Pelo Mundo

7 Season 1: O Alvorecer pt1


Notas iniciais
Esse capítulo ficou bem longo também rsrs, acho que o maior até agora.. Demorei um pouco pois estava sem ideias esses dias, mas já me encontrei novamente. Tenham uma boa leitura.

Capítulo 7 — Season 1: O Alvorecer pt1

— Eles não vieram em paz, estão aqui para nos matar. — Julie arqueou um pouco seu corpo com cuidado para não ser notada, olhava para frente pelo vidro do carro de onde poderia ter uma visão melhor deles, já que estava atrás do mesmo que o usava como uma barreira. Nessa rápida olhada viu pelo menos um grupo de dez homens armados, e mais alguns que não haviam descido dos carros. — Podemos pegá-los! —Falou sacando uma pistola da cintura e olhando para Selene e os outros ali.

— Julie, eles são muitos. Não dá para pegarmos todos. —Disse Selene assustada, não sabia ao certo o que fazer. Quando viu a garota sacar a pistola, Selene ficou em dúvida sobre o que pegar, se a arma ou o arco. Mas como estavam escondidas tinham o elemento surpresa, preferiu pegar o arco por ser mais furtivo e menos barulhento.

— É O QUÊ? —Encarou Julie- — Você ficou louca sua maluca. Nunca te vi falar uma palavra neste acampamento, e agora as primeiras que te ouço dizer são aquelas que nos levarão a morte.—Sully abraçou mais apertado a filha. — Não podemos fazer isso, se nos entregarmos, talvez nos deixem viver.

Julie olhou séria para Sully, e respondeu de maneira calma. — Ficar parada aqui e que vai nos trazer a morte. Se quer morrer faça o que diz, mas eu não vou.

Enquanto isso dentro da barraca, Milles pegava suas armas, colocou suas duas pistolas na cintura e deixou sua espingarda em mãos. — DROGA! Essas pistolas estão quase sem balas, preciso ir até o armazém.— Viu sua mochila ali, ela poderia comprometer a sua mobilidade. Decidiu deixa-la por enquanto, se voltasse ele poderia pegá-la mais tarde, se morresse, bem, não iria precisar. Antes de sair ele pegou uma foto que tinha de sua família, dele pequeno emburrado com os braços cruzados com cara de quem não queria estar ali, de Selene ao seu lado jogando o corpo contra o dele o abraçando feliz com um largo sorriso, seu pai e sua mãe atrás deles, ela colocava a mão na cabeça de seus filhos como se bagunçasse seus cabelos, e seu pai com uma touca verde e na outra mão segurando um anzol com um peixe de tamanho médio nas mãos. Ao fundo se poderia ver um rio atrás, e alguns barcos e partes de outras pessoas caminhando que saíram na foto. — Lembranças felizes da família Scoth. —Encarava a imagem. — Pai, mãe.. Eu vou cuidar da Selene. Sinto muita a falta de vocês. — Seus olhos se fecharam, pensando nas lembranças e em como sua família costumava ser. O ruivo pegou a foto a dobrou e guardou na calça, e depois foi até a saída de sua barraca, ali a uns três metros de distância ele poderia ver Selene, Sully e seus filhos, Carlos e Julie abaixados. — Selene, tem algum plano?

— EU? Mas eu hã.. —Olhou o cenário a sua frente, tinha alguns carros parados que serviriam de barricada, atrás um pouco distante tinha a fogueira de onde costumava ter outras pessoas. — Mas ali deveria. —Notou que desta vez estava vazia. Olhou rápido e viu que atrás das barracas tinham sombras, sinal de que as pessoas já sabiam o que estava acontecendo e que fariam alguma coisa, era um bom começo pensou. — Temos que achar os outros e atacarmos juntos. —Ela temeu que toda aquela barulheira pudesse atrair os mortos para o acampamento, também pensou nas crianças, deveria tirar todas dali.— Já sei precisamos ir até o posto, e a nossa melhor vantagem, tem armas, munições e granadas caseiras lá. —Observou a sua volta procurando pelo melhor caminho. — Hm, vejamos: árvores, pneus empilhados, barracas. —Olhou para a mãe. — Sully está vendo aqueles pneus empilhados?

— Sim o que tem?

