Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
23 O preço de Euristeu
Notas iniciais
Enfim... chega de enrolação. Vamos ao capitulo. Eu realmente espero que vocês gostem e não queiram minha cabeça no final. Beijoos
Euristeu eu poderia dizer, tinha a pose de um rei. E não de um bom rei, daqueles das historias do Rei Arthur por exemplo. Ele parecia mais com um daqueles reis malvados, que fariam qualquer coisa para conseguir poder, e isso contava mandar seu sobrinho fazer doze trabalhos suicidas em nome da vaca suprema (Ei, foi ela quem escolheu esse animal, portanto não estou exatamente ofendendo Hera)
Ele estava observando as almas torturadas no centro do casebre e eu nunca tinha visto ninguém com um sorriso tão feliz. O rei estava sentado em um trono, quase parecido com o de Hades, a diferença é que seu trono não era de caveira. Ele parecia ouro, mas eu não tinha certeza de como ele tinha conseguido aquele material. Bem, estávamos de baixo da terra, Plutão era o deus dos minerais, mas mesmo assim...
Assim que ele levantou pude perceber que ele estava vestido com uma armadura feita de Prata. Seus cabelos negros pareciam camuflar toda a escuridão do lugar e eu podia jurar que seus olhos azuis estavam sorrindo diante de toda a dor que ele estava presenciando. Nico tinha vindo com a gente arrastando Thalia junto com ele. Ele estava xingando Euristeu das piores coisas possíveis em grego antigo. Não poderia culpá-lo, claro. Só a visão do homem fazia com que eu quisesse ter aprendido os piores palavrões possíveis.
-Ora, ora. Se não temos heróis vivos por aqui. Há quanto tempo isso não acontece? Deixa eu ver... uns 300 anos? 500 talvez?
- Huum, senhor Euristeu...- começou Alex nervoso.
- Vossa majestade para você garoto.
-Você está no Tártaro- eu disse- Por que se importa com títulos de nobreza?
-Eu estou...deuses quem é essa criança?- ele olha espantado para mim
-Jackson, Penny Jackson.
- Penny, você não é o James Bond, então vamos tentar manter a bola baixa ok- Sussurra Alex do meu lado, me cutucando discretamente. Ele sempre agia desse modo, como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.
- Para sua informação senhorita, eu sou o responsável por esse lugar, então sugiro que seja mais respeitosa.
Eu odiava quando as pessoas me diziam para ser mais respeitosa só porque tinham algum cargo ou eram consideradas importantes. Francamente eu achava que todos mereciam respeito, e odiava quando alguém achava que merecia mais respeito só por ser, digamos, rei. Eu tinha vontade de dar uma boa resposta, mas felizmente eu era descendente de Atena e não de Ares, então deixei que Alex falasse. Precisávamos do rei pedante. Além disso, Alex era melhor com autoridades do que eu.
- Senhor Euristeu... Er..Sou Alex, Alex Grace. Estou aqui juntamente com meus amigos para resgatar as almas de Nico Di Ângelo e Thalia Grace.
-Interessante e como exatamente vocês pretendem fazer isso? – O sorriso sarcástico de Euristeu aumentou.
Essa era realmente uma boa questão, o problema é que eu percebi que o rei apenas estava se divertindo muito com a nossa cara.
-Ah, deixe-me ver se entendi- disse Euristeu numa voz calma que me preocupou- Vocês acharam que simplesmente viriam aqui, apelariam para minha vontade e eu, com toda a misericórdia do mundo, deixaria que vocês partisse do tártaro com essas duas almas.
-Para falar a verdade, era exatamente o que esperávamos- disse, com o meu bom e velho sarcasmo.
-Senhor, sabemos que as coisas não funcionam assim- falou Alex me dando um olhar de aviso, eu podia perceber que ele estava usando a maior quantidade de charme que podia- Nós estamos aqui para negociar essas duas almas.
-Negociar, esse é um verbo perigoso meu rapaz.
- Estamos cientes disso- Falou Tales.
Sua expressão deixava claro que ele tinha o mesmo apreço por Euristeu que um descendente de Atena tem por aranhas.
- O último semideus que teve a petulância de negociar comigo foi Hércules. Pelo que vejo vocês não são tão poderosos quanto o filho de Zeus.
- Mas assim como ele estamos dispostos a negociar com você- Eu sempre acabo me arrependendo desses momentos de coragem, maldito TDAH.
Euristeu sorriu como se tivesse tido a melhor noticia em séculos. E, francamente, eu achava que ele estava tendo a melhor festa desde que Hera o incumbiu de martirizar o enteado.
- Estou realmente impressionado- disse ele- Nunca vi ninguém chegar tão longe desse jeito. A maioria morre no mundo inferior, atravessar o tártaro... Impressionante. Os últimos que fizeram isso foram, bem, vocês sabem, e eles não tiveram que passar por aqui.
- Não vamos falar sobre isso – disse com raiva- Afinal, o que nós temos que fazer?
- Vocês? Nada, absolutamente nada.
Senti como se tivesse caindo de um penhasco. Eu não podia ter vindo aqui absolutamente para nada. Eu tinha que arranjar um modo de tirá-los daqui. Observei Nico, ele parecia desolado. Eu não podia nem olhar para Thalia, sua mente vinha sendo torturada das piores maneiras possíveis. Eu não poderia deixa-los lá.
-Sempre há uma condição não é mesmo? Deve haver alguma coisa que possamos fazer, alguma coisa que o senhor queira muito, mas que só pode conseguir utilizando heróis- digo desesperada.
Euristeu me olha, além de entretido agora ele está pensativo. Posso ver as engrenagens do seu cérebro funcionando, pensando no pior e mais doloroso modo de nos usar.
- Diga o que quer Rei, e faremos sem pestanejar, com a condição de podermos libertar nossos amigos- Em certos momentos até eu mesmo me surpreendo com minha própria estupidez.
Euristeu dá uma risada debochada.
-Vocês realmente tem coragem, devo admitir. Estão dispostos a fazer aquilo que eu pedir?
Algo dentro de mim gritava “péssima ideia, corra fuja!". O fato é: Eu sou burra demais para ouvir essas vozes. Mesmo quando elas insistem em me lembrar de um instinto de sobrevivência que eu teimo em ignorar.
-Estamos- Alex falou
-Com certeza- disse Tales.
Olhei para Nico e Thalia. Sim, meus amigos estavam certos. Nós tiraríamos eles dali, custe o que custar.
- Então o que temos que fazer?
Eu tinha medo da resposta e Euristeu demorou o que pareceu uma eternidade para responder.
-Há algo sim. Algo que quero mais do que qualquer coisa e que está aqui nessa casa. Eu quero a espada de Júlio César.
— Não — disse Tales- Aquela espada é magica, isso o faria mais poderoso que o próprio Plutão.
Tive um calafrio só de imaginar alguém como Euristeu aquele tipo de poder, o problema é que, entregar a espada a Euristeu era a nossa única chance de salvar Nico e Thalia.
- Bom há uma outra maneira- disse Euristeu
Os garotos me lançam olhares assustados. No minuto em que o rei me olha seus olhos adquirem um brilho intenso, sei que ele chegou a mesma conclusão que eu. Há uma forma de meus amigos saírem ilesos daqui. Uma vida por outra vida, uma alma por outra alma. Eu tinha lido mitos gregos suficientes para saber isso. Se esse novo mundo que eu descobrira neste último mês funcionava do mesmo modo que as historias que eu havia lido...Essa era a única saída. Só que eu não iria desistir sem lutar.
-Não – eu digo antes que possa me conter- Lhe traremos a arma.
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