Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
11 A velhinha que prevê o futuro toma minha água
Notas iniciais
Como sempre desculpem a demora! Como não queria deixar vocês esperando muito, aqui vai um capitulo curtinho, mas que diz muito sobre Penny. Espero que gostem. beijoos
Eu me sentia completamente arrasada. Estar no mundo inferior não era bom, agora, estar sozinha no mundo inferior era deprimente. Meu colar brilhava cada vez mais intensamente e eu estranhamente sabia o caminho que tinha que seguir, graças a seu brilho vermelho intenso.
Desde que aceitara essa missão, eu esperava vir sozinha, sem machucar ninguém, sem arriscar nenhum amigo. Mas agora, não só tinha deixado Alex na mansão da deusa psicótica, como tinha perdido Tales e Harriet no meio do caminho. Isso fazia com que toda a força dos meus músculos fosse drenada.
Quanto mais eu avançava na direção que deveria seguir, mais escuro o caminho se tornava. Eu suspeitava que estava ficando mais perto do Tártaro a cada passo. Essa sensação era aumentada pelo calor que esquentava cada osso do meu corpo. O colar era a única coisa que provia luz naquela escuridão. Ele me mantinha caminhando, quando eu queria desistir.
Eu sentia que o objeto mantinha minha mente focada. Toda a vez que eu queria parar, ele mandava imagens que me faziam seguir em frente. Meus pais sorrindo para mim me entregando suas armas, depois meu pai me dizendo que eu seria capaz de vencer no mundo inferior. Tia Thalia me fazendo ouvir Green Day quando era criança ou Tio Leo modificando um Outdoor em pela Times Square no meu aniversário com a frase “Feliz aniversário Penny, a melhor sobrinha de todas!”, Alex me beijando na casa de Sócrates. Eu tinha que continuar.
Caminhei por um caminho tortuoso até chegar a uma clareira no meio da escuridão. Havia mulher sentada em um banco, perto de uma fogueira. Ela parecia extremamente velha. A pele no rosto dela estava cravada de rugas, seu olhos eram tão negros que eu poderia jurar que tinham sido substituídos por carvão.
Ela vestia uma longa túnica puída. O mundo inferior não cheirava muito bem, mas, comparado com ela, tinha até um perfume agradável. A velhinha na minha frente cheirava pior do que um amontoado de cadáveres empilhados, como se a podridão fosse parte dela.
Eu me aproximei um pouco, temendo ser atacada a qualquer momento pela mulher estranha na minha frente.
–É difícil perder pessoas com queridas não é mesmo pequena grega?
Eu olhei para ela desconfiada.
–Quem é a senhora?
–Sou Sibila. A Sibila de Cumas, Deífoba. Você com certeza já ouviu falar de mim não?
Eu sabia um pouco sobre a história das dez Sibilas. Elas eram uma espécie de versão romana das pitonisas, também tinham o dom de prever o futuro e eram agraciadas pelo Deus Apolo. Eu havia pesquisado um pouco depois que Sócrates me entregara o livro sibilino, então eu sabia exatamente com quem estava falando.
–Você é a mais famosa das Sibilas- disse encarando a mulher- Aquela que esqueceu de um pequeno detalhe quando pediu uma dádiva para o Deus Apolo.
Ela me olhou carrancuda.
– Menina, você devia ser mais sensível. Pode estar pisando no calo de alguém. Não é a toa que 99% dos monstros gregos adorariam ter sua cabeça decorando a sala de estar.
–Desculpe- eu disse revirando os olhos
A verdade é que eu estava sem paciência para lidar com mais problemas ou monstros. Além disso,sabia que A Sibila havia sido realmente muito estúpida. Apolo, como sempre acontecia, se apaixonara perdidamente pela sua jovem sacerdotisa. O Deus concedeu um desejo a vidente que prontamente colocou um punhado de areia na mão do deus da poesia, dizendo que gostaria de viver tantos anos quantos fossem os grãos. Muito sábio. Ela só esqueceu de pedir para não envelhecer e foi se degradando com o tempo.
– Você está indo visitar Tirésias não está heroína?