— Você e Carlos tente levar as crianças até lá e depois nas árvores perto dos outros, aproveite a proteção do carro. Eles podem mantê-los seguro. Enquanto isso nós vamos lhe dar cobertura.

— Isso e uma loucura. Não vai dar certo.—Disse o homem segurando seu filho.

— Faz logo o que a Selene diz droga! —Exclamou Milles, ele já passou por tanta coisa com sua irmã que tinha total confiança nela, e se ela tivesse um plano era sempre bom seguir. — Eu lhes protejo, agora VAI!!

Enquanto isso os invasores notando que ninguém lhes dava ouvidos, decidiram agir de maneira mais firme. — MAS E UMA PENA, ATÉ QUE ACHEI A BASE DE VOCÊS LEGALZINHA... AGORA VAMOS TER QUE QUEIMAR TUDO ATÉ QUE VIRE CINZAS. — O homem foi para trás do caminhão e fez gestos para que seus homens fossem a frente. — MATEM TUDO. E DEPOIS PEGUEM SUAS COISAS!

Vários barulhos de tiros passavam, alguns batiam nos carros fazendo um som de perfuração no metal, outros acertavam o chão nos lados de onde Selene e os outros estavam. Algumas barracas foram miradas, fazendo-as terem furos e uma ou outra pessoa atingida que gritava. Perto de onde Milles estava tinha uma árvore, ele se escondeu atrás dela para se proteger e mandou balas na direção dos bandidos. Como ela era dispersiva, acabava acertando o pneu de um carro junto com sua lataria o fazendo arriar ao chão. Julie também notou que o pessoal do acampamento contra-atacava atirando contra os invasores, ela fez o mesmo para que ajudasse no plano de Selene.

— VAI MERDA! — Gritou Milles sem paciência.

— ESTÁ BEM.. DROGA! —Sully estava assustada, prezava pela vida de suas crianças e não sabia se o plano funcionaria, mas ficar ali no meio do fogo cruzado também não era muito seguro. Mas sabia que por um lado Selene tinha razão, perto dos outros suas chances eram maiores. Abraçou sua filha que chorava pelos barulhos e disse. — Calma meu amor vai ficar tudo bem. —Olhou para os olhos de sua pequenina. — Ouça, preciso que você faça tudo o que a mamãe disser está bem? —A garota respondeu que sim levantando e abaixando a cabeça. — Vamos chegar até ali, mamãe te ajuda.—Uma bala batia no parachoque da caminhonete fazendo todos se assustarem, tal tiro fez Sully tomar a iniciativa e sair do local. — Deus nos ajude!. —Puxou a filha pela mão e andou atrás do carro que estava parado em diagonal até a sua lateral. Estavam abaixadas e havia um pequeno espaço de dois metros do carro até os pneus empilhados, neste curto caminho era perigoso pois não haviam barreiras e poderiam ser vistas. Ela correu de maneira furtiva servindo de escudo para sua cria até conseguirem se esconder, coisa que conseguiram fazer com sucesso, enquanto tiros eram ouvidos. — Agora VEM CARLOS!! —Gritou para seu marido que estava com seu filho.

— ESTOU INDO QUERIDA.—Olhou para seu garoto que estava assustado, e tentou encorajá-lo. — Filho vai ficar tudo bem, agora você precisa ser forte. Vamos fazer a mesma coisa que sua mãe fez. — Enquanto os tiros corriam, Carlos esperou por um momento até que eles cessassem, que era quando fosse preciso recarregar. Foi para lateral do carro abaixado com seu filho, usou seu corpo como escudo para que atravessassem. Até que no meio do caminho um tiro passou perto deles fazendo o menino se assustar e correr na frente até sua mãe e irmã. — CURTIS ESPERA... —Carlos temeu pela vida de seu garoto e foi correndo até ele, acabou se levantando e então um tiro lhe acertava na cabeça, fazendo o homem cair ao chão sem vida, enquanto sangue escorria.

— CAR-LOS... CARLOS!! —Gritava sua esposa com as mãos na face desesperada, enquanto sua filha chorava muito. A mãe virou a face da garota para o outro lado.

— Mas não! —Selene deu um grito, levando uma das mãos a testa, não acreditando que aquilo havia acontecido bem à sua frente, e ainda mais por causa de seu plano. Ela se sentia culpada. — Carlos.. Sully. —Seus olhos estavam vermelhos como se não aguentassem o peso de suas decisões, iria chorar.

