Pelo Mundo

1 Season 1: Em busca de Suprimentos


Notas iniciais
Não revelei muito sobre os personagens, e nem o lugar onde eles se encontram. O motivo foi para aumentar o suspense e também ir revelando as informações pouco a pouco no decorrer da fic. Ainda há muito segredos para serem revelados.

Dois jovens apareciam correndo rapidamente em um jardim de uma das casas da região, um deles que era o mais rápido olhava para os dois lados com pressa procurando por um local para se esconder dos caminhantes que estavam mais atrás na virada da rua. Eles torceram para que os mortos não os tivessem visto e estranhamente seus passos curtos iam exatamente em sua direção. O garoto viu uma cerca de madeira, e pulou por sobre ela sem nenhuma dificuldade estando a ficar sentado por sobre a grama a usando como uma espécie de barricada.

— Então, você vem logo ou não?
— Estou indo! — Respondeu Selene um tanto apressada enquanto pulou a cerca e caindo meio sem jeito na grama ao lado de seu irmão. Suspirou e olhava para ele com certa preocupação.

— Será que os mortos nos viram?
— Eu acho que não, mas precisamos encontrar suprimentos. -Olhou a irmã que parecia estar bastante aflita.
— Eu estou bastante cansada, nós precisamos encontrar um lugar para nos assentarmos, logo. Estamos a quase três dias correndo dessas coisas carregando essas mochilas não está me fazendo nada bem.
— É eu percebi, você está bem acabada. Com essas olheiras e cabelo pro alto.
— É o quê? Seu idiota!.. -Respondeu buffando, arrumando seus cabelos e indo para cima dele para atacá-lo com socos de brincadeira pelo comentário.- -Você está tão pior quanto eu.
— Hahaha. Estava apenas nos distraindo um pouco disso tudo.
— Vê se cresce. Há horas para brincadeiras Milles. Hmf.. Mas, como eu estava dizendo. -Fechava os olhos brevemente- -Deveríamos achar um lugar e..
— Shh.. -Colocou a mão na boca de sua irmã a tapando e impedindo que saísse algum som. Percebeu que ela ainda tentava falar, o que o fez pressionar mais forte. Ele apontou para o alto com sua cabeça.

Neste momento um dos zumbis aparecia no alto, ao do lado de fora da cerca oposto onde eles estavam, criando uma sombra em suas frentes. Ele caminhava a passos curtos e olhava o jardim pela calçada, chegando a encostar seu corpo na madeira para olhar. Parte de sua saliva misturada a sangue de sua última refeição caia no gramado ao lado de Selene, fazendo o corpo da garota se retrair de medo. Por sorte por estarem bem colados a cerca, o caminhante não os viu e passou direto. Mas por azar, havia uma turba de pelo menos uns 10 mortos atrás do primeiro.

— ''Droga precisamos achar um lugar e dar o fora daqui, esta cidade está infestada deles, não sei o quanto tempo eles vão demorar a passar, mas ficar aqui fora não será seguro.'' -Olhou para Selene- ''Droga.. Eu espero que ela não grite, pensava o mais velho, aguardando os zumbis passarem.''
— Mi..Mill..Milles.. -Sussurrou a garota, olhando para seu irmão esperando por algum plano para tirá-los dali. Geralmente criar estratégias mirabolantes era coisa sua, desde que claro, não estivesse em um momento crítico contra um caminhante, já que ela sempre foi o cérebro da dupla. Mas sempre que via um zumbi começava a suar frio e seu coração ficava acelerado. Isso ocorre devido a ela ter visto seus pais terem sido devorados na sua frente para protegê-la.- ''Ele precisa de mim. Vamos ver, o que temos aqui.. Tem um carro, casinha de cachorro, uma casa grande, garagem, uma mesa e cadeiras no jardim..'' -Ela repetia o que pensou antes mais uma vez mentalmente, na tentativa de se concentrar e se focar nisso. Mas cada vez que fechava os olhos, pensava em lembranças ruins que a deixavam fora de ação.-

