Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro

21 Era uma vez um dragão chamado Cindy


Notas iniciais
Olá meu povo. Se eu demorei... er desculpem. Mas para compensar fiz um capitulo um pouco maior. Espero que tenha ficado bom e que gostem. Beijos da autora mais louca ever!

Diocleciano nos guiava por um caminho que parecia ser feito de pesadelos. Havia monstros de todas as espécies por ali, todos eles nos lançavam olhares famintos enquanto caminhávamos. Às vezes Diocleciano deixava um deles nos atacar de propósito, apenas para nos “provar” dizia. Tínhamos que ficar o tempo todo em guarda, já que a qualquer momento poderíamos ser atacados. Eu tinha vontade de fazer o fantasma provar da minha espada, mas eu sabia que isso não iria adiantar de nada.

O tártaro era completamente diferente do que imaginei. Eu tinha imaginado as piores coisas, monstros torturando almas, ossos por toda a parte, titã poderosos escondidos em cada canto. Bom, pode apostar, a realidade era bem pior. Mal conseguíamos enxergar no local, a pouca luz que havia, que eu não sei e tinha medo de saber de onde vinha, projetava sombras assustadoras na parede. As figuras e os apelos escritos desesperadamente com algo que lembrava muito sangue no local não ajudavam a levantar o ânimo.

Diocleciano não parava de falar sobre si mesmo. O quanto ele tinha sido um ótimo imperador, como tinha ajudado Roma a se erguer. Eu, como uma aspirante a historiadora, não podia concordar com isso. Quer dizer, ele tinha sido um bom governante. Até que resolveu massacrar cristãos.

-Nós já estamos no lugar onde as almas são torturadas?- Perguntou Alex do meu lado- Porque sabe, ouvir Diocleciano falar mil vezes sobre seus feitos não está me parecendo um piquenique.

Olhei para ele espantada.

-Sério, você realmente está aprendendo sarcasmo. Devo dizer, acho que não combina com você.

-É a convivência. E para sua informação, eu posso ser bem sarcástico quando quero.

- Ainda falta muito- digo enquanto observo uma alma tentando chegar a um prato de comida. Sem conseguir, ela lança um grito que reverbera por todo o local.

Chegamos a uma clareira com um pequeno casebre que parecia ser completamente feita de ossos. Havia uma espécie de jardim circundando o casebre todo feito de espinhos. Mas o que mais me chamou a atenção foi uma fonte que havia bem no meio da clareira. Por Poseidon, a fonte parecia jorrar sangue. Diocleciano parecia extremamente satisfeito. Ele se escorou diretamente na porta do casebre e lançou seu sorriso mais satisfeito.

-Ah –disse ele, com um leve espasmo de prazer- O grito dos torturados. Não é maravilhoso?

- Com certeza. Estou até pensando em gravar para escutar no carro- diz Tales olhando com a cara mais deslavada para Diocleciano.

-Viu?- sussurro para Alex- Isso é sarcasmo.

Alex apenas revira os olhos.

- Senhor, é... Dioclacano, Dioclipitano, seja lá o que for, não quer nos deixar entrar para que a tortura a nossas almas comece?- Perguntou Alex.

Deuses, esse garoto estava realmente tentado.

- Não se preocupe neto mestiço de Júpiter. Logo, logo estaremos lá. Mas, é claro, isso se vocês sobreviverem a ela.

-A ela quem?

- Bom para entrar é preciso passar por ela sabe. É duro a maioria nunca consegue. Nunca.

- A maioria? Alguém já passou por aqui?

-Ah não muitos. Poucos são loucos assim, mas, a verdade é que bom ninguém sobreviveu, não para conseguir chegar até as almas torturadas.

- O que? Quem é ela? Do que você está falando?

- De minha grande amiga Cindy.

Cindy? – Perguntei incrédula. Que tipo de monstro poderia ser chamado de Cindy?

Minha resposta veio mais rápido que eu gostaria. Senti o local esquentando como se tivesse acabado de acender uma fogueira. Viro e dou de cara com o monstro. É um dragão. Ele tem as escamas todas vermelhas e posso ver algumas manchas verdes. Seus olhos eram tão vermelhos que achei que pudessem iluminar todo o local.

-Esta é Cindy- disse Diocleciano feliz se sentando em dos banquinhos feitos de caveira do jardim, aparentemente extasiado com o perigo que estávamos correndo- Ela não é formidável?

- Mortal eu diria- disse Tales do meu lado.

- E o melhor de tudo é que não é um dragão comum- o romano disse como se estivesse vendendo um belo produto-Ela pode entrar na sua mente, penetrar seus pensamentos mais profundos e te enlouquecer.

