Pelo Mundo
3 Season 1: A Gangue dos Bandidos
Notas iniciais
As armas estavam miradas para os três, não havia escolha. Ali seriam alvos fáceis, e ainda mais por estarem tão próximos e não haver nenhum objeto que pudesse ser usado como barreira ou escudo, estavam todos na linha de fogo com um grande risco. A falta de palavras de Steve, fez com que Milles fizesse a única escolha possível, que era largar suas armas. Que foi o que ele fez. Primeiro se abaixou e largou seu facão ao chão, depois soltou sua mochila. Selene que estava próxima viu a atitude do irmão e fez o mesmo, soltando sua arma a deixando a frente de seus pés e soltando sua mochila. Mais atrás a uns dezoito metros um grupo de vinte zumbis apareciam caminhando, Milles suou frio, mas a única coisa que pensou naquele momento foi em sua irmã.
— POR FAVOR! –Exclamou Milles, ele tentava olhar para o alto e ver a face de onde vinha a voz, mas a luz era tão forte que o fazia fechar os olhos.-
— FIQUEM DE JOELHOS E COLOQUEM AS MÃOS NA CABEÇA!
Respondeu a mulher rispidamente. Os irmãos se abaixaram, encostando os joelhos no chão e a coluna reta com as mãos sobre a cabeça olhando para frente. Enquanto isso Steve se aproximava do portão. A mulher e os outros homens que estavam de guarda o olharam apontando as armas, e ergueram as sobrancelhas surpresos.
— STEVE! –Falou a mulher, olhando-o, e depois vendo os guardas.- — O que houve com você?
— Nós fomos atacados! Por favor Carol nos deixe entrar. Eles me ajudaram. Rápido, antes que eles venham. –Olhava para trás avistando os zumbis cada vez mais próximos.-
— Está bem.. –Falava a mulher do alto, enquanto ajeitava os óculos em sua face e em seguida cruzava seus braços.- — ABRAM OS PORTÕES.. E podem pegar suas coisas!
Milles e Selene rapidamente se levantaram, pegando seus pertences e partindo em direção ao portão. Dali saíram dois homens armados que os ajudaram a entrar rapidamente os puxando para dentro. Steve já havia entrado e os zumbis que já estavam mais na frente se esforçavam para puxar o braço de Milles, este que só entrou depois de sua irmã. Seu braço era puxado que o fazia parar e medir forças com o zumbi. Neste meio tempo o ajudaram a se livrar do morto, fechando o portão no braço dele e o cortando, fazendo a mão ficar agarrada em seu braço no lado de dentro dos muros.
— Então quem são vocês? –Perguntou Selene curiosa, ela não imaginava que pudesse ter uma base com pessoas iguais a ela por ali. Quando se deu conta, viu que todas as armas da parte da frente do local, que naquele momento eram umas dez pessoas, estavam apontadas para eles.
— MAS AFINAL O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI? –Falava Milles levando as mãos para o alto, Selene que estava próxima, viu o irmão e repetiu o ato. Atrás dos portões no lado de fora se ouvia o barulho dos zumbis batendo e balbuciando alguma coisa.-
— O que está acontecendo aqui? –Repetiu a mulher de forma irônica, ela se aproximou, era jovem aparentava ter uns vinte e cinco anos enquanto Milles vinte e três. Ela tinha os cabelos negros curtos, e usava um óculos, tinha uma saia preta tipo aquelas de secretária e usava um blusão branco. Ela pisava forte no chão, como se demonstrasse autoridade, encarou Milles fixamente por alguns segundos prendendo seus olhos aos deles e com a cara emburrada.
— EU QUE LHES PERGUNTO ISSO SEUS IMBECIS. TIVEMOS O MAIOR CUIDADO PARA NÃO ATRAIRMOS ZUMBIS POR AQUI, E VOCÊ CHEGAM TRAZENDO A TURBA TODA. –Ela encarava Milles furiosa.-
Enquanto isso um dos homens desciam as escadas que ficava na torre de guarda, se e que se podia chamar assim, já que tudo no acampamento era improvisado com materiais que tinham a mão, geralmente madeira e mais alguma coisa. O barulho dos zumbis batendo no portão e querendo entrar era alto e chegava a incomodar, o homem dizia.
— O que faremos Carol?
A mulher se afastou de Milles, indo para aonde estava o seu bando armado e se distanciando mais para trás.
— Atirem nesses idiotas, e depois vamos para dentro.
— Está bem!
Em seguida os homens miravam se preparando para atirar.
