Pelo Mundo

11 Season Finale 1: Especial de Natal


Notas iniciais
O que dizer deste capítulo. Até o início do mês de dezembro eu não pensava em fazer um capítulo natalino, só que um pouco mais da metade do mês eu resolvi fazer um, tive umas ideias e fui anotando enquanto adiantava os outros. Quando chegou no dia 23 eu postei o capítulo 10 e já adiantei este para a metade, e tudo estava certo para postar até antes do natal. Mas as vezes nem tudo sai como o planejado, eu acabei tendo muitos contra-tempos, algumas coisas na vida pessoal acabaram me atrasando, e como era época de natal tudo foi muito corrido e acabei ficando longe do pc, e não tive tempo de terminar. Mas tudo bem, estava determinado a escrevê-lo mesmo assim, nem que fosse antes do ano novo. Mas infelizmente tive novamente o mesmo problema e me atrasou. Na primeira semana do ano novo já não sabia o que ia fazer, se continuaria com a história normal ou se faria o capítulo especial. Eu parei para reler o que já tinha escrito, e gostei muito, metade do episódio (que eu achava que seria) já estava pronta e tive pena de excluir, então resolvi continuar, mesmo que fosse a mais de dez dias da data referida. Em meus planos este seria o menor capítulo postado, coisa rápida uma pequena confraternização e tal. Mas acabei por adicionar detalhes novos e mudei outros, criei mais cenas, e então aquele que seria o menor acabou se tornando o maior, mas confesso que foi bem divertido de escrever. PS: Ao contrário dos outros capítulos este não teve muita cena de ação, pois não era exatamente o propósito, elas foram retiradas já amostrando a conclusão da cena ou cortadas mesmo. Desejo a todos um feliz natal atrasado (ou seria adiantado pro ano que vem? rs) e um feliz ano novo, com muitas felicidades, sucessos, saúde e paz. —------------------------------------------------- E vamos a leitura, espero que gostem!

Capítulo 11 — Season Finale 1: Especial de Natal

Algumas coisas acabaram atrasando os moradores, sejam os zumbis, a neve, a falta de suprimentos. E então os preparativos acabaram sendo atrasados em quase um mês. Era de manhã por volta das sete horas, Selene despertava feliz, abriu sua mochila olhando um pequeno calendário, nele tinha os dias anteriores riscados de caneta, algo que ela fazia para não se sentir perdida no tempo. Abriu um grande sorriso por ver o dia que era, muitas coisas se passavam pela sua cabeça, e diferente dos anos anteriores, agora ela tinha outras pessoas para colocar suas ideias em prática. A Scoth se aproximou de seu irmão e colocou as mãos sobre seu peito e o chacoalhava enquanto o chamava.

— Irmão irmão, acorda!!

O ruivo só se virou para o outro lado e continuava dormindo. Selene o chamou mais vezes, e em uma delas ele acordava mas fingiu que dormia, a mais nova conhecendo o jeito de seu irmão e sabendo disso resolveu abrir logo o jogo.

— Não precisa fingir, eu sei que está acordado humf.

— Então também sabe que eu vou continuar fingindo até parar de me perturbar. —Se virou em direção a ela permanecendo deitado de lado.

— Será que poderia me ouvir só por um segundo?

— Um.

— Um? —Perguntou Selene.

— Tchau. —Se virou novamente para o outro lado.

— Aff, irmão e sério. Você não sabe que dia e hoje?

— É o quê? Seu aniversário?

— Não.

— É o meu?

— Não.

— Então eu não quero saber. —Fez barulho de ronco.

— Hoje e dia 23 de dezembro. —Falava toda animada e sorridente. Olhou seu irmão de costas, reparou que ele não esboçava nenhuma reação, ficou séria e então prosseguiu. — Amanhã a meia noite já e natal. Não é demais?!

— Volte a dormir Selene.

— Aí, mas que negatividade e essa meu irmão, hm.. — Lá fora nevava e então fazia bastante frio, o suficiente para que o gelo tapasse parte das estradas e algumas passagens. Na barraca em que se encontravam tinham alguns furos e o vento frio atravessava eles, fazendo os irmãos dali de dentro sentirem muito frio, a garota fechou seu casaco e puxou a coberta de seu irmão.

— Que Selene, para. —Puxava a coberta de volta.

— Irmãoooo.. hmf.. —Fazia cara emburrada e cruzava os braços o encarando, mas notou que seu irmão nem se virava para olhá-la, ficou assim por três minutos e então decidiu se levantar e sair da barraca. — Vou ir lá fora achar alguém que se anime.—Pegou o calendário e saiu.

Assim que sua irmã deixou o lugar Milles se virou, olhou para os lados e viu a mochila dela aberta, coçou os olhos, já estava despertado, mas sem nenhuma vontade de ir lá fora. Ficou um tempo refletindo, eles já haviam passado por tantas coisas, tensões e sofrimentos, talvez fosse uma boa ideia curtirem um pouco e tentar esquecer, mesmo que momentaneamente das coisas. ‘’Natal? Hm.. Acho que talvez eu devesse apoiá-la, ela passou por tanta coisa. As vezes eu me pergunto o quão bem ela faz para não chorar e guardar essas terríveis lembranças.’’ Se espreguiçou, olhou a mochila da sua mais nova, viu ali a foto que ela possuía deles, da família. ‘’Eu estou cuidando bem dela pai, mãe’’. Pensou para si mesmo ao ver a fotografia pensativo, e fechou a mochila....

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Do lado de fora nevava, estava bastante frio e a Scoth tremia um pouco, havia neve em todo o canto e já havia tomado o chão. Pensou em falar com a Carol primeiro, já que as duas estavam bem próximas sem contar que se ela gostasse da ideia seria um caminho mais fácil para os outros aderirem. Mas ainda haviam outros problemas, como comidas e bebidas, ainda tinham suprimentos, mas não poderiam se dar ao luxo de gastarem inconsequentemente em um dia por causa de uma festividade, mesmo que fosse o natal. — Xiu, pare Selene, nem pense nesses problemas. Às vezes pensar demais nos faz querer desistir. Falava para si mesma, ela sabia que tinha um longo caminho a frente para convencer o pessoal, seria difícil mas iria valer a pena. — Espero que os outros queiram fazer.

— Fazer o quê? —Se aproximava Thomas e Gabriel, com seus casacos fechados, Thomas usava uma toca vermelha e Gabriel luvas brancas.

— Hoje e dia 23 de dezembro gente, eu queria fazer algo para comemorarmos o natal. Colocava as mãos dentro do casaco, pareceu um pouco desanimada com a ideia, sabia que seria difícil convencer todo mundo.

— Bem, eu tô dentro! —Falava Thomas rapidamente sem pensar duas vezes.

— Quê? —Respondeu Gabriel, mais pela reação do Thomas. Também notou que Selene estava surpreendida.

— Gente veja bem, passamos por muitas situações ruins nesses últimos tempos, seria bom fazermos algo, bem, digamos. Diferente, dar um tempo em tudo isso, nem que seja por uma noite. — Explicava Thomas. — E se a Selene está dentro eu também estou.

— Ah, obrigada Thomas, você e um fofo. —Dizia a garota abrindo um sorriso.

— Bem, mas teríamos que pensar nas comidas e bebidas. —Gabriel cruzou os braços imaginando a ideia, ele até gostava, mas devido aos suprimentos escassos não imaginou que a ideia fosse muito à frente. — Acho que Carol não iria gostar muito disso. Mas por mim.

Thomas sorriu e abraçou seu amigo pelo pescoço com uma mão, e depois abraçou Selene com a outra como se aproximasse os três. — Opa que bom, então acho que estamos dentro. —Fazia uma espécie de roda, entre eles e cochichavam. — Então vamos fazer um plano, você Selene trate de convencer a Carol e as outras garotas. Eu e Gabriel vamos convencer o restante do pessoal.

— E quanto a comida Thomas? —Perguntou Selene preocupada.

— Podemos caçar alguma coisa, ou procurar algo na cidade.

— E quanto as bebidas? —Perguntou Gabriel.

— E eu sei lá, acho que eu tenho tempo para ficar pensando em tudo. A gente dá um jeito. Esperem só.

Gabriel suspirou, fechando seus olhos e então se afastou deles, naquele início achou que a ideia não fosse a frente mas não custava nada tentar. — E o seu irmão Selene, o que ele achou?

— É mesmo, o que ele achou da ideia? Já falou com ele? —Thomas se aproveitou que Gabriel se afastou, e disfarçou colocando a sua mão sobre a cintura da Selene de lado.

— Eu já falei com ele, mas ele estava mais interessado em dormir.—Virou a face para o lado como se quisesse ficar triste, pois esperava que seu irmão pudesse lhe apoiar na ideia.

— O irmão dela já chegou e veio pra animar esse natal. —Milles saia de dentro da barraca um pouco mais atrás deles, tinha os cabelos ruivos bagunçados e um olhar sério para Thomas. — Vamos nos preparar então. Se aproximou de sua irmã e a abraçou pela cintura a trazendo para mais perto dele de lado e a tirando de Thomas. Este último que apenas o ficou olhando. — E sobre as bebidas, pelos anos que se passaram acho que a maioria já deve ter passado da validade, mas podemos procurar mesmo assim. Ou então. —Com uma das mãos livres ele alisou o rosto, enquanto a outra abraçava sua irmã. — Em último caso, no último do último caso. No último do último.

