Um pouco depois de logo conhecer meu filhinho, o levaram para terminarem de fazer os exames necessários, e ali eu já estava vivendo os primeiros medos e preocupações de mãe. Mãe... Eu tinha acabado de me tornar mãe... Ainda não conseguia acreditar.

Antes que continuasse sonhando acordada, Brian veio me ver. Por instinto, estendi os braços para ele. Ele me deu um abraço como se estivéssemos ficado muito tempo longe um do outro, embora sempre estivéssemos juntos.

—Como foi? — perguntou ele.

—Correu tudo bem — assenti — ainda me sinto meio mole, mas estou bem.

—E o nosso filho? Onde é que ele está? Como ele é? Ele chorou muito? — Brian me encheu de perguntas, extremamente preocupado.

—Ele está bem, o levaram pros exames — eu respondi, mas mesmo querendo rir dele, estava do mesmo jeito.

Como que para acalmar os pais de primeira viagem, a enfermeira trouxe nosso bebê de volta. Ela ia entregando a mim, por mais que queria pegá-lo de novo, e nunca mais soltá-lo, fiz um favor ao meu amado marido.

—Pode deixá-lo com o pai dele — instrui a enfermeira.

—Tem certeza, Chrissie? — Brian se assustou — ele é tão pequenininho, eu posso...

—Deixar ele cair? Nunca — eu sorri, garantindo que ele seria cuidadoso — você é a pessoa mais meticulosa que eu conheço, vai conseguir...

—Está bem — ele aceitou, ainda assustado e pegou nosso filho, ficou o observando em silêncio, completamente maravilhado — meu Deus, ele é... Meu filho! Isso é tão...

Apenas trocamos um sorriso, eu sabia que sentíamos a mesma emoção, que não podia ser expressa em palavras.

—E o nome dele? — me lembrei — vai ser James, não é, como tínhamos decidido?

—Sim, James — Brian voltou a olhar pra ele — ou colocamos Jimmy de uma vez, antes que os caras coloquem um apelido.

—É — eu ri — eu gosto de Jimmy. Falando neles, cadê os meninos?

—Insistiram pra eu ver vocês sozinho primeiro, era um momento só pra nossa família — Brian explicou — sem contar que segundo eles, eu estava a ponto de subir as paredes de preocupação, exagerados como sempre.

—Mas sabe que eu acredito neles — brinquei.

—Não faz isso, Chrissie — Bri fingiu estar magoado, entrando na brincadeira — não tira sarro da minha cara na frente do nosso filho.

—Mas ele ainda não entende nada do que estamos falando — ponderei.

—Negativo — Brian balançou a cabeça — está comprovado cientificamente que ele compreende nossos sentimentos pelo tom de voz.

—Mas culturalmente ele ainda não tem formação suficiente pra entender uma brincadeira — continuei do contra.

—Ok, essa conversa vai matar o Jimmy de tédio — Brian interrompeu o debate.

—Não, eu quero que ele seja nerd igual a gente! — declarei e ri.

Brian apenas assentiu e me entregou Jimmy de volta.

—Ele é a sua cara... — meu marido disse enquanto observava cada detalhe do nosso filhinho — lindo como a mãe.

—Brian... — suspirei, constrangida, fazia sete anos que estávamos juntos, e ainda assim, seus elogios sempre me faziam corar — chama o pessoal pra ver o Jimmy.

—Tá, já volto, te amo, e você também — ele beijou a testa de Jimmy e saiu.

E então Queen e companhia invadiram o quarto. Jimmy tinha ficado bem quietinho no meu colo e de Brian, mas foi só os tios e as tias chegarem que ele ficou mais agitado. Não chegou a chorar, mas ficou mais atento a tudo a seu redor. E eu pude ver melhor seus olhinhos azuis, no mesmo tom dos meus.

—Que sorte ele ser a cara da Chrissie, porque se puxasse ao Brian... — Roger brincou, o que fez ele ganhar uma careta de Brian.

—Posso dizer a mesma coisa do seu filho quando ele nascer — meu marido rebateu.

—Bri, não tem chance do meu filho ser feio, olha pra mim, olha pra Domi, é a lógica — Taylor deu de ombros.

—Ninguém aqui é feio, Roger! — tive que chamar a atenção dele.

