Penny Jackson E O Resgate Do Tártaro
18 A Batalha no mundo inferior
Notas iniciais
Bjooos
Assim que cheguei ao local onde Alex estava me dei conta de que estava vendo uma das cenas mais arrepiantes da minha vida. Alex estava rodeado por no mínimo 15 monstros. E todos eles pareciam estar imensamente dispostos a pegá-lo e ser aquele que teria a honra de entregar o garoto a Crio.
Devo admitir, Alex lutava maravilhosamente bem, mas ele estava apenas se defendendo, o que poderia ser uma boa estratégia no momento, mas não o ajudaria a ganhar a batalha. Tales lança uma flecha bem na cabeça de uma gorgona que estava atrás de Alex. Já eu corri e acertei um cão infernal por trás.
Assim que me viu Alex me lançou um enorme sorriso.
-Você conseguiu!- Disse ele feliz.
-Sim, conseguimos. Você não deveria estar surpreso.
-Eu não estou... ah deixa para lá- disse ele dando um golpe de escudo em uma fúria. Havia monstros para todos os lados, mesmo com a morte de Crio eles não nos deixariam em paz. Eles tinham outro chefe bem mais perigoso. Tifão.
Meu braço continua latejando com o esforço, mas mesmo assim continuo lutando. Percebo que Alex também possui vários machucados. Tales parece que vai pegar um resfriado enorme, mas é o mais inteiro de todos nós.
Um esqueleto vem diretamente para cima de Alex, Tales o afugenta apenas com um estalar de dedos.
-Cara esse poder é muito legal- digo para ele
-Obrigada. Melhor do que virar um poodle- diz ele sorrindo enquanto acabava com uma dracanae.
Assim que olhei para o lado Alex estava tostando uma fúria.
-Uau!-digo para ele impressionada.
-Descobri aqui. Simplesmente legal não é? Sou um microondas ambulante. Imagina o tempo que vou economizar fazendo torradas de manhã- diz Alex com um ar presunçoso.
Antes que eu pudesse responder, um dos monstros consegue me prender, dou um chute instintivamente. Graças a deus não é um fantasma, apenas outro esqueleto e ele se despedaça.
-Cara, esses monstros do mundo inferior me irritam- digo enquanto golpeio uma cabeça que parecia estranhamente com um vilão dos livros de história.
-Bem vinda ao meu mundo- sussura Tales do meu lado.
Sinto uma dor aguda na parte de trás da minha cabeça e percebo que uma das fúrias conseguiu me atingir. Caio e olho para os lados, os garotos também estão em apuros. Alex parece encurralado por duas empousas. Já Tales está tendo enormes problemas com um fantasma que parece determinado a confundi-lo com uma batatinha chips.
A fúria que me acertou se volta de novo para mim. Ainda estou no chão com meu braço dolorido e mal tenho tempo de levantar antes que perceba uma de suas garras está próxima demais de mim. Sinto que daqui há um segundo eu terei uma vaga vitalícia no mundo inferior. Estou até me acostumando, penso amargamente. Mas então Sinto uma faísca passar por mim e percebo a fúria virar pó. Olho para o lado. Alex.
- Eu já disse que amo o seu novo poder?- Pergunto enquanto me levanto e dou um golpe com contracorrente em um fantasma que se aproximava demais.
- Você não ama meu poder, você me ama domadora.
- Convencido- digo vermelha. Não eu não estava corada, eu só estava aquecida com o calor da batalha.
De repente escuto um barulho forte, ele estava ficando mais próximo a cada minuto. A única coisa que consigo ver é um brilho dourado muito grande vindo de uma direção que eu não conseguia distinguir.
De repente percebi que não eram inimigos, eram as tropas de Hades. Estávamos recebendo reforços. Muitos dos guerreiros de Hades estavam feridos ou não pareciam estar em condições de batalhar, mas mesmo assim eles se lançavam contra os monstros de Crio com muita vontade.
-Por Hades- gritou Montesquieu, o guerreiro que parecia ser o líder e era o esqueleto que tinha chegado para avisar Hades da invasão.
Eu gostaria de poder observar a batalha, por que ela simplesmente foi épica. Eu tinha que ficar todo o tempo desviando dos raios que Alex jogava nos monstros, Tales acidentalmente mandou para o Tártaro um dos nossos, Montesquieu batia com o braço ossudo em tudo que visse pela frente. Por incrível que pareça, estávamos ganhando.
Minos veio para cima de mim.
-Ora, ora. Se não é a filha de Percy Jackson- diz ele colocando uma adaga curta perto da minha garganta.
-Você é Minos, quer dizer, o Minos, rei de Creta?-Pergunto tentando distraí-lo. O que parece não funcionar muito.
-Sim, queridinha. E não gosto de descendentes de Poseidon. Aquele Teseu e seu pai, sempre atrapalharam meus planos. Mas, adivinhe, agora você está bem na mira da minha adaga.
-Seu asqueroso! Você não passa de um fantasma idiota- digo tentando me livrar de suas garras. Isso não funciona.
-Adeus princesinha- Diz ele se preparando para cortar fundo minha garganta.
A próxima coisa que escuto é um grito. Parece ser Alex. Depois sinto um fluxo de eletricidade passando bem perto de mim e sinto o aperto em minha garganta afrouxar.
-Penny- sinto alguém me segurando.
-Alex você... — Pergunto espantada.
-Essa foi por pouco- diz ele sorrindo.
Quero abraça-lo, agradecer até o fim da eternidade, mas me controlo e apenas digo.
-Bem, agora fico te devendo uma- digo me recompondo. Ele apenas sorri. Antes que ele possa dizer alguma coisa. Somos interrompidos por um grito de Tales.
-Vô?