Mais atrás um homem gritava de dor, ele havia sido baleado no peito, chamava por seus amigos do acampamento, mas devido aos tiros não poderia ser socorrido. Tentou se rastejar sem muito sucesso. Carol aparecia armada, com ela Edward e mais alguns homens, eles haviam ido até o armazém e pego várias armas e munições para seus aliados. — Tomem isso e se espalhem, distribuam para os outros. Protejam a nossa base. JÁ! —Depois todos saiam e se dispersaram, alguns atrás de suas ‘casas’ outros de árvores, alguns pelo posto.

Neste instante um invasor aparecia perto do carro onde elas estavam abaixadas, segurava um revólver. Ele havia seguido os gritos que ouviu anteriormente, viu a sombra das garotas e disse. — ACHEI VOCÊS.—Ele virou rápido com a mão no gatilho em direção de Selene e Julie. Por trás da árvore onde Milles estava, ele viu o homem se aproximando e atirou. Ocorreu um grande barulho e a bala perfurou o bandido, abrindo um buraco em sua barriga e o fazendo bater com as costas no carro como se tivesse sido colado ali, o sujando de sangue e caindo sem vida sentado ao chão.

— Meninas vocês estão bem?? —Olhava de canto de olho para Selene e Julie, enquanto se mantinha atrás da árvore. — Vocês não podem seguir por ali, aquele lugar agora está muito visado. — Olhava para os lados, e depois as chamou com a mão. — Venham por aqui, rápido.

— Meu irmão.. Obrigada. Julie vamos ali onde Milles está e. — Olhou para o lado e viu que a garota havia sumido, e ela nem havia percebido. — Onde será que ela se meteu? Julie?

— Selene vem LOGO. RÁPIDO!! ELES NÃO VÃO DEIXAR VOCÊ IR POR ALI. Se referindo aonde estava Sully e as crianças. Milles a daria cobertura para que sua irmã se encontrasse com ele.

A Scoth estava abaixada, viu uma abertura e foi correndo até seu irmão. No meio do caminho uma bala acertava a poucos centímetros de seus pés, a fazendo recuar de susto.

— Selene o que está fazendo? —Olhou para frente. — ESPERA, NÃO VENHA!

Dois homens armados trocavam tiros contra Milles, um deles atirou na árvore onde ele se encontrava tirando raspas da madeira, o fazendo ficar ocupado e sem ter chances de ajudar sua irmã. Selene viu isso e não tinha escolha a não ser se abaixar atrás do carro novamente. Olhando pelo espelho ela viu dois homens aparecem ao seu lado esquerdo vindo em sua direção, ela olhou para o outro lado, o direito, e haviam dois inimigos armados trocando tiros com seu irmão, e mais um apareceu, não tinha para onde correr. — E agora? —Ela segurava seu arco à frente do corpo, sua mão tremia de nervosismo, recarregou a arma e então quando um dos bandidos apareceu ela já havia se escondido no único lugar que parecia ser seguro. Que era embaixo do carro.

Os invasores assim que apareceram atrás do carro onde ela se encontrava, já mandavam tiros sem olhar ou pensar duas vezes pois já haviam visto gente ali. — Droga onde foi que eles se meteram? —Falava um deles, e depois olharam para a árvore. Selene se assustou com os tiros e acabou fazendo um barulho despertando a atenção dos homens. — Que barulho foi esse? —O homem se abaixou e viu Selene escondida embaixo do veículo. — TE ACHEI GRACINHA.. ELA ESTÁ AQUI.

— SELENE!!! —Gritou Milles preocupado com sua irmã, mas sem ter o que fazer, estava trocando tiros com os homens e quase foi acertado. — SE VOCÊ ENCOSTAR NELA MALDITO. O MATAREI!

