Notas iniciais
Olá minha gente! Desculpa mesmo a demora. Estou pensando em fazer capítulos maiores um pouco. Enfim... chega de baboseira e vamos ao que interessa. Por favor, não me matem.

A dor era excruciante. Eu ouvia vozes, mas me recusava a abrir os olhos. Eu sentia que deveria ficar presa aquela escuridão para sempre, sentia cada gota do meu sangue implorando para parar de correr pelo meu corpo.

–Penny!- demorei algum tempo para perceber que a voz que me chamava era Alex.

Abri os olhos e dei de cara com sua expressão preocupada. Olhei ao meu redor, estávamos em um abrigo. Deduzi que ainda estávamos dentro do lugar onde as almas eram torturadas, tudo estava escuro e as paredes estavam úmidas. Alex parecia que tinha acabado de acordar ou saído de uma batalha, eu achava difícil dizer. Já Tales estava em um canto, contando as flechas e os suprimentos. Percebi que ele estava com um ferimento feio no braço e fazia uma careta toda vez que tinha de usá-lo.

–Onde estamos?- Perguntei tentando aliviar a dor que começava a afligir minha cabeça e tentando ignorar as pontadas no meu peito.

–Estamos abrigados- disse Alex olhando em volta- Não sei bem que lugar é esse, mas me pareceu seguro.

Assenti, embora as palavras “lugar seguro” não significassem muita coisa no Tártaro. De repente um pensamento terrível me acometeu.

–Nico, Thalia... quantos dias eu dormi? Não diga que os perdemos.

–Penny, você não dormiu nem oito horas. Eles estão em um lugar seguro. Eu deixaria você descansar mais, mas não é bom ficarmos parados num mesmo lugar aqui, você sabe.

Soltei um assovio aliviada. A perspectiva de ação diminuiu a dor.

–Você ainda está com a espada não está? – Olhei para Alex.

–Sim- disse ele desconfortável- Eu não quero entregar para ele Penny. Eu sei que é infantil, mas sinto que ela é minha.

Ele me olhava como se esperasse que eu fosse condena-lo ou obrigá-lo a entregar a espada de qualquer jeito. Ele parecia uma criança que não queria se desfazer de um brinquedo, só que eu sabia que a situação era bem diferente.

–Vamos dar um jeito- sorri para ele- Vamos, temos que sair daqui.

Tento me levantar, mas o esforço faz minha cabeça girar. Consigo me apoiar na parede úmida, mesmo sem saber se é seguro e levanto. Sinto os braços de Alex em volta de mim.

–Deuses, Penny, você ainda está muito fraca- diz ele me olhando preocupado.

– Não, está tudo bem- digo com alguma dificuldade- Sabe, levar uma lança no peito não funciona como um tratamento de Spa.

Alex revira os olhos. E me ajuda a caminhar até onde Tales está.

–Penny, é bom ver você viva- diz ele colocando a mochila nas costas e me encarando.

Sinto meu rosto ficar quente por alguma razão desconhecida. Ignoro isso e começamos a andar em direção ao trono de Euristeu. O caminho é longo, escorreguei diversas vezes em umas pedras perigosas, por sorte não cai. Eu tinha que segurar um grito toda vez que isso acontecia porque a dor vinha forte.

Os meninos me olhavam preocupados. Eu podia ver que Alex queria me dar um pouco mais de remédio, mas ele sabia que não podia. Perséfone fora bem clara, apenas uma dose. Eu ainda estava me amaldiçoando por eles terem tido que usar o remédio comigo, por isso não tomei o néctar nem comi a ambrosia que Alex me ofereceu. Não queria acabar com nossos últimos suprimentos.

Depois do que pareceu uma eternidade chegamos ao Trono de Euristeu. Ele estava torturando uma alma só por diversão, o que não ajudou a me sentir melhor e mais feliz de ter completado a tarefa. Assim que percebeu que estávamos ali, ele deu um sorriso feliz.

–Não acredito- disse ele- Vocês conseguiram.

Seus olhos pousam em mim então ele deu um sorriso maior ainda. Seu sorriso fez meu coração parar de bater por um segundo, nada do que fizesse Euristeu sorrir era um bom sinal.

–Não sem perdas, no entanto- disse ele completamente alegre

–Perdas- perguntou Alex olhando de Euristeu para mim- O que o senhor quer dizer? Onde estão Thalia e Nico?

–Ah eles estão bem, mas preciso falar com Penélope a sós- disse o rei.

–Não vamos deixar ela sozinha com você- diz Tales com a mão perigosamente pousada em suas flechas.

Euristeu deu risadas.

–Vocês acham que estão em posição de barganhar alguma coisa aqui? Só prova o quão tolos são.

–Não vamos deixá-la sozinha com você- Alex repetiu a ameaça de Tales.

