Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
27 A escolha da neta de Atena
Notas iniciais
Sair do pequeno palácio de Euristeu foi incrivelmente fácil. Algumas almas e monstros tentavam nos atacar, mas de alguma maneira eu conseguia matá-las com contracorrente sem sequer pensar. Não sabia se era Euristeu que permitia nossa passagem, zombando do fato de que logo eu teria que voltar, ou se as criaturas pressentiam minha áurea de morte. Não era algo que eu estivesse disposta a descobrir.
Assim que saímos do Palácio senti algo se aninhando nas minhas pernas e lambendo meus pés. Olhei para baixo e dei um sorriso.
–Olá Cindy!- disse sorrindo para o pequeno dragãozinho nos meus pés. Ela me olhou feliz e soltou uma fumacinha pelo nariz.
–Eu odeio essa coisa- disse Alex
É claro que ele odiava, eu ainda tinha arrepios ao me lembrar daquela luta que ele tivera com a versão maior e mais malvada da Cindy.
–É, eu sei- disse olhando para ele e sorrindo.
–Não falem assim- disse Tales- Cindy é o dragão mais bacana do mundo.
Tales pegou o Dragão e começou a brincar. Alex olhou para ele e revirou os olhos. Quando ele voltou sua atenção para mim eu sabia que ele iria fazer a pergunta que eu temia.
–Penny, você está bem? O que aconteceu lá com Euristeu?
– Nada. Usei meu charme e minha inteligência e ele nos deixou passar simples assim- falei sorrindo, esperando que ele acreditasse no meu bom humor, que era mais falso que os perfumes de Circe. Não funcionou, mas pelo menos ele não perguntou mais. Sabia que eu não diria nada.
Thalia e Nico pareciam estar vendo tudo pela primeira vez, nem imaginava como seria passar anos tendo a mente torturada e finalmente conseguir se libertar. E era horrível que, daqui a algum tempo, seria minha alma no lugar deles e eu sabia que não haveria como escapar. Eles nos olhavam como se estivessem nos vendo pela primeira vez. Cindy pulou dos braços de Tales e foi em direção aos dois, lambendo suas pernas. Tive que sorrir com a visão.
–Acho que ela gostou de vocês- disse Tales alegre.
Thalia me olhou como se estivesse revivendo uma lembrança antiga.
–Penny... É você?- perguntou ela me olhando com seus olhos arregalados. Fiquei feliz de ver que eles já estavam voltando ao seu azul elétrico normal.
– É, sou eu sim- disse sorrindo- Então era aqui que você estava metida todos esses anos?
–Penny- diz ela vindo até mim e me abraçando- Como você cresceu. Você está a cara dos seus pais, quanto tempo passamos aqui? Quantos anos você tem?
Eram tantas perguntas , tantas coisas para conversar. Não sabia por onde começar, então achei melhor começar pelo mais fácil.
–Vocês ficaram presos aqui por sete anos. Estou com 15 anos e bom... é melhor encontrarmos algum jeito de sair daqui- Eu disse percebendo o enorme problema que tínhamos.
Nico que estava conversando animadamente com Tales ouviu nossa conversa e assentiu.
–Também acho. É muito perigoso continuarmos aqui. O tártaro não é lugar para semideuses. O problema é que sair daqui não vai ser nada fácil.
Eu tinha certeza que não. Senti meu pulso latejar com o peso da pulseira que Eris havia me dado. Estávamos num lugar extremamente escuro. Agora que tínhamos saído do local onde as almas eram torturadas tudo parecia diferente, não para melhor. Não estava tão sombrio como antes, mas mesmo assim era assustador. Como se o tártaro tivesse se reformulado e preparado novas armadilhas pra nós.
–Vamos encontrar um jeito – disse Thalia.
Eu tinha me esquecido do quanto admirava esse jeito determinado dela.
–É melhor irmos andando então – disse Alex.- Não podemos ficar aqui.
–Aquele garoto me lembra tanto...- Thalia olhou intensamente Alex enquanto começávamos a caminhar.
–Jason? Deve ser genética. Aquele é o Alex, filho dele- esclareci.
