— Que eu quero beijar você de novo — o garoto sorriu, plantando outro beijo em seus lábios, quando ele se afastou, ela voltou a dizer — E em o que nós vamos fazer agora…

— Nós vamos ficar juntos — Sirius respondeu, com tanta convicção que Marlene acreditou. Porque apesar de tudo: estar com Sirius era o que ela queria naquele momento. Era tudo o que ela pensava, tudo o que ela desejava e não tinha tido coragem de admitir até aquele momento.

Ela não pôde se conter e o beijou mais uma vez, sorrindo. Quando se afastaram, ela sorriu divertida, pensando em como tudo aquilo, estar ali com Sirius e se sentindo tão calma, tão entregue, parecia algo tão distante para ela, algo impensável.

— Eu estou pensando em só mais uma coisa… — Sirius a encarou atentamente — Quando você vai me mostrar sua forma animal? — ele a encarou um pouco inseguro e confuso sobre o que ela queria dizer — Eu ainda preciso fazer aquela redação sobre animagia. E você é a minha melhor fonte, mas eu quero ver o feitiço funcionando.

— Eu não sei do que você está falando — Sirius riu, balançando a cabeça, embora seus olhos brilhassem em diversão e malícia. Marlene deu de ombros, rindo também.

Ela simplesmente estava aliviada por estar ali, por estar com ele. Por saber que ceder e admitir seus sentimentos não a tornava fraca, mas sim completa. Porque estar com Sirius Black simplesmente a fazia transbordar.

Seus pensamentos, seus sentimentos…

Tudo parecia transbordar graças a ele.

E era isso que realmente importava, no final das contas.

Notas finais
e aí, o que acharam? espero que tenham gostado ♥ enfim gente, obrigada pra quem leu até aqui! estou no twitter no @leneckinnon, me procurem pro lá também! xoxo, mckinnon.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!