Assim que ele terminou de dizer isso senti Alex estremecer do meu lado. Senti meu pulso falhar quando olhei para ele.

-Alex!- Disse Tales Segurando o amigo para que ele não caísse.

-Começou- Disse Diocleciano feliz- Ele olhou nos olhos do monstro está ficando louco. Isso vai ser bem divertido.

A cor dos olhos de Alex havia sumido. Sua pupila estava completamente branca e ele estava suando frio. Sua pele estava ficando estranhamente avermelhada, e eu suspeitava que era por que o sangue estava correndo mais rápido pelo seu corpo.

-Alex- chamei desesperada

-Não adianta, enquanto ele estiver nesse mundo de pesadelos ele não vai ouvir ninguém, nem mesmo a você neta de Atena.

Eu queria bater em Diocleciano, mas ao invés disso eu resolvi que era melhor me preocupar com o dragão. Sem pensar fui diretamente até o monstro com a contracorrente, pronta para arrancar a pele de Cindy.

O que aconteceu assim que minha espada tocou foi a coisa mais impressionante, mais louca e constrangedora de toda a minha vida. Eu entrei na mente de Alex. Não na mente exatamente, mas nos pesadelos dele. Ao tocar a pele do dragão eu toquei a mente de Alex.

A primeira coisa que vi foi um garotinho de 8 anos, loiro e com os olhos de uma cor difícil de distinguir, mas que eu sabia que era azul. Eu estava olhando para Alex mais novo e estávamos no meio do acampamento júpiter, na área de treino das legiões. Havia crianças de todas as idades. Garotos de 10, 15 e até 18 anos treinavam juntos. Eu achei isso muito injusto.

- Vamos Grego, mostre do que é capaz- dizia uma das crianças que estavam treino. O garoto deveria ter uns 14 anos, era forte e musculoso. Tinha um cabelo preto cortado em estilo militar e os olhos de verde ameaçador. Algumas das garotas riam estupidamente para ele que fazia questão de se mostrar para elas.

-Eu sou romano também- disse Alex teimosamente.

As outras crianças riram maldosamente.

-Então se levante- disse outro maldosamente.

Alex sem pensar se atira contra ele lhe dando um pontapé no estomago. O garoto cai para trás, mas se recupera e o acerta com um soco o nariz .

-Se acha grande coisa não é? O filho do poderoso Jason Grace, o protegido de Reyna. Você não passa de um mestiço. Já conheceu seu pai? Aposto que até ele tem vergonha de você.

Sinto vontade de gritar, ele é tão pequeno. O que estão fazendo com ele é uma covardia. De repente a cena muda. Alex está com seus 16 anos agora, arrumando uma pequena mochila na sua cabine.

-Você vai mesmo fugir Alex? – Pergunta Petúnia, olhando com tristeza para ele.

-Tenho que ir Petúnia. Você sabe que eu não posso ficar aqui, aqui não é o meu lugar.

-É sim, você é romano. Sabe disso.

-Também sou grego, não vou ser aceito aqui, sou mestiço.

-Alex- disse Petúnia soando desesperada.

-Desculpe Petúnia. Nós já tivemos essa conversa antes. Não posso negar que sou mestiço. Por mais que você não goste disso.

-Ela te abandonou Alex.

-Petúnia, eles são meus pais.

-Alex, se você for...

-Petúnia você é minha única amiga, por favor entenda.

-Vou tentar- diz ela- Você sabe que eu quero ser mais que sua amiga. Mas se você for para aquele... Acampamento, nós vamos nos separar Alex.

Alex tinha um olhar triste.

-Sinto muito.

Petúnia lançou um olhar magoado e saiu sem despedir.

A cena mudou novamente. Alex estava com Nina. Andando por uma trilha de pinheiros. Os dois pareciam estar no meio de uma floresta. Era noite e eu percebi que eles estavam muito perto do acampamento.

-Você está com medo?- Perguntou ele para a garotinha- vai ficar tudo bem.Vai ver.

A garotinha sorriu para ele.

- Você vai me levar para o acampamento não vai?

-Vou. Vão te receber bem lá.

- Por que eu não sou como você?- perguntou ela lançando um olhar entre preocupado e triste para ele- Mas você vai ficar comigo não é?

Alex sorriu tristemente para ela. De repente um barulho forte começou.

-Nina, vamos corra.

