Penas Ao Vento
14 A Morte.
Notas iniciais
8 meses depois...
Levanto com dificuldade, o pequeno cachorro pula nas minhas pernas e balança o pequeno rabo freneticamente.
– Lollipop, quer me acompanhar até a casa?
Ando vagorosamente pela grama molhada, o pequeno cachorro branco com manchas pretas e uma espécie de mascara marrom me segue de perto, ao longe avisto uma silhueta na varanda do chalé envernizado de dois andares, continuo andando lentamente e com um pouco de dificuldade até ver que aquele não era o meu anjo, era um homem de terno e calças pretas , um sobretudo preto e uma gravata cinza, feições magras e ossudas e o cabelo estava penteado para trás, seus olhos me seguiam atentamente e um calafrio subiu a minha espinha, me concentrei para tentar falar telepaticamente com o Cass.
“Cass, tem alguém na varanda”
“Quem?”
“Não sei, não consigo reconhecer”
“Vou ver quem é” ele diz.
Subo os lances de escada que levavam a varanda, de soslaio vejo que Lollipop não estava mais me seguindo, Castiel abre a porta e o homem que até então estava me olhando fixamente vira para o anjo que vestia uma camisa branca solta pelo corpo e uma calça jeans azul.
– Castiel – o homem cumprimenta, sua voz me dava arrepios.
– Morte? Oque você quer?
– Morte? Tipo um dos quatro cavaleiros do apocalipse? – perguntei assustada.
– Eu mesmo – ele se vira para mim e eu me retraio de medo, dava para sentir o poder dele pairando pelo ar – não vão me convidar para entrar?
Castiel leva um susto com a pergunta, mas depois sai da porta e abre passagem para nós passássemos, a porta dava para uma sala razoavelmente grande, para um chalé, tinha um sofá e duas poltronas, uma televisão grande e uma mesinha de centro, dois abajures estavam dispostos um de cada lado do sofá, uma a esquerda no fundo da sala levava ao lavabo que era do mesmo comprimento que a sala só que de largura dele era menor, um arco a direita da sala levava a cozinha que era bem equipada, tinha um balcão comprido com cadeiras azuis e amarelas, seguindo a esquerda na cozinha tinha outro arco que levava a sala de jantar com uma grande mesa no centro, uma porta marrom no fundo sala levava a rua novamente e no canto esquerdo uma escada de madeira em espiral levava ao segundo andar, aonde tinha um longo corredor com duas portas de cada lado e uma no final. A primeira porta a direita levava ao banheiro o segundo levava a biblioteca, a primeira porta a esquerda levava a um quarto vazio, a segunda porta lava ao futuro quarto do mais novo integrante da família e a ultima porta era o meu quarto e o do Cass.
– Essa é a Charllote, minha mulher – Castiel fala meio perdido.
– Eu sei quem ela é – ele fala se sentando na poltrona – tem algo para comer?
– Bem... acho que sim – falo desconcertada e indo a cozinha andando igual a uma pata.
Abro a geladeira e pego um prato com dois pedaços de pizza que haviam sobrado do almoço, coloco no micro-ondas e aperto alguns botões, o prato gira lentamente e para esperar eu puxei um banquinho e fiquei olhando para o chão fixamente, escuto o Castiel falando baixo da sala, pego a pizza pronta e talheres e me dirijo lentamente até a sala.
– Uma pizza de calabresa – falei entregando a ele – eu que fiz, mas era para o almoço de hoje.
Sentei no em que o Castiel estava sentado.
– Então, oque você veio fazer aqui? – perguntei – sem querer ofender, mas não esperávamos você aparecer.
– Ninguém são espera – ele fala indiferentemente e jogando um pedaço grande de pizza da boca.
Troquei olhares preocupados com o Castiel, depois de acabar de comer, a Morte limpa os lábios finos em um pano.