Milles olhou para o lugar a sua volta, ao seu lado esquerdo havia um carro estacionado fora da garagem no jardim em que se encontravam na parte da frente da casa; em seu lado direito estava uma casinha de cachorro que parecia estar abandonada, e a sua frente um conjunto de mesa e cadeiras, grandes o suficiente para que eles pudessem atravessar agachados e não serem vistos. Quando o primeiro caminhante passou para mais longe deles, Milles fez gesto com as mãos para que sua irmã seguisse furtivamente por entre os objetos enquanto ele iria vigiar, ela por sua vez, concordou de imediato balançando a cabeça. ''Bom'' pensou ele, que antes de partir se virou para a cerca e deu uma leve espiada. Os zumbis que agora passavam andavam pela rua um pouco mais distantes deles, isso lhes dava tempo para se esconderem pelos objetos que se encontravam no gramado.

— Selene.. Temos uma chance, vá por trás das cadeiras até o carro, eu estou vigiando aqui e vou indo logo atrás.
—Está bem, eu estou indo.. Tenha cuidado meu irmão. -A garota sentia medo, mas podia fazê-lo. deu um passo para frente e então se moveu agachada fazendo o mínimo de barulho possível. Primeiro foi até atrás das cadeiras, e quando viu que era seguro se moveu até atrás do carro onde ficavam as malas e dali esperou abaixada pelo seu irmão. — Milles, venha, depressa! -Falava sussurrando-
— Certo! -Se abaixou e foi fazendo o mesmo caminho que sua irmã percorreu, mas antes de chegar nas cadeiras, olhou para trás para verificar que tudo estava indo bem, até que seu pé mais a frente pisava em algo que estava escondido na grama, as chaves do carro. Que tinha um botão que fazia soar o alarme fazendo um grande barulho, chamando a atenção de todos os zumbis.-

— Ops.. -Fazia cara de desculpas como se tivesse feito (e fez) uma grande besteira.-

Logo os zumbis que estavam andando pela rua atraídos pelo barulho foram em direção a sua fonte, batendo o corpo na cerca de madeira que não era tão alta. Logo mais e mais se amontoavam, forçando a resistência da cerca no chão. De início apareciam dois, depois três, quatro. Enquanto isso Milles pegou as chaves e correu até atrás do carro onde estava sua irmã.

— O que você fez?! Tu estragou tudo..
— Ta ta, eu sei foi mal.
— E agora, o que faremos? todos eles foram atraídos pelo alarme do carro. Aqui viraremos comida.
— Nós podemos voltar a correr..
— E chamar mais a atenção dos zumbis?. Meus pés estão me matando, não vou aguentar correr mais.
— Eu já sei. -Olhava a porta da casa ao seu lado.- -Podemos entrar aqui e aproveitar o carro como uma distração. Eu peguei as chaves, posso desligar quando quiser.
— Não estou gostando em nada dessa idéia..
— Ah, vamos lá. Até que serviu como uma distração.

Os caminhantes forçavam a cerca jogando o peso de seus corpos sobre ela. Na região como havia um certo silêncio, todos foram atraídos pelo alarme do carro, e não demorava muito para aparecer dezenas de mortos nas ruas. Neste momento a cerca se rompia e ia ao chão, os zumbis que se encontravam na frente caiam junto com ela, e os de trás caminhavam na grama até o carro o cercando, encostando suas mãos nos vidros, no teto. Neste momento Selene e Milles já haviam entrado na casa e fechado a porta, ela suspirava, mas sabia que ainda não estavam seguros. Ele por sua vez dizia.

— Vamos procurar alguma coisa para travar esta porta, rápido me ajude..
— Está bem. -A garota andou pela casa com certa relutância, reparou que todas as janelas principais da frente tinham toras de madeira pregadas como proteção. Olhou a casa e ao seu lado havia uma sala, a sua frente um corredor que dava acesso a cozinha e antes dela uma porta fechada e no outro canto uma escada que dava acesso a parte superior da casa. Selene primeiro revistou a sala a procura de algo que pudesse ser usado como uma barreira, avistou dois sofás e então foi até seu irmão.