—Eu estou brincando — ele se justificou por fim.

—Brincadeirinha bem inconveniente — comentou John.

—Certo, mudem logo de assunto antes que comecem a brigar feito crianças — Freddie já tinha se irritado — então nosso pequeno May ficou com o nome de Jimmy, até que não é ruim.

—Você e sua mania com nomes, Freddie — eu comentei — mas fico feliz que você tenha gostado.

—Parece que não sou tão difícil de agradar assim — ele fez sua cara de "não tem como eu estar errado".

—Em algumas coisas, realmente você não é — acabei respondendo.

Eu estava feliz por ele estar ali, sabia que os Deacon e os Taylor estariam, mas Freddie, ter minhas dúvidas de que ele estaria ali naquele momento tão importante pra mim, me deixava triste.

Depois de Jimmy conhecer a todos, inclusive Bobby que o chamou de "Dim", nós voltamos pra casa. Entrar em casa com Jimmy nos braços me deu outra sensação incrível, ali criaríamos James, ensiná-lo a viver nesse mundo que tantas vezes era tão tenebroso, mas que tinha maravilhas aqui e ali também.

Jimmy dormia quando chegamos e eu já ia colocando ele no berço em seu quarto, quando Brian me interrompeu.

—Espera aqui, quero fazer uma coisa — ele me avisou, à essa altura já estava acostumada com seus planos mirabolantes e repentinos.

Fiquei esperando na sala até ele voltar.

—Já vai se acostumando, meu amor — murmurei pro Jimmy — papai é desse jeito.

—Achou mesmo que eu não ia registrar esse momento? — ele sorriu de lado me mostrando sua velha câmera.

—É claro — entendi tudo — dessa vez posso abrir uma exceção pra tirar foto.

—Certo, então lá vamos nós — ele se se posicionou e eu também, e capturou o momento, depois conseguiu tirar uma foto de nós três.

Eu suspirei, de novo a emoção tomando conta de mim.

—O que foi? — Brian perguntou, mas parecia estar no mesmo estado que eu.

—É inacreditável, você não acha? — olhei pra ele — nós três, somos uma família, e eu... É a melhor coisa do mundo.

—Sim, sim — Brian assentiu, e me puxou pra perto dele, com cuidado pra não acordar o Jimmy — apesar de tudo, nós três juntos, é a melhor coisa que eu poderia conquistar na vida, a mais importante.

—Eu digo o mesmo, meu amor — uma lágrima escapuliu pelo canto do meu olho enquanto eu falava.

Brian a secou delicadamente e, pensando a mesma coisa, nos inclinamos para beijar um ao outro. Subi as escadas com Jimmy no colo, olhando a proteção na escada, realmente íamos precisar dela.

Jimmy era um bebê tranquilo, não costumava dar trabalho pra nada, quase não chorava, tinha o meu jeito quietinho, como disse Joanne quando veio vê-lo. Exceto na hora de dormir, seu sono era leve e, por um motivo mínimo que fosse, acordava no meio da noite. Brian se recusava a me deixar ir até Jimmy e fazê-lo parar de chorar, ele dizia que já que eu cuidava dele o dia todo, nada mais justo do que ser a vez dele à noite.

Ele costumava murmurar uma melodia qualquer pra fazer Jimmy voltar a dormir, que vinha na cabeça na hora, que não correspondia a nada do que ele já tinha escrito. Funcionava esse método de Brian, mas demorava. Teve um dia em que ele estava tão exausto que nem acordou com o choro e foi minha oportunidade de fazer Jimmy voltar a dormir. Tentaria usar o método do meu marido, mas um pouco diferente.

—Oi, o que foi? — falei baixinho, o pegando no colo, o balançando pra lá e pra cá devagar, acariciei sua cabecinha de leve, pra ele não esquecer que eu estava bem ali.

Suspirei e comecei a cantar:

"Don'tyou here mycall, thoughyou'remanyyearsaway, don'tyou here me callingyou?

Writeyourletters in thesand, for the day I takeyourhand, in thelandthatourgrandchildrenknew..."

A respiração de Jimmy foi ficando mais calma, cantei mais uma vez, e logo ele adormeceu. Mesmo sendo tão pequenininho, ele já era fã do papai.