Notas iniciais
Mais uma vez usei o cenário do terceiro jogo, mas quem acompanha qualquer mídia de The Wicther pode entender.
Os nomes dos personagens foram mantidos como na obra original, então:
Jaskier = Dandelion.
Plotka = Roach/Carpeado

Boa leitura!

Era noite e a lua cheia iluminava parte do chão barroso com imperfeição; as árvores impediam que o local fosse totalmente enxergado e aumentavam o barulho do forte vento. Um tempo desfavorável, típico daquele local, mas para o bruxo os empecilhos não faziam tanta diferença naquele instante. A poção tomada minutos atrás já fazia efeito, e a visão estava em perfeita forma. As pupilas semelhantes as de um felino se tornaram um pouco grossas enquanto apertava o cabo da espada de prata. Ele se manteve com os pés parados, mexendo apenas a cabeça enquanto procurava por algum sinal. O barulho das árvores o impediam de ouvir os passos com clareza, mas havia uma agitação diferente entre elas. O som parecido com o de uma foice cortando o ar agitado o fez mover a espada e os pés. Um pulo para trás e a lâmina cortou o nada, frustrando-o pela terceira vez naquela noite. Era preciso paciência para se livrar daquela criatura, e ele sempre tivera de sobra no trabalho, mas os ombros tensos e a constante preocupação não o deixavam se aquietar para tentar seguir a forma invisível que o circulava há mais de uma hora, sem conseguir encontrar brechas para atacá-lo, mas também não dando oportunidades para ser agarrada.

O bruxo fechou os olhos por um breve momento, passando a sentir com mais clareza os movimentos constantes, porém, só tivera um real sinal quando os abriu novamente, para ver as folhas de uma pequena árvore caírem aos montes sobre sua cabeça. Finalmente a criatura havia escorregado e denunciou de onde havia pulado. Os seus sentidos se agitaram e rapidamente deu dois pulos para o lado. Preso no cinto de couro, havia uma bomba de pó de lua e ele a segurou com firmeza antes de jogá-la na direção de onde antes estava. O grito que se espalhou pela floresta quase o fez suspirar aliviado, porém, aquele era somente o começo de seus movimentos, que deveriam ser precisos e rápidos para não perder a oportunidade. O pó cobriu a criatura, que mantinha a forma invisível, mas cintilava com a reação da explosão. Imediatamente o bruxo moveu a mão, formando o sinal Yrden, prendendo-a no chão por poucos segundos, até levantar a espada de prata e enfim cravá-la no crânio que se tornou completamente visível ao forçá-la um pouco mais para baixo, até que o agudo grito da criatura diminuísse o tom, se extinguindo rapidamente.

Ele puxou com força a lâmina para fora. O sangue escuro espirrou em seu rosto, mas não se expressou contra isso. O suspiro aliviado finalmente foi dado, e o bruxo se abaixou no momento em que a armadilha Yrden sumiu. A espada foi limpa de maneira desajeitada antes de ser guardada na bainha, e uma faca foi tirada da cintura. A cabeça do monstro que se parecia com um morcego maior do que um humano foi separada do corpo, o bruxo soltou um assovio ao se levantar, e a fiel égua surgiu entre ás arvores. Ele amarrou o troféu ao lado do alforje, mas não subiu na sela.

A poção estava perdendo o efeito, mas ele ainda podia enxergar com clareza, e mesmo se não pudesse, era difícil não sentir aquela presença que há mais de um mês o seguia com insistência. Ele suspirou pesadamente antes de se afastar de Plotka, e devagar andou até uma das árvores da região. As mãos foram até a cintura, e o queixo se levantou.

— Você sabe que ele poderia ter subido aí, não é? Ele cortaria a sua garganta em segundos.

O bruxo se incomodou com o sorriso e a risada que soou de lá de cima.

— Com você aí em baixo? Duvido muito!

O som do alaúde substituiu o da risada do bardo, mas os lábios continuaram esticados enquanto olhava para baixo, se forçando a enxergar os cabelos brancos iluminados pela lua.

— Desça, Jaskier — ele ordenou, mas não esperou ser obedecido. O bruxo deu as costas rapidamente, não querendo mostrar o nervosismo que viera com a imprudência do bardo, que esteve ali desde o início, se arriscando por uma tola caçada por aventura e inspiração.

