Alguns dos melhores amigos de Steve Rogers estavam mortos e enterrados. A maior parte, há décadas. Entretanto, mesmo sendo um homem fora de seu tempo, ele ainda tinha com quem contar.

Folheava seu caderninho de bolso, com nomes e números de tantas pessoas que lhe fizeram bem.

Sam Wilson ou Sharon Carter eram boas opções. Tony também. E até mesmo Nick Fury.

Contudo, foi pego pela sensação que nenhum deles entenderia.

No meio de grandes nomes, um pouco apagado e esquecido até mesmo pelas páginas amarelas daquele caderno, o nome e número de Clint Barton repousava.

— Alô? — questionou com confusão, o arqueiro.

— Olá, Clint.

— Uau, o Capitão América me ligou no celular. — O jeito desleixado do amigo sempre o fazia sorrir, mesmo nos tempos mais sombrios. Não foi diferente desta vez. — Como você está?

Velho, me sinto velho.

A resposta ficou presa em sua garganta. Tinha coisas mais importantes para dizer do que como se sentia.

— Preciso te contar uma coisa e eu não sei se você vai gostar. — Deixou de ouvir a respiração do outro lado da linha. — Clint?

Um dos pontos negativos de ter nascido na década de vinte era sua inaptidão com a tecnologia moderna. O seu telefone celular simplesmente finalizou a ligação. Sentiu-se tão frustrado que teve de se controlar para não esmagar o objeto em sua mão.

Precisava tirar aquilo de dentro. Contar para alguém. Tomar uma bronca de Clint, ou simplesmente ficarem em silêncio até saber qual seria o próximo passo.

A linha da ligação havia caído, junto com tudo o que havia de concreto na vida de Steve. Sentou-se no chão, com as costas na parede, e, pela primeira vez em muito tempo, permitiu-se chorar.

Permitiu a si mesmo ser mais do que um super soldado.

Deixou que se tornasse humano.

Os olhos ainda faziam chover quando notou o celular tocando, e na identificação o nome era de Clint.

— Ele os pegou, Cap. Pegou Bobbi e Nick.

Notas finais
Peço perdão pelo capítulo curtinho e por tanto tempo sem postar. Espero estar apto a publicar mais frequentemente. Obrigado por ler.