–Alex- E eu nunca tinha ouvido tanta ternura na voz de Thalia. Exceto quando falava comigo.
–Temos muita coisa para conversarmos quando conseguirmos sair daqui- Falei lhe dando um sorriso.
Percebi que havia sangue por toda a parte em que andávamos. Graças aos deuses Cindy afastava alguns dos monstros menos poderosos que apareciam. Eu não sei o que eles viam, mas definitivamente não era nosso dragãozinho.
–Esse lugar é terrível- disse olhando para o que parecia um zumbi perto de um saco de ossos.
Eu queria evitar olhar para os lados, por que tudo parecia banhado em sangue e escuridão. Só que não podia fazer isso, por que a qualquer momento poderíamos ser atacados por qualquer monstro que tivesse sido morto recentemente. Pelo que eu sabia do tártaro, estávamos longe de onde os monstros se regeneravam. Estava com medo de irmos direto para o estômago do titã. Não seria uma experiência agradável.
– O que você está vendo?- perguntou Tales, desviando de um arbusto com espinhos do tamanho de adagas.
–Como assim? O mesmo que você.
–Não, não está. Nós estamos na entrada do tártaro, no que seria a cabeça do Titã. Este lugar foi criado para dar vida aos piores pesadelos dos heróis.
Me lembrei do jeito que Cindy mexera com a cabeça de Alex, do modo estranho como me sentira quando entrara aqui.
–Acho que você tem razão- disse começando a imaginar os perigos que me aguardavam. Não fora uma experiência nada agradável até aqui e eu tinha quase certeza que essa viagem ainda estava longe de terminar.
Quanto mais andávamos, mais eu sentia atmosfera do local pesando sobre mim, Era muito menos pessoal que o Palácio de Euristeu, mas mesmo assim era assustador. Caminhávamos em silêncio, como se qualquer palavra que disséssemos pudesse desencadear um ataque de monstros furiosos. Caminhamos um bom tempo assim até que Tales parou abruptamente, perto de uma floresta de árvores negras.
–Estou sentido alguma coisa. E não é bom.
Nico anuiu com a cabeça.
–Eu também.
Não deu tempo para que nenhum de nós pudesse responder. De repente me vi cercada por monstros que eu nem imaginava que pudessem existir. Eles tinham uma expressão sedenta, como se estivessem esperando por nós o tempo todo.
Fiz um esforço para analisar as criaturas rapidamente. Eram cerca de 10. Grandes e quando digo grande era por que elas eram quase do tamanho de gigantes. Com certeza mediam três vezes mais que eu. Mas o que mais me chamou a atenção foram os braços. Não os dois braços, mas os “cens” braços. Todos eles segurando armas rústicas, como bastões, machados, e outras coisas que eu tinha certeza iriam perfurar minha pele rapidinho.
–Hecatônquiros- disse Nico assustado- Pensei que eles não existissem mais.
–Centimanos. Para onde você pensou que eles foram depois de extintos?- disse Tales Lacônico.
–Monstros extintos não regeneram no tártaro- Nico disse se preparando para lutar.
Engoli em seco. Eu odiava pensar que Tifão tivesse alguma coisa haver com isso. Se esses monstros estavam ressurgindo, estávamos com um problemão enorme no mundo superior , isso pensei amargamente, se conseguíssemos sobreviver a nossa terrível saída no mundo inferior.
Então a luta começou. A Primeira coisa que percebi foi que anos de tortura no tártaro não tinham afetado em nada as habilidades de Nico e Thalia. Eles estavam preparados e num instante os inimigos perceberam que não seria fácil derrotá-los. Thalia tinha um escudo que me dava medo só de olhar, enquanto Nico lutava com a espada mais estranha que eu tinha visto na vida.
Alex acertou um dos monstros no olho, teria sido hilário se ele não tivesse dado um soco no garoto com o outro braço. Tales também estava tendo problemas, ele já havia gastado quase todo o estoque de flechas que Perséfone tinha lhe dado, e eu sabia que seria difícil matar os monstros apenas com flechas.
Eu dava golpes com contracorrente atacando seus braços. Sabia que tinha que chegar no peito deles, mas com cem braços, era quase impossível.