–Sim, então você poderia me deixar passar? Sabe estou com um pouco de pressa- É, provavelmente o mundo inferior estava me deixando parecida com uma filha de Ares.
A Sibila soltou uma risada sinistra.
–Eu sei que você está enfraquecida criança. Não vou impedir seu caminho, você ainda tem muitas coisas a realizar. Estou aqui apenas para lhe avisar.
–Me avisar? Olha, eu agradeço, mas sinceramente acho que não preciso mais de avisos.
–Ah claro, você acha que já teve o suficiente com meu livro não é mesmo?
Apenas balancei a cabeça. A mulher suspirou.
–Bom, é verdade. E devo dizer, você é a pessoa mais sábia que já tocou no livro, os outros simplesmente não compreendiam. Achavam que ele significava poder.
Eu assenti.
–Obrigada. Mas você está enganada-Falei um pouco amarga-O livro não traz poder. Ele só nos mostra aquilo que não podemos controlar. Ele pode nos mostrar mortes, trazer pânico.
–Entendo- disse ela olhando intensamente para mim.
–E além disso, eu não quero poder- continuei com raiva- Não por esse preço.
A mulher me estudou por um momento.
–Muito bem. Vejo que suas perdas não enfraqueceram totalmente seu juízo. Acredito que, se você continuar nesse caminho, você consiga reaver aquilo que perdeu e consiga até mudar seu destino.
– Meu destino?
–Sim criança. Você ainda tem muitas dificuldades pelo caminho. Mas passei muito tempo falando sobre o passado. Vamos falar sobre o presente. Você ajudaria essa velha? Estou morrendo de sede. Poderia me dar um pouco de água?
Eu busquei minha garrafa na mochila. Ela estava quase vazia. Sinceramente, nessa hora, eu pensei em dar um pouco de água do Lete para a senhora, ou até mesmo do Estige. Olhei para ela e percebi que sentia muita pena de Sibila. Saber o futuro não é um dom, é uma maldição. Minha profecia não era culpa dela. E sim, eu sabia que no mundo grego, se você nega alguma coisa para uma entidade misteriosa, pode se dar muito mal. Suspirei internamente com a única alternativa que minha consciência me deixava e entreguei a garrafa para ela.
–Você vai me entregar sua ultima reserva de água.
–Você está com sede não está?- disse dando de ombros- Não se preocupe, vou dar um jeito.
A mulher sorriu para mim e tomou todo a água que eu tinha.
–De nada- Resmunguei sarcástica.
Sibila sorriu marotamente para mim.
–Você realmente quer saber o futuro? Você realmente quer ver Tirésias?
Essa pergunta me pegou de surpresa. Eu pensei que a resposta seria fácil, mas por incrível que pareça não.
–Não. Eu não quero saber o futuro, nem quero conversar com Tirésias. Mas eu preciso fazer isso. Há muitas pessoas contando comigo.
– Esta é a resposta de uma verdadeira heroína. Sabe Penny, de todos os poderes, de todas as formas de sabedoria, gentileza e compaixão são as maiores. Muitos homens não conseguem compreendê-las, mas você provou entender esse segredo durante nossa conversa.
–Ah, obrigada- Eu disse insegura.
– Vou deixar você seguir seu caminho menina, não se preocupe. Há mais água em sua mochila. Também há um bracelete. Ele se torna um escudo. Mas esse presente não é para você. É para o neto de Júpiter. Ele também será provado no seu devido tempo e terá que aprender a ter confiança, mesmo quando isso parecer impossível. Adeus pequena Helena.
–Helena? Por que você está me chamando assim?- perguntei para a mulher.
Sibila sorriu.
–Boa sorte Penny! Faça bom uso do meu legado, não deixe Octavian colocar as mãos nele.
Então, assim como apareceu, a vidente sumiu como uma lembrança tênue. Percebi que meu colar estava brilhando intensamente e que eu estava de frente para uma cratera. Senti que era hora. Peguei o pão e a coca que eu tinha na mochila. Eu queria que Tales estivesse aqui comigo, seria mais fácil, mas eu não tinha opção. Reuni toda a determinação que possuía e comecei o ritual de invocação dos mortos, esperando Tirésias, sabendo que provavelmente não gostaria do que iria ouvir.
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