— Acho que vou precisar de ajuda — Jaskier disse, mas fora totalmente ignorado. Ele se desesperou ao pensar ter visto o bruxo andando calmamente até Plotka e se agarrou ao grosso tronco da árvore quando notou que não estava errado. — Geralt!

A caminhada de volta para a pousada não era tão longa, mas naquele horário seria feita com o tempo dobrado, se tivesse prudência, isso se conseguisse chegar vivo! Jaskier sequer tentou insistir pela ajuda desta vez, ele segurou com mais força no tronco e de uma forma engraçada se arrastou para baixo devagar e completamente amedrontado.

— Foi tão fácil subir — ele resmungou no meio do caminho, fazendo o bruxo quase rir de seu jeito. Mas, ele estava firme em mostrar a desaprovação para com o bardo naquela noite e se manteve quieto e fingindo não o notar enquanto aprontava Plotka com uma lentidão atípica.

Geralt ouviu um baque alto, mas, ainda assim, ficou com o olhar preso na égua. Ele se preocupou, sabendo que aquele barulho e os xingamentos haviam sido causados pela queda do bardo, porém, no lugar de ir ajudá-lo, subiu sobre Plotka em silêncio, e só olhou para frente quando o outro já andava desajeitado enquanto verificava o precioso instrumento.

— Você é tão sem coração, Geralt — Jaskier reclamou, mesmo enquanto aceitava o apoio da mão estendida em sua direção, para que também subisse na égua. O bardo fez uma expressão de nojo ao esbarrar a perna na cabeça ensanguentada da criatura de mais um contrato, mas logo desviou o olhar para o que estava em seus braços. — Meu alaúde poderia ter quebrado!

— Hm — Geralt resmungou, puxando as rédeas para que pudessem partir. Ele se sentiu culpado enquanto o ouvia reclamar que as mãos estavam arranhadas, mas se manteve quieto, atento no caminho que se tornara mais escuro com o fim do efeito da poção.

Mesmo tendo matado a criatura, ele continuou atento. O contrato era apenas por um, mas se houvesse outros, talvez a recompensa aumentasse. Mesmo achando difícil, ele se forçou a acreditar que seria possível, ou o falatório do bardo o enlouqueceria.

A floresta era pequena, vizinha de uma cidadezinha perdida entre os reinos do Norte, onde os poucos que tiveram coragem de se aventurar entre aquelas árvores tiveram destinos terríveis. Ninguém mais se atrevia a sequer manter as portas de suas casas destrancadas ao escurecer, orando, chorando e clamando por alguma alma bondosa que fosse capaz de acabar com aquele terror, que vinha da única caverna daquela região e se libertava quando a luz do sol já não podia mais ser sentida. A cidade era normalmente escura e desprovida de cores e calor, o que os fazia temer que o sofrimento logo poderia se estender para o dia. Os cidadãos estavam apavorados, trancando os filhos em porões e mantendo-se alertas a qualquer barulho por tanto tempo que o modo em que viviam quase se tornou como algo comum, mas, depois de longos meses, suas orações trouxeram alguém. Ele não era bondoso, mas certamente era capaz, e mostrou a todos quando desceu de Plotka e jogou a cabeça do Katakan no chão do centro da pequena cidade.

Era tarde, porém, podia ver os olhos curiosos nas janelas.

— Geralt, sobre este monstro... — Jaskier, sem sequer perceber o clima tenso entre os moradores que aos poucos saíam de suas casas, começou a falar, porém, logo foi interrompido quando o intendente da cidade se aproximou, cauteloso, mas muito mais corajoso do que todos os outros, que se aglomeraram em volta deles devagar.

— Então, esta é a besta? — O homem perguntou espantado, mas no fundo, havia a emoção que se dividia entre alívio e felicidade.

O bruxo assentiu e estendeu a mão, esperando receber rapidamente, para que pudesse voltar para a pousada, dormir e partir dali. Mas, o intendente não mostrou sinal de que tinha dinheiro consigo, o que fez Geralt respirar fundo, já antecipando a raiva, porém, foi sua vez de se surpreender quando ouviu a palavra “bônus”. Era raro alguém disposto a pagar mais do que o combinado, mas o intendente parecia tão satisfeito que não somente mandou que reunissem mais algumas moedas, como também o chamou para a sua própria casa, ignorando a desculpa do bruxo, que rapidamente disse que estava sujo demais para visitas. O homem não quis saber, e reforçou o convite, alegando que o pagamento seria feito em sua residência, conseguindo convencê-lo com a menção do ouro.