— Irmão. Achei os sofás, um deles serve para travarmos a porta, preciso da sua ajuda.

Enquanto isso Milles estava abaixado na porta olhando com todo cuidado pela janela para saber a movimentação dos zumbis ali fora. Ele pegou as chaves e desligava o alarme, enquanto ouviu as palavras de sua irmã e concordou, indo até a sala. Ambos pegavam o menor sofá o erguendo do chão com cuidado para não fazer barulho, pois qualquer som poderia tirar a atenção deles do carro lá fora e fazê-los entrar. Depois de colocarem o objeto atrás da porta, Milles seguiu em frente em direção a cozinha.

— Selene, vamos olhar os armários, a geladeira.. Estou morrendo de fome..
— E, eu também, na minha mochila não há mais nada. Mas primeiro precisamos revistar essa casa. Descobrir se ela e segura para não termos nenhuma surpresa inesperada.
—Bobagens. Ela e segura. Vá olhando por aí, enquanto isso eu olharei a cozinha..
''Hum. Como se eu não soubesse que ele só esta preocupado com a sua barriga''. -Pensou a garota, andando pela sala. Por ali tudo estava quieto, mas parecia que as pessoas que moraram antes saíram as pressas, o tapete principal estava desordenado, a mesinha de enfeite estava caída virada no chão, e do lado dela um porta retrato vazio. Olhando para a parede havia um quadro pintado de um pequeno rio com uma casinha ao fundo.- ''Bons tempos quando o papai nos levava para pescar'' -Voltou a si quando reparou que havia uma porta na sala que ainda não havia vasculhado, a garota tinha para essas ocasiões uma faca, mas que havia perdido na correria do último local em que estavam, ela agora teria que se virar com o que tinha no ambiente.'' — Heh, Milles, pode me dar uma mão?

— O que é? Não quero saber, estou ocupado..

— As vezes ele parece que só pensa em si. -Falava a garota baixinho para si mesma, olhou o lugar e viu um vasinho de planta, e o usaria como arma se fosse preciso, o pegou, e então se aproximou da porta inexplorada, engoliu a seco sua saliva, tentando tomar coragem de onde não tinha. Aos poucos encostou uma das mãos na porta bem devagar, e de leve foi girando a maçaneta para abri-la, sua outra mão tinha um vasinho de plantas preparado como arma. ''Por favor, que dê tudo certo'' -Pensou para si, e então puxou a porta a abrindo. Estava tudo escuro e não havia iluminação. Por uma fração de um segundo, algo caia sobre seu ombro como se estivesse a agarrando, a garota fechava seus olhos, e começava a golpear o vento, de um lado para o outro.- — Me solta ahh.

— O que você está fazendo? -Perguntava Milles da entrada da sala, a olhando batendo no vento, e com uma vassoura encostada em seu peito.
— Hum? -Ela abria os olhos desacreditada- — Err, eu achei que fosse um deles. -Dizia colocando a vassoura de volta no lugar, junto dos outros itens e produtos de limpeza.-
— Sei sei.. Você estava demorando e então eu resolvi vir te ver. Anda logo que estou te esperando!
— Eu estou indo.

Chegando na cozinha, havia um enorme balcão rodeado de cadeiras como se cortasse o recinto em duas partes. De um lado os armários presos a parede onde ficavam os pratos, a torneira, e alimentos que não precisavam da geladeira. E do outro havia o freezer, a geladeira, um pequeno balcão entre eles com espaço em cima para colocar pequenos utensílios como o sal, açúcar, temperos e outras coisas menores, e por dentro as panelas. No fim da cozinha havia uma porta que dava para a saída da parte de trás da casa. Selene reparou que os armários já se encontravam todos abertos e vazios, como se alguém já tivesse levado e revirado tudo. Voltou seu olhar sobre o grande balcão onde havia uma embalagem de cereais, ela colocou sua mochila sobre a mesa ao lado da de seu irmão e então seu estomago por dentro se revirava de fome.