— Já entendemos irmão, fale logo. —Selene o interrompia o olhando.

— Teremos que achar frutas e fazermos sucos. Não podemos ficar só na água.

— É isso aí, então temos que achar algo para bebermos o mais rápido possível, só temos menos de dois dias. —Lhe respondeu Gabriel.

— É isso aí, esse e dos meus. —Sorriu o ruivo.

— Gente que isso, natal e uma época de confraternização, onde a família e os amigos se reúnem, onde desejam felicidades uns para os outros e também e é o nascimento de Jesus. —Discursava Selene toda feliz e contente. Até que ela notava que Gabriel e Milles conversava entre eles histórias de bebedeiras, como se nem tivessem ouvido o que ela havia acabado de falar. Bateu com a mão na testa decepcionada com os dois, e depois olhou para o lado, observando Thomas.

— Eu concordo com tudo o que você disse Selene. —Afirmava Thomas. — Então vamos animar tudo isso aí e colocar as ideias em prática.

— É irmão o que te fez mudar de ideia? — Olhou para ele curiosa.

— Ah, não e nada minha irmã. Só achei que fosse uma boa. —Ele se espreguiçou. Na verdade, ele queria que sua mais nova se divertisse pelo menos por um dia após todos aqueles acontecimentos, e é claro, aproveitar um pouco o clima de festas, a Julie, e as bebidas. — Vamos falar com a Carol, e pensando bem. —Abria um largo sorriso. — Acho que o Jhon nos apoiaria nessa, e também a Sully com as crianças. Vamos falar com eles irmã. E vocês dois tentem convencer os outros, já que estão a mais tempo por aqui acho que eles os ouviriam.

— Por mim.. Gabriel olhou para o acampamento, imaginando o trabalho que daria para convencer os moradores que aquilo não era uma loucura.

— Ok Milles, boa sorte para nós! — Thomas chamou Gabriel com ele e então foram atrás das pessoas.

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Os irmãos passeavam pelo acampamento conversando sobre a ideia. Selene achava que seria melhor convencer um por vez, pois com os dois juntos seria mais fácil de argumentar com as pessoas, e depois estas ajudariam a espalhar a informação. Andando pelo acampamento e então acharam a sua primeira ‘vítima’, era Jhon, o homem estava afiando um de seus machados em uma espécie de pedra que os irmãos não conheciam bem, estava bastante atento ao que fazia, o ruivo se lembrou que seria bom afiar também sua machadinha em uma hora dessas.

— Hey olá Jhon. —Se aproximou a garota com um breve sorriso.

— E ae Jhon, o que anda aprontando?

— Olá, Milles, Selene. Estou afiando essas lâminas como podem ver. —Continuava com o que estava fazendo.

— O que acha de se animar um pouco. Do tipo. —Se aproximou com cuidado ao lado dele, apoiando uma das mãos sobre a mesa na parte contrária que ele afiava. — Que tal uma festinha de natal esse ano? Eim? —Cutucava ele com o cotovelo sorrindo.

— É Jhon, o que acha? —Diferente de Milles que estava ao lado dele, Selene estava a sua frente o observando.

— Vocês ficaram loucos? Como assim festinha? Não se deram conta da situação atual? Não temos coisas e nem ânimo para isso. Voltem ao trabalho, que eu tenho mais o que fazer. —Continuou o que fazia e afastou Milles de seu lado.

O ruivo se afastou e andou até Selene, neste meio tempo ficou de costas para ele e falava alto. — É uma pena, Eu tinha alguns vinhos guardados, e podemos arranjar comida por aí. Mas acho que ele não vai querer, não é Selene. Vamos guardar então só para nós, vamos indo!

— Milles calma aí, calma aí você estão me interpretando errado. Por que não disseram isso logo. Pensando bem até que não e assim tão má ideia. — Parava de afiar a lâmina e a deixava em cima da mesa. — Se tiver mesmo o que você diz, eu estou dentro!

Selene se aproximou de Milles, achava errado seu irmão mentir daquele jeito, e ela já iria começar a falar e se explicar sobre como iriam fazer. Mas seu irmão tapava sua boca e falava confiante. — Mas que legal, não é Selene?! Parece que temos mais um com a gente.

— Mais um? —Perguntou o homem curioso.

— Thomas e Gabriel também estão. Nós vamos chamar o resto do pessoal.. Até mais. —Puxou sua irmã pela mão e saiam dali. Jhon por sua vez apenas os olhou pensando sobre a situação que havia passado. Já se distanciando eles procuravam por alguma outra ‘’vítima que estivesse sozinha’’. No meio do caminho Selene parava seu mais velho e ficava em frente a ele dizendo.

— Não precisava ter mentido para ele irmão, eu não gosto disso.

— Foi apenas uma mentirinha de leve Selene, ele não vai nem ligar, ficou até mais feliz.

— Poderíamos tê-lo convencido por outros meios sem precisar mentir.

— Não e mentira se conseguirmos o que dissemos.

— E se não conseguirmos?

— Ei mas que negatividade e essa minha irmã hm..? —Imitava o gesto de Selene de quando ela o acordou.

Ela se lembrou de quando o despertou na cama, quando ele ainda não havia aceitado a ideia e ela usou essas palavras. Por fim conhecendo seu irmão viu que discutir ali era perda de tempo e resolveram seguir para o próximo, mas desta vez a garota ficaria bem mais em alerta para evitar que esta mesma situação se repetisse novamente. Suspirou e procuravam por mais alguém. Agora no centro do lado da fogueira tinha uma estrutura de madeira em construção, era bem larga, parecia ser uma grande casa/cabana para abrigar as pessoas que não tinham lugares disponíveis para dormir já que muitas coisas se perderam na invasão. Selene imaginou que ali dentro poderia ser um bom lugar para a festividade embora não estivesse completo, acharam melhor procurar a Carol logo.

No caminho até ali antes de Jhon os irmãos passaram pela antiga barraca de acampar de Selene mas notaram que ela estava vazia, sinal de que a líder não estava por ali, acharam melhor irem até o armazém. Andaram por mais uns cinco minutos e entraram no local, ali estava Carol, Michelly e mais um homem.

— Olá pessoal. —O ruivo dava um passo a frente em direção a mulher esboçando um leve sorriso. Selene se aproximou de seu irmão mais atrás.

— Queremos falar com vocês uma coisa. — Disse a mais nova meigamente mal contendo a felicidade.

— Olá Milles, Selene. —Respondeu Carol, e em seguida os outros atrás dela.

— Então, a gente conseguiu uns..

—Selene entrou na frente de seu irmão e tapou a boca dele, e então começou a falar. — Gente hoje e dia vinte e três de dezembro, o que acham da ideia de prepararmos algo para o natal amanhã? Sei que não podemos desperdiçar recursos, mas se acharmos algo lá fora poderíamos fazer algo diferente este ano, uma comemoração entre nós.

O ruivo apenas ficou quieto observando a irmã falar. Os três que estavam ali ficaram surpresos com a proposta, como se tivesse feito bastante tempo que não tivessem ouvido a palavra natal, e tanto quanto a ideia dada a situação atual. Se entreolharam, e depois Carol tomou a palavra.

— Selene, temos tantas coisas para resolver e vocês pensando em festas. Com esse mundo atual não podemos nos dar ao luxo de tentarmos isso.

— Faz tempo que eu não comemoro algo assim. —Respondeu Michelly pensando na ideia. — Mas gostaria de tentar algo assim este ano, acho que poderíamos tentar Carol.

— Quê? Você só pode estar brincando, para o nosso bem não podemos desperdiçar recursos com coisas como essa. —Respondeu Carol séria olhando para Michelly.

— Eu acho essa ideia de vocês muito doida.

— Sim, finalmente alguém, que entende a nossa situação atual. —A líder cruzava seus braços.

— Mas gostaria de tentar. Afinal nem sei se estarei vivo ano que vem.

— Mas você não disse que não gostou da idéia? —Retrucou Carol.

— Eu não disse que não gostei, só falei que achava doida.

—Carol encarou os dois não acreditando no que ouvia, depois olhou para frente e viu que os irmãos sorriam. Por fim a mulher descruzou seus braços e deu uma proposta. — Okay, então faremos assim. —Ajeitou os óculos em sua face e se aproximou dos Scoth’s, a mulher ficou a um passo deles e os encarava nos olhos. — Prestem bem atenção. Podem até fazer a festa, ficará por conta de vocês. Mas não poderão gastar nenhum recurso do acampamento, vocês me ouviram?

— Sim! —Respondeu a mais nova. Milles por sua vez apenas concordou com a cabeça.

— Quem está falando em festa aí? —Gritava uma outra voz mais atrás dentro de uma sala fechada.

— Você cale a boca. Carol se aproximou da porta e bateu nela. — Fique quieto.

— É aquele doido que tentou entrar no acampamento. —Olhou para Selene. — Vamos dar uma olhada. —Foi para o lado de Carol, o olhando sentado e amarrado em uma cadeira de madeira através do vidro quadriculado da porta. — Acha que ele e perigoso?

— Não sei, mas tem vezes que ele não para de falar. Respondeu a mulher o olhando.

