Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
15 Uma conversinha com o Deus dos mortos
Notas iniciais
Hades nos olhou como se fossemos invasores. O que na verdade éramos, mas acho que isso não devia contar tanto já que estávamos com seu neto.
-Muito bem. Pelo visto vocês conseguiram realizar as tarefas –diz o Deus nos observando atentamente.
-Nem todas- confesso- Ainda precisamos derrotar Crio e mandá-lo de volta para o Tártaro.
-Sei, e vocês acham que, ao completarem essas tarefas vão conseguir resgatar seus amigos?
Os garotos me olham confusos. Eles, assim como eu, parecem não ter a menor ideia do que esperar desse encontro com Hades.
-É, bem, acreditamos que, depois de realizada tarefa poderíamos contar com alguma ajuda para resgatá-los sim- digo insegura.
- Entendo. E vocês simplesmente decidiram que deveriam entrar no meu reino, assim, sem serem convidados, enganar as fúrias e outros monstros leais a mim, subornar Coronte, e sair daqui ilesos. Sabe, estou ficando cansado dessa petulância dos heróis.
-Vô- diz Tales
— E- diz ele olhando feio para Tales- Também estou cansado da cumplicidade que meus filhos e netos vêm mostrando com as crianças dos meus irmãos. Tenho certeza que nenhum deles teria a mesma cortesia que eu.
-Vô, estamos aqui para resgatar Nico, não se esqueça. Ele está no tártaro, onde nem mesmo o senhor tem poder.
- Seu tio só está no Tártaro por ter se envolvido com a neta de Zeus. O que deveria ter ensinado a você algo. Mas, pelo visto, você não aprendeu nada- Hades lança a mim e a Alex um olhar de profundo desgosto.
-Olha senhor Hades- diz Alex- Eu sei que os descendentes dos três grandes sempre tiveram suas rivalidades. Mas acredito que não precise ser assim. Além disso, estamos praticamente à beira de uma guerra entre Romanos e Gregos. Precisamos de toda a união se quisermos evitar isso.
-Posso ver por que você quer tanto a união entre os descendentes dos três grandes, neto de Júpiter- Hades olha diretamente para mim ao dizer isso. Eu não sei por que, mas o olhar dele faz com que minhas bochechas fiquem incrivelmente vermelhas.
-Senhor Hades, não queremos ofender o senhor com nossa intromissão no seu reino. Nós só queremos resgatar nossos amigos e evitar um banho de sangue- digo tentando colocar algum juízo naquela cabeça dura divina.
- Você Penélope, é igualzinha ao seu pai. Invade meu reino e acha que pode vir aqui me dar ordens ou fazer aquilo que bem entender.
-Meu pai não é assim- digo, começando a me enfurecer.
-Claro que não- o sarcasmo na voz de Hades é palpável- Ele só queria evitar uma guerra e salvar os amigos, assim como você.
- Vô, você precisa nos escutar. Crio, os Menelaus, estão todos invadindo o mundo inferior. Eles sim são os invasores. Eles estão desrespeitando o seu reino, escravizando almas, andando por ai sem seu consentimento.
-Você está dizendo que não estou cuidando bem do meu reino garoto?- A voz de Hades está perigosamente controlada, cada nota soando com fúria.
-Senhor- diz Alex- O que Tales está dizendo é que o senhor obviamente está sentindo que tem algo errado por aqui. Que o senhor sabe que, apesar de tudo, deve confiar em nós.
Alex está usando o charme, posso perceber isso. O poder parece funcionar com Hades, sua face suaviza um pouco.
- Muito bem- diz ele- vejo que sua avó o dotou com dons poderosos Alexandre Grace. A verdade é que você tem razão. Tenho sentido sim certas... Perturbações no meu reino.
-Então, como o senhor pode ver, não estamos errados. Nós viemos em paz, colocamos o nosso serviço a sua disposição para derrotar Crio. E se pudermos contar com alguma ajuda para resgatar Thalia e Nico, agradeceríamos- digo.
-Agradeço pela ajuda. Não vou negar que sua intromissão no meu reino é totalmente ofensiva, mas, dada a sua disposição para derrotar esse titã, acredito que não precise puni-los. Agora quanto a Nico e a filha de Zeus...
-Thalia- digo com mais ênfase do que pretendia
- Quanto a isso- ele continua como se não tivesse sido interrompido- Não posso ajudá-los. Não tenho autorização para tal. Vocês estão completamente sozinhos nessa.
- Obrigada vô- diz Tales educadamente. A decepção está visível nos rostos dos meus companheiros.