Eu não queria ficar sozinha com o rei do mal. Euristeu não estava na minha lista de companhias mais agradáveis, mas eu sentia que tinha que fazer isso.

–Meninos, tudo bem. Euristeu precisa falar comigo.

Os dois me olharam como seu eu fosse louca, mas assim que se entreolharam reviraram os olhos como se dissessem “OK, Penny está ficando maluca, mas vamos fazer o que ela quer”. Ao perceber que os meninos estão prontos a sair ele lhe dá um aceno zombador.

–Estaremos por perto- diz Alex antes de sair, lançando seu pior olhar ameaçador para o tio Hércules. Euristeu faz um gesto com os dedos e num segundo todas as almas se foram e ficamos só eu e ele. Sua expressão era assustadora.

–Muito bem Penny- diz ele – Brutus acertou você com a espada não é mesmo?

Eu não sei por que, mas temi dar a resposta.

–Sim- respondi olhando curiosa para ele.

–Interessante. Gostaria de saber como você ainda está viva.

– Alex. Ele me deu um remédio divino- Eu não queria revelar mais nada, sabia que essa não era uma conversa amigável, quanto menos informações eu desse ao rei, mais segura ficaria.

Os olhos mortos-vivos de Euristeu adquiriram um azul aterrorizador e ele começou a rir. Se uma risada era assustadora, a risada era aquela. Eu sabia que alguma coisa estava errada. E eu sabia que de alguma forma eu iria me dar muito mal com qualquer que fosse o motivo da felicidade de Euristeu.

–Mas isso é perfeito!- diz ele como se tivesse acabado de ganhar um presente de natal adiantando.

– O que é perfeito?- perguntei assustada.

–Ah minha criança. Você deveria estar morta. Deveria estar sangrando até a última gota aqui no Tártaro. Seu amigo salvou você, mas foi só por um tempo.

– O que você quer dizer com isso?

– O remédio é potente sim. No entanto, Penélope, sinto decepcioná-la. Nem um remédio poderia salvar você. Perséfone apenas lhe deu mais algum tempo.

Minha visão ficou embaçada. A única coisa que eu conseguia ver e ouvir eram as imagens e as vozes na minha cabeça. Meus pais, meus amigos, Nina. Todos. Senti um frio na espinha ao pensar em nunca mais vê-los de novo. Pensei em todas as possibilidades, me formar em uma universidade de prestigio, me casar com alguém legal, ter filhos, tudo sumindo. Eu olhei para Euristeu, sentindo como se o chão fosse se abrir a qualquer momento.

– Você está mentindo não está?

–Por que eu mentiria Penélope?

Assim que olhei para Euristeu novamente eu percebi que ele não estava mentido. Eu já estava morta, condenada.

– Quanto tempo...

–Quanto tempo você tem? Ah isso é tão típico de mortais, medem o tempo como se ele fosse algo palpável. Um dia? Uma semana? Meses... Só as parcas sabem, Mas eu garanto uma coisa. Você não tem mais de um ano. Não com um ferimento como aquele.

–Não é verdade!- eu grito.

Euristeu não responde, não precisa.

–Sinto dizer que o veneno irá se espalhar pelo seu sangue.

–Pare!- digo sentindo náuseas. Eu não podia morrer, não agora. Eu precisava evitar que os Menelaus criassem uma guerra entre os acampamentos, precisava parar Tifão. Havia muitas coisas que eu ainda tinha que fazer.

–Não há nada que eu possa fazer? – Pergunto desesperada.

–Não, criança. Você já é praticamente uma criatura do mundo inferior.

Eu me lembro da sensação de ficar sem ar quando fiquei presa no porão do Dr Espinheiro, era exatamente como eu me sentia agora. Eu precisava sair dali, eu não podia deixar a história terminar assim. Então me lembrei de uma história que tio Leo me contou quando eu era criança e que nunca saiu da minha cabeça.

Era a história de Alceste, a mais bela das filhas do rei Pélias. Seu pai recusou inúmeros pedidos de casamento por medo de perder sua posição. Para conseguir um marido que fosse adequado, Pélias organizou um torneio. Aquele que conseguisse atrelar um javali e um leão em um mesmo carro de corrida e o dirigisse em torno do estádio, teria concedida a mão de Alceste.

Admeto, filho de Apolo, ao saber do torneio ficou desesperado e intercedeu aos deuses que lhe ajudassem. Com a ajuda do pai e de Hercules ele conseguiu cumprir a tarefa. Acontece que, com toda a sua alegria pelo casamento ele esqueceu de fazer sua oferenda para a deusa Artêmis.

Enfurecida, ela ordenou que a morte o levasse. Sabendo do perigo que o aguardava, Admeto rogou a Apolo que salvasse sua vida. Apolo intercedeu e disse que ainda não era hora da sua morte. No entanto, na hora em que Hermes viesse buscá-lo para ir ao tártaro, ele apenas se salvaria se alguém de sua família desse sua vida no lugar da dele.