— Ficarmos o alimentando com ele amarrado o dia todo apenas nos está consumindo recursos. Quem sabe ele poderia se unir a nós. —Milles olhou sério para ele. — E trabalhar também.—Mexia nos cabelos. — Deixe-me falar com ele, abre a porta Carol.

A líder achou que não fosse uma boa ideia, já que não o conhecia e nem as suas intenções, quando o interrogava ele sempre dizia as mesmas coisas, que não trabalhava para os bandidos e que achou o lugar no mapa, era um sujeito estranho em seus modos. Mas Milles estava certo e deveriam fazer algo. Talvez ele fosse uma boa pessoa, a sua maneira. A desconfiança que possuía era natural, já que apenas queria cuidar de sua gente, quando Milles e Selene chegaram ela também se sentiu desconfiada, mas no fim se revelaram serem ótimas pessoas. — Está bem, mas não faça nenhuma besteira. — A mulher tirou uma chave de seu bolso na calça e abriu a porta, dando passagem para que o ruivo entrasse.

Antes que o Scoth passasse Selene o puxava pelo braço com medo. — Irmãooo..

— Calminha. Só iremos conversar. —Se virou para ela sorrindo. — E me empreste a sua arma. —Sua mais nova lhe emprestava sua pistola, já que o ruivo deixou a dele em sua barraca e depois entrou na sala. O homem que estava atrás junto com Michelly se aproximavam da porta para olhar.

— Ou, e aí. Já estava me sentindo muito sozinho aqui. —Chaad estava sentado com suas mãos amarradas para trás. Os outros que o observavam poderiam perceber que ele ficava toda hora mexendo com o pescoço para a esquerda.

— O que você está fazendo? — Perguntou o ruivo curioso, sobre aquele gesto. — Essas cordas não vão arrebentar assim tão fácil.

— Arrebentar? Eu estou e com coceira. Será que não poderiam dar uma mãozinha aqui e me soltarem? —Olhou para Carol. — E você está bem mais bonitinha hoje, será que não me daria uma mãozinha aqui?

Milles e Carol se entreolharam, com uma cara desanimada. Por fim o ruivo desistiu de conversar e dava a meia volta. — Tchau!

— Calma, calma aí. Nós nem conversamos. Não me deixem aqui...

— Já não gostei dele. —Disse o ruivo para Carol.

Mais atrás Selene, Michelly e Richard entravam na sala curiosos para saber como estava indo a conversa, fazendo Milles entrar mais no recinto.

— O que você veio fazer aqui? E como nos achou?

— Porra. Eu respondo isso toda vez, todo dia. Eu já falei. Eu estava seguindo o mapa para esta cidade, procurava por recursos e achei a base, achei que estivesse abandonada.

— Você está sozinho?

— Sim, apenas eu e meu violão.

Carol olhou para o ruivo. – O que você acha Milles? Acha que podemos confiar nele?

— Eu acho que sim Carol. —Respondeu Selene, se abaixando e indo à frente do irmão.

Milles tomou a frente de novo e a empurrou para trás, como se quisesse protege-la.— Vamos soltá-lo, mas podemos deixar alguém o vigiando.

— Richard, Solte-o. —A líder sacou sua pistola.

O homem concordou com a cabeça e ia soltá-lo. Enquanto isso Michelly achou melhor pegar seu revólver caso algo acontecesse, ela se sentia pronta já que nesses últimos dias treinou tiros com Carol. Selene como deu a arma para seu irmão, agora achou melhor sair da sala indo para a parte do armazém, mas ainda tinha um facão em sua cintura caso precisasse. Milles usava a arma de Selene e apontava para o loiro. Assim que Richard soltou as cordas se afastou indo atrás dos outros, enquanto o homem se levantou se espreguiçando, e alongava seu corpo.

— Uffa, finalmente estou livre. Esses últimos dias pareceu uma eternidade. —Mexia nos pulsos e girava o pescoço levemente para os lados.

— Agora escute aqui, se tentar alguma gracinha, vamos te encher de balas, você me ouviu. —Disse Milles o olhando sério e apontando a arma para a cabeça dele.

— Se vocês fizerem isso, alguém aqui vai morrer. —Disse Chaad os olhando, sua expressão mudou para mais séria, bem como sua postura.

Carol olhou para Milles surpresa com a ameaça e mudança repentina do homem, o invasor tinha três armas apontadas para ele e mesmo assim não se intimidou, mesmo estando sem arma alguma em mãos, ou pelo menos ela achava que estava, já que havia retirado tudo quando o revistaram. Milles por sua vez andou para frente ficando a três passos dele o encarando sério, fazendo seus olhares se cruzarem, e então respondeu a ameaça.

— Ah é mesmo? E quem seria? —Com os dedos no gatilho.

— Eu. —Respondeu Chaad sorrindo e mudando sua expressão…

Um silêncio pairava na sala, todos foram pegos de surpresa naquela situação, olharam uns para os outros sem acreditar. O ruivo suspirou e ia sair da sala.

— Deixa pra lá, amarrem o piadista de novo.

— Ei ei, calma aí era só uma brincadeira. Vocês podem confiar em mim. —Falava o homem lá dentro tentando se explicar.

Enquanto isso Carol puxava Milles para fora da porta e dizia.— Vou arranjar alguém para vigiar ele. Sinceramente. Fazia uma pequena pausa. — Acho que depois disso fiquei bem menos tensa e acho que podemos confiar nele, mas também não vou pegar leve, vou deixa-lo sobre vigia constante, até que possamos confiar. E a propósito. —Olhava para o relógio de parede do lugar em cima da porta da frente na entrada. — Se quiserem mesmo fazer algo neste natal, e melhor se apressarem. E quanto a ele, deixem comigo.

— Está bem Carol. Milles foi até a outra porta e interrompeu a conversa, puxou sua irmã para ele, esta que estava conversando com o ‘novo’ morador dali. E então os dois deixaram o armazém.

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Lá fora se encontraram com mais dez pessoas, estando Gabriel e Thomas entre eles. Estavam rindo, sinal de que as coisas iam bem, melhor que o planejado. Os irmãos se aproximaram, falaram com todos e então Thomas disse.

— Arranjamos alguns ‘aliados’ Milles, e vocês?

— Jhon, Michelly, Richard e Carol estão dentro. Mas temos que arranjar os recursos.

— Gostamos da ideia de vocês, irá levantar um pouco o astral das pessoas por aqui. —Falava um dos homens que por ali estavam.

— Eu conheço um lugar não muito longe daqui onde podemos caçar e conseguir alguma comida, eu já fiz isso algumas vezes para este acampamento. — Gabriel desviou o olhar um pouco triste. — Mas com este clima, acho que os animais devem ter ido para mais longe, se retirado para as montanhas. Se formos hoje, creio que só voltaríamos amanhã.. Se tivermos sorte. Teremos que agir logo.

— Oh meu deus, então precisamos fazer algo. Não podemos perder este natal. —A garota colocava as mãos no rosto.

— Calminha vai dar tudo certo irmã.

— É Selene, não se desespere. —Respondeu Thomas tentando encorajá-la.

— Não falem como se todos tivéssemos concordado. —Explicava Ed. — Temos muitas coisas para nos preocuparmos, e o natal e a menor delas.

James se aproximou. — Concordo com meu tio, vamos gastar muito tempo que poderíamos nos empenhar em algo mais útil no momento. —Cruzava os braços. — Não temos tempo para perder com festas.

Neste instante alguém aparecia carregando uma caixa na mão, era loira, deveria ter por volta de seus vinte anos, seus cabelos antes eram longos presos em um rabo de cavalo, mas agora haviam sido cortados para facilitar na sobrevivência. — Do que vocês estão falando, que festa e essa? —Perguntou Jessie interessada.

— Estamos querendo fazer algo para este natal. —Respondeu Thomas. — Só precisamos arranjar comida e bebida que não seja desse acampamento. O que você acha da..

— Não precisa falar mais. Eu estou dentro. Já estava tudo muito chato nisso aqui mesmo. —Falava a garota fechando seus olhos brevemente.

— Nossa isso foi rápido. —Selene falava, mas está também era a reação de todos surpresos.

— Todo mundo parece que está morto nisso aqui, todos andam de cabeça abaixada, está na hora de mudarmos isso, esse clima não e para mim.—A loira também perdeu muito nessa invasão, mas detestava aquele clima, pois a fazia pensar em seu amigo Michael e sua amiga Marly.

James mudava de ideia. Ele tinha uma pequena paixão por Jessie, talvez com o natal ele pudesse achar alguma abertura para ficar a sós com ela. — Pensando melhor, eu até acho que não seja uma má ideia. —Olhou para Jessie e os outros que o observavam. — Eu tô dentro também. —Sentiu uma cutucada forte no braço, era seu tio que o olhava sério, e balançava a cabeça de maneira negativa.

— Olhem eu não estou gostando disso, poderíamos estar gastando nossos esforços em coisas mais úteis. O que Carol achou a respeito? —Edward cruzava seus braços olhando os mais jovens.

— Falamos com ela, e concordou. —Se aproximou Milles o olhando, enquanto todos os outros em volta prestavam atenção na conversa. — Desde que não usássemos os recursos do acampamento.

— E como esperam fazer isso? —Perguntava incrédulo.

— Gabriel disse onde poderíamos conseguir comida, caçando. O restante das coisas na cidade, ou cidades...