- Agora Alexandre, dê adeus novamente aos seus amigos. Tales, você e a neta de Poseidon devem partir agora.
- O que?- pergunto olhando incrédula para o deus na minha frente.
-Ele deve ficar obviamente. Minha mulher ainda não o liberou de suas funções.
- Mas... já completamos quatro tarefas. O senhor não precisa dele aqui. Nós precisamos dele para derrotar Crio.
Alex me olha com um sorrisinho de lado posso ver por sua expressão que ele adorou o fato de eu admitir que precisamos dele pela primeira vez. Reviro os olhos.
-Senhor Hades eu tenho que ir com eles. Deve haver alguma coisa que possamos fazer para, hum, suprir minha falta.
-Vocês- diz Hades nos olhando com seu melhor sorriso malvado- Estão sempre barganhado com Deuses. Vocês sabem que isso não é inteligente não é.
-Com certeza, mas geralmente eles não nos deixam muita escolha – respondo atrevida.
Hades me olha e percebo seus olhos faiscando.
- Muito bem- diz Hades suspirando pesadamente- Por mim, você pode muito bem ir com eles. Odeio ter um neto do meu irmão por aqui bisbilhotando minhas coisas. Perséfone ás vezes é um tanto neurótica quanto aos cuidados da casa.
- Eu pensei que ela não se importasse com o mundo inferior- digo sem pensar.
- E não se importa – diz Hades revirando os olhos- Ela só quer ter certeza de poder passear sem ser incomodada e evitar que eu tenha, nas palavras dela, bastardos deploráveis.
-Ei!- diz Tales ofendido.
-Mas enfim... Podem levar o neto de Júpiter com vocês. Mas se Perséfone perguntar eu fiquei aqui durante todo o tempo, estamos entendidos?
-Hum, claro senhor- digo rapidamente.
-Vô, eu não vou ter mais um tio no final do ano não é?- Pergunta Tales com uma expressão atordoada.
- Você gostaria de saber se tivesse?
-Não, não. Gosto da vida cheia de surpresas do jeito que ela é- diz Tales tentando não rir.
- Quanto às invasões no meu reino – diz Hades o tom sombrio voltando ao seu rosto- Já mandei Tanatos e algumas fúrias verificarem. Os relatórios não têm sido nada bons.
- O que eles dizem?- pergunto, mal contendo minha curiosidade.
- Que tem havido invasores. Nada mais que uma neta de Poseidon precise saber.
Reviro os olhos diante da desconfiança crônica de Hades.
-Agora espero que vocês estejam preparados. Derrotar Crio não vai ser fácil. Ninguém jamais viu sua verdadeira forma.
- Sabemos senhor, faremos todo o possível para derrotá-lo- Diz Alex confiante.
De repente sinto a temperatura do local caindo gradativamente. Também posso ver que a escuridão está ficando cada vez maior no palácio. Olho para Hades, se é possível sua face está mais pálida do que o normal.
-Crio- diz ele tão baixo que não tenho certeza de como consegui ouvir.
- Ele deve ter conseguido chegar aqui- diz Alex- Temos que detê-lo.
-Como vamos fazer isso?- pergunto- Temos que ter um plano, algo...- diz Tales.
-Não temos tempo. Senhor Hades, fique no palácio. Proteja-o. Chame Tanatos e as fúrias. Vamos deter Crio.
-Neta de Atena, acho melhor conseguir fazer isso. Ou todos nos iremos perecer na mão do Titã.- diz Hades sombriamente- Olhem para o outro lado.
Fazemos o que ele pede e quando o olho novamente ele está vestindo uma armadura. Se é do estilo grego ou romano eu não posso dizer, mas ele está pronto para lutar. Ele faz um gesto com a mão e vários guardas, esqueletos, almas, fúrias, se apresentam diante dele.
-Senhor – diz um dos esqueletos que parece o líder- O palácio está sendo atacado. Tropas de almas rebeladas.
-Você está soando obvio Montesquieu. Da próxima vez, poupe-me de detalhes que qualquer criatura com olhos consegue constatar
— Mas...- diz o esqueleto. Eu nunca pensei que fosse sentir pena de um esqueleto, mas, naquela hora, eu senti. Ele parecia querer fazer tudo para agradar Hades.
-Prepare as tropas. Vamos proteger o palácio. Quanto a vocês três- diz ele olhando diretamente para mim e meus amigos- Detenham Crio.
Eu olhei para meus companheiros. Não tínhamos a menor ideia de como faríamos isso. Mas pela expressão dos dois eu tinha certeza de que eles estavam pensando a mesma coisa que eu: Não importa o que acontecesse, estávamos nessa juntos.
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