— Gostou? achei isso aqui, estava na metade. Vamos dividir.
— Está bem. -Ela se sentou na cadeira mais próxima que era a parte da ponta do balcão, enquanto seu irmão pegava uma tigela do armário e separava para sua irmã.- — Eu não sei por quanto tempo vamos durar desse jeito, sofrer tanto para conseguir tão pouco.
— Hey, já falamos sobre isso. Não estou afim de ouvir essas merdas.
— Mas Milles pense um pouco.
— Apenas coma.. -Disse ele sério, despejando um pouco dos cereais na tigela dela.- — Vou continuar vasculhando a cozinha.

Ela o olhava, e agora a situação parecia constrangedora entre os dois, um silêncio no lugar. Por fim decidiu comer o pouco dos cereais em sua tigela enquanto seu irmão olhava as gavetas da cozinha, estando na metade do balcão principal que a dividia em duas.

—Está tudo vazio, mas achei alguns talheres. Umas facas e esse facão. -Disse o mais velho, tirando a gaveta do lugar e levando em direção a sua irmã-. -Seja lá quem for, saíram as pressas e nos deixaram esses brinquedinhos.

Quando deu dois passos para frente, seu pé foi puxado por trás o fazendo cair de frente e consigo a gaveta do armário com a facas. Algumas delas foram por baixo do móvel, e o facão foi parar embaixo da mesa, um pouco distante, no centro dela entre as cadeiras. Um Zumbi com apenas metade do corpo estava escondido, e agora puxava os pés de Milles e avançava contra ele para mordê-lo.

— Ahh, sai de MIM!!! -Se virava e fazia força tentando puxar sua perna de volta, ele depois tentava chutar seu braço para soltá-lo.

— MILLES!! -Selene foi apanhada em susto, fazendo sua tigela cair ao chão junto com seus cereais, ela rapidamente se levantou da cadeira e foi ajudar seu irmão.
— RÁPIDO, FAÇA ALGUMA COISA!

A garota olhava para o lugar procurando alguma coisa, acontecia tudo tão rápido. Sua mão tentou alcançar o facão, mas estava longe e ela teria que dar a volta no balcão, mas não havia tempo. Enquanto seu irmão chutava a cara do morto enquanto podia para mantê-lo afastado, embora isso parecia apenas renovar o seu ímpeto.

— RÁPIDO SELENE!

Ela pegou uma das panelas que por ali havia largada em cima da pia, e a usou para bater no zumbi, a porrada o fez bater a cabeça na cadeira, mas não foi forte o suficiente para fazê-lo parar. Depois ainda mais nervosa ela deu um outro golpe com nele aplicando ainda mais força que da primeira vez, agora o fazendo ir ao chão, parecendo desacordado.

— Uffa.. Será que isso acabou com ele..
— Não sei, eu espero que si..

O zumbi pronunciou alguma coisa não inteligível, e bastante acordado. Milles já de pé, pegou a panela da mão de sua irmã e bateu com força na cabeça da criatura, a fazendo explodir e espirrar sangue para todos os lados.

— Agora sim. Valeu Selene.
— Não entendo como isso aconteceu. Pensei que você tivesse olhado toda a cozinha. Você e um irresponsável Milles. -Olhava para o irmão com uma expressão séria e aflita, com ambas as mãos na cintura.-
— É eu errei tá bom, não precisa jogar isso na minha cara.. Vamos simplesmente comer e.. Mas que porra que você fez..
— Eu me assustei está bom, quando você foi pego e eu acabei derrubando.
— Você não deveria desperdiçar comida.
— Eu e hã? agora a culpa e minha. Não coloque a culpa em cima de mim Milles. Isso só aconteceu por que você não fez a sua parte direito para variar..
— Não adianta discutir com você. E só sobrou um pouco na caixa, e eu ainda não comi.
— Não se esquive do assunto. Pode comer, eu irei continuar revistando a casa. -Saindo da cozinha, Selene passou pela porta que ficava no corredor.- — Você chegou a olhar essa porta?
— Ai fica o porão, mas não cheguei a olha-lo. Deixa comigo.
— Vou dar uma olhada no andar de cima.
— Está bem, enquanto isso vou ver se tem água por aqui para encher nossas garrafas.

