Pelos Meandros do Mal
14 Capítulo 14
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS, OK?
P.O.V Carol
Apesar de me importar com o Guilherme, pelos comentários eu não teria muitas festas por aqui, e seria bom eu aproveitar a que tinha hoje. Claro que minha cabeça não estava para isso, mas a distração pode ser algo útil de vez enquando.
– Olha só quem voltou pra festa!
– O Guilherme acaba de desmaiar, ela diz que vai ficar com ele pra ajudar a cuidar de qualquer coisa e que não quer ajuda de mais ninguém, e agora ela volta pra festa. Ótimo, definitivamente ótimo! – qual o problema da Samantha?
– Dê um tempo pra ela Samantha. – foi o comentário do Bryan antes de me tirar pra dançar.
A festa se passou como um borrão para mim. Só lembro de ter discutido com a Samantha e do Bryan me mandando voltar ao chalé para descansar, e nada mais. Não me lembro de ter bebido demais então por que eu estava com uma aparente ressaca?
– Ei, Cah? Vamos, levante. O Quíron esta te chamando! – uma voz muito parecida com o do Bryan me chama, mas muito ao longe.
– Eu que desmaio, mas ela que esta péssima. – esse com certeza era o Guilherme
– Ahn?
– Ah, isso inclui o corte na boca e os arranhões. Ande logo menina, não temos o dia todo!
– Ah cale a boca Guilherme, minha cabeça parece que vai explodir!
Me levantei empurrando os dois para saírem da minha frente e fui me arrumar. Apesar de estar com uma dor de cabeça infernal, Quíron tinha convocado uma reunião e pelo visto eu já estava atrasada.
– Cara você dopou ela não foi? – Guilherme perguntou
– Que? Eu não faria isso, ela só discutiu com a Samantha, bebeu um pouco e eu levei ela de volta pro chalé. – o Bryan não seria capaz de me dopar, pelo menos eu acho que não.
O Guilherme deu uma risada que se eu não estivesse mal poderia facilmente dizer que foi irônica. Mas eles não perceberam que eu os tinha ouvido, e preferia que ficasse assim.
– Vamos, já estou pronta.
Fomos em direção a Casa Grande e a Samantha já estava lá, e aparentemente não estava nem um pouco feliz.
– Qual é o seu problema? Ela é novata, não pode sair assim! Eu sempre estive aqui e você nunca, repetindo nunca, me deixou sair! – alguém estava gritando bravamente com o Quíron
– Se acalme Samantha, ela recebeu uma profecia. Ela tem o direito de sair, ela deve sair! – Engraçado como a Samantha podia gritar e o Quíron manter a calma com ela, céus tinha horas que ela era terrivelmente irritante, e minha “ressaca” por assim dizer, não ajuda nessa situação.
– Me tiraram da cama pra ver essa estressadinha ou é algo serio? – disse entrando na varanda.
– Sentem-se é sobre a profecia. – Quíron disse apontando para as demais cadeiras.
Gritos faziam minha cabeça doer, luminosidade fazia minha cabeça doer, tudo fazia minha cabeça doer e principalmente assuntos como a profecia. Nada contra, acho legal a ideia de tentarmos ajudar em algo nesse mundo, mas eu não podia defender algo que nem eu mesma acreditava. Então se eu dizer que tudo foi novamente um borrão acreditem, porque foi.
– Carol, sei que você não gosta disso, mas você vai precisar nos ajudar. A sua profecia é um tanto obscura, nos diz de salvação, nos diz várias coisas. Menos qual é o problema.
– Quíron, tanto quanto você eu não faço ideia do que eu tenho que salvar. Se você me permite eu quero descansar um pouco.
– O mundo pode estar acabando e ela quer ir dormir? Sério isso? – ponto para Samantha, o ser mais infeliz do mundo.
– Vamos conversar depois do jantar, sim Carol? – disse Quíron
– Torçam pra minha cabeça melhorar até lá – disse enquanto saia andando caminho a fora.
– Carol, ei, podemos conversar um minuto? – o Guilherme veio correndo atrás de mim, quando ele colocou a mão no meu ombro ele gritou a plenos pulmões, caiu no chão se contorcendo, como se estivesse com dor.
– Guilherme? Guilherme? O que houve? – me abaixei para tentar ajuda-lo segurando-o pelo braço, mas aparentemente só piorou a dor minha reação.
De novo não, de novo não! Isso era o que se passava basicamente pela minha cabeça, eu o segurava, ele gritava de dor. Eu o soltava e ele parava.
Alguns filhos de Apolo vieram correndo ajudar, ele se acalmou e até disse que estava melhor mas não o liberaram. A dor de cabeça não parava, e se preocupar com ele só parecia piorar. Rolar pela cama, não me ajudava. Nem remédio nem nada.
– Sinto em lhe dizer queridinha, “de novo sim”.