Alguns anos se passaram e, quando o deus mensageiro veio buscá-lo, ele implorou a todos a seus familiares para que tomassem seu lugar. No entanto, a única a amá-lo o suficiente para fazer isso foi Alceste.

Eu sabia o que tinha de fazer, eu seria Alceste.

–Não conte para eles- implorei.

–Para seus amigos? Sem problemas, adivinhei que você não quisesse isso. Fica bem mais fácil para negociarmos assim. Um dia, no entanto, eles terão que saber não é mesmo?

–Mas não agora. E eu... eu tenho uma proposta. Para tirar uma alma daqui você precisa de outra não é mesmo?

–Exato.

–Eu serei essa alma. Ficarei no lugar dos meus amigos. Você diz que estou morta mesmo.

–Ah criança pode acreditar você está.

–Então- digo sentindo meu coração falhar- Faremos um acordo. Eu ficarei. Não agora, ainda preciso voltar para deter uma guerra. Há coisas que preciso fazer. No entanto, você terá minha alma assim que tudo isso tiver acabado.

– Ah você acha que eu a deixarei partir, com duas almas do mundo inferior, sem nenhuma garantia?

–Obviamente não,mas preciso partir. Vou fazer um juramento pelo estige, isso é suficiente não?

Euristeu me avaliou. Ele parecia estar medindo as consequências da minha proposta. A cada segundo que ele demorava a responder minha mente tentava processar a verdade. Eu estava condenada a passar a eternidade no Tártaro. Percebi que não tinha tempo para pensar no que eu iria perder. Esse era meu destino, e eu deveria aceitá-lo e fazer com que ele fosse o melhor e mais útil o possível, salvando minha família.

–Eu geralmente não costumo ser tão caridoso, mas como você claramente está disposta a se sacrificar e uma promessa do Estige não pode ser desfeita, acho que podemos negociar nesses termos.

Senti um enorme alivio, mas me lembrei que ainda tinha outra coisa a negociar.

–A espada. Gostaria de ficar com ela.

–Com a espada de César? Isso não é negociável menina.

–Ela não pertence a você. Pertence a Nova Roma. Você sabe disso. Deixe-me levá-la.

– E o que você me daria em troca da espada? Necessito de algo não acha neta de Atena?

Eu não tinha nada para dar em troca da espada. Eu sabia que Alex deveria ficar com ela, não deveríamos deixar uma arma como aquela com Euristeu.

–Bom- disse pensando cautelosamente- tecnicamente a espada é nossa. Você já conseguiu uma alma, então não precisamos mais dá-la a você. É um trato justo não acha?

–Não esqueça que você tem duas almas para resgatar.

–Nico é um filho do mundo inferior. Essas leis não se aplicam para ele. Ele pode ser um perigo para você e eu poderia ser útil, você sabe.

–Você pretende mesmo se sacrificar por seus amigos?

–Sim, é o que pretendo fazer.

–Então, faça um juramento e teremos um acordo. Você tem o prazo de um ano, não esqueça. Depois disso...

–Eu sei, minha alma é sua.

–Exato. Faça o juramento.

–Eu, Penélope Jackson, filha de heróis, juro...- Tateio em busca de palavras, alguma coisa que pudesse me salvar, nos salvar.

–Diga..

–Juro pelo Estige que, assim que meu tempo acabar e o veneno contido na espada de Brutus tiver acabado comigo, minha alma voltará para o lugar de tormento eterno, o Tártaro, sob os cuidados do Rei Euristeu.

Estava feito. Fechei os olhos sentindo uma fraqueza inesperada tomar conta de mim, como se a vida já não me pertencesse mais. De certa forma, ela já não me pertencia mesmo.

Abri os olhos e diversas almas estavam me encarando. Alex e Tales estavam do meu lado com as caras perplexas. Thalia e Nico também me observavam confusos.

–O que aconteceu? Penny você está bem? O que...- Alex parecia completamente desorientado.

–Ah que bom, todos aqui. Ótimo Penélope, já que está tudo acertado, vocês podem ir.

–Tudo acertado?- Tales me olhou com os olhos arregalados.

Eu não queria olhar para os garotos, nem para Thalia e Nico. Era doloroso demais lembrar que daqui a algum tempo eu teria de deixá-los. Então disse a única coisa que consegui, porque era tudo o que eu mais queria naquele momento.

–Venham, vamos embora.

Notas finais
Ok, desculpem. Se quiserem me matar aceito avadas kadavras, maldições e xingamentos por reviews, eu entenderei. Não me abandonem!!! Algum iniciate ai? Alguém gosta de divergente? Terminei allegiant e deuses...odeio a Roth, só queria dizer isso, precisava desabafar. Bjaum