Notas iniciais
Rotina ferrada, mas em algum momento sai capítulo, isso é certo Boa leitura

Jade West

— Às vezes, eu odeio o meu trabalho – resmunguei ao jogar a maleta no banco de trás do veiculo enquanto Sam ocupava o do passageiro fazendo o mesmo com a própria bolsa.

O carma estava vindo claramente mais rápido do que as minhas contas no começo do mês, um caso que eu devia ter tudo para ganhar, mas perdi tão miseravelmente e por quê? Cliente burro. Você da às recomendações e advertências só faltando pegar na mão e conduzir pela faixa de pedestre, e o que ser humano me inventa de tacar o foda-se 12 horas antes da audiência ferrando com absolutamente tudo.

E o pior é o olhar vitorioso do maldito advogado enquanto felicitava seu cliente e Abigail sentada na primeira fileira para prestigiar o colega pelo feito.

Meio dia de trabalho e eu já estava me segurando para não jogar um sapato em algum dos novos estagiários que chegaram no começo do mês passado, quando não estão se achando os donos da razão com base em sua disposição em ler livros e fazer anotações estão puxando o saco de um advogado em particular para participar de um caso como se sua vida fosse depender disso.

Quando dizem que jovens não sabem ter paciência é uma grande verdade.

No final do dia eu não queria olhar para cara de ninguém, mas a paz da minha casa estava um pouco longe também, constatei ao abrir a mensagem de Beck me pedindo para encontra-lo na bendita cafeteria que havíamos nos encontrado anteriormente, eu só poderia supor como ele conseguiu meu número e o porquê obvio do encontro.

Sentado na mesma mesa ele acenou quando o avistei chamando a atenção para me aproximar. Minha amiga atrás do balcão me lançou um olhar debochado que dizia “olha só você”, lhe dizer que não pretendia encontrar essa pessoa novamente e estar o fazendo agora não me ajudava.

Sam que havia pegado uma carona comigo foi para o balcão atrás de café e nos dar a falsa impressão de privacidade.

— Eu espero que seja importante, a minha paciência não esta boa hoje – soltei ao ocupar a cadeira cruzando as pernas e os braços defensivamente.

— Por um momento eu ousei pensar que você pudesse ser uma advogada boa – Beck começou mexendo em sua xicara de café fazendo uma pequena pausa dramática – Mas vejo que não.

— Serio que me chamou aqui para começar uma briga? Eu quero de verdade bater em alguém, mas como um ser humano racional eu estou me segurando, Oliver.

— Pessoas como você sempre se irritam quando apontam suas falhas de caráter – continuou ignorando minhas palavras – Minha irmã não terá mais você como advogada.

— Ela disse isso?

— Ela vai em breve. Você não esta fazendo o seu trabalho direito, vou garantir que ela tenha tudo o que merece por direito e você não esta brigando por isso.

Aspirei e respirei.

Famílias às vezes podem ser tão irritantes. Um advogado pode ser tão irritante quando um médico doente que não aceita o diagnostico de outro.

Pesquei meu celular na bolsa desviando momentaneamente o olhar do homem enfezado em minha frente e atendendo a ligação da minha assistente, sua voz saindo apressada antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Você precisa voltar para o escritório agora.

— O que aconteceu?

— A sra.Morgan. Uma coisa ruim aconteceu.

Imediatamente minha atenção voltou-se para o ser irritado e provavelmente alheio ao que deva estar acontecendo considerando que esta bem ocupado em brigar comigo.

— Chego em 10 minutos, segure o que quer que seja até eu chegar.

Os olhos do homem estreitaram-se.

— Precisa ir fazer um mal trabalho para alguém?

— Você pode dizer assim. Quanto a sua irmã, a menos que ela diga que não trabalho mais no caso dela eu ainda estarei aqui você goste ou não.