— Não espera!! -Falava Selene, abaixando as mãos-
— Vocês não, os outros idiotas atrás dos muros. –Dizia Carol, encostando a mão na face e balançando a cabeça de maneira negativa.- — Vocês dois venham comigo.
— Vocês podem confiar nela, eu vou para a nossa ‘enfermaria’ ou algo assim. Você me ajude aqui. –Disse Steve sendo ajudado a ser carregado por um dos homens.-
Enquanto andavam, Carol perguntava. – Notei que Bryan não está com vocês. Isso só pode significar que ...
— Sim. –Respondeu Milles prontamente, enquanto Selene se mantinha em silêncio abaixando a cabeça em sinal de pesar.
Enquanto isso os guardas dali subiam na torre e atiravam nos zumbis, matando todos os que se encontravam. Enquanto andavam por ali, Milles e Selene olhavam as coisas a sua volta, haviam várias e várias barracas de acampamento, que agora serviam de casa para algumas pessoas e ou suas famílias. Repararam que todo o lugar era cercado por madeiras levantadas formando uma barreira, onde o lugar ao todo tinha um formato quadrangular. No centro do lugar havia uma fogueira e alguns indivíduos armados e sentados em pedaços de madeira ou em cadeiras de plástico. E outros estavam de pé, curiosos olhando os ‘forasteiros’. Haviam algumas árvores espalhadas, onde tinham cordas amarradas entre uma e outra podendo ver roupas lavadas e penduradas. O posto de gasolina que era a base de onde o lugar foi formado era bem mais atrás na extremidade, era ali onde Carol residia.
— Obrigado por ajudarem Steve, ele e bem útil por aqui. Quero dizer, todos são de alguma forma. –Ela parava de andar chegando próximo a fogueira. Ali onde os moradores que estavam acordados e reunidos os encaravam. – Gente, estes são Milles e Selene.
Todos os olhavam e ficavam em silêncio por alguns segundos. E nesse meio tempo Milles e Selene se entreolhavam. Até que o silêncio fora quebrado por uma mulher aparentando ter uns quarenta e poucos anos, ao lado de um homem um pouco mais velho que tinha uma das mãos entrelaçadas com as dela, que parecia ser seu marido.
— Olá vocês dois, e obrigada por cuidarem do Steve. Eu sou Suly e este Carlos, o meu marido. – Olá. –Disse o homem um tanto desconfiado olhando para os irmãos.-
— Eu me chamo Selene.. – E eu sou Milles! -Falava dando um passo a frente da irmã-.
Enquanto isso Carol apresentava o restante do pessoal que estava em volta da fogueira, pois notou que eles estavam receosos e que talvez não fossem se apresentar, ela então decidiu fazê-lo. – Aquele ali e o Ed, este e o Thomas, Sam, Marly, Jessy e Gabriel. – Depois voltou a olhar para Milles.-
— Olá. –Disse Milles, olhando para Carol e depois para o pessoal.- — Ér, é. Olá gente.. –Dizia a irmã timidamente esboçando um leve sorriso.- -Depois a líder os perguntava.-
— Precisamos de informações, como vocês dois conseguiram sobreviver tanto tempo lá fora?
— Bem, você sabe.. ‘Sobrevivendo’!
— Passamos por maus bocados.. –Selene cruzava os braços olhando para o irmão.-
— Sabe aqui nós precisamos de mais pessoas, principalmente daqueles que sabem se virar.
Enquanto isso Suly dava um passo para frente ficando ao lado de Carol, analisando os dois irmãos. – Eu acho que esses dois podem servir, Carol. É eu acho que eles formam um belo casal.
Neste momento Selene deu uma risadinha, e Milles se pronunciava. – É que sabe, somos irmãos e tal. –Coçava a cabeça meio sem jeito.-
Neste instante, Gabriel se levantava e saia dali, parecia estar irritado, foi em direção a uma das barracas que por lá havia. Neste instante, Carol dizia.
— Tivemos um dia ruim por aqui, hoje perdemos algumas pessoas. Ele perdeu o tio a algumas horas atrás.
— Nossa, eu sinto muito.. –Disse Selene com a face triste.
— EI, vocês dois aí, novatos.. Sentem-se aqui com a gente. –Falava Thomas, agora um pouco menos desconfiado. – Vocês bebem? –Segurava uma garrafa de vinho.-
Mas e claro, por que não? Hoje tivemos um dia cheio. –Disse Milles se sentando no pedaço de madeira. Depois sua irmã o seguiu e se sentou ao seu lado, olhando as pessoas.-
Thomas dava um gole na garrafa de vinho e passava para Selene, ela recusava. Depois oferecia para Milles, este que bebeu um pouco e passou para o próximo na roda da fogueira.
