Notas iniciais
Desculpem a demora, vai um cap fresquinho pra vcs... Dedico esse cap pra minha amore Debora Silva. Obrigada.

Cap 2

Minha tia me deixou em casa, com Morena me guiando, assim que fechei a porta ouvi as vozes do meu pai e irmã.

— E então filha, como foi? – Ele me ajudou a sentar, Juju pegou em minha mão, sorri pra eles e contei tudo o que houve, ficaram tão felizes, almoçamos juntos e depois sai com Morena para ir um pouco a praia, estava ansiosa para quinta-feira, a voz dele não saia da minha cabeça, parecia ser tão doce e gentil, fiquei mais um pouco na praia e voltei pra casa, jantamos e fui deitar. Acordei cedo, tomei café e fui para a biblioteca, conseguia ajudar pelo menos meio período pra paga as contas e ajudar meu pai, foi tudo tranquilo, voltei pra casa na hora do almoço, como todos os dias, almocei com eles e fui p praia, queria nadar, sentir a areia em meus pés, o tempo estava fresco, ouvia o barulho do mar, hoje ele estava agitado demais, Morena ia me guinado, na verdade nem sei por quanto tempo andei, parei em um ponto, estava cansada já. Sentei, colocando as sandálias do lado, puxei a Morena que se sentou colada em mim, senti a brisa do mar, meus pensamentos foram para a voz do Dr Rios Bernal, amanhã iria a sua clínica, depois de 3 anos tinha esperanças de voltar a ver, voltar ao meu trabalho de fotógrafa, ser independente de novo. Minha mente estava longe, só fui trazida a realidade quando sinto Morena agitada ao meu lado.

— Morena, o que foi, se acalma. – Passei a mão nela, senti ela puxando a coleira, não tive como segurar, ela saiu de perto de mim latindo, me levantei desesperada, ouvindo os latidos andei depressa p frente, não sabia pra onde estava indo, apenas estava seguindo os latidos, depois de alguns passos senti meus pés molhados, eu gritei.

— MORENAAAA, MORENAAA AQUI, VEM.

Mas ela continuava a latir, estava perto mas não conseguia chegar até ela, já sentia a agua em meu tornozelo, quando senti uma corrente de agua mais forte, não me equilibrei e cai, em cima do braço, doía tanto, mas precisava pega a Morena, quando duas mãos me levantam, eu ia grita, mas essa voz.

— Victoria, tudo bem, se machucou?

Era ele. – Dr Heriberto?!

— Sou, se acalma.

Respirei fundo. – A Morena, minha cachorra fugiu.

— Calma, ela esta aqui perto, correndo atrás das pombas, vou pegar ela pra você, não sai daqui.

Apenas balancei a cabeça, estava com frio e dor no braço, ouvia ele falando com Morena.

— Pronto, ela esta aqui, sã e salva. – Ele pegou minha mão esquerda e colocou a coleira, suspirei de alivio, Morena era a coisa mais preciosa pra mim.- Você esta com frio, machucou o braço. – Senti ele pegando, e dei um gemido de dor. – Vamos eu te levo pra casa.

Coloquei minha mão no bolso da calça, droga minha chave caiu quando a onda me derrubou.

— Eu perdi minhas chaves, não sei como entrar na minha casa, meu pai e minha irmã só chegam a noite hoje.

— Não se preocupe, eu te levo pra minha casa, vemos esse baço e você se esquenta esta morrendo de frio.

Não podia aceitar. – Não, eu espero na vizinha, não posso aceitar, sua mulher pode achar ruim.

Ouvi a risada dele, era gostosa. – Não tenho esposa, na verdade moro em uma casa grande para mim, é só a Maria minha governanta de anos e eu, eu não vou deixa você sozinha, com braço machucado e morrendo de frio, vem, isso não esta em discussão.

Ele não me deixou responder, me puxou pra ele e fomos andando, meu braço encostou em sua pele, ele estava sem camisa, respirei fundo, o cheiro dele era divino, ouvi a porta de um carro abri, ele me ajudou a sentar, e colocou Morena no banco de tras, ele bateu a porta dele.

— Tome, coloca esse meu casaco, pra se esquentar. – Ele colocou o casaco nos meu ombros, e o carro começou a andar, não demorou muito pra chegar, me ajudando p sair, ele me deu a coleira da Morena e foi me guiando. – Sente-se aqui, eu vou pegar uma toalha, você vai tomar um banho quente e vejo seu braço, não se preocupe Morena ficara aqui comigo e Maria irá te ajudar.- Uma senhora de voz doce, Maria me ajudou a entrar no banheiro, me dando todas as instruções, tomei banho tomando cuidado cm o braço, doía muito.