~*~

A chance de conseguir uma vaga em um bom escritório de advocacia é o sonho do universitário que passa as noites fazendo anotações de livros tão pesados que se caíssem no pé acho que quebraria um dedo, assistir tantos vídeos de aulas que a cabeça doeria e diríamos a nós mesmo “continue esse caminho, porque o final vai ser bom”.

Eu sabia desde o inicio que não seria fácil, mas depois de semanas me preparando, ignorando o mundo ao meu redor para estudar aquela vaga se tornou minha.

“Não importa o que você veja ou escute, não se atreva a olhar com desprezo ou pena para nossos clientes”, não foi um conselho amigável, foi uma ordem em um tom duro que recebi no meu primeiro dia e que não compreendi totalmente até adentrar a sala em que um cliente nos esperava por causa de um caso de assassinato do marido.

“Eu só queria viver, mas não tinha forças para lutar” ela disse em determinado momento, então o peso da situação caiu sobre nós quando ela contou que quem matou seu marido na verdade havia sido sua filha que de alguma forma conseguira pegar uma faca grande na cozinha e no calor do momento de medo fez o que viu em um filme que nem se quer era adequado para sua idade. Uma criança que aos olhos do mundo seria tachada de assassina, quando era apenas uma vitima de uma situação ruim.

Para qualquer pessoa que cresceu em um lar estabilizado tal situação era triste, mas não tão compreensível quanto se diria.

Eu não vi o que aquela menina viu;

Eu não ouvi o que aquela menina ouviu;

Eu não sofri o que ela sofreu.

Mas eu desejei mais do que tudo que dali em diante ela pudesse viver de forma plena sem tais tormentos em seu futuro. Que sua imagem não fosse a partir do molde que ela teve da mãe.

Todos têm escolhas e, quanto mais cedo elas forem tomadas acredito que menos danos terão.

— Senhorita West – Cat praticamente brotou na minha frente no instante que meus pés pisaram para fora da caixa de ferro com seu ceio alarmado e dedos batendo uns contra os outros expondo seu tique nervoso. Com o tempo espero sinceramente que ela aprenda a conter tal ação na frente de seus próprios clientes.

Apenas as luzes principais estavam acesas, no silêncio do escritório o som dos nossos sapatos se tornava mais alto aos ouvidos enquanto seguíamos para a única sala de um advogado com as luzes acessas e ocupada pela senhora Morgan.

— Elizabeth.

Antes mesmo que minha voz soasse a cabeça já se voltava para mim e o hematoma em um dos lados da bochecha se tornava visível me forçando a andar ainda mais rápido em sua direção.

— Desculpa. Eu não sabia para aonde deveria ir – proferiu, os dedos apertavam a alça da bolsa.

Pesquei do bolso externo o pequeno gravador o ligando e deixando sob o lugar vago no sofá que nos separava, parecia uma ação um pouco fria da minha parte, mas não era a primeira vez que via tal coisa, provavelmente também não seria a última, entretanto, o incomodo que vinha sempre parecia o mesmo, nunca menor, só que eu tinha que lembrar de fazer o que era preciso para tentar ter um melhor resultado no final.

— Não precisa pedir desculpas, apenas me conte o que aconteceu desde o começo.

— Eu estava no jardim olhando as plantas quando ele chegou, pelas janelas de vidro eu vi ele falando no telefone e parecia bem irritado, não me atrevi a entrar e cumprimentar com receio de iniciarmos alguma briga, pensei que depois que ele tomasse banho poderia ter se acalmado um pouco. Ele foi para o quarto e então eu lembrei que havia deixado uns folhetos de uma imobiliária e escolas na penteadeira, nunca achei que ele desistiria do apartamento e como você sabe eu não quero viver lá depois. Quando ele apareceu de novo parecia ainda mais irritado gritando sobre como eu estava sendo irracional, desleal para com o nosso casamento, entre outras coisas e quando eu fui argumentar eu gritei também, porque eu queria ser ouvida. Eu queria ser entendida e falar normalmente não parecia adiantar mais – sem desviar os olhos da mulher inclinei ligeiramente meu corpo alcançando a caixa de lenços na mesinha e trouxe para ela.