Eles estavam muito perto do acampamento, eu podia sentir. Os cães infernais os estavam seguindo furiosamente. Um deles para barrando o caminho dos dois. São muitos. Alex dá cabo de dois e Nina acaba acertando um com uma espécie de faca. De alguma forma eu entendi que Alex havia dado a arma para ela. Alex faz o possível para acabar com os cães e proteger Nina. Ele a empurra para um local seguro, mas um dos cães consegue morde-lo.

-Alex- Grita a menina.

Alex tenta confortá-la, mas acaba sendo mordido novamente. Eu podia até sentir o veneno escorrendo na corrente sanguínea dele. De repente ele desmaia e Nina começa a gritar. Depois só consigo perceber vislumbres. Uma garota loira lutando contra os monstros. Percebo que Alex conseguiu me ver por segundos antes de desmaiar completamente.

A cena muda e estamos num descampado, eu e ele. Os outros estão dormindo. Eu me lembro, eu tinha acabado de ser atacada pela quimera. Ele está sentado do meu lado, velando meu sono.

-Por favor, não morra domadora, por favor não morra.

Depois vejo Alex abraçando os pais, me beijando e de repente sinto um frio imenso.

- Você não passa de um mestiço – diz uma Voz gélida, a voz de Petúnia.

- Nós nunca quisemos você- diz a voz de Jason.

- Você é uma decepção- diz a Voz de Piper.

Sinto tremores e percebo que deve ser Alex tremendo, estou em sua mente.

-Alex- tento chamar- mas ele não me escuta.

Não sei se é minha mente ou se sou eu de verdade, mas me aproximo dele e seguro suas mãos.

- Alex, me escute, isso não é real. É apenas imaginação. Acorde para sairmos daqui.

Mas ele continua tremendo, sem me ouvir.

-Alex, por favor, acorde.

Mas é impossível, eu consigo sentir toda a sua dor, todo o medo de ser desprezado, toda a solidão. Então sem pensar faço a primeira coisa que me vem a cabeça. Vou até Alex e lhe dou um beijo. Sinto ele parar de tremer, vejo a surpresa em sua mente, um sorriso passa por ele.

Então, de repente há uma luz muito forte, sou puxada de volta a realidade e percebo que ainda estou em cima do dragão.

- Penny, o que você está fazendo? Mate-a- diz a voz desesperada de Tales de algum lugar distante.

-Eu...- Estou atordoada, não consigo pensar mais no que fazer, não consigo fazer mais nada. Escuto Alex me chamar fracamente, ele ainda está desmaiado caído no chão. Então o dragão se aproveita da minha hesitação e me empurra para longe. Caio como um baque no chão.

Tales aproveita que o monstro está entretido comigo e lança uma das flechas envenenadas nele. Cindy se reduz a um monstro bem pequeno e fofo que vai até Tales e começa a lamber suas canelas.

-Acho que as flechas de Perséfone funcionaram bem melhor do que eu esperava – diz ele rindo.

- Não!- Diocleciano começa a gritar enfurecido- Isso é uma afronta. Isso é ridículo...

Esqueço os gritos de Diocleciano e vou até Alex. Ele ainda está deitado, mas fico aliviada que a cor voltou a sua pele e que seus olhos estão daquele azul costumeiro que sempre me deixa intrigada.

-Você está bem?- Pergunto. Encosto a mão em sua bochecha, ela parece terrivelmente quente. Ele olha para mim encabulado.

-Estou, graças a você. Achei que ia enlouquecer.

-Acho que isso já aconteceu há muito tempo General.

Ele ri, mas de repente cora.

-Você viu... você me ...

-Gente, acho melhor nos apressarmos. Diocleciano não está muito feliz por eu ter transformado seu animal de estimação em um lindinho...filhote de dragão?

Eu olho para o que Tales está segurando. Definitivamente é a coisa mais.... fofa do mundo.

-Bom, apenas mantenha Cindy sobre controle. Não queremos ela controlando mentes por ai.

-Ah pode deixar.

-E então pirralhos? Cansaram de se divertirem? Vocês transformaram meu poderoso dragão em animal de estimação, mas duvido que sobrevivam a isso- disse o imperador quase entediado.

Ele abre a porta do casebre e escuto os gritos. Diocleciano tinha razão. Tínhamos sobrevivido a Cindy, mas eu tinha certeza que seria muito mais difícil sobreviver ao que nos aguardava por trás daquele porta. Mas eu não me importava, Nico e Tia Thalia estariam esperando ali por mim, bem no meio do Tártaro.

Notas finais
Eae meu semideuses, o que acharam do capitulo? Por favor sejam sinceros. Agradeço por lerem e não me abandonarem (caso o façam peço que sejam sinceros) Beijoooos e até a próxima