Selene gritou, o homem a puxava pela perna para fora do carro, se encontrava muito assustada e seu coração acelerado sem saber o que fazer, pensou em seu irmão, que ele viria para ajudá-la e acabou tentando se segurar como pode no carro para não ser levada. Depois ouviu a voz do homem. — Eu vou me divertir muito com você essa noite! —Ele ria se empolgando com o desespero da garota. O parceiro ao seu lado apenas disse ‘’acabe logo com isso que lhe darei cobertura’’. — Está bem! — Respondeu-o, e em seguida pegou seu revólver e mirou em Selene, enquanto com a outra mão puxava forte sua perna a fazendo soltar o arco ao seu lado embaixo do veículo. A garota tateou o chão desesperada para pegar sua arma de volta, e acabava acertando a cabeça no veículo pelos puxões, doía bastante.

— POR FAVOR, ME SOLTA! Pare..

Ela olhou para os lados, não havia aonde se segurar, tentou pegar um cano embaixo do automóvel, mas estava quente por ter sido recentemente usado. Não havia escapatória e então resolveu atacar, criou coragem, e chutou a mão do homem que estava em sua perna, o fazendo retrair de dor. Neste meio tempo conseguia puxar seu arco de volta e armá-lo em cima da barriga como podia e apontou contra o homem.

— AH SUA VADIA, VAI SE VER COMIGO. —O bandido pegou a arma com raiva desistindo de tirá-la dali e então tocou no gatilho e ouve um barulho.

— Não, PARA!.. —O arco disparou. A flecha atingiu o crânio do homem pelos seus olhos e se enterrou nele, matando-o na hora. Ela se assustou ao olhar aquela cena, nunca havia matado ninguém. Sua mão tremia e olhava para o arco, que estava apoiado em sua barriga, ela atirou por sorte, e sentiu um frio percorrer sua espinha e passar por todo o corpo. Seus olhos estavam bem arregalados e sua expressão era de choque. — O que eu fiz.—Se perguntava, atônita ainda sem entender direito o que aconteceu. Por sorte conseguiu disparar a tempo se salvando. Já o corpo do homem caia sem vida à sua frente, como uma barreira para a entrada embaixo do carro.

— MAS QUE MERDA? —Um filete de sangue voou e parou nos olhos do outro invasor, o fazendo se assustar vendo a flecha se prender na cabeça de seu companheiro. Depois se limpou. — VOCÊ ESTÁ MORTA! —Ele atirou várias vezes na direção de Selene, mas ela enquanto estava ali em baixo usava o corpo do morto para se proteger a sua frente, bloqueando todos os tiros.

Houveram vários barulhos de disparos até que eles paravam. A garota estava toda encolhida, com medo e com os olhos fechados esperando que tudo aquilo parasse. — Selene, rápido. —Ela abriu os olhos, era a voz da Julie a chamando. Suspirou e saiu de baixo do carro mais aliviada. — JULIE!— A Abraçou, apertado. Estava assustada por ter matado um homem e suas mãos estavam trêmulas. — Eu matei um homem. —Olhando a nos olhos, com medo.

— Não se preocupe, está tudo bem.. —Se deixou ser abraçada por um momento, olhando para os lados sem ter o que dizer, sentiu pena de Selene, e via seu estado. — Ou pelo menos, por enquanto. —Depois se afastou, a olhando daquela forma a fez se lembrar de quando estava perdida, uma lembrança da qual queria esquecer. Suspirou fundo e disse. — Agora vamos.

Ela concordou com a cabeça sobre saírem dali. Viu o outro corpo do homem com um grande ferimento na cabeça, se perguntando sobre o que foi aquilo. — Mas o que aconteceu?

— Ele conheceu minha amiga. —Julie mostrava sua picareta para ela.

— Que horror.. Mas, Obrigada. —Selene sacava uma outra flecha para seu arco, ainda tinha três sobrando. — E onde você se meteu?

— Naquela hora eu vi os bandidos se aproximando, como eu vi que você ia para perto de seu irmão eu decidi ir para longe. Depois eu voltei e peguei esse cara pelas costas.

— Eu tinha te procurado. —Olhou para ela um pouco emburrada.

— Hey ouça, eu não sou muito boa em agir em grupos. —Desviou seu olhar para o lado. —Mas pensei que fosse precisar de ajuda, e então voltei para te ajudar.