Ainda faltavam muitas pessoas para conversarem sobre a ideia de natal, mas se perdesse tempo ali não haveria nenhum, achou que deveriam adiantar logo as coisas se quisessem realmente fazer algo. Thomas iria dividir as pessoas em dois grupos, os de caça perto das montanhas e os que fossem procurar nas cidades, falava.

— Gente, só possuímos um carro funcionando, e vamos nos separar em dois grupos. O primeiro será composto por eu e Edward. O segundo por Milles, Gabriel e Jessie. James, Selene e os outros irão ficar no acampamento para convencerem mais pessoas.—Thomas reparou que Ed iria interrompê-lo, mas foi mais rápido que este em sua fala. — Sei que ainda não está totalmente convencido Ed, mas seja natal ou não, uma hora ou outra teríamos que procurar por suprimentos de qualquer maneira. —Colocava a mão no bolso e pegava uma chave. — Nós do primeiro grupo ficaremos na cidade e de lá tentaremos achar outro veículo, enquanto isso alguém do segundo segue com o carro para as montanhas. Não podemos levar todo mundo, então só a gente basta, embora o Jhon seria de grande ajuda para nós.

— Tudo bem. —Exclamou o ruivo.

Enquanto isso Selene ia dizer alguma coisa, mas ela preferiria ficar mesmo na base, odiava ter que lidar com os zumbis e não tinha jeito para caçar. James queria ter ido em algum dos grupos, gostava de se aventurar lá fora mas sabia que alguém deveria ficar para cuidar da base. Todos discutiam sobre a ideia e por fim acabaram concordando, ou quase isso, com o plano.

Milles se aproximou de Selene e pedia seu arco emprestado, a garota não gostou da ideia inicialmente, mas como a arma era mais silenciosa que uma arma de fogo e não afugentaria os bichos, acabou cedendo e emprestando. Depois todos saíram pegando suas armas e esperavam por Thomas com o carro, em menos de vinte minutos todos já haviam saído e acabaram levando Jhon, mesmo contra a vontade deste último.

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Devido as estradas estarem cobertas de neve, isso acabou por atrasá-los, mas por sorte conseguiram chegar após uns quarenta minutos. Ambos os grupos aportaram na cidade, Thomas parava o carro em frente ao mercado, ele, Ed e Jhon desciam para pegar os recursos. Uma das ideias de quando formou as duplas era que Edward sabia como consertar os carros e isso seria útil caso tivesse algum na cidade funcionando para eles. Ajeitaram sua mochila e se despediram de Milles e dos outros.

— Até pessoal, espero que cheguem até amanhã antes do natal. —Thomas ajeitava sua mochila.

— Eu espero que isso tudo não seja um grande erro, boa parte de nosso poder de fogo está fora do acampamento. —Falava Ed sério, com seus braços fechados vendo o carro dar ré e sair.

— É verdade que eu concordei com o plano. —Jhon fez uma pequena pausa. — Mas eu queria ter ficado com o grupo que estava na base. —Olhava para todos os lados freneticamente, a procura de algum dos mordedores, mas o local estava vazio, ou pelo menos aparentava.

— Não reclame Jhon. Vamos indo. —Ed ia andando até o mercado.

— Já te falei que aqui é um ‘mercado’. — Thomas falava com ênfase na última palavra. — Mercado, bebidas.. Hm..? —Tentou animá-lo, antes de entrarem no estabelecimento.

Enquanto isso o carro partia, Gabriel dirigia, Milles estava na caçamba da caminhonete deitado e Jessie no banco do carona com as pernas esticadas por cima do painel como se estivesse entediada, se despediram de todos e partiram.

— Falou pessoal e se cuidem! —Gritava o ruivo lá de trás mandando um tchau.

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O segundo grupo seguia um pouco mais distante para um outro caminho, na estrada havia bastante gelo e nevava, iam com cuidado pois a pista deslizava. Conversavam e papeavam no carro até que anoitecia e ficava cada vez mais tarde, o frio pareceu aumentar, e Milles que estava atrás se encolhia se agarrando ainda mais em seu casaco.

— Está bastante frio aqui.

— Você que decidiu ficar aí atrás, tem espaço aqui na frente. E já estamos chegando.

— De nós três só você conhecia o lugar Gabriel. E eu também queria me esticar aqui.

— Se quiser podemos trocar ruivo. —Respondia a loira, já de saco cheio sem nada para fazer. Desde que deixaram o mercado já haviam se passado quase uma hora e meia.

— Não eu estou bem valeu. —Olhava para o arco de Selene para se distrair, ficou o observando, achou meio estranho, pensou ‘’como se deve atirar com esta coisa’’. Deveria tomar cuidado com aquilo pois sua irmã adorava aquela arma e o advertiu várias vezes para tomar cuidado com ele, bem como a si próprio. ‘’Espero que isso seja divertido’’. Tirou uma boa soneca por um bom tempo, até que o carro balançou e ouvia Gabriel avisar.

— Chegamos, se preparem para descer. Dirigiu por mais alguns minutos e então estacionou o carro perto de duas árvores com formato estranho, de modo que pudesse se localizar.

— Finalmente. — Jessie soltava do carro, preparava sua arma e pegava sua mochila.

Gabriel fez o mesmo, pegou seu rifle de caça e uma pistola, também carregava uma mochila, assim como Milles, que desceu mais atrás, tendo duas armas guardadas na cintura e o arco levando nas mãos.

— Agora e só achar um e atirar. O ruivo deu uns passos para frente.

Gabriel o segurou pelo ombro. —Calminha, não podemos sair assim. Está de noite, não temos muita visão por esta mata, pode haver outros animais e até perigosos. Eu trouxe uma lanterna para olharmos, vamos procurar um rebanho e um local para se esconder. Milles só me dê cobertura.

— Você parece ter bastante experiência com isso Gabriel. —A garota o olhou. — Deixa que eu cuido da lanterna então, vocês dois estão mais preparados. —Pegou a lanterna

— Eu costumava caçar com meu pai e meu tio, antes de. Você sabe, isso tudo acontecer. —Verificou se a arma de todos estava recarregada, e depois abria um sorriso no rosto. — Agora e a melhor hora, os animais não esperam por predadores e estão vulneráveis, vamos conseguir caçar vários Bighorns (Carneiro Selvagem das Montanhas).

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Enquanto isso no acampamento por volta das quatro da manhã Selene despertava. Passou a noite toda apreensiva com seu irmão lá fora, desde que o apocalipse zumbi havia começado os dois jamais haviam ficado tanto tempo separados e isso a enchia de preocupação. Resolveu sair para fora da barraca, estava muito silencioso e não via ninguém por ali, os únicos que poderiam estar acordados naquela hora seriam as pessoas que revezavam para vigiar o lugar. Andou pelo local, passou pela grande e extensa estrutura de madeira que estavam construindo, estava com a porta fechada, sinal de que havia pessoas ali dentro, um pouco mais a sua direita a alguns metros tinha o local de onde faziam a fogueira, que naquele instante estava apagada devido aos ventos e a neve. Uma pequena neblina se formava atrapalhando ainda mais a iluminação, o que fez a garota acender sua lanterna criando uma pequena luz em seus pés a sua frente. Foi neste instante que viu uma segunda sombra se assustando.

— O que está aprontando aí a uma hora dessas?

— Er.. —Olhou para trás rapidamente assustada. — Julie? —Suspirou, colocando a mão no coração. — Você anda tão silenciosamente que nem te ouvi. Você me assustou. É incrível como você sempre me acha desta forma.

— Eu achei ter visto algo, e como não sabia quem era resolvi seguir para olhar mais de perto.—Riu com o último comentário. — O que faz?

— E que eu não consigo dormir com o meu irmão lá fora. Tenho medo que ele não volte. Mas em falar nisso. —Selene colocou uma das mãos livre na cintura e a outra apontou a lanterna para a face dela. — O que você faz aqui fora a essa hora?

— Costumo ficar acordada até tarde, e além do mais hoje eu estou de vigia. —Colocou a mão no rosto, tampando a iluminação da lanterna. — E onde seu irmão se meteu? Suas palavras tinham um certo ar de preocupação.

— Não está sabendo? Se bem que eu não me lembro de ter lhe visto hoje. Mas tudo bem, vou lhe explicar, nós estamos com a ideia de preparar algo para este natal, e então Milles, Thomas e os outros estão adiantando as coisas, foram buscar suprimentos lá fora.

— Hoje eu passei o dia fora do acampamento. Mas natal? —Olhou para a garota surpresa, sabia que com certeza essa ideia era coisa dela, não achava que era um bom plano afinal tinha mais coisas com o que se preocupar e não podiam gastar suprimentos desta forma. Mas também não queria ser a do contra com a garota, ainda mais quando os outros estavam se esforçando para fazer acontecer, resolveu não tocar no assunto, virando a face para o lado. — E sobre seu irmão, não se preocupe, ele vai voltar e ficará bem. —Disse com toda a certeza e dando as costas para ela andando.

— Ah é? E como você sabe disso? Você não está lá. —Estava muito preocupada e com os batimentos cardíacos acelerados. — E se ele.. Ele...

— Eu sei, eu não preciso estar lá.. —Virou a face para ela. — Ele é esse tipo de homem!

Neste instante Selene olhava para baixo apreensiva. Julie notando isto tentou tranquiliza-la.