As pessoas se dispersaram, conversando animadas, mas ainda um pouco receosas, sem acreditar que o terror enfim havia acabado. Alguns ainda olhavam para trás, fixos no bruxo e no pedaço da criatura no chão, mas não tendo muito o que fazer, voltaram para as suas casas.

— Eu vou com você. — Jaskier deu um passo à frente, não escondendo que estava ouvindo a conversa enquanto se mantinha atrás de Geralt e nem um pouco envergonhado por isso ou por se convidar para onde não havia sido chamado.

— Não. — A expressão do bruxo se moveu de maneira discreta. — Volte para a pousada.

— Mas, Geralt...

O bruxo fechou os olhos por um momento, e após ter certeza de que o intendente havia se afastado o suficiente para não ouvi-los, se virou para o bardo.

— Certo, é agora. Diga-me de uma vez. — Ele permaneceu sério, mesmo quando Jaskier se mostrou confuso com o que ouvia. — Nós estamos viajando há dias, e nem sequer uma vez mencionou sua casa. Você enlouqueceu sozinho por sua besteira contra Regis e continuou me seguindo. — Geralt tentou o máximo não mencionar o acontecido de há poucos dias, porém, a sensação de que estava sendo enganado fora maior do que o sentimento que o fazia estremecer com aquele assunto. — Mesmo depois de termos... — Ele respirou fundo, ignorando a face levemente corada do bardo e como seu peito reagiu a isso. — Você ainda está aqui. Por quê? Alguma coisa aconteceu e vai me contar agora mesmo.

Os últimos dias haviam sido cansativos. Geralt e Jaskier estavam na estrada há algum tempo, sem descanso, e quando enfim conseguiram dinheiro e um bom lugar para ficar, receberam a visita inesperada de Regis. Seu amigo precisava de ajuda. Era pouco, mas o suficiente para salvar o vampiro de uma perseguição, e ele não pensou por um segundo sequer em recusar.

— Eu não tenho nenhuma besteira contra aquele... ser. — O bardo desviou o olhar raivoso, intencionalmente focando no assunto que Geralt não queria mais estender. — Aquele vampiro de merda.

— Jaskier!

Geralt tinha uma boa relação com Regis, eram amigos e queria se manter assim, sem complicações, porém, as coisas tomaram um rumo estranho quando o bardo foi balançado por um bobo ciúme. Já não bastava o silêncio de Jaskier sobre estar seguindo-o para todo o canto, como se fugisse de algo ou alguém, o bardo ainda adicionou mais uma preocupação para o bruxo, ficando silencioso sobre qualquer coisa e por tempo demais para alguém como ele, voltando a falar normalmente apenas naquela manhã.

— Ele acha que é o seu melhor amigo, mas o que ele sabe, hm? — O bardo continuou, se descontrolando exatamente como dias antes. — Querendo me colocar para fora, como se mantivéssemos segredos.

Mas você está mantendo segredos agora, não é? Geralt quis dizer, porém, preferiu deixar sua pergunta apenas como um pensamento. De nada adiantava discutir com Jaskier naquela situação, e eles nem ao menos deveriam estar conversando enquanto o seu pagamento ainda não havia sido feito. O bruxo olhou para trás, vendo o intendente sem jeito, sem saber se deveria ir para casa ou se continuar esperando seria mais educado, quando quem estava sendo rude era o próprio Geralt.

— Não vou ouvir tudo isso de novo. — O bruxo voltou a olhar para a face brava do bardo. — Volte para a pousada.

As sobrancelhas de Jaskier se juntaram.

— Não.

O bruxo bufou. O cansaço e a falta de paciência estavam no limite. Apesar de apreciar a companhia do amigo na maior parte das vezes, ele não estava se sentindo à vontade com aquela aproximação forçada, ainda mais com as lembranças mais recentes que o tiravam do sério.

— Jaskier...

Geralt levantou a mão, tentando ser discreto, mas o bardo rapidamente notou o movimento e o reconhecendo. Ele abriu a boca e a fechou, indignado com a intenção do bruxo.

— Se fizer isso, vou embora e nunca mais nos veremos.