— O papinho aí está bom, mas precisamos nos apressar. —Disse Milles surgindo atrás do carro ao lado delas, se abaixando também. No lugar de onde ele estava antes, era possível avistar três corpos caídos. — E valeu pela ajuda Julie, sem você eu não teria conseguido contra eles. —A olhando, depois notou que sua irmã caçula estava assustada, impactada com alguma coisa, ele sabia como as experiências de quase morte podiam mexer com alguém, e ainda mais com ela que era mais sentimental com as coisas, decidiu brincar para tentar distraí-la. — E também por ajudar a minha irmãzinha aqui. —O ruivo apertava as bochechas de sua irmã, mexendo aquela carinha e sorrindo dizendo com uma voz fina a zoando. — Coisinha fofa. —Ele ria, e ficava a olhando, depois voltando a ficar sério.

— Para Milles, hmf..—Ela estava assustada e com medo, mas ficou feliz por vê-los novamente. Com a chegada de seu irmão Selene pode sorrir e se confortar nele, se esquecendo momentaneamente de antes quando atirou no homem. — Irmãoo..—O abraçou apertado, encostando a face em seu peito. Milles apenas a olhou e fez carinho em seus cabelos.

— Vamos dar um jeito. Como sempre fizemos. E tudo vai ficar bem Selene.

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— Não queria estragar o papo de vocês, mas temos muito trabalho a fazer.—Aparecia Carol e atrás dela dois homens lhe dando cobertura e trocando tiros com os bandidos, eles se abaixavam para pegar a proteção do carro. — Trouxe isto aqui.— Ela dava armas e munições para Julie, e ofereceu a Milles e Selene. Os irmãos recusavam apenas as armas.

— Agora sim, vamos chutar a bunda desses bandidos para fora deste acampamento. —Disse o ruivo recarregando sua espingarda e depois as pistolas.

— Carol! —Selene abria um sorriso, e recarregou a pistola que Milles havia lhe dado. — Estou tão feliz em te ver. O que nós vamos fazer? —Colocava a pistola na cintura.

Eles são muitos, não vai ser fácil. —A líder ajeitava os óculos em sua face olhando séria para eles. — Vamos precisar de toda a ajuda possível.

— Inclusive do Thomas. —Continuou Milles. — Ele sabe atirar bem. Vai ser útil agora.

— Será que poderemos confiar nele? — Perguntou Carol olhando para Milles fixamente, enquanto Julie apenas os olhava.

— Eu confio nele, Thomas só parecia não saber o que estava fazendo, estava perdido. —Selene deu um passo à frente. — Ele precisa de nós, e nós dele!

— É também não temos muita escolha agora, não é?! —Abraçou a irmã de lado colocando uma das mãos em sua cintura, contente por ela estar a salvo e a beijou no rosto.

— Então faremos assim. Eu e Selene vamos até o posto, temos granadas caseiras lá, eu preciso dela para trazer. Enquanto isso.—Olhou para os ruivos. — Milles e Julie vão e tragam o Thomas, e deem essa arma para ele.

— Está bem. —Concordou Milles, pegando a arma e depois olhou para sua irmã. — Tome cuidado.

— Pode deixar. —Olhando-o apreensiva. — É você também!

Depois todos esperavam o momento certo para partirem. Os aliados da base lhes davam cobertura atirando contra os bandidos. Os invasores vendo a chuva de balas incessantes, não tiveram outra escolha senão se esconder atrás dos carros, árvores e barracas, tendo que parar de se mover. — VOCÊS NÃO VÃO SAIR LIVRES DESSA! —Exclamava um deles. Enquanto o pessoal do acampamento continuava dando tiros. Até que a situação pareceu melhorar, e então as pessoas saíram dali se dividindo em duplas até seu destino

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Milles e Julie avançavam correndo abaixados pelo acampamento, indo sempre de encontro a qualquer objeto que pudesse ser usado como uma barreira, seja mesas de madeira que eram usadas para a confecção de algo pertencente a algum dos membros, caixas, cadeiras, e até móveis velhos jogados. Se aproximaram de onde estava Thomas, esperava que agora ele pudesse se redimir ao ajuda-los. Havia uma barraca de pano e a sua frente uma bancada de madeira com umas roupas secas dobradas, os ruivos se abaixaram atrás dela, para se proteger e também olhar como estavam as coisas. Até que um dos tiros atingia a roupa a jogando no chão e perfurando, dois bandidos vindos de lados opostos aos deles se aproximaram, os ruivos ficarem em silêncio até que em um movimento rápido disparava contra eles. O tiro de espingarda atingia o peito do homem, o destroçando, fazendo ter aquela parte do corpo destruída e o que sobrou em carne viva o matando na hora. Enquanto a pistola de Julie atingia o pescoço, fazendo o outro homem agonizar alguns segundos antes de morrer. Ele ficou impressionado, tudo parecia tão fácil, e não precisava tanto se preocupar com a sua dupla. Depois ambos voltaram a ficar abaixados.