–Tentem chegar no peito- disse para meus companheiros- Essa é a única forma de matá-los.
–Deuses você é tão parecida com sua mãe. Mandona igual- disse Thalia sorrindo.
Sorri de volta para ela, enquanto fazia um corte no braço de um dos monstros.
–Ei monstros. Vocês não podem fazer isso. Não estão em seu território- argumentou Alex. A resposta que obteve foi um empurrão de mais de 2 metros.- Ai! Nada de charme então.
Bom, eu achava que a coisa já estava bem ruim com 10 centimanos nos atacando, mas quando dei de cara com uma Hidra eu percebi que a coisa poderia ficar bem pior do que já estava. Fiz um corte no peito de um centimano e pulei para o lado.
Percebi u alguém gargalhando. E, com uma raiva crescente, percebi que ela estava no comando de todos os monstros ali. Mas não era alguém, era uma benevolente (eu estava começando a odiar essas fúrias, desde que elas tinham nos atacado). Para piorar a situação, não era nada menos que Tisífone, uma das três fúrias principais e a mais odiosa delas.
–O que você quer! –Gritei.
–Ah menina – disse Tisífone- Vejo que você sabe quem sou. Bom para você. No entanto, acho que meu alvo preferido seria seu amigo. Não é mesmo Tales?
– O que?- Nico pergunta aflito- deixe ele em paz.
–Olá Nico Di Angêlo. Sempre é um prazer ver você. Que pena que tenha superado seus rancores.
–Deixe eles em paz sua jararaca!- Thalia estava lutando contra um dos monstros habilmente. E tive que admitir os xingamentos dela...Eu tinha muito que aprender.
Tisífone fez um sinal e aprisionou Tales em uma jaula. Antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, lançar qualquer grito, Tales já estava tendo a mente torturada. Os centímanos pareciam ter readquirido fôlego novo.
–Tales-gritei!
Eu percebi que ele não me ouvia. A única coisa em que ele prestava atenção era em Tisífone. Eu sabia o que ela estava fazendo. Ela era a personificação da culpa, ela punia os piores tipos de pecadores, os assassinos. O que quer que ela estivesse dizendo a Tales... não era bom.
–Pare- Ele gritou- O que você quer?
– Sabe, ficar aqui é muito chato. Aturar minhas duas irmãs e a tonta da minha mãe... nada divertido. Até ela vir.
– Eris!- percebi . A raiva estava me dominando. Essa deusa realmente estava me tirando do sério. Eu queria prestar atenção na conversa dos dois para ouvir o que Eris estava armando, mas infelizmente eu estava tendo meus próprio problemas. A Hidra parecia ter despertado de um longo sono. Tudo isso feito pelo poder Tísifone.
–Tísifone pare- Disse Alex tentando usar o charme. Ele estava fraco demais, não estava funcionando. Tísifone apenas soltou uma gargalhada. Um centimano atingiu Alex com uma frigideira (eu não tive tempo de pensar com ele conseguira aquilo, mas ainda assim, isso me intrigou). O garoto foi parar desmaiado a uns dois metros dali.
–Alex! – tentei pular por cima de uma das patas da Hidra (Sim, eu sei, é burrice dar as costas para uma Hidra mas naquela hora não pensei nada). Ela conseguiu me pegar pelas calças e me deixar de cabeça para baixo.
–Penny- Ouvi o grito de Thalia enquanto ela lutava com dois centimanos ao mesmo tempo. A Próxima coisa que consegui ouvir foi um grito abafado de Nico e os dois caindo inertes no chão.
–Parem – Gritei para os monstros. Senti cada músculo do meu corpo se contraindo de dor e minha cabeça latejava tentando entender a situação em que nos encontrávamos. Três dos meus amigos estavam desacordados e Tales estava sendo torturado por uma fúria vingadora. E eu estava presa pelos dentes de um monstro mitológico. Ok, eu precisava de um milagre.
–Tales- Gritei por que ele era a única pessoa desperta no local- Deixe ele em paz sua monstra, sua....