— Venha, eu lhe faço companhia até você dormir, amanhã será um grande dia.

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O trio passou boa parte da madrugada procurando por alguns animais, horas e mais horas até que amanhecia. Em um lugar, bem como previu Gabriel, perto de um rio achou um rebanho com alguns carneiros das montanhas parados bebendo água. Os três se esconderam atrás de uma moita, esperando pelo momento certo até que alguns ficassem mais afastado. E então uma parte do rebanho se deslocou para o outro lugar deixando alguns mais atrás. Gabriel notando isto chamou os outros e resolveram se aproximar para atacar...

[...]

Cerca de três horas depois após uma longa caçada, os três já se encontravam dentro do carro em direção a base do acampamento. Estavam cansados, desta vez Milles estava na frente e dirigia, enquanto Jessie estava ao seu lado e Gabriel na caçamba. Carregavam dois companheiros novos, um carneiro das montanhas amarrado vivo, e outro nem tanto. Embora tivessem bastante trabalho, conseguiram completar sua missão, o trio apenas pensou que quando chegassem iriam descansar e se preparar para a grande noite. A loira que agora segurava o arco composto, fazia uma cara de surpresa com o acontecido.

— A caçada foi ótima, fico feliz que ninguém tenha se machucado, e que tudo correu bem, ou quase tudo. —Analisando o arco nas mãos. — Mas eu não acredito que você quebrou o arco da sua irmã.

— O bicho começou a correr atrás de mim que nem louco, e eu não consegui colocar a flecha direito e ela caiu no chão, e também não tive tempo de sacar a arma. A culpa não e minha se fizeram isso tão difícil, aí eu tive que me virar.

— E como você fez isso?

— Quebrei o arco na cabeça dele.

— Bem, está explicado como você conseguiu apanhar o carneiro sozinho. —Riu da situação. — Mas ruivo, você não se machucou não é. Se quiser eu posso tratar dos seus ferimentos, eu adoraria mesmo fazer isso. —Deu uma olhada rápida para ele com um olhar malicioso pelo espelho retrovisor enquanto mordia os lábios.

— Hey gente.. —Uma voz vinha da caçamba. — Foi graças a isso que conseguimos apanhar esse aqui vivo e amarrar ele. Deve ter sido uma pancada e tanto. —Gabriel olhou para o animal deitado ao seu lado, tinha cordas o envolvendo por todo o corpo.

— Eu estou bem. —Fechou seus olhos e suspirou se lembrando do ocorrido. — Vou pedir ao Jhon que cuide disso por mim, e Selene não pode saber disso. Então tratem de cuidar do segredo, não quero que nada estrague a noite dela... A nossa!

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No dia seguinte por volta das dez horas Selene despertava, a garota se levantava e se arrumou, ansiava por notícias de seu irmão. Escutou barulhos de marteladas vindo do lado de fora da barraca e foi lá ver quem era.

— Mas que barulhos são esses?

Este era o dia 24 e tinham apenas algumas horas para terminarem de arrumar tudo, reparou que todas as pessoas do acampamento estavam em ação, carregavam caixas pra cá, para lá, tábuas de madeira, traziam cadeiras de praia ou improvisadas, e outros objetos pesados que precisavam de duas mãos para levar. Viu Carol terminando de serrar uma grande tábua ao lado de um homem que parecia medir o cumprimento para saber se estavam alinhadas.

— Selene? Ouvi que você nem dormiu direito ontem, como está?

— Eu estou bem Carol, obrigada. E.. —Olhou para tudo à sua volta. — Nossa, estão todos ajudando. Acho que eu nunca vi algo assim, quero dizer, não desta forma.

— Deve ser aquilo, é, como chamam? —Endireitava os óculos na face. — Milagre natalino.

— Nossa eu estou tão feliz por isso. —Estava emocionada coçando seus olhos e muito contente, que quase se esquecia momentaneamente da preocupação com seu irmão.

A líder sorria, ela mesma fazia tempo que não via um clima assim, tão cooperativo e animado. Ela própria ontem havia resolvido ajudar Selene no plano e acabou ajudando a convencer os outros que não haviam gostado da ideia: ‘’Vamos fazer isso gente, por eles, pelos irmãos que nós ajudaram em tudo desde que chegaram, eles merecem isso’’. Pensou se lembrando do ato. — Construímos essa nova mesa, deve ter quase dois metros, se não der temos outras que podemos ajuntar. Assim que terminarmos aqui vamos levá-la para lá dentro. — Se referia a nova construção do acampamento que servia como uma espécie de casarão. A mulher conhecendo o jeito da mais nova tratou de consolá-la pois sabia que ela se preocupava com seu irmão, abraçou Selene de lado e tentou confortá-la. — E não se preocupe com seu irmão, ele logo logo voltará e ficará tudo bem. Ele deve estar..

Todos puderam ouvir um barulho de veículos se aproximando, chegavam dois carros seguidamente. Todos se aproximaram para olhar quando eles entraram no acampamento; no primeiro veículo estava Thomas sozinho, e no segundo tinha Jhon e Ed. Ambos os automóveis eles conseguiram ao vasculhar a cidade, e os trazendo para o acampamento pois iria beneficiar a todos na locomoção.

Onde Thomas estava haviam várias garrafas de bebidas e outras particulares, também tinha copos, pratos, sacolas de mercado, duas caixas e uma churrasqueira de ferro na mala. No veículo mais atrás estava Ed e Jhon que se aproximaram e estacionaram o carro, este estava lotado de coisas que conseguiram não apenas no mercado como também pela cidade (estabelecimentos, lojas e casas).

— Gente. Carol se aproximou deles e cruzou seus braços. — Fico contente que conseguiram todas essas coisas.

— Onde está o meu irmão? —Se aproximou Selene como se o procurasse entre eles.

— Ele estava no outro grupo, o da caça se esqueceu?! —Respondeu Thomas Serenamente.

— Por que eu só vejo praticamente bebidas aqui. —Carol vasculhava o primeiro carro. — Espero que não tenham pego só isso. De quem foi a ideia?

— Do Jhon e claro! —Afirmou Thomas impassível, fechando seus olhos e se segurando para não rir.

— É o quê? eu? Tá eu confesso que pode ter a minha mão nesta história. Mas o Thomas e meu cúmplice. —Disse Jhon tentando arranjar boas desculpas. Enquanto Thomas acabava rindo.

— Ah mas eu vou bater muito nos dois. —A líder tinha uma expressão séria em sua face.

— Calma Carol, nós distribuímos as coisas. A maior parte dos suprimentos veio comigo, e trago boas notícias. Achamos muitas embalagens de garrafas d’águas fechadas em uma loja. —Edward olhou para a mulher. — Pode haver muita coisa boa perdida dentro das casas que não olhamos, temos que fazer um grupo de buscas para limpar tudo o mais rápido possível antes que alguém chegue antes de nós.

— Vamos fazer isso depois, todos nós iremos Ed. — Carol sorriu com a notícia, pois agora tinham muitos suprimentos o suficiente para meses.

— Mas olha só, que coisas legais. —Chaad pegava uma garrava de Whisky para tomar, mas teve seu braço puxado.

— Primeiro irá trabalhar, só depois poderá beber mocinho. Agora vem cá. —Michelly o puxava pelo casaco, enquanto um homem armado que vigiava o novato os seguia. Chaad tentou argumentar com ‘’calma ae, era só um gole, rapidinho’’ mas não era ouvido, sendo arrastado.

Os recém chegados da missão riram da cena vendo aquele novo rosto por ali, imaginaram que Carol o tivesse libertado para testar suas verdadeiras intenções, embora ele já tivesse bem se entrosado com o pessoal ali e feito algumas amizades.

— Gostei da arrumação que vocês estão dando aqui. — Thomas saiu andando pelo acampamento. — Ainda temos muito trabalho, e podemos fazer a nossa festa naquele lugar. —Apontou para a grande estrutura de madeira. — Vamos melhorar os telhados e esticar mais, e vai dar tudo certo.

As pessoas se ajuntaram para retirar os novos suprimentos, e depois voltaram ao serviço, de deixar o lugar impecável para a festa.

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Chegaram já de noite, por volta das seis da tarde. Neste meio tempo eles revezavam com quem iria dirigir e quem iria descansar de modo que os três fizessem de tudo um pouco. Agora era a vez de Gabriel levar o carro, enquanto Jessie dormia atrás na caçamba da caminhonete e Milles ao seu lado no banco do carona também descansava.

Mais atrás tiveram alguns problemas em algumas partes da estrada onde o gelo havia tomado conta, e encontraram com alguns zumbis pelo caminho. Mas tiveram a sorte de o veículo funcionar na viagem inteira e de conseguirem achar um posto pelo caminho de onde puderam reabastecer.

Já na base o local parecia vazio, tinha apenas duas pessoas na parte da frente para recepciona-los, que tratou de retirar as barreiras para que pudessem entrar com o carro, e dirigindo até mais a dentro do lugar viram um tapete na porta de entrada da estrutura de madeira de onde seria a festa. Estacionaram o veículo próximo dali e entraram para contemplar, lá dentro viram um grande mesão ricamente decorado com uma grande toalha vermelha e com cadeiras a sua volta.

— Nossa! —Exclamou o ruivo boquiaberto não acreditando no que via.