-Não fique surpreso Tales, costumo lutar minhas próprias batalhas- diz o Deus, atingindo dois cães infernais com um golpe só. Sorrio com a ajuda extra.
Com Hades ao nosso lado as coisas ficam bem mais fáceis. Em 15 minutos conseguimos derrotar a maioria dos monstros e ganhamos vários prisioneiros. Eles serão interrogados no castelo e mandados diretamente para o Tártaro depois.
- Para o meu palácio, agora!- Escuto a voz de Hades no meio da confusão.
Quando chegamos no palácio, fomos obrigados a esperar Hades ter uma pequena reunião com seus asseclas antes que pudéssemos entrar e falar diretamente com ele. Assim que entramos, ele ainda estava rodeado por Perséfone Montesquieu e mais alguns soldados.
-Muito bem- disse Hades olhando diretamente para nós- Devo agradecê-los pela ajuda recebida hoje.
-Ficamos honrados vô- diz Tales fazendo uma pequena reverência.
-Senhor eles devem saber que as coisas estão cada vez mais complicadas no mundo superior-
-Quieto Montesquieu. Isso não são problemas meus.
-Ele tem razão Hades- diz Perséfone.
-Vô, queremos saber. Por favor.
- Isso não tem nada haver conosco Tales.
-Tem haver sim. Meu pai e meu irmão estão lá em cima, minha mãe também- diz Tales irritado.
-Você é igual ao seu tio Nico- diz Hades suspirando exasperado.
-Senhor Hades, temos o direito de saber, não esqueça que o ajudamos nessa batalha.
-Você é insolente demais Penélope.
-Mas ela tem razão vô- diz Tales furioso também
Hades revira os olhos e solta mais um suspiro cansado.
-Bom, as forças dos Menelaus estão cada vez mais poderosas. Parece que o último ataque, apesar de ter sido uma derrota para eles, fez com que os acampamentos voltassem a se estranhar.
- O que?- Pergunto, meu pulso se acelerando.
- Por enquanto não houve nenhuma batalha, mas parece que o ódio contra mestiços está cada vez maior. E isso não é tudo, como vocês podem adivinhar por esse ataque no submundo, Tifão está cada vez mais forte, se aliando a forças que até mesmo os deuses temem.
Sinto Alex segurando minha mão, não tinha percebido o quanto estava assustada até agora. Perceber que ele estava tremendo me fez ver tudo o que tínhamos atravessado durante esses dias.
-Você está machucada- diz ele percebendo meu braço quebrado
-Não é nada – respondo rápida.
Ele ergue as sobrancelhas para mim.
-Vamos cuidar disso depois- ele sussura para mim.
“Vamos ficar bem” era o que eu queria dizer. Mas nem eu mais tinha certeza disso. Então a única coisa que faço é apertar sua mão mais forte.
-Obrigado por nos informar senhor- diz Alex,voltando sua atenção para o deus- Assim que voltarmos faremos o possível para reverter à situação.
-Bom acredito que vocês tenham completado as missões- diz Perséfone.
-Sim- digo rapidamente. Entrego a arma em forma de Lírio e a água.
-Muito bem- diz Perséfone- Você tem alguma coisa a me dizer Penélope?
Olhei para meus amigos com medo. Não queria assustá-los. A deusa parece perceber minha hesitação.
- Não precisa protegê-los Penny, eles merecem saber tanto quanto você.
-Penny...- começa Alex assustado.
-Bom, eu já contei a eles- minto, pelo menos em parte- A mensagem que Tirésias pediu que entregasse, bom, ele disse que você não pode evitar a guerra.
Perséfone parece ficar triste por um momento, e quase sinto pena dela.
-Obrigada heroína. Acredito que agora vocês tenham que conseguir resgatar seus amigos não é mesmo?
-Sim- diz Alex.
-Tenho algo para vocês antes que se vão- diz a deusa. Ela estrala o dedo e aparece uma coleção de flechas novinhas.
- Isso é para você neto de Plutão- diz Perséfone- Você é um guerreiro, mas tem que aprender que até mesmo os guerreiros são vulneráveis. Por isso lhe dou o arco, com as flechas envenenadas que atingiram o calcanhar de Aquiles.
Tales arregala os olhos. Ao que parece ele não está acostumado a receber presentes da
vó-madrasta.
-Para você Alexandre, neto de Júpiter, dou um frasco com um dos remédios mais potentes do mundo inferior. Não se preocupe, ele é útil em mortais. Mas você só poderá usá-lo uma vez. Use- o com sabedoria. Dizem que o amor é o melhor remédio do mundo neto de Afrodite. Meu presente é um lembrete de que até o melhor dos remédios, usado na dose errada, pode matar.
A deusa se vira para mim.
- Penélope, meu presente a você já foi entregue por Psique- diz Perséfone olhando meu colar- Ele é um lembrete de que, em nossas horas mais escuras, a lembrança dos momentos felizes que passamos com as pessoas que amamos pode nos trazer de volta para casa.
Assinto, sentido que a parte mais difícil da jornada estava apenas começando.
-Espero que tenham sucesso. Não esqueçam a deusa que os ajudou.
-Vocês tem minha autorização para tentarem resgatar as duas almas do Tártaro- diz Hades solenemente.
Assentimos e vamos nos organizar para a partida. Com um pouco de néctar e ambrosia, umas ataduras, meu braço está pronto para mais uma jornada. Vamos dormir um pouco para nos recuperar.
-Será um longo dia amanhã- diz Tales.
-É- Eu digo- olhando para os dois enquanto montamos acampamento.
-Bom boa noite. Amanhã o Tártaro nos espera- diz Alex começando a roncar.
O engraçado é que, eu sabia que ele estava certo. Na verdade, eu tinha plena certeza de que já estávamos nele.
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