Um cheiro adocicado preencheu o ambiente, me dando mais dor de cabeça, me virei na direção na voz e lá estava alguém estonteante. Tinha um brilho próprio, mas com a maquiagem ficava melhor ainda.
– Afrodite? – chutei
– Estava tão na cara assim?
– Como assim “de novo sim”? – quis ignorar ela e pular para a parte de risco de sua fala.
– Estou respondendo o que sua mente questionava, e sim. Eu lamento mas ele esta assim, pelo motivo que você duvidava. – obrigado mundo, realmente as coisas sempre podem piorar.
– Não, não, não e não! Eu não posso me apaixonar de novo, você sabe o que acontece com as pessoas que amo.
– Eu sei sim o que acontece, e apesar de gostar profundamente dos amores platônicos, não quero ver ele sofrendo assim. É um rostinho bonito demais pra sofrer dessa forma. Mas você esta começando a se apaixonar, e ele esta começando com os sintomas.
– Mas eu nem gosto dele!
– Você se lembra da ultima vez? O que aconteceu? Você começou dizendo que não gostava nem da companhia do rapaz, mas se me lembro bem você passou o enterro todo pedindo perdão.
– Pare com isso por favor – eu não queria ter que relembrar tudo, eu tinha sofrido demais, relembrar só reabria um buraco que custava a sarar.
– Você tem que descobrir uma cura, é por isso que te dei a profecia. Uma chance de salvar o seu amor, talvez o seu verdadeiro amor Carol.
– 1. Eu não o amo e 2. Eu não quero essa missão. Não quero essa vida caramba!
– Carol, se você não for a essa missão, você não achará a cura para o que o Guilherme tem e aí todo contato tanto físico quanto mental podem fazer com ele sofra mais, a dor aumenta de acordo a paixão. Você já deveria saber disso.
– Contato mental?
– Sim, pensamentos Caroline, pensamentos. Você terá que escolher Carol, é um risco que você tem que assumir. Participe da missão, mesmo que a contra gosto, você não o ama, mas vai poder salva-lo pelo menos. Ele pode morrer.
A essa altura as lágrimas já rolavam solta, eu não queria que ele sofresse, mas não o amava e muito menos queria ir a missão. Isso impunha obrigações das quais eu não queria ser responsável.
– Façamos um acordo, eu vou tentar amenizar a dor dele, mas você vai ir a essa missão e procurar a cura. Caso ao contrário a doença só vai piorar e piorar.
Afrodite era conhecida por gostar de ver os outros sofrendo, não podia confiar fielmente nela. Era difícil acreditar que esse acordo poderia funcionar, mas quem sabe nós pudéssemos fazer dar certo.
– Então, sim ou não? Você pode deixar ele morrer e conviver com isso, ou pode pelo menos tentar.
– Me de um tempo para pensar ok?
– Tic tac tic tac, quanto mais tempo passar... – cortei-a
– Eu sei ok? Eu sei! Ele pode morrer, você acha que pedi por isso? Você acha que quero ir a mais um enterro e saber que fui a responsável? – os soluços eram incontroláveis, as lembranças tinham voltado, mas isso não me impedia de gritar com a Afrodite.
Era sempre dolorido lembrar do fato, mas agora essa dor parecia mil vezes pior. Chamem de benção o que aconteceu comigo no dia em que nasci, mas para mim aquilo era mais um maldição. Eu me tornava responsável por coisas que eu não queria, não é como se eu não quisesse cumprir minha obrigação de ser obediente voltando no horário pra casa, ou tirar boas notas. Eram coisas muito mais difíceis de serem resolvidas. Coisas dignas de Afrodite, se é que me entendem.
– Eu sei que as coisas devem ser difíceis para você – não, ela não sabia de nada – mas essa é a chance que estou te dando para conseguir arrumar as coisas. Eu poderia ter deixado a minha filha Samantha ficar com ele, mas eu acredito que você possa ser melhor para ele. Não me decepcione Carol, eu acredito que você pode mudar as coisas. Nós, os olimpianos, não te demos a benção atoa, use-a com sabedoria.
Da mesma forma como ela havia aparecido, ela sumirá. Eu tentava recuperar o folego. Já estava quase na hora do jantar e eu nem havia percebido, mas isso queria dizer que eu teria que falar com Quíron.
O chalé de Hermes estava menos movimentado que ultimamente já que a maioria dos campistas estavam na enfermaria para ver como o Guilherme estava. Todos pareciam estar realmente preocupados com ele, e isso só aumentava o meu sentimento de culpa. Fui ao refeitório mas quase não havia ninguém lá.
– Onde estão todos? – perguntei a uma menina que eu sempre via no meu chalé.
– A maioria saiu em busca de algum tratamento alternativo para as dores do Guilherme, os outros estão fazendo ronda para ficar de olho nele caso piore.