Jessie e Gabriel fizeram o mesmo, impressionados com o novo ‘ar’ que deram ao lugar.

Na mesa tinha duas tigelas de/com frutas espalhadas uma da outra, no centro desta um boneco de papai noel a enfeitando. Havia vários pratos virados de cabeça para baixo em direção de cada cadeira ao lado de talheres.

— Eles pensaram em tudo. —Disse Jessie.

— Milles, Gabriel deem uma mãozinha aqui. —Chegava Thomas com Jhon, trazendo um refrigerador horizontal para colocá-lo ali. O ruivo prontamente foi os ajudar.

— Onde conseguiram isso? E já reparam para perceber que não temos mais luz elétrica? Isso não vai servir para nada, não vai congelar. —Colocaram o objeto perto da mesa.

— No armazém, se esqueceu que ali era uma antiga loja de conveniências?! Vai ser bom para colocarmos as bebidas. —Thomas olhou para ele. — E sabemos que não tem luz, mas temos muito gelo, ou melhor, neve. Já olhou a sua volta? Então, temos um suprimento ilimitado.

— Também trouxemos velas para iluminar aqui. – Jhon se aproximou deles. — E como foi a caçada?

— Foi ótima. Trouxemos dois animais para a nossa ceia. —Gabriel respondeu primeiro, animado.

— Os outros estão lá atrás separando as coisas para trazer para cá. E sua irmã estava muito preocupada contigo, vá lá falar com ela. — Thomas o olhava.

— Certo eu já irei. —Olhou para Jhon. — Posso falar contigo em particular um instante?

— Mas e claro, o que foi? Tem algum problema? —Se afastou com o ruivo para atrás do carro.

Enquanto isso os outros continuavam a conversar, e mais outras pessoas surgiam para cumprimenta-los.

— Consegue consertar isso aqui? —Tirou o arco do banco e mostrou para ele.

— Nossa, o que você fez aqui? A Selene não vai gostar nada nada disso. —Pegava a arma com as mãos observando os detalhes, a parte onde se depositava as flechas estava solta, mas não era algo muito difícil de consertar, mas sorria pois Milles não sabia disso. — Poder eu até posso, mas o que tem aí para oferecer?

— Ah, você está me zuando né Jhon, será que não poderia quebrar este galho pra mim?

— Você sabe como são as coisas Milles, não posso consertar algo assim e ficar no prejuízo, afinal eu estaria gastando meus próprios recursos para consertar. —Ia saindo dali para tentar deixar o ruivo mais desesperado.

— Não calma aí. —O segurou pelo braço. — Eu te ajudo em alguma outra coisa, sei lá a fazer suas armas, ou afiar as lâminas, sim algo assim.

— Bem talvez tenha algo que você possa me ajudar. Não talvez não, deixa pra lá.

— Que? o quê? Me diz.

— Eu conserto, mas com a condição que se me chamarem para ir lá fora de novo em missão, você se candidate no meu lugar. Você não sabe o quanto eu corri hoje por causa do Thomas e do Ed.

— Tá, tá, fechado. —Apertou a mão dele. — Só conserte isso logo, antes que a Selene dê falta.

— Está bem. Saiu dali sorrindo até a sua barraca.

Enquanto isso as outras pessoas do acampamento retiravam o animal do carro para prepara-lo para a ceia.

Milles procurou sua irmã em todo o canto e a achou no armazém de costas. Se moveu com cuidado para não ser ouvido e a abraçou bem apertado.

— Irmão!

Ela se virou, e então ambos se abraçaram, e depois ficaram se olhando em silêncio. A pequena sorria com os olhos vermelhos como se quisessem sair lágrimas, e ele sorriu vendo que sua irmã está bem e que tudo deu certo. O ruivo encostou a cabeça dela sobre seu peito e Selene quebrava o silêncio dizendo.

— Eu fiquei tão preocupada, mal consegui dormi.

— Eu.. Consigo imaginar isso Selene. —Fez uma pequena pausa. — Mas já estou de volta.

— Nunca ficamos tanto tempo assim longe um do outro meu irmão. — O olhou. — Promete que não vamos ficar mais tanto tempo longe assim?

— Eu prometo!

E então ambos se abraçaram mais. Os dois já haviam passado por tanta coisa juntos, perigos, doenças, quase mortes, que era como se tivessem desenvolvido uma ligação, onde pudessem sentir como o outro estava, em perigo ou não. Mesmo distantes...

Ele reparou que toda a atenção dos outros ali, estavam para os dois, alguns se comoviam com o verdadeiro sentimento e outros sorriam. Milles não gostava de ser o centro das atenções. —QUÊ? O QUE ESTÃO OLHANDO? VOLTEM PRO TRABALHO! Se afastou do abraço, e antes de sair dali disse. — Você fez um ótimo trabalho por aqui Selene, ficou muito bom.

[...]

Com todos ali trabalhando na arrumação, as coisas terminaram rápido, até as dez da noite tudo já estava pronto. E então as pessoas tiravam um pouco do tempo restante para se arrumar. No antigo posto onde agora a maior parte estava destruída (a da frente), atrás dele havia um local com duas portas de entrada, a ala masculina, e a feminina, neste havia dez cabines de banho cada, onde os antigos trabalhadores se arrumavam. Agora ali era usado pelos moradores do acampamento que se ajeitavam para a grande noite.

Todos pegavam suas melhores roupas para se vestir que haviam conseguido nas lojas pela cidade, como não haviam ninguém tomando conta e nem se usava mais dinheiro, podia se dizer que este era um dos bens mais abundantes agora.

Milles e sua irmã depois de tomarem banho em seus respectivos lugares, foram terminar de se arrumar em sua barraca de camping (ela era grande, cerca de 1,5m de largura e 2,4 de altura, e 2,4 de comprimento; tendo espaço suficiente para cinco pessoas). O ruivo organizava seus cabelos, não sabendo se os deixaria para frente ou para trás. Ambos se olhavam no espelho que estava em cima de uma escrivaninha pequena que Selene havia arranjado quando foram em missão na semana passada na cidade.

— Acha que eu estou bonita? —A garota usava um casaco acolchoado vermelho com detalhes de listras brancas em toda a sua extensão. Abaixo da cintura usava uma calça de cor esverdeada, e em seus pés um coturno preto feminino de cano alto que ia até um palmo antes do joelho e tinha a parte metálica que amarrava os cadarços nos lados. Na cabeça usava uma toca de frio rosa que cobria sua testa, e deixava seus cabelos castanhos lisos soltos para os lados que desciam até os seios. Usava um brinco com formato de lágrimas que brilhavam feito diamantes. E nas mãos luvas de frio de cor marrom.

— Sim, você está muito bonita minha irmã. —Rodeou a mais nova a olhando. — E fique longe do Thomas.

— Quê? Não seja bobo hum. — Bufou. — E o aviso serve para você também meu irmão, fique longe dessas meninas.

— Hahaha, eu vou tentar... —Ele vestia um casaco acolchoado azul escuro com detalhes laranjas, que tinha dois bolsos um pouco acima da cintura um em cada lado e um outro em cima em seu lado direito no peito. Nas pernas usava uma calça jeans mais social em conjunto com um tênis branco. Nas mãos usava luvas de cor preta, e por cima de seus ombros, dobrado um cachecol que ainda decidia se iria ou não usar.

— Será que não estamos usando roupas, hã, muito caras para a ocasião? — Ela o olhava mexer com os cabelos.

— Não. Thomas e os outros devem vestir coisas parecidas. —Jogava as madeixas ruivas para trás deixando os cabelos arrepiados enquanto se olhava no espelho.

— Nossa.

— Agora que as coisas estão ‘de graça’ está todo mundo aproveitando irmã. —Ajeitava as golas de seu casaco no corpo. — E pensar que em situações normais nossas roupas custariam os olhos da cara haha... Você prefere fechado ou aberto?

— Aberto irmão. É, eu acho que você tem razão. Eu acho... —Se deu uma última olhada no espelho e dizia. — Te espero lá fora, não demore.

— Ok.. E fico feliz que você tenha me convencido a entrar naquela loja de roupas na semana passada, senão agora eu estaria louco sem ter nada para vestir nessa ocasião.

— Eu também. E você deveria me ouvir mais vezes. —Saindo.

— Convencida, hum..

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Do lado de fora da barraca, dentro do local de onde seria a confraternização, quase todos se encontravam reunidos, haviam velas acesas na mesa dando uma aparência fenomenal. E faltavam poucos minutos para a meia noite, Carol olhava para o relógio em seu pulso insistentemente para fazer a contagem regressiva. Enquanto isso em um canto um pouco mais distante do ambiente, em uma parte aberta, estava a churrasqueira ligada com pedaços de carne na brasa, ela era de tamanho médio, desmontável e do tipo que abre e fecha na tampa, na parte de cima tinha uma mini chaminé de onde saia a fumaça.

Thomas se encontrava comendo uma maçã com as costas encostada no carro como se aguardasse por alguém, usava um casaco de frio estilo europeu fechado, preto, com uma calça social um pouco mais clara, e um cachecol marrom em seu pescoço. Tinha os cabelos jogados para trás. Assim que viu Milles se aproximou dele dizendo.

— Ou, olha só quem finalmente resolveu aparecer e dar as caras. Já terminou com a maquiagem?