— Vocês são corajosos de ficaram andando por aí assim, ainda mais a noite. Eu não faria isso nem se me pagassem. –Falava Ed puxando um pouco de conversa.
— Não é como se tivéssemos muita escolha sabe. -Falava Selene, olhando Milles.-
— Então, a quanto tempo planejam ficar por aqui? –Perguntava Sam, olhando fixamente para Selene.-
— Até o amanhecer! –Respondia Milles prontamente encarando-o.-
Suly sorria e dizia. -Hey pessoal vamos manter uma boa conversa por aqui okay.. Querido, eu vou olhar as crianças dormindo. E vocês dois. –Olhava para os irmãos.- Eu acho que vão precisar de um lugar para dormir, eu acho que tenha uma barraca sobrando.
— Ér não se preocupe Suly, não queremos causar problemas.. –Selene sorria.-
— Ah não se preocupem, eu já volto.
A noite estava um pouco fria e algumas pessoas esticavam suas mãos na fogueira para se aquecer, cobertos por seus casacos. Enquanto isso todos ficavam conversando e trocando conversas fora, de como acharam aquele lugar e de como fizeram para sobreviver até agora. Neste momento eram por volta das onze horas e quando deu meia noite Suly voltava com uma expressão triste dizendo.
— Infelizmente não tenho nenhuma barraca sobrando, doei as que achei para os outros. Mas. –Fazia cara de pensativa.- — Alguns membros morreram hoje, penso eu que eles não vão mais precisar de um lugar para dormir, o que acha Carol?
Carol ao ouvir aquilo concordou com a cabeça, com um certo pesar pois conhecia aquelas pessoas, mesmo que um pouco, ela se importava com cada um deles. – Hm, está bem. Podem ficar com elas, eu devo uma a vocês por salvarem Steve. É a barraca azul e a vermelha, as únicas agora vazias, depois eu falarei sobre isso com o Gabriel, uma delas pertencia ao tio dele. Eu já estou me retirando, tenho que tratar uns assuntos e depois irei descansar, boa noite para vocês. – Já está tarde, também estamos de saída não e Carlos.. –Suly sorria o olhando-
— Também estamos indo. –Falava Milles gesticulando com a cabeça para que Selene o seguisse, se despediram de todos e foram procurar as barracas. Selene entrou na barraca azul para olhar como ela era e arrumar, só estava um pouco bagunçada, tinha um plástico que podia ser usado como colchão, e usaria sua mochila como um travesseiro, de dentro ela falava. – Boa noite meu irmão, e ah, isso e seu. –Entregava para ele sua arma, Selene ainda não gostava e nem estava habituada a portar esse tipo de coisa, ainda se sentia desconfortável com ela. Milles pegava sua arma de volta a colocando na cintura, mas ele não podia deixar sua irmã desarmada, e deu para ela seu facão. Depois o ruivo olhava a barraca vermelha, era uma boa barraca, pensou ele a analisando, ficava do lado com a de sua irmã e poderia ajuda-la caso alguma coisa acontecesse. Ele estava extremamente cansado embora na frente de Selene escondesse tal fato constantemente. Ainda não confiava em ninguém, mas seu corpo e mente clamavam por um descanso, não tinha escolha a não ser confiar, coisa que não gostava muito. A abria e tinha alguns poucos utensílios por ali, não iria mexer em nada e apenas dormir e no dia seguinte acordar e dar no pé, até ouvir uma voz furiosa do lado de fora.
— O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO SEU LADRÃOZINHO. –Falava Gabriel, apontando para Milles que estava dentro da barraca aberta. –Neste momento todas as pessoas que estavam em volta da fogueira se aproximavam, e três caras armados também observando a cena.
— É O QUÊ? O QUÊ ESTÁ DIZENDO? REPITA ISSO DE NOVO. –Saia Milles de dentro da barraca furioso, fechando seus punhos e se aproximando de Gabriel devagar.
— Mas que diabos está acontecendo aqui. –Chegava Carol ao fundo se aproximando, depois se colocando a frente dos dois-.
— EU O ENCONTREI SAQUEANDO A BARRACA DO MEU TIO.
— É MENTIRA.. EU SÓ ESTAVA INDO DORMIR.. ME DISSERAM QUE EU PODERIA DESCANSAR AQUI.. DIGAM A ELE!
Neste momento Selene saia para fora e olhava para ambos, indo ao lado de seu irmão. Uma das pessoas ali próximas respondeu. – É verdade. Deixamos Milles ficar com a barraca agora. –Carol olhava para o garoto, e respondia de maneira suave.- -Eles precisavam de um lugar para ficar, e estas barracas estavam disponíveis. Sei que é ainda muito recente, mas precisávamos delas.. Eu sinto muito.. Mas pode pegar as coisas.