Que mentira. Geralt quis rir com deboche. Ele tinha muitos pensamentos e dúvidas quanto a Jaskier, mas uma das poucas certezas era de que o bardo nunca lhe daria as costas de forma definitiva. Porém, ainda assim, ele hesitou um pouco antes de continuar o movimento rápido com a mão, fazendo o bardo parar de se mover rapidamente com o sinal Axii.

— Você está cansado, quer voltar para a pousada — O bruxo disse em tom baixo, mas firme. — Vai se deitar e me esperar, não irá a lugar algum.

Jaskier piscou lentamente e o olhou nos olhos de forma vazia.

— Sim, sim... muito cansado. — Ele balançou a cabeça enquanto a voz saia vagarosa. — Pousada, sim, ir a lugar algum e esperar Geralt.

O controle da mente do bardo fora um sucesso, mas o bruxo não se sentiu aliviado com a obediência e o novo silêncio.

— Bom garoto. — Ele bateu levemente na bochecha de Jaskier, imaginando o quanto ele ficaria furioso quando despertasse. O arrependimento veio rapidamente, e os dedos acariciaram a pele sob sua palma. Era a primeira vez que usava aquele tipo de encantamento em alguém com quem se importava tanto, e o sentimento era como se o estivesse traindo de uma forma muito grave. Geralt queria silêncio e um pouco de espaço para poder pensar com clareza sobre o que fazer a seguir, porém, havia passado dos limites e sequer tinha coragem para voltar atrás.

O polegar o acariciou um pouco mais, até descer no queixo e esbarrar algumas vezes no lábio inferior. Os pensamentos voltaram para a noite anterior, quando não aguentou o jeito emburrado do bardo e enfim se sentou ao seu lado no parapeito da janela da pousada. Eles ficaram em silêncio, os olhares estavam sérios e fixos um no outro. Geralt esperava por mais uma discussão, porém, o teve fora a sensação dos lábios do bardo sobre os seus.

— Lobo Branco?

Geralt rapidamente recuou. Olhou para trás, tentando espantar as lembranças que o perturbavam por todo aquele dia, e enfim conseguiu se distrair com o intendente, que já não aguentava mais esperar ali, sem saber o que fazer.

— Estou indo — o bruxo avisou e voltou a virar o rosto, para ver apenas as costas do bardo se afastando lentamente e de forma desajeitada, como se internamente estivesse lutando contra a magia de Geralt, mas sem sucesso. — Desculpe, Jaskier — ele sussurrou antes de também dar as costas para acompanhar o homem que lhe entregaria o ouro.

A conversa sem sentido do intendente não foi escutada. Ele aceitou o chá sem saber o sabor, mas não importou para o bruxo, pois sequer segurou a xícara. Uma estranha ansiedade o tomou quando entrou na casa do homem, e esperou com impaciência a entrega do pagamento. Ele não queria saber quantas filhas o intendente tinha, ou que a esposa era uma excelente cozinheira e ao mesmo tempo também uma artesã, Geralt só queria voltar para pousada para contar as moedas, era o que tentava se convencer, mas era certo que seus motivos eram completamente diferentes. Ele não conseguia parar de pensar se o bardo havia chegado em segurança, e a promessa de Jaskier sobre nunca mais vê-lo enfim o incomodou.

O pequeno saco foi entregue em suas mãos quando a lembrança do beijo retornou, e o bruxo sequer se lembrou de responder a despedida do sorridente responsável daquela cidade. Ele usou Plotka para chegar mais rápido, ainda mais ansioso enquanto sentia a brisa gelada em sua pele, fazendo-o comparar com a quentura que havia sentido quando as mãos de Jaskier o haviam tocado quando cobriu seus lábios em um rápido e surpreendentemente desajeitado beijo. Ele teria sorrido com a lembrança da expressão assustada com a própria ação, mas a ansiedade que lhe apertava o peito não permitia mudar a face séria.

A pousada foi vista quando em seus pensamentos a lembrança continuou com sua própria expressão surpresa, que se desfez rapidamente com o desejo de senti-lo um pouco mais, e mudou com o cumprimento de tal sentimento. Os lábios se encontraram novamente, e o beijo longo e profundo partira das duas partes. Ele ainda podia sentir o gosto da boca de Jaskier quando fechava os olhos, porém, a ação lhe trouxe outro sentimento quando, fora de seus pensamentos, estava bastante próximo do local em que se hospedaram. O cheiro forte alertou o bruxo, que sentiu os pelos eriçarem e a ansiedade de antes triplicar.