— Óh, olha só quem está dizendo. Não sou eu que está toda embonecada.

— Hm, olá Thomas. —Selene o cumprimentou sorrindo.

— Hey, olá Selene.. —Beijou a mão dela por cima da luva. Depois olhou para seu irmão. — Estão preparados para a grande noite?

— Com toda a certeza. —Respondeu Milles prontamente trazendo sua irmã para dentro.

— Sim Thomas!—Entrando junto de seu irmão no lugar.

[...]

No local, estavam algumas pessoas sentadas, outras em pé, Selene foi para ao lado de Carol para que pudessem conversar, mas antes falando com todos. O ruivo se aproximou do lugar, estavam as pessoas rindo e conversando, um clima bem diferente dos outros dias, ficou surpreso, e sentiu um cheiro bom pelos ares, sua barriga roncou. Ficou distraído observando a cena, se foi pego lembrando da vez em que disse para Selene que as pessoas agora eram perigosas, e que não era uma boa ficarem no acampamento ‘’Talvez ela estivesse certa ao final de tudo’’ pensou. Uma mão tocou seu ombro o fazendo se virar para olhar.

— O que está fazendo paradão aí? Venha falar com o pessoal. —Gabriel trouxe para ele uma cerveja gelada. — As pessoas vão adorar saber da nossa história, de como passamos a madrugada e a manhã inteira caçando.

— Ah, eu entendi, diga que eu já estou indo. O Scoth ainda não estava totalmente acostumado com o clima, o apocalipse zumbi o fez ter desconfiança das pessoas, era como se aquilo tudo fosse novo para ele. Mas não iria mentir, gostava de sentir aquela sensação de novo, de confiança nas pessoas. Pegou a cerveja e retirou a tampa, bebendo um gole.

— Irmão vem! —A mais nova o chamava, estava sentada na mesa.

Todas as conversas cessaram quando Carol falou alto. — JÁ E NATAL!

As pessoas imediatamente pararam a conversa, e um pequeno silêncio reinou pelo lugar, era como se não soubessem o que fazer após tanto tempo. Eles cessavam de beber e se olharam, como se esperassem quem daria o primeiro passo. O silêncio foi quebrado quando Selene andou rápido e abraçou seu irmão. Todos olharam a cena e se alegraram, depois voltou todo o falatório, os moradores riam, bebiam, se cumprimentavam apertando as mãos ou se abraçando aqueles mais próximos. Depois abriram a tampa da churrasqueira para servir as coisas. Enquanto isso com os dois irmãos.

— Irmão, feliz natal. O abraçou apertado, o fazendo quase derrubar sua latinha de cerveja.

— Minha irmã. —Retribuiu o abraço, encostando a cabeça em seu peito e a beijando na nuca. — Feliz natal para você também. Depois os dois se afastaram.

Milles foi falar com Gabriel e Thomas e os demais que estavam próximos em uma roda de conversa. Enquanto Selene foi falar com Carol e aqueles que estavam próximos da mesa, antes de falar com todos.

O ruivo terminou de beber a sua cerveja e foi pegar outra no refrigerador no outro lado, pelo caminho cumprimentou todos do qual não havia falado, passou pela janela do lugar e viu alguém ali fora, uma silhueta conhecida. Iria passar ali para falar com ela e trazê-la para dentro. Pegou duas cervejas e saiu, os outros o chamaram mas eles fez sinal de que seria rápido.

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Havia uma mulher, jovem por volta dos vinte e dois anos. Tinha os cabelos ruivos curtos tipo pixies, embora tenha crescido alguns centímetros até abaixo da orelha, e uma franja que caia sobre seu olho. Usava um casaco de couro marrom feminino, em conjunto com uma calça jeans e um cinto cor de pele. Ela já havia percebido a aproximação de alguém pela neve, mas continuou com seu olhar para frente distante, um pouco voltado para o céu. Um braço com uma cerveja passou por cima de seus ombros como se fosse para pegá-la.

— Você acha que vai me levar para lá me comprando com umas cervejas?

— Na verdade. Milles se aproximou ficando ao seu lado, olhando para a mesma direção que ela. — As cervejas são apenas uma distração. Eu esperava fazer isso comigo mesmo!

Ela pareceu pensativa, mas acabou pegando a cerveja da mão dele. — Volte para seus amigos Milles.

— Meus? —Ele olhou para ela ao seu lado. — Ou quis dizer nossos?!

— Eu não estava esperando por isso. —O olhou rapidamente, depois cruzando os braços. — Eu não estou pronta para. —Desviou o olhar em direção a grande casa, poderiam se ouvir o barulho das pessoas conversando e festejando lá dentro. — Você sabe...

— Venha comigo, vai ser divertido. As pessoas preparam algo legal hoje, tenho certeza de que vai gostar.—Mostrou um leve sorriso.

— Eles não vão sentir a minha falta.—Voltou seu olhar para ele.

— Não posso dizer pelos outros. Fechou seus olhos brevemente se lembrando dos rostos felizes lá dentro. — Mas, eu tenho certeza que sentiriam, estamos todos juntos nessa e todos formamos um grande time. Deu uns passos ficando em frente a ela. — E eu sentiria. —Falou mais alto as últimas palavras, olhando nos olhos dela.

— Eu.. er.. Milles. Virou a face para a cerca, desviando seu olhar do dele. — Bem eu não sei. —Sentiu os flocos de gelo tocarem seus cabelos, bem como seu rosto. — Não tenho boas lembranças de dias como este, desde que isso tudo começou. —Abriu a cerveja para tomar um gole.

— Como assim?—Perguntou ele curioso.

— As vezes. Fechos os olhos. — Posso ouvir um choro de bebê, eu.

— Não pense nisso. —Ele resolveu cortar aquele assunto, antes que mais lembranças viessem a tona. Não sabia que tipo de coisas a Julie havia presenciado no passado e ele próprio estava curioso para saber, mas achava que aquele não seria o melhor momento para descobrir. — Seja o que for que você tenha passado, saiba que não está sozinha agora. —Quando tudo começou o ruivo não sabia ao certo o que fazer ou como se virar, ele apenas fez, o que tinha que ser feito. Se talvez ele tivesse presenciado tudo o que fez sem a sua irmã, as coisas poderiam ter sido bem piores. Um era sempre o apoio do outro. Mas e a Julie?, passar por tudo sozinha com certeza não foi nada fácil para ela, algo que ele nem poderia imaginar. — Eu estou com você. — Depois a abraçou bem apertado, pegando a garota de surpresa. Viu flocos de neve por todo aquele rosto, e sobre seus ombros e pescoço. — Então, vem comigo agora? —Deu um passo para trás se afastando dela e saindo do abraço. Esticou a mão para que ela pudesse tocá-la onde ele a levaria para dentro na festa.

A ruiva por sua vez estava emocionada com aquelas palavras, seus olhos estavam vermelhos. Fazia longos anos que não ouvia algo assim, palavras que a faziam se sentir importante, mais uma vez. Havia visto tanta tragédia e todo tipo de coisa, pensou em desistir da própria vida várias vezes. Passou a não mais confiar nas pessoas, e achou que sua melhor chance de sobrevivência seria apenas sozinha dependendo apenas de si mesma e fez de tudo para ficar mais ‘forte’. E então se afastou dos outros.

— Milles! Enxugou as lágrimas, e sorriu fechando os olhos, recuperando sua postura. Viu a mão dele para segurá-la, ela deu um passo a frente, e a colocou sobre sua (própria) cintura. E depois o beijou ardentemente, pegando aqueles lábios para ela. Ambas as latas de cerveja caíram no chão derramando o líquido, eles naquele momento não se importaram...

— Ju.

Foi apenas o que conseguiu dizer. Ele queria muito aquilo, a apertou contra seu próprio corpo, beijando aqueles lábios com vontade e desejo. Poderia sentir o calor de ambos os corpos juntos, e os batimentos do coração dela. A garota por sua vez passou a mão sobre os cabelos dele como se o trouxesse para ela, o ruivo correspondeu, deslizando sua mão sobre aquela cintura e pegando em seu bumbum, fazendo arrancar um riso da ruiva e dele próprio. Ficaram por dois segundos se olhando, antes de voltarem novamente para o beijo, agora mais intenso e enlaçando a língua uma com a outra, se descobrindo, em um beijo bem molhado.

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Após um tempo resolveram se afastar, antes que alguém resolve buscar os dois. Ele deu a mão para ela, que agora o segurou de imediato, e foram andando até dentro do local da festividade.

— Você não acha que vai parecer estranho chegarmos desse jeito?

— Não, somos todos adultos aqui. —Parou de andar. — Em falar nisso, Julie espera.

— O quê? O que foi?

— Há neve em você. —Tirou a neve que cobria a roupa dela, de seus ombros, rosto e pescoço. Depois ele tirou seu próprio cachecol e colocou nela, a ruiva de imediato iria impedir, mas ele foi mais insistente. — Fique com isso, eu não preciso.

— Mas e se..

— Agora é seu, pense que é um presente. Sorrindo e então ambos adentraram no local.

[...]

As pessoas já estavam comendo, bebendo, conversando. Os que estavam mais próximos da entrada repararam na aparição dois ruivos juntos, uns maldaram a situação, outros não pensaram nada a respeito naquele momento por se encontrarem mais distraídos, ou por estarem mais alcoolizados.