Gabriel deveria ter uns vinte e quatro anos, usava um boné com um símbolo de algum time de beisebol, tinha barba recém aparada e usava uma calça um tanto surrada e uma blusa de manga azul. – Está bem, neste caso eu vou pegar suas coisas. –Sentiu seu ego ferido pelo novato, como se tivesse sido rebaixado, e mais ainda, como se ninguém ligasse para seu tio. Encarava Milles furiosamente esbarrando seu ombro com o dele de maneira proposital. Milles já ia revidar mas Carol e sua irmã o impediram. Gabriel entrou na barraca e pegava as coisas de seu tio, um porta retrato, uma caixa de papelão de tamanho médio, algumas roupas e um taco de beisebol. Empilhou tudo e saia dali. Antes de sair ao lado de Milles, ele pronunciava bem baixinho de forma que só os dois puderam ouvir. – Babaca, todos vocês vão se ver comigo! –E depois saia em direção a sua própria barraca.
Era a gota d’água, o ruivo ia soca-lo, mas Selene o abraçou forte com medo que ele fizesse alguma coisa, e Carol colocava a mão em seu peito o impedindo mantendo-o atrás e balançando a cabeça em forma de ‘não’. Neste momento Milles teve uma sensação estranha, uma energia ruim, de perigo. Como se aquilo ainda não tivesse acabado.
— Todos voltem para os seus lugares, O SHOW AQUI ACABOU! Milles amanhã conversaremos...
— É uma pena o que esteja se passando com o Gabriel. – Ele não pode descontar nos outros. – Ele não tinha nada a ver com isso. – Hoje foi um dia cheio para todos nós. –Diziam as pessoas conversando e murmurando enquanto saiam dali.-
— Você está bem meu irmão? — Selene venha comigo. –A puxava para dentro da barraca que agora estava em sua posse. Dali de dentro ele abria sua mochila, tirava o saco que havia pegado no carro, espalhava as coisas no pano que estava no chão que mais parecia um tapete. Tinha dois pacotes de biscoitos, e uma caixinha com três donuts. – Precisamos conversar. E vamos comer irmã. –Selene ainda achava errado ter pegado aquelas coisas do carro, mesmo que seu dono dissesse que estava tudo bem, mas tinha fome e não havia se alimentado direito. Abriu um dos pacotes de biscoitos e comia. – Sobre o que quer falar? — Aquele muleque, um dia ainda vai se ver comigo. –Esqueça isso meu irmão, ele só não está sabendo lidar com a perda. – Não é apenas isso minha irmã, é sobre este lugar sabe. Algo ainda não me cheira muito bem, tudo está muito.. muito bom. –Ele pegava o outro pacote de biscoito e comia também-. – Deixe me ver se eu entendi, você não gostou do lugar por que ele está ‘muito bom’ e isso?! – Sabe, eu não sei como explicar.. Essas pessoas são muito boazinhas, gente boazinha demais me dá arrepios.. – HAHA, você está enlouquecendo Milles.. Talvez pudesse dar uma chance a eles. Recomeçar a vida.. A nossa vida – Eu digo que é melhor partimos. Nada mais e como antes irmã. Podemos sair enquanto ainda há tempo, antes que nos envolvam em alguma coisa. –Ela terminava seu pacote de biscoitos, e ouvia seu irmão, depois pegava um donuts e se levantava para ir até a sua barraca e antes falando.- -Durma um pouco meu irmão, e descanse, amanhã falaremos mais sobre isso. Um beijo e boa noite.. –Deixe suas armas sempre por perto irmã. – Depois fechava a barraca e pensava em mais algumas coisas, colocou sua mochila como travesseiro e sua arma por baixo dela, e então dormia um tempo depois.-
.
No dia seguinte, pela manhã cedo eles levantavam. Carol explicou para eles sobre como lá as coisas funcionavam, cada um ajudava um pouco nos serviços em troca de uma certa quantidade de comida. Milles e Selene concordavam com aquilo, e também não queriam ser um peso para ninguém. Os irmãos ainda não tiveram a chance de conversar direito como queriam, e acabaram ter que deixar isso para depois. Milles foi trabalhar cortando algumas árvores e fazendo toras de madeira, para que pudesse ser usadas para reforçar as paredes nas laterais e na retaguarda (apenas a parte da frente era reforçada onde o muro era de concreto e o portão era de ferro, o restante era madeira tipo aqueles fortes antigos americanos