–Ai, ai está vendo Talesinho. Garanto que se fosse o outro garoto ele já estaria de pé, lutando para salvá-lo. É sempre Alex primeiro não é?
– Pare!- a raiva e a dor eram terríveis na voz dele. Eu me debatia e fazia o possível para sair dali.
–Por que não seria? Ele é filho do grande Pretor não é mesmo? Neto da deusa da beleza. E você...?
–Pare seu grande monte de coco. Deixe meu amigo em paz- Disse fazendo um movimento idiota com contracorrente como se pudesse atingir a Hidra ou Tisífone.
–Calma Penny, minha irmã Eris cuidará de você. Nem todos os monstros estão atrás de você sabia? Nãos seja tão egoísta- Disse ela mostrando os dentes amarelados para mim- Tales, Tales... tantas garotas... e você... justo a filha de Percy Jackson ?
O sorriso da fúria era insano.
–Claro ainda há Mirna. Aquela garota... nunca deu bola para você. Você gosta de garotas problemáticas não gosta? – Tísifone falou de forma cruel.
–Deixe ele em paz!
–Pobrezinho. Odeia seus pais não odeia? Eles abandonaram você. Seu irmão Caio... sempre o preferido. Não é triste?
De repente vejo a gaiola de Tales se mechendo loucamente.
–Você não vai brincar com minha cabeça sua filha fedida do Tártaro!
Quando Tales levantou a mão senti a terra tremando. Cada movimento mais forte que o outro. A Hidra me largou com o tremor e cai no chão estatelada. Não foi uma boa sensação. E de repente ele estava livre da gaiola, em cima de uma pilha de pedras preciosas.
– O quê...?- Tisífone perguntou sem entender o que estava acontecendo.
Ela não teve tempo de ver a flecha vindo em sua direção. Um segundo depois um monte de cinzas era tudo o que restava dela.
–Tales- Fui em direção a ele, mas não havia tempo para conversar. Haviam cerca de 5 Centímanos e a Hidra ainda estava bem viva. Tínhamos que acabar com eles rápido, Tales não estava em condições de lutar muito, ele tinha quase esgotado todos os seus poderes.
Percebi que ele só tinha mais uma das flechas de Perséfone em suas costas. Eu não tinha certeza se isso iria funcionar. Pelo que sei Hidras morriam apenas com fogo. Produzir fogo iria demorar demais, não tínhamos tempo. Então isso tinha que funcionar.
–Tales, sua flecha- digo olhando para Hidra.
Tales assente e enquanto luto com os Centímanos distraindo- os percebo ele mirar bem no peito do monstro. A próxima coisa que percebo, antes de ser jogada para longe é um grito estridente da Hidra e uma explosão de poeira.
Quando levanto minha cabeça para ver o que estava em minha frente, percebo que Tales conseguiu. Sorrio aliviada para ele. Os centímanos parecem ter redobrado sua fúria agora que derrotamos seus amigos.
Tales atira flechas com uma rapidez impressionante, dou golpes usando apenas meu instinto e lutamos em silêncio durante um bom tempo.
Os monstros são muito difíceis de matar, quanto mais braços machucávamos ou arrancávamos, mais furiosos eles ficavam e sempre parecia que haviam mais braços. De repente, percebo que um dos monstros está pronto para acertar Tales. Pulo na frente dele e acabo sendo jogada novamente para longe. Recupero-me rápido. Um dos Centimanos vem para cima de mim e só vejo uma flecha zunindo por cima da minha cabeça.
São apenas 3 centimanos eu digo a mim mesma, apenas 3, precisamos derrotá-los e rápido. Mas então percebo que Tales está para além de enfraquecido. Usar seus poderes exauriu toda sua energia. Nossas chances não eram nada boas. Um dos centimanos joga um monte de pedra na direção dele.
A pedra cai no chão a centímetros de Tales. O baque da terra contra terra faz com que mais pedras se juntem aquela separando – me completamente do meu amigo. Ele estava sozinho com um centímano com seus poderes praticamente esgotados, eu estava sozinha com dois centimanos e três dos meus amigos desmaiados.