— Ei. Hm. Se aproximou Thomas e James, com uma garrafa de vinho e uns copos. Thomas olhou para os dois sorrindo, desconfiado, ou melhor já com certeza, disse. — Onde vocês dois se meteram em? heh. —Encostava com o antebraço no braço de Milles rindo. — Enfim deixa pra lá, tomem aí.

James se aproximou e deu um copo com vinho para os dois. Estes que logo trataram de degustar e olharam um para o outro.

— Que bom que apareceram. Peguem seus pratos que a comida está servida. — Falou Ed com um tabuleiro na mão momentos antes de colocar ele na mesa com várias carnes fatiadas.

Os dois pegaram uns pratos e olharam o que tinha de comer na mesa. Geralmente em épocas natalinas os americanos comemoravam com outras diversas comidas típicas como: peru, costelas de porco, presunto, e até peixes, mas como o mundo atual estava bastante bagunçado não podiam se dar ao luxo de conseguir tais coisas. As pessoas poderiam sentir falta de tortas, donuts, cookies, salgados e até outros tipos de doces, fora outras coisas, mas estava bom. Todos estavam vivos e tinha o que comer, o que já tornava as coisas perfeitas.

Pegavam uns pães, um pedaço de alguma fruta e principalmente grandes quantidades de carne de caça. Os dois procuraram um lugar para se sentar, como alguns já haviam comido ficaram de pé dando espaço para outros. Ele procurou, achando dois lugares perto de Selene, Milles chamou Julie para ficar ao seu lado.

— Ei, e aí. O que andou aprontando?

— Irmão. Julie! — Olhou para ela sorrindo. — Que bom que se juntou a nós.

— Hey, olá Selene.

— Sim sim. E agora vamos comer por que estamos cheio da fome. —Respondeu o mais velho, comendo um pedaço de carne e depois dando uma golada no vinho.

— E irmão, tem algo que eu gostaria de lhe dizer.

— Hã, e o que? O que é?

— Muito obrigada por me apoiar a fazer este natal. Sei que você só fez isso por mim. Eu te agradeço muito, isso foi muito importante para mim.—Olhou para ele.

Ele apenas concordou com a cabeça feliz por sua irmã, e continuou sua refeição, pois estava morrendo de fome. Depois apareceu Carol, Gabriel e os outros restantes para cumprimenta-los lhes desejando feliz natal.

Chaad pegou uma das cadeiras e se sentou de frente a mesa. — É agora que o show vai começar pessoal! — Apoiou uma das pernas por cima da outra e colocou seu violão nela, começando por tocar algumas músicas.

Estava um clima bastante feliz, com as pessoas alegres e sorridentes, nem pareciam que estavam em um apocalipse zumbi, ou pelo menos as pessoas não queriam se lembrar disso, naquela noite.

Em um dos momentos Milles se levantou para pegar algumas cervejas para ele e Julie. Que foi quando seus amigos dali o chamaram para conversar, deu uma olhada para Julie, e viu Selene conversando com ela.

Selene levou o copo a boca, nesse tinha um pouco de vinho, ela não era de beber, já que era fraca para bebidas. Mas como era uma ocasião especial fez uma exceção. Se sentou na próxima cadeira de onde era o lugar de seu irmão e falou para a ruiva.

— Julie. —Fez uma pequena pausa. — Fico feliz que vocês estejam se dando bem. Bem até demais. —Completou.

— Selene eu.

— Não precisa dizer mais nada. Eu vi vocês. Eu tinha ido chamar o meu irmão e vi vocês lá. Não precisa disfarçar. Deu um gole em sua bebida.

Julie se virou para olhá-la continuando em silêncio. — Selene você...

— Só cuide dele okay?.. Ele já sofreu muito por nós dois. Ele sempre teve a mania de se fazer de forte, fingir que nada o machuca, mas eu o conheço. Embora tente disfarçar, ele sempre pensou mais em mim do que nele. —Terminava de beber, depois de colocar tudo para fora (palavras) seus pensamentos sobre ele.

— Vocês dois.. —Bebia o restante da bebida em seu copo. — Não existe nenhum irmão como vocês. Fico feliz que se amem e se cuidem bastante.

Enquanto isso Milles conversava com os outros homens. As vezes olhava para Julie e sua irmã, tentando adivinhar o que falavam, ou melhor, no fundo já sabia sobre o quê, ele. Naquela roda de amigos estava: Thomas, Ed, James, Gabriel.

Thomas rindo segurava uma lata de cerveja na mão, com a outra puxou Milles para mais perto e falava algo que só eles ali próximos ouviam.

— Então, o que está rolando entre você a Julie? Trate de desembuchar tudo ruivo.

Enquanto isso os outros ali próximos se divertiam com a cena. Milles se afastou dele, e cruzou os braços encarando-os. Por quê quer saber?

— Hey calma calma, foi só uma pergunta só isso. Relaxe, você está entre amigos.

— Nós. Olhou de relance para Julie que se encontrava sentada. — Estamos nos conhecendo.

— Sei. Disse Thomas incrédulo bebendo mais um pouco. — Não foi isso que vi dali da porta.

— Thomas! Milles falava um pouco mais alto.

— Tá, ta bom. Parei.

James, deu uma rápida golada em sua cerveja, ele estava reparando em Jessie a todo o momento. Esta que por sua vez estava próxima da janela conversando com Michelly, e reparou nas olhadas dele.

— Gente me desejem sorte, agora e a minha vez. Depois o garoto saiu para falar com a loira.

O pequeno grupo olhou para ele, como se lhe desejasse sorte. O garoto parou e falou com as garotas, depois a médica se separou deixando James com Jessie a sós, onde ficaram conversando.

.

.

No fim da madrugada por volta das quatro horas, a maioria já havia ido dormir. Algumas pessoas ainda continuavam na festa, mas não com a mesma animação de antes. Milles estava sentado na cadeira, ao lado de Julie em sua parte direita e sua irmã na da esquerda, esta que dormia com a cabeça encostada em seu ombro. Ele fazia um carinho na cabeça da irmã, embora estivesse um tanto emburrado com o fato.

— Não queria que ela tivesse bebido hoje.

— A Selene estava bastante feliz essa noite, tudo graças a você e os outros. — Julie sorria de leve olhando os irmãos. — Fico contente que ela pode desfrutar de um ambiente tão agradável. Ela e os outros se divertiram muito, só está um pouco cansada.

— Sim mas, ela e fraca para bebidas. Humf..—Se levantou e olhou para a irmã. — Selene acorde.

— Mai-ies.. —Falou dormindo, agora deitando a cabeça sobre a mesa.

Aquela área era bem grande, e perto dali havia outras pessoas dormindo. Na invasão muitos perderam sua barraca de acampar, e por isso um novo e grande local foi construído as pressas, que era onde eles se encontravam agora. O mais velho pegou sua mais nova no colo e ia coloca-la para dormir.

— Julie, em falar nisso. Onde você dorme? Não me lembro de ver seu local por aqui. Na verdade, parando pra pensar quase nunca a encontro.

A ruiva riu com o último comentário, ela gostava de sair para pegar um ar de vez em quando e ficar um pouco sozinha. Respondeu a pergunta dele.— Ela foi explodida com o posto, e agora moro aqui com os outros. N ós dividimos o local em partes, enquanto ele ainda não está pronto ou até acharmos outras barracas. Se lembrou do dia da invasão, quando ela junto de Thomas e Carol explodiram o posto para que pudessem se livrar dos bandidos, o estouro foi tão grande que pegou parte do acampamento lá atrás deixando vários lugares inutilizáveis.

— Entendi. —Foi caminhando em direção a saída pensativo. — Então hoje, considere seu dia de sorte.

— Hm, por que?

— Achei uma novo local para você.

— Ah é? onde?

— Na minha barraca, junto comigo e a Selene. Tem espaço de sobra para nós lá!

— Hm, eu não sei.

— Pense o quanto quiser na ideia. E a propósito vamos terminar de beber na minha barraca, aproveite e traga aquela garrafa de vinho para gente. Vou colocar essa coisinha aqui deitada.

Julie estava pensativa na ideia, ela gostava de privacidade, e sem dúvida viver (ficar e dormir) ao lado de outras duas pessoas era bem melhor do que ficar ao lado de outras dez. E agora, depois daquele dia havia outros motivos, algo que ela já não sentia a muito tempo. Um novo sentimento que a fazia querer ficar sempre perto daquele homem, que mexeu com ela, chamado Milles.

Fim

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Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, eu sei que ficou longo demais e isso acaba deixando a leitura mais cansativa e tem muitas pessoas que não gostam, mas prometo que e só dessa vez. E este foi o meu maior capítulo sem sombra de dúvidas. E também é o capítulo final dessa primeira temporada. E lembrando mais uma vez de alguns detalhes desse episódio e que houve muitas cenas excluídas, como: Eu havia feito para os personagens mais 'principais' detalhes de roupas, mais falas, mais ações. Mas estava muito grande, ai tive que cortar, desculpe se alguns personagens não apareceram muito, acabei tendo que focar mais nos irmãos mesmo. Me desculpe mais ainda se for algum que você gosta. Sabem como e, já estava muito longo o capítulo e não queria prolongar mais. Quem puder poste ai nos comentários o que mais gostou ou do que precisa ser melhorado. Até o próximo!