– Vim avisar-lhes sobre ela – ele aponta para a minha barriga – com vocês devem saber, a filha de vocês não vai ser uma criança normal, ela só vai ter um poder, um grande e poderoso poder, ela irá ser imortal. Nada que foi ou vai ser criado nesse mundo pode mata-la, nada nem ninguém será capaz de detê-la – ele dá um breve pausa e gira o anel no dedo – quando o fim chegar e eu ceifar Deus será ela quem ira me matar, a filha do pecado, do incesto. A filha do céu.
As palavras dele eram avassaladoras, eles estavam dizendo que uma criança que ainda nem tinha nascido já estava fadada a sofrer tanto na vida? Ele as dizia como se fosse algo normal, alguma coisa comum que acontecia todo o dia. Eu o odiava por isso, eu ainda nem sabia o sexo do meu bebê, era para ter sido surpresa, ele acabou com tudo, por culpa dele as guerras e brigas provavelmente irão voltar! Eu o odeio, eu não suporto mais vê-lo, tenho que tira-lo da minha casa agora!
– Vão chama-la de “O Fim”, ela ira ser o ultimo der no universo depois da minha morte, ficara sozinha durante milênios e depois de um incontável tempo ela morrera pela própria criação.
Castiel agarrou a minha mão e a apertou.
“Será que isso é verdade?” perguntei.
“Ele não viria aqui e perder o tempo para contar mentiras”
“Então oque fazemos?”
“Não tenho certeza”
– Não tem como mudar isso? – Castiel perguntou.
– Não se pode mudar o destino dos outros – ele fala sério.
– Você está dizendo que vou ter que ver a minha filha sofrer sem fazer absolutamente nada!? – falei.
– Sim – ele diz indiferentemente e me olhando fixamente como se isso estivesse na cara.
Lagrimas ameaçaram escorrer pelo meu rosto.
– Sem querer ofender, mas acho melhor o senhor sair da minha casa – falei.
– Está bem, já vim avisa-los – diz desaparecendo logo em seguida.
Me virei e abracei o meu anjo, deitei a cabeça no ombro dele e ele começou a acariciar os meus cabelos e a pronunciar algumas palavras para me reconfortar. Ficamos ali um bom tempo até eu pegar no sono, estava exausta.
...
Escuto um sussurro e abro os olhos sonolentamente, eu estava no sofá ainda, mas não mais no colo do Castiel, sento e coço os olhos.
– Não encontrei nada – uma voz conhecida fala da cozinha.
Me levanto e ajeito a camisa branca folgada sobre a grande barriga, ando com dificuldade tentando contrabalancear o peso com as mãos na cintura, atravesso o portal e vejo o Castiel e o Gabriel sentados na bancada analisando alguns papeis.
– Oi Gabes – falei abraçando ele com dificuldade.
– Oi querida – ele se vira e beija a minha testa – como vai o bebê? – ele acaricia a barriga – fiquei sabendo que vocês receberam uma visita hoje.
– Ela está bem – falei rindo.
Andei até o banco ao lado do Cass e sentei-me ali.
– Ela?
– É ficamos sabendo que vai ser uma menina- sorri — Oque vocês estão fazendo?
– Procurando o profeta – Cass falou.
– A sim, ouvi falar mas não entendi muito bem.
– É o ultimo profeta, depois de prendermos a guardiã da sabedoria e o Metatron virar deus porque punimos ela, ele trancou a linhagem de profetas e com isso ativou o ultimo profeta – Gabriel falou – é muito poderoso, mas é mais frágil, por isso precisamos encontra-lo e protege-lo.
– E onde ele está?
– Não sabemos – Castiel fala e entrega uma folha para mim.
– Rússia? – perguntei lendo o papel.
– Achamos que ele ainda não nasceu, mas deduzimos que ele vá nascer lá.
– Mas oque iremos fazer? Quem vai ficar com esse bebê?
– Vocês podem – Gabriel falou ,e olhando sério.
– Pode ser, mas temos que encontra-lo antes.
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