– Penny- a voz de Tales veio abafada, percebi que ele ainda estava lutando- vou mover essas pedras, eu consigo... eu
–Tales não! Você está fraco demais. Tente matar esse, eu cuido desses aqui.
–Você está com dois Penny, não vai conseguir.
–Eu consigo- disse cortando o braço de um, e fugindo de outro enquanto ele tentava me esmagar.
– Penny-!
Eu ouvi ele chamando meu nome, ouvi um baque no chão. Senti meu coração dar dois pulos no peito, eu sabia que Tales tinha sido atingido.
–Tales!- Gritei enquanto corria dos dois centimanos que vinham com seus braços para cima de mim- Tales me responda!
Sinto tudo congelar, os centimanos pararam de repente, como se estivessem em outro espaço temporal.
–Ele não pode responder- diz uma voz conhecida atrás de mim.
–Eris! O que você está fazendo aqui!?
–Isso menina, depende de você. Posso ajudá-la, posso mandar mais monstros. Você escolhe.
– Eu vou lutar com você, essa é a minha escolha.
Eris riu, como sempre fazia quando eu respondia para ela.
–Tão impertinente, nada sábio neta de Atena. Chamar um inimigo para luta, sem saber como vencê-lo? Tsc tsc.
–Sua...
–Esse é o momento da sua escolha. Seus amigos estão desacordados. Você pode tirá-los daqui em segurança ou morrer lutando contra mim no tártaro, vendo as pessoas que você ama terem suas almas aprisionadas eternamente aqui.
– Eu não vou traí-los.
– Pense bem. Você sabe que já está condenada. Tem certeza de que quer levá-los juntos com você? Eu poderia protegê-los, tudo o que você tem que fazer é se juntar a nós.
Eu não iria me juntar aos Menelaus, não iria trair a minha família. Mas eu não tinha escolha, tinha? Eu não poderia vencer dois centimanos e uma deusa sozinha. Olhei para os meus amigos que estavam desmaiados. Eu tinha que protegê-los.
E quando tivesse que cumprir a promessa a Euristeu... seria mais fácil se eu estivesse longe. Seria mais fácil derrotar os Menelaus em seu próprio território. Eu não queria me afastar da minha família, tudo o que eu queria era passar os últimos dias da minha vida lutando ao lado deles. Mas...
A última grande profecia, a profecia que eu havia lido no livro Sibilino. O que eu vi no olhar de Tirésias. Tudo agora faz sentido. Lembrei-me das três ultimas estrofes da profecia e senti a vida fugindo de mim como se fosse feita de poeira, como se tudo o que eu tivesse vivido não passasse de um sonho.
“Uma antiga maldição reacende
Da descendência dos heróis um último suspiro
Com o sangue dos inimigos a paz final”
O último suspiro era meu. Eu era a criança da profecia. Eu nunca iria traí-los, mas Tirésias estava certo. Eu teria que me aliar aos Menelaus. Eris sabia que tinha me encurralado. No entanto, a deusa estava errada, ela tinha me dado um presente, melhor do que qualquer um que eu pudesse sonhar. Eu teria que sacrificar meus últimos dias com minha família, mas iria fazer isso destruindo os Menelaus. Iria evitar a guerra, custe o que custar.
Sinto meu pulso arder e encaro a pulseira que ela me deu.
–Então- perguntou ela sentindo que eu tinha chegado a uma conclusão – Qual será sua escolha?
Minha família, meus amigos. Essa sempre seria minha escolha. Vou até onde eles estão desmaiados. Sinto as lágrimas escorrendo do meu rosto livremente
– Eu amo vocês.
Me viro para deusa.
–Você jura pelo rio estige que eles irão ficar bem, que nenhum sangue será derramado deles se eu me juntar a você?
A deusa tem um ar solene.
–Juro, pelo estige Penélope Jackson, sua família estará sã e salva, mesmo se houver uma guerra. Eles terão minha proteção.
E então, sabendo que cada movimento da minha mão fazia com que meu coração ficasse em pedaços, toco no pingente e sinto a fumaça tomar conta do lugar envolvendo todos nós e afastando os monstros. Eu tinha feito minha escolha, eu tinha escolhido minha família e iria me unir aos Menelaus.
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