Quando Maria ajudou Victoria a subir, fui até a cozinha e trouxe agua para Morena que estava sentada perto da escada, quer a dona, ela bebeu a agua, eu acariciei sua cabeça. – Ela já esta vindo.

Sorri, era uma cachorra linda, levantei quando Maria desceu. – Ela já esta tomando banho, disse que dali se virava, mas já já volto pra ve-la.

— Obrigado nana, me faz um favor, prepara alguma coisa pra comermos sim.

Ela assentiu e foi até a cozinha, fui até o escritório peguei minha maleta e voltei pra sala, olhei ela estava na ponta da escada, ia correr até ela mas Morena se adiantou, ela pegou a coleira e desceu, estava com um roupão, cabelos molhados, ela era linda, me aproximei.

— Como se senti?

— Bem melhor, quente, mas o braço doí.

— Vem vamos sentar no sofá, eu vou ver o braço.

Nos sentamos, olhei direito pra ela, os olhos dela mesmo sem enxergar não perdia o brilho, ela vivo e perfeito, não sabia que estava a acontecendo mas ela mexia e muito comigo, peguei com delicadeza o braço, estava inchado na parte do pulso, mexi ela sentiu dor, mas não havia quebrado, era apenas uma torsão. – Não quebrou, apenas torceu, vou te dar um remédio e colocar uma faixa.

Ela sorriu. – Muito obrigada, por tudo.

— Não precisa agradecer, faço com muito prazer. – Ela sorriu de novo, certo, ela era perfeita, Maria entrou na sala.

— Heriberto, fiz lanches e bolo.

— Obrigado Maria, pode trazer pra cá por favor.

— Não precisava se incomodar tanto Dr, eu já vou, só esperar minha roupa secar um pouco.

— Victoria, primeiro me chame de Heriberto, segundo estou morrendo de fome. – Ela riu.

— Entendi, mas mesmo assim obrigada mais uma vez.

Eu tento mas não consigo resistir, tiro uma mecha de cabelo do rosto dela, a sinto tremer. — Já disse que não precisa agradecer.

Maria trouxe os lanches, suco, biscoitos e bolo, a ajudei e comemos, conversando sobre tudo, o que ela mais gostava de fazer, era fotografar o belo da vida, prometi a mim mesmo que a faria ver de novo, sinto uma necessidade imensa em protege-la, ela me conta da irmã e do pai, eu conto algumas coisas da minha vida, sou sozinho só tenho a Maria, que foi e é uma mãe pra mim.

— Que horas são?

Olho para o relégio, realmente não vi a hora passar. – Na verdade um pouco tarde, são 18:30.

Ela ficou surpresa. – Nossa tudo isso, nem percebi o tempo passar.

Sorri, ela perde a noção do tempo comigo. – É, eu também.

— Mas agora eu preciso ir, meu pai já deve estar chegando e vai ficar preocupado se não me encontrar em casa.

— Tudo bem eu te levo.

— Não precisa, me leva apenas ao um ponto de ônibus.

Dei risada. – Victoria, como acha que deixarei você ir de ônibus, fora de questão, vamos eu te levo.

Saímos de casa, mas não antes dela se despedir da Maria, e agradecer mais uma vez, ela me deu o seu endereço e eu a levei, não era muito longe. – Chegamos, vou te ajudar.

Sai do carro abri a porta de tras e Morena saiu, depois ajudei ela a sair do carro e entreguei a coleira. – Muito obrigada Heriberto. – Ela sorriu, tive que fazer o mesmo, ela era contagiante.

— Imagina, eu te espero amanha na clinica.

— Com toda a certeza. – Ela acena e abre o portão e sendo guiada pela Morena some de vista, já estava louco pra amanha chegar. Fui pra casa, quando entrei meu celular tocou, olhei a tela, não podia ser, atendi.

— Alo.

— Oi meu amor.

Respiro fundo. – Elisa, não sou seu amor, nós não temos mais nada.

— Hriberto, eu te amo.

— Mas eu não te amo, tentamos não deu certo, segue a vida, vou ter que desligar, adeus Elisa.

Desliguei e sentei no sofá, Elisa e eu éramos noivos, mas não deu certo, não a amava pra construir família, dei nosso noivado por encerrado mas ela ainda não aceita, encostei a cabeça no sofá, e a imagem de Victoria veio instantaneamente me minha memória, seu sorriso, seus olhos que mesmo sem luz irradiava um brilho único, amanha irei vê-la de novo, graças a Deus por isso. Me levanto e vou para o quarto, tomo um banho e me deito.

Já estava quase na hora dela chegar, acho que estava a duas horas olhando o relógio, meu telefone na mesa toca, atendendo, minha secretária avisa que Victória tinha chego, peço um momento, olho pra mim, pareço um bobo, abro a porta ela esta sentada, com Morena do lado, me aproximo.