— Acho que o caminho está livre. —Falava Julie com metade da cabeça amostra olhando a movimentação dos bandidos.

— Vamos então. —Milles se encontrava sentado olhando para sua arma, estava pronta, bem como suas duas pistolas na cintura. — Hey, até que formamos uma bela dupla não?!

— Essa não é a hora para isso. —Arqueou um pouco o corpo se preparando para sair. — Vamos.

Atravessaram até a loja de conveniências que usavam como armazém, ali havia uma sala de onde Thomas estava. Julie foi na frente e se escondeu atrás da parede olhando se era seguro entrar pela porta, e então aguardou a travessia de sua dupla. — Pode vir. —Respondeu a garota, o chamando com uma das mãos e a outra segurava uma pistola, sempre muito atenta ao que se passava.

O ruivo apenas concordou com a cabeça, foi correndo rápido e então ouve um disparo.

— MILLES!

Ele estava caído no chão, levou uma das mãos em direção a cintura alisando o local. Neste instante um dos invasores aparecia caminhando cautelosamente. — TE PEGUEI..

Julie rapidamente pegou a arma, foi surpreendida pelo ato, ela disparou rapidamente contra o bandido, mas acabava errando, e este se abaixou. — VOCÊ É A PRÓXIMA. —O homem disparava várias balas contra ela, a ruiva apenas se escondeu atrás da parede, esperando por uma oportunidade. O invasor se movimentou de modo que tivesse um ângulo melhor contra ela, podendo ver bem a sua silhueta exposta, neste momento acabou se distraindo e uma machadinha grudava em sua testa, fazendo-o ir ao chão sem vida.

— DROGA! — Milles arqueava seu corpo, estando sentado e olhando seu ferimento. Agora estava com os olhos fechados, com medo de que o ferimento tivesse sido muito sério. Levantou a sua blusa e o casaco com cuidado com bastante receio. — Ah não. Assim que viu o ferimento, na verdade reparou que não havia nenhum, a não ser que estava um pouco roxo na região, mas sua arma estava torta. — Parece que a bala pegou no cabo da arma. —Estava surpreso, e riu com a situação. Sendo salvo por pouco. Agradeceu olhando para o alto e com as mãos à altura da cabeça.

Milles você... —A ruiva se aproximou dele. Estava preocupada, mas notou que estava tudo bem. Arfou, e cruzou os braços dizendo. — Você teve muita sorte, nós precisamos ir.

O ruivo se levantou, foi até o corpo do homem caído e tirou seu machado que estava preso em seu crânio, fez um pouco de força. — Está bastante suja. Mas acho que ele não vai se importar. —Limpou a lâmina na roupa do cadáver, e depois a guardou novamente no bolso, deixando o cabo na parte de dentro e a parte de cima do lado de fora. E então ambos entraram no estabelecimento.

— ME TIREM DAQUI, POR FAVOR!! ME TIREM DAQUI.. —Poderia ser ouvido batidas na porta, mas como ela era de ferro nem se movia.

— Thomas? —Disse Milles, procurando as chaves no lugar. — Rápido me ajude a procurar.

Julie concordou com a cabeça e revistou o lugar. Havia um balcão e ela olhou em suas prateleiras, não havia nenhuma chave, tinha um armário do lado e tirou suas gavetas, também não a achou lá. Procurou pelos suportes da parede, havia um chaveiro com várias chaves. — Acho que encontrei. —Ela foi até a porta e tentou as três, até que na última conseguia, e a porta se abriu, saindo Thomas dali de dentro.

— Sentiram a minha falta? –Mexia nos pulsos e alongava o pescoço mexendo para os lados. — É bom estar de volta.. Falava brincando olhando para ambos. Ficou surpreso por Julie estar os ajudando.

—Resolvemos lhe dar um voto de confiança. —Milles ficou à frente de Thomas o encarando. — Precisamos de você, os bandidos estão nos invadindo.