Ele havia piorado, mas eu nem tinha mais ficado perto dele. A voz da Afrodite fez eco da minha cabeça “tanto contato físico quanto mental”. Sai a passos apressados até a mesa em que Quíron comia.
– Precisamos conversar. – disse para Quíron fazendo ele parar de mastigar e engolindo praticamente em seco.
– Posso terminar de comer pelo menos?
– Não.
Ele não pareceu contente com a minha respostas, mas mesmo assim se levantou e me indicou que fossemos ate a área de fora e nos sentássemos ali.
– Por que a pressa para a conversa criança?
– Precisamos partir o mais rápido possível, eu descobri o motivo da missão. – Quíron obviamente não escondeu a ansiedade para saber o motivo da missão.
– E o motivo seria...
– Afrodite me deu essa missão, ela quer que eu salve o Guilherme.
– E como você pode ter certeza disso Carol?
– Porque a própria Afrodite disso isso. Quíron mesmo que você não acredite, eu tenho, eu vou sair em missão.
– Esteja longe minha desconfiança de você criança, não duvido que Afrodite tenha lhe dado a missão. O que me intriga é saber porque ela te daria essa missão.
– Também não faço ideia porque isso. – eu estava mentindo sim, mas eu não me sentia a vontade contando a ele o motivo, pelo menos ainda não.
– Ok, você tem minha permissão para sair, mas você precisa de uma equipe. Já tem alguém em mente?
– Não sei, a profecia não da muitas dicas de quem devo levar.
– Quer uma dica? Leve a Samantha e a Clarisse. — ele só podia estar de brincadeira – sei que pode parecer loucura, mas de todos os campistas daqui elas são as únicas que posso garantir para você. Elas dariam suas vidas para salvar a dele. Eles sempre foram muito unidos, vocês podem não se dar tão bem, mas para salvar ele, elas são as melhores companhias.
– Eu não sei Quíron...
– Pense que você pode ajuda-lo levando elas com você.
– Ok, eu... Eu vou com elas, mas só nós 3? Isso não pode dar certo.
– Quero que vocês levem ele junto.
– Que?
– Quero que ele vá junto, porque assim que vocês encontrarem a cura quero que deem a ele. Pode ser tarde demais para ele se vocês não chegarem a tempo com o remédio. Ele piora a cada instante, não podemos nos arriscar.
– Ok, mas ele esta doente, não sei se ele vai aguentar ir ate onde devemos ir, e mesmo a Clarisse sendo forte ela não vai aguentar levar ele por todo o caminho.
– Não, por isso mesmo acho que o Bryan deve ir junto. – ok definitivamente o Quíron estava louco, mas pensando bem, ter a ajuda do Bryan não seria má ideia.
– Ok, partimos de manhã.
Não esperei por uma resposta, apenas sai andando para avisar eles o mais rápido possível. Fui ao lugar mais óbvio, a enfermaria. Com certeza os 3 estariam lá, e para provar que eu não estava errada reconheci a dona da voz que não me queria ali.
– O que você esta fazendo aqui? – disse Samantha
– Eu tenho direito a visitar ele ok? Mas eu não vim aqui para brigar.
– Então para que?
Engraçado, o sentimento da Clarisse e da Samantha de uma forma ou de outra eu podia compreender, mas o do Bryan não. Era como se ele estivesse chateado comigo, ou algo assim, mas isso teria que verificar depois.
– Eu vou nessa missão que Afrodite me deu – posso estar equivocada mas os olhos da Samantha esbugalharam na hora – e quero que vocês me acompanhem. Já tenho até o consentimento do Quíron.
– E por que iríamos querer ir a uma missão com você? – perguntou Clarisse claramente irritada.
– Porque essa missão é para salvar o Guilherme.
– Agora é minha vez de perguntar. E por que eu iria nessa missão? – disse Bryan deixando evidente seu desconforto quanto a isso.
– Olha, eu sei que pode parecer loucura, mas a missão é para achar uma cura para o Guilherme. E o Quíron quer que nós o levemos, e precisaremos da sua ajuda Bryan.
A Samantha e a Clarisse ficaram conversando entre si por alguns instantes, já o Bryan parecia ponderar se devia mesmo ajudar nisso.
– Se for para salvar o Guilherme nós iremos então – disse a Samantha e eu senti um enorme alívio assim que a Clarisse confirmou com a cabeça.
– E você Bryan?
– Ok, eu vou. Mas não esperem muito de mim. – ele respondeu meio que murmurando
– Partimos amanhã de manhã. Bryan, você poderia arrumar algumas coisas para o Guilherme levar?
Eu queria que o Guilherme estivesse acordado para dizer que não queria ir, que ele fizesse o escândalo digno dele e assim não precisássemos leva-lo, mas ele parecia estar num sono profundo, e não seria eu a tira-lo disso.
– Claro. Eu pensando que minha vida seria fácil... Agora virei babá desse aí – o Bryan disse apontando para o leito do Guilherme.
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