— Bom dia Victoria.

Ela sorri e se levanta. – Bom dia.

— Vem vamos entrar. – Peguei na mão dela e entramos, ela pediu pra Morena ficar quietinha e eu pedi para a secretária fica cuidando dela, entramos e a ajudei a sentar.

— Bom Victoria, nos vamos fazer alguns exames, e sai o resultado em 3 dias ai você volta.

Ela balançou a cabeça, a ajudei em tudo, fizemos todos os exames, terminamos por volta de 12:00. – Pronto, daqui três dias veremos os exames.

— Tudo bem, volto em três dias. – Ela se levantou e eu fui para seu lado.

— Vai pra casa agora?

— Sim, mas antes vou comer alguma coisa, estou com fome.

— Então se quiser podemos almoçar juntos.

Ela pensou. – Na verdade eu adoraria mas a Morena não entra em restaurantes.

— Bom ela pode ficar com a minha secretária que gostou muito dela, e almoçamos em um ótimo restaurante aqui perto.

Ela sorriu. – Tudo bem, eu aceito.

Saimos, avidei a minha secretaria e fomos para ao restaurante, a ajudei com o pedido.

— E seu pulso como esta.

— Bem melhor, dói só um pouco agora.

— Isso é ótimo.

— Dr...

— O que eu disse, me chame pelo nome.

— Certo, Heriberto, você acha que eu posso voltar a ver?

Olhei pra ela, era difícil a pergunta, ainda mais sem os exames, peguei na mão dela, ela apertou a minha, sorri.

— Victoria, eu não tenho certeza, pra isso precisaremos esperar os exames, mas de uma coisa eu tenho certeza. – Beijo a mão dela. – Eu vou fazer de tudo pra isso acontecer.

Ela sorri. – Eu confio em você, se der certo e eu puder enxergar, a primeira pessoa que quero ver vai ser você.

Aquilo me pegou de surpresa, eu era a primeira pessoa que ela quer ver. – Eu? E Por que?

— Por que quero conhecer a pessoa que me fez ver, quero te agradecer dessa forma olhando em seus olhos.

— Você vai olhar em meus olhos, te prometo. – Ela sorriu, terminamos de comer e saímos do restaurante, chegamos na clinica.

— Heriberto, quero fazer algo pra te agradecer por tudo.

— Já disse que não precisa.

— Eu sei, mas eu quero.

Sorri. – Certo, o que quer fazer.

Ela respirou, mexendo nos cabelos. – Hoje na praia, perto da minha casa, vai ter um lual, vários quiosques aberto a noite toda, musica, e queria que você fosse, como uma forma de agradecimento, acho que vai gostar.

Sorrio, era tudo o que eu queria. – Claro que aceito, posso te buscar em casa.

— Sim, pode ser as 20:00, de lá iremos a pé, bem mais gostoso.

— Combinado. – Ela sorri, pega Morena e sai da clinica, a tia viria busca-la, volto para o consultório, atendo todos os pacientes com a minha cabeça nela, vou pra casa e me arrumo, como é um lual, coloco uma bermuda, uma camisa e nos pés um sapa tênis, saio de casa, as 20 em ponto paro na frente de seu portão, toco a campainha, depois de alguns minutos ela aparece, não sei como, mas cada vez que a vejo ela esta mais linda ainda, com um vestido verde tomara que caia, uma sandália baixa, cabelo em uma trança de lado, a voz dela me tira do desvaneio.

— Boa noite.

Me aproximo. – Boa noite, você esta linda.

Ela sorri. – Muito obrigada, vamos.

— Sim, mas e a Morena.

Ela ri. – A Morena va ficar hoje, se você aceitar ser meu guia.

Sorrio, pego em sua mão e deposito um beijo. – Com todo prazer.

Fomos andando até a praia, realmente era bem perto, chegando lá já dava pra ver as pessoas, musicas e os quiosques lotados.

— O que quer comer?

Ela me pergunta. – Que tal peixe, com tacos.

Ela passou a língua pelos lábios, respirei fundo. – Meus favoritos.

Nos sentamos e fizemos o pedido, comemos ao som das musicas, ela estava feliz, me contava como foi descobrir que estava cega.

— Foi uma sensação horrível, mas soube lutar, e hoje sei muito mais do que quem enxerga, a pessoa nunca foi encontrada, mas eu sei o seu rosto.

— Você é forte, uma mulher maravilhosa.

Ela sorri envergonhada, terminamos de comer, ela queria pagar, isso jamais, sentamos perto do mar, uma musica lenta começou a tocar.

— Victória, vamos dançar?

Ela sorri. – Dança, faz anos que não sei o que é isso, como vou dançar?