— É, eu imaginei que algo assim aconteceria. Situação complicada essa. Onde está a Carol e os outros?

— Estão trocando tiros com os invasores. E elas foram buscar algo no posto.

Enquanto isso Julie olhava para ambos em silêncio, e depois foi vasculhar mais o lugar à procura de coisas interessantes, viu uma porta trancada escrita de canetinha: ‘suprimentos, não entrem sem permissão’. Depois foi olhar outras coisas e resolveu guardar em seu bolso o que achava útil. E então se aproximou deles dizendo. — Dá para se apressarem logo? Não estou afim de ficar aqui batendo papo.

— Está bem.. Thomas, tome. —Entregou para ele uma pistola recarregada e um cartucho cheio. — Contamos com você e não faça nenhuma besteira.

— IDIOTA, como se eu fosse fazer algo assim. —Guardou os cartuchos no bolso e com a arma em mãos foi até a saída.

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Perto dali a uns trinta metros, no posto de Gasolina. Carol estava atrás ao lado das três garrafas de molotov, enquanto isso Selene subiu as escadas e estava em cima do lugar, na varanda. Abaixada usando as grades como proteção e atirando contra os invasores. Atrás de si tinha uma porta que dava para o quarto improvisado da Carol, onde tinha as outras três molotovs restantes. — E AGORA CAROL? —Selene se abaixou rápido, antes que o tiro a atingisse, um deles batia na parede atrás de si. A garota colocava a arma por cima e atirava de volta.

— TEMOS QUE VOLTAR PARA OS OUTROS. —Ela estava encostada na parede, olhava de canto de rosto para os inimigos de longe. Estes que por sua vez só se aproximavam cada vez mais. — VAMOS TER QUE DAR UM JEITO NESSES PRIMEIRO. TRAGA AS OUTRAS ATÉ AQUI.

Selene entrou no quarto abaixada, trouxe as granadas caseiras restantes até a varanda. Levantou um pouco o corpo para olhar, e viu quatro homens armados entrarem no posto. Ela se preocupou com Carol e pensou em descer as escadas para ajudá-la, viu as granadas e pensou que fosse uma boa hora para usá-las. Desceu abaixada, e então houve uma explosão.

— CAROL!!

Nas escadas, era possível ver uma área pegando fogo além de bastante gritaria. Selene se aproximou e viu corpos pegando fogo e sendo carbonizados. — OH, MEUS DEUS!—Colocou uma das mãos à frente da boca, e tentou não respirar devido ao mal cheiro. Desviou seu olhar e viu Carol saindo de trás do posto.

— Eu disse que íamos precisar delas algum dia. —Ela estava com uma das mãos a testa, pensando na situação. Sabia que no posto era perigoso mexer com fogo e tiros, mas como as bombas de gasolina que abasteciam os carros ficavam do outro lado, estavam momentaneamente seguras.

— NOSSAA—Selene desviava o olhar não conseguindo ver a cena, estava impressionada. — Eu fiquei preocupada com você.

— Eu estou bem como pode ver, não se preocupe.—Viu os corpos mortos queimando nas chamas. — Até que achamos um bom uso para elas. Agora é hora de virar o jogo e ESMAGARMOS ESTES TRASTES PARA FORA DAQUI. —Ela fechou o punho, e falou baixinho até aumentar o tom de voz nas últimas palavras.

— É DISSO QUE EU QUERIA OUVIR.

Aparecia Milles, Julie e Thomas. O ruivo andava até elas com a espingarda apoiada sobre os ombros para trás. Carol quando os viu se aproximar fitou Thomas com um olhar sério.

— O quê? Este também e o meu lar.. —Desviou o olhar para o chão. — É vou protege-lo. Vou mostrar que podem confiar em mim.

— Eu espero que sim Thomas. Chega de decepções por hoje. —Encarando-o.

— Gente vamos parar com isso, precisamos nos unir. — Foi para perto do irmão. — E eu confio no Thomas hmf.. Acho que seja lá o que ele tentou fazer, no fundo só queria nos ajudar, a sua própria maneira.