Ele acelerou Plotka e a deixou para trás rapidamente quando alcançou o local simples, mas bastante confortável. As luzes estavam acesas no interior, então mesmo sem a poção usada mais cedo, ele pôde enxergar os corpos caídos pelo chão do andar térreo. Um dos donos, dois funcionários e quatro hospedes, ele reconheceu metade deles, mas não perdeu tempo para verificar suas situações; as posições estranhas dos corpos e a quantidade de sangue já lhe dizia que estavam mortos. Geralt não conseguiu se importar com nenhum deles naquele momento. Ele correu até a escada, vendo um hospede estirado sobre os degraus, manchando o tapete com seu sangue. O cheiro aumentava a cada passo apressado do bruxo, que no meio do caminho não aguentou o sentimento que o sufocava e chamou pelo bardo.

A falta de resposta o fez correr ainda mais, preocupado demais para tentar ter bons pensamentos como o silêncio ser por conta do feitiço que o havia prendido algum tempo atrás, porém, quando entrou no quarto em que o trovador estava hospedado, ficou evidente que qualquer pensamento positivo não adiantaria de nada.

Estava vazio.

Não havia sinal de Jaskier ou a mesma destruição que era bastante óbvia fora daquele quarto. Tudo parecia impecável, como se o bardo sequer tivesse retornado, e foi o que Geralt desejou naquele instante, mesmo sendo difícil que alguém como o seu melhor amigo pudesse se livrar daquele feitiço; por mais simples que ele fosse, Jaskier era apenas um bardo. Bastante esperto e esquivo, mas ainda apenas um bardo.

O bruxo andou com cautela no local, querendo achar qualquer sinal de alguma presença que tivesse estado ali recentemente, e após muita insistência que quase o fez se desconcentrar pelo desespero, ele achou algo diferente. O alaúde estava sobre a cama, estranhamente sem brilho longe de seu dono. O bruxo quis segurá-lo, porém, o olhar se prendeu no que estava caído ao lado. Ele rapidamente pegou o pequeno broche esquecido e o analisou, tendo certeza de que aquilo não pertencia a Jaskier, mas tinha a sensação de que o objeto não lhe era estranho. Geralt forçou a mente enquanto se sentava sobre o colchão, porém, tudo o que conseguiu sobre foi um breve sentimento do local em que o havia visto, fazendo-o juntar as sobrancelhas.

Ele queria agir imediatamente, porém, as forças que tinha se tornaram pesadas por um momento, e só conseguiu alcançar o alaúde. Geralt encarou o instrumento, quase conseguindo ouvir o seu som quando era dedilhado pelo dono, que se não fosse por sua impaciência e egoísmo, estaria ali, sentado ao lado com um sorriso empolgado enquanto perguntava ao bruxo sobre a criatura que havia enfrentado mais cedo. Ele perguntaria sobre o nome do monstro e então, tentaria encaixá-lo em uma balada épica demais para a realidade não tão empolgante.

Geralt riu com desgosto ao apertar o instrumento e se lembrar de que Jaskier havia tentado começar suas perguntas mais cedo, quando retornaram para a cidade com a cabeça do Katakan. Ele não havia tido a oportunidade de perguntar o nome, o bardo precisava dele para começar sua nova balada, e nem mesmo isso Geralt deu, simplesmente porque estava apavorado demais com o velho sentimento que crescia entre eles e foi chacoalhado com força com o ciúme e um simples beijo.

Eu o troquei por um pouco de ouro.

Por um momento, ele perdeu o raciocínio rápido que normalmente tinha e focou totalmente na culpa que o abraçava com cada vez mais força, mas outro sentimento apareceu quando notou que agia como se o bardo já estivesse perdido. As sobrancelhas se juntaram quando enfim se levantou. Os pertences de Jaskier foram recolhidos, o alaúde foi colocado nas costas junto de sua espada e o broche foi apertado com força. A sensação do local em que o havia visto retornou e o bruxo deixou a cidadezinha escura com pressa, em direção a Novigrad.

Notas finais
Oremos por Jaskier!
O que acharam da atitude do Geralt? Eu mesma fiquei com ódio asodijasijdaosd

Enfim, esta história terá 5 capítulos. Não vou conseguir ter um dia certo pra postar, mas também não devo demorar.
Espero que tenham gostado e venham comentar ♥
Até o próximo capítulo!