Disse a garota subindo as escadas até o segundo andar. Lá em cima tinha um extenso corredor com duas portas de cada lado fechadas, e no final deste uma janela, e do lado da escada outra. E foi nesta que Selene parou para olhar o jardim da parte de trás da casa.

''Não consigo ver nenhum dos zumbis pelo jardim, o alarme do carro deve tê-los mantidos entretidos na parte da frente. Talvez possamos fugir pela parte de trás da casa. Mas agora. Essas portas para revistá-las precisarei do meu irmão.''

Pensava, enquanto se virava em direção do corredor, um olhar rápido de relance, ela notou que uma das portas se encontrava aberta, ficou surpresa, e então piscou seus olhos. Neste momento um caminhante se encontrava próximo de si, tão perto, que era o suficiente para sentir seu hálito.

— Mas o quê? como você veio parar aqui ahh ah ahh

A criatura avançava contra ela, tentando morde-la, seus dentes iam na direção de seu rosto. A garota fazia o possível para mantê-lo longe, o afastando pondo as mãos em seu peito aplicando força. — MILLES!!. -Atrás dela havia as escadas, ela olhou de relance enquanto era empurrada a força, seus pés sobre o tapete começavam a deslizar e um deles já saia de cima do chão.- -MILLES!!. -Exclamou mais uma vez até que caia rolando as escadas, e o morto indo atrás dela a acompanhou, parte de seus membros se soltavam do seu corpo entre os degraus, enquanto Selene batia as costas na escada, chegando ao chão toda dolorida e batendo a cabeça na parede. — Aí..

Quando se recobrou, estava toda dolorida e o morto em cima de si, sua boca ia sobre seu pescoço, e ela em um reflexo rápido, o afastou segurando sua testa, enquanto sua saliva podre pingava em sua roupa. Havia machucado o braço, as costas, as pernas e a cabeça, e na disputa de força com o zumbi estava perdendo, já que ele se aproximava cada vez mais perto. Tudo acontecia tão rápido. ''Então e assim que tudo termina??'' -Pensou sobre si mesma, até que uma luz rápida clareou seus olhos, um objeto de metal afiado atravessava a cabeça do morto e se prendia nele, depois era empurrado para o lado.

— Você está bem Selene?
— Meu irmão! -Se levantava com um pouco de dificuldade e o abraçava apertado.- -Você demorou.
— Vim o mais rápido que pude. -A abraçou bem apertado envolvendo as mãos em sua cintura e a olhando.- -Ele te machucou, te mordeu?
— Não. Mas, estou um pouco dolorida..
— Como ele deve ter chegado lá em cima?
— Eu não sei, mas estava. Pode haver outros..

Milles se afastou um pouco, e então puxava seu facão da cabeça do zumbi, que parecia estar preso. Ele então fez um pouco a mais de força, similar a um cavaleiro quando retira sua espada dentro de uma pedra e conseguia retirá-lo. — Tinha um pouco de água nas torneiras, enchi nossas garrafas.. Você viu mais alguma coisa?

— Tinha quatro portas por lá, e em uma das janelas dava pra ver a parte de trás do quintal. Parece estar vazio dessas coisas. Dá para irmos embora por ali.
— Ok, sairemos pela porta da cozinha.
— Antes de sairmos vou continuar a olhar lá em cima, pode ter alguma coisa útil.
— Eu vou com você Selene. Mas antes pegarei as nossas coisas.
— Vou indo enquanto isso.
— Tenha cuidado. Leve contigo. -Entregava o facão para ela.- -Você pode precisar, já estarei indo.

Milles voltava pelo corredor em direção a cozinha, lá ele mexia em suas mochilas e guardava as coisas úteis que achou, como as facas, caixinha de fósforos, as garrafas d'água, e uma outra 'coisa'. — Pronto, isso já é o suficiente! -Falava, agora olhando a porta de trás da cozinha, reparando que não havia muito movimento.

Enquanto isso Selene subia novamente as escadas, com mais cuidado, levando consigo seu facão. Primeiro ela se aproximou de uma das portas de seu lado esquerdo com cuidado, respirou fundo e a abria. Ela era um escritório, tinha uma mesinha, uma cadeira e atrás dela uma estante com vários livros, abria a gaveta e não havia muita coisa útil, a não ser um bloco de notas e uma caneta, achou melhor levar assim mesmo, os guardando no bolso de sua calça. Depois saiu e foi para a primeira porta de seu lado direito, com todo o cuidado. E a abria, empurrando a porta com os pés, entrava no quarto, tinha um designer infantil, um quarto de criança, deu um passo para frente e o observou com todo o cuidado.

— Não posso deixar de pensar, onde deve ter se metido a criança... Espero que esteja viva. -Falava com certo pesar.-

No quarto, as camas estavam arrumadas, o lugar parecia quase intocável, as janelas estavam fechadas e apenas o tapete parecia estar desarrumado. Foi até o guarda roupa, tinha umas poucas roupas infantis jogadas, saiu dali e procurou por mais alguma coisa importante, tinha um pequeno armário com alguns brinquedos guardados, mas não havia muito a ser feito.

— Parece que tem nada aqui. Vou olhar os outros cômodos.

Saindo do quarto Selene foi para a segunda porta de seu lado esquerdo novamente, preparou seu facão e mexia na maçaneta, a empurrou a porta com o pé e esperava por alguma coisa, mas era só o banheiro. Olhou e o adentrou, estava vazio, tinha uma banheira e puxou rápido sua cortina, verificando que estava vazia. — Uffa. -Suspirou a garota, depois abria os armários, tinha umas escovas de dentes, pastas, sabonetes, aspirinas, estas ela decidia guardar no bolso. Embaixo nas portas do armário procurou por mais alguma coisa, até ouvir o barulho de seu irmão.-

— SELENE RÁPIDO.. CADÊ VOCÊ??

A garota aparecia rapidamente na parte de cima olhando embaixo, ela viu a imagem de seu irmão empurrando o sofá para bloquear a porta, os zumbis a empurravam com com uma força esmagadora.

— Irmão, estou indo..

Antes de descer as escadas, os zumbis conseguiram entrar pela porta, fazendo a garota parar no meio do caminho e seu irmão ser jogado ao chão. Entravam cerca de três zumbis inicialmente, e depois mais e mais entravam. Ela conseguia ver uma grande quantidade dessas criaturas do lado de fora empurrando para entrar.

— MILLES!!

Com a porta já escancarada, cerca de oito zumbis invadiram a casa, três deles seguiam subindo as escadas, e o restante atrás de Milles. O garoto se levantava e corria em direção a cozinha.

— SELENE!!! DROGA!!! SEUS MALDITOS!! DÊ UM JEITO DE IR LÁ PARA FORA..
— NÃO TEM COMO PASSAR..
— PULE PELA JANELA!!
— É O QUÊ FICOU LOUCO??
— EU TE SEGURO LÁ FORA!
— NEM PENSAR..
— VAI LOGO MERDA!

A garota foi pelo único caminho que podia, pelas escadas. Abriu mais a janela que havia do lado da escada, ela era do tipo que abria para os lados sem grade. Olhou a altura, ela estava no segundo andar, e pensou. — Mas nem pensar!! -Depois mais e mais zumbis subiam até onde ela se encontrava.

Enquanto isso no andar debaixo, no meio do corredor Milles, esbarrou a mão em seu bolso e se lembrou das chaves que tinha. — Já sei, talvez eles sejam atraídos por isso novamente. Ou pelo menos vai dar tempo para minha irmã fugir.. -Milles pegava as chaves do carro, reparou que a porta estava aberta e torceu para que seu plano desse certo, apontou para o carro e apertava o botão do alarme. -Merda por favor dê certo.. Por favor!! -Enquanto os zumbis se aproximavam, ele apertava o botão freneticamente.- -DROGA!! -Até que o alarme soava, fazendo alguns dos zumbis mais atrás olharem para o carro e se voltarem contra ele.- -ISSO!!

O garoto botou uma das mochilas nas costas, a outra de sua irmã carregava na mão, estava sem o facão e as coisas seriam mais perigosas agora. Foi até a porta e girava a maçaneta, mas ela não abria, parecia estar trancada. — NÃO PODE SER, COMO NÃO VI ISSO ANTES.. -Os zumbis já entravam na cozinha, Milles reparou que as chaves estavam no chaveiro ao lado da geladeira, bem na hora que um dos zumbis entravam na frente bloqueando seu caminho. Ele olhava para ver o que tinha a sua volta, pegou uma das cadeiras e jogava nos caminhantes para atrapalha-los, e depois outra e outra, ganhando um certo tempo. Com a porta ele a chutava tentando abrir na marra, apenas fazia grande barulho.

— Vou precisar de mais força.

Ele deu um impulso para trás e pulou com as duas pernas contra a porta, e a mesma pareceu estar perto de ceder. — Quase, só mais um pouco. -Um dos zumbis apareceu perto dele para agarrá-lo e mordê-lo, Milles agilmente usou a mochila de escudo e o chutou a altura do peito o empurrando para trás e o fazendo cair, ao mesmo tempo que levava outros dos mortos com ele ao chão. -Acho que da tempo.. -Chutava mais a porta botando seu peso para a frente para fazê-la abrir, ela quase cedia, tentou de novo e de novo e mais uma vez, ficou cansado mais a adrenalina falava mais alto. Depois ele deu um chute ainda mais forte arrombando a porta a fazendo abrir, no exato momento que um outro morto tentava pegá-lo, sem sucesso, mas conseguia segurar a alça da mochila. -Solta, droga.. -Milles o chutou na barriga o fazendo ir para trás e soltar a alça, ele depois fechava a porta e corria rápido pelo lado de fora em direção as janelas do segundo andar pelo jardim procurando por sua irmã.

— SELENE?? SELENE??... SELENE??
— Mas esta voz, e do Milles.

Disse ela ainda dentro de casa, olhando pela janela, escutando a voz de seu irmão.

— Milles!!
— PULA LOGO, EU TE PEGO..
— EU NÃO CONSIGO..

Neste momento, três dos zumbis que viam da escada estavam a quatro passos diante dela, e para piorar a situação, de uma das portas das quais não deu tempo de revistar, saia um zumbi que pela distração de tudo não deu tempo para Selene perceber, até estar demasiadamente perto, sendo surpreendida.

— É o quê ahhh.. Mais um.. Seja o que deus quiser. — Ela colocou o facão preso em sua cintura, fechou seus olhos. E pulou.

Em meio a gritaria da queda, ela foi suspendida por algo. Quando abriu os olhos estava no colo de seu irmão com os braços estendidos.

—Err.. er.. Valeu.. Obrigada..
— Não me agradeça ainda..

Milles a colocava no chão e entregava a mochila dela. Depois olhou para o lugar, alguns zumbis começavam a aparecer na parte de trás da casa onde eles se encontravam, só que distantes um do outro. Depois ele olhou para sua irmã e pegou o facão que estava em sua cintura.

— Eu acho que essa belezinha me pertence.

Sua irmã nada o respondia em silêncio. Saindo pela parte de trás da casa, os irmãos corriam o mais depressa que podiam. Ao olharem para trás poderiam ver cinco dos zumbis caminharem em sua direção. Milles e Selena continuavam seu trajeto seguindo em frente, quando bateram de frente com o primeiro zumbi da parte de trás da casa. O irmão se desviou de sua investida e encravou o facão em sua cabeça, fazendo seu corpo inerte ir ao chão.

— Vamos..
— Certo, meu irmão!

Notas finais
Minha primeira fic, evitem me xingar muito hahaha Se puder postem seus comentários dizendo o que acharam, com isso posso me aprimorar mais no decorrer da trama.