— Sim, finalmente alguém me compreende aqui. —Olhando para Selene, via bondade em seus olhos. A conhecia por tão pouco tempo e ela parecia conhecê-lo do fundo do coração. — Obrigado Selene. —Viu apenas aquele sorriso em seus lábios, não soube o motivo mais ficou envergonhado e decidiu mudar de assunto. Por um pequeno momento ela o fez se lembrar de sua antiga amada, a Katie. — Então qual é o plano?

Milles reparou que Thomas a olhava muito, e decidiu puxar a irmã para seu lado e depois entrando em sua frente, como se quisesse escondê-la. — Isso é óbvio. Temos que matar tudo que anda, até nos livrarmos deles. —Respondeu o ruivo rapidamente.

Julie só observava a cena, naquele momento se sentiu mais unida com as pessoas, como se fizesse parte de um grupo, diferente de antes que se sentia ‘deslocada’. Poderia ser visto um sorriso em seus lábios, mesmo que por um pequeno instante. Depois voltou seu olhar para o início da base, viu Michelly escondida atrás de uma barraca de acampamento junto com Edward, virou para o outro lado e viu um homem. Este que mancava usando uma muleta, ele tinha toda a sua cintura enfaixada e suja de sangue, reconheceu aquela pessoa. — STEVE!! —Não acreditou que ele ainda estivesse vivo, sua voz fez Milles e os outros olharem em direção a ele.

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Steve se aproximou de onde estavam os bandidos, estes que se encontravam abaixados nos carros que haviam trazido. O líder deles saia de trás do caminhão, tinha um largo sorriso e o via se aproximar. — MAS ORA, VEJAM SÓ SE NÃO É O STEVE..OLHEM SÓ PESSOAL QUEM FINALMENTE RESOLVEU APARECER E DAR AS CARAS. Neste momento haviam apenas cinco bandidos, todos estes que se levantaram e resolveram cercar Steve em uma roda, deixando o de frente para o homem que parecia lidera-los. — Kevin, por favor. Pare com este ataque. Estas pessoas são boas e pacíficas, foi tudo um mal entendido.

— Ataque? Mas que ataque? Mas você e muito engraçado hahahahaha —Neste momento todos a volta de Steve começaram a rir.

Steve não teve escolha e decidiu entrar no jogo também, abria um sorriso e iria rir, mas era impedido.

— O QUE ESTÁ ACHANDO ENGRAÇADO?!! —Berrava o homem saindo saliva na cara de Steve. Neste instante todos paravam de rir e ficavam sérios.

— Kevin, espera, eles... —Tentava se explicar.

— OH, OH, OH OH. Não precisa se explicar, eu já entendi tudinho. —Colocou a mão sobre a boca de Steve como se estivesse a tapando para que ele não falasse mais nada. Olhou para o lado e pediu uma arma de um de seus subordinados. Ficou encarando Steve, e então sorriu mostrando seus dentes brancos. Depois em um rápido movimento deu uma coronhada em seu rosto fazendo alguns dentes de Steve voarem e seu corpo cair ao chão. — Até mais Steve..

— Não por favor. —Erguia a mão como se pedisse misericórdia.

Kevin começava e lhe dar várias pancadas na cabeça com a arma, sucessivas vezes. O corpo de Steve se contorcia e gritava para que parasse, na quinta ouviram um barulho estranho no crânio e mais nenhuma voz saiu. — Você conhece as nossas regras. —Cuspia em cima do corpo de Steve. — BITCH.

Os homens olharam para a cena, alguns estavam amedrontados e outros um pouco menos impactados. — O QUE ESTÃO OLHANDO? VÃO E ATAQUEM!

— SIM SENHOR! —Respondia os homens sem pensar duas vezes.

Kevin viu os homens se dispersarem, e achou que fosse melhor acabar logo com aquilo para que não se prolongasse muito. — Até que foi divertido, mas.. Nem tudo dura para sempre não é mesmo?!. —Cruzava os braços rindo e depois falou sério. — APAREÇAM!!

Neste instante a caçamba do caminhão se abria, dali saia um grupo de vinte homens bem armados, com rifles e outras armas, todos eles aguardavam por ordens. — Vão e tomem tudo.—Kevin dava as ordens e o grupo se afastou dali invadindo o acampamento.

Notas finais
Esse final ficou eletrizante hahaha, acho que este episódio foi o que mais teve ação. Quem puder diga nos comentários o que acharam e até o próximo capítulo.