Na primeira vez que nos vimos ela estava com maquiagem, os cabelos bem arrumados e as peças que vestia diziam muito sobre bom gosto e boa situação financeira, Elizabeth havia se preparado para dar aquele passo num caminho que ela iluminaria pra si – mesmo que pudesse eventualmente voltar atrás – mas hoje sua aparência só me dizia que não importava se o maldito caminho era iluminado ou não, ela correria por ele sem olhar para trás facilmente.

— Sra. Morgan – Cat chamou em um tom gentil estendendo um copo d’ água com açúcar que foi prontamente aceito pela mulher.

— Com o tempo eu aprendi que ele tinha a tendência a elevar a voz sempre que se irritava e ficava balançando os braços o tempo inteiro enquanto se movia de um lado para o outro às vezes, mas eu não esperava de verdade que um dia as mãos dele fossem vir para mim.

— Nenhum conjugue espera isto de seu parceiro.

— Quando ele deu o primeiro tapa o mundo pareceu perder o som, eu dei passos para trás e olhei seu rosto, mas eu ainda não sei o que vi e não me importei porque eu só queria sair de perto dele, mas quando eu fui com a intenção de entrar para dentro ele segurou o meu braço e me jogou contra o chão, eu bati no vaso de lírios que a mãe dele me deu dois anos atrás e eu adorava, agora esta espatifado lá junto com a maior parte da minha dignidade – pelo reflexo da janela observei as mãos da minha assistente agora se fecharem em punhos cessados a cada palavra que saia da boca da minha cliente e eu não podia condena-la por talvez estar com vontade de devolver na mesma moeda o que Elizabeth recebera – Pensei que você seria uma boa pessoa para recorrer, não quero que minha família me veja assim.

— Tudo bem, você fez bem. E onde esta seu filho agora?

— Com os meus pais, só volta na segunda. Estou com medo do que acontecerá quando eu voltar para aquela casa hoje.

Talvez uma ameaça velada ou um pedido de desculpas culposo que seria facilmente esquecido se ele se enfurece novamente.

— Você não precisa voltar para lá se não quiser.

— E o que eu devo fazer?

— Cat, ligue para o hotel e reserve um quarto para a sra. Morgan, ligue também para a detetive Smoak e diga para nos encontrar lá, diga por alto a situação e eu explicarei melhor lá – a assistente se afastou a passos ligeiros para fora.

— Por que precisamos de uma detetive?

— A partir do momento que você sair da casa ele pode alegar que você abandonou o lar e isso pode prejudicar os seus direitos, Smoak é confiável e estará lá para atestar que você só esta fazendo isso por sua própria segurança – expliquei pegando o pequeno aparelho de gravação dando fim à gravação e tornando a guardar.

— Tudo bem. Será que eu posso ir ao banheiro lavar meu rosto? Sinto que deve estar péssimo – sorri simpaticamente ouvindo meu celular vibrar no bolso.

— Claro.

Ao passo que a mulher saia acompanhada da assistente com sua bolsa, Sam apontou na porta com um olhar complacente e pouco usual brincando com uma bolinha ante estresse que ficava em sua mesa, geralmente é usada para acertar alguém.

— Que coincidência que isso foi acontecer hoje. Imagino que não irá ligar para o irmão protetor e contar sobre.

— Imaginou certo. Desse cara eu quero distância.

— O encontro com a advogada do marido dela é na segunda, considerando o que houve você deveria pensar em fazer algumas alterações no plano original.

— Veremos até segunda. Vamos focar nela hoje.

Notas finais
Ok, acho que nesse capítulo eu queria falar algo um pouco porque por um momento eu vou defender o Beck visto que ele estava certo em dizer que a Jade não fez o suficiente. Mas a questão que fica também é: Ele esta fazendo o suficiente como irmão?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.