Tiro meus tênis, deixo de lado ficando descalços, ela já estava, peguei sua mão e fui um pouco afastado. – Deixa eu te guiar.

Ela balançou a cabeça, coloquei seu braço pelo meu pescoço, e a abracei pela cintura, a musica começou.

Não peço licença pra ninguém
Sei o que me dói e o que me faz bem
Ir no fundo e se apaixonar é viver sem culpa e ter coragem

Começamos a balançar, no ritmo da musica, senti seu perfume, ela se solta em meus braços, confiando em mim, nossos corpos se movem juntos, ela levanta os olhos para mim, meia receosa.

— Quero te pedir uma coisa, mas não sei se vai gostar.

— Garanto que sim. – Ela ri. – Pode pedir.

Ela respira fundo. – Posso te ver?. – Fiquei confuso.

— Como assim me ver, não entendi.

Ela sorri. – Posso te mostrar?

— Sim, pode.

Quero viver cada segundo inteiro
Sei que é tarde e já passou da hora
Mas diga que é verdade que me adora
Essa noite está radiante, amor
Me abrace então, me beije agora

Ela tirou o braço do meu pescoço, mas continuei abraçado a sua cintura, com os dois braços agora, ela com delicadeza passou as mãos pelos meus cabelos, com os olhos fechado, descendo lentamente pela minha testa, parou em cima dos olhos, como se tivesse memorizando, passou as pontas dos dedos em meu nariz, as costas das mãos pela minhas bochechas, chegando aos meus lábios, ela tocou com calma, traçando ele, conhecendo meu rosto, desceu aos meus ombros, sorrindo.

— Você é lindo.

A vida passa e o amor não deixo passar
Isso que eu sinto é bem mais que amor
Mudando quase tudo no universo
Estrelas pedem que você se apaixone
Por todos os lugares leio seu nome

Quero viver de novo o irrepetível
Abrir caminho só pra te dar um beijo
Mudar a minha vida, te amar sem medo
Porque você é tudo que eu mais desejo
Quero viver de novo o irrepetível

Dei risada. – Não sou não, como...?

A minha pergunta morreu no ar, ela sorriu mais amplamente ainda.

— Acho que vejo mais do que muita gente, porque eu vejo os detalhes, vi seus detalhes, e sei que você é lindo, ainda mais pelo seu coração.

Ela tocou meu peito, peguei as mãos delas e beijei, voltamos a dançar.

Y dame una caricia que me salve
Ese gesto tuyo que es adorable
La vida es un regalo, ábrelo
Deja que la luna nos empape
Quiero sentir cada segundo entero
Mira arriba, la belleza es incontable
Ante tal grandeza te haces grande
Esta noche estás más que radiante, amor
Esta noche no te encuentro en mi canción
Los que crearon las noches del tiempo
No se han llevado las noches de amor

— Você é muito especial Victoria, uma mulher que tem um brilho no olhar mais lindo que eu já vi.

— Eu sei que prometeu me fazer enxergar, mas também sei que não é uma promessa fácil, saiba que aconteça o que acontecer, já tem valido a pena.

— Pode ter certeza que sim.

Galaxias que se fundieron en tu pelo
Cambiando el nombre a todo en el universo
Estrellas que suplican que te enamore
Océanos de besos y me sumerjo
Quiero vivir de nuevo lo irrepetible
Hacer camino sólo por darte un beso
Quiero vaciar instantes con nuestras manos
Quiero llenar vacíos que se murieron

Ela encostou a cabeça em meu peito conforme dançávamos, ela era mais que especial, e eu sabia que ela tinha me conquistado, mesmo sendo cedo pra dizer, mas queria aproveitar ao máximo, olhei para o céu e pedi que Deus me ajudasse a cura-la, pra vê-la olhando pra mim.

Galaxias que se fundieron en tu pelo
Cambiando el nombre a todo en el universo
Estrellas que suplican que te enamore
Océanos de besos y me sumerjo
Quiero vivir de nuevo lo irrepetible
Hacer camino sólo por darte un beso
Quiero vaciar instantes con nuestras manos
Quiero llenar vacíos que se murieron

Ela levantou a cabeça, sorrindo, tirei alguns fios de cabelos que estavam em seu rosto, ela estava tão perto, minha vontade era beija-la, mas não queria que ela se assustasse, acariciei os cabelos dela, ela fechou os olhos, me aproximei, deixando nossos lábios tão perto um do outro que ouvíamos as nossas respirações.

Galaxias que se fundieron en tu pelo
Cambiando el nombre a todo en el universo
Estrellas que suplican que te enamore
Océanos de besos y me sumerjo
Quiero vivir de nuevo lo irrepetible
Hacer camino sólo por darte un beso
Quiero vaciar instantes con nuestras manos
Quiero llenar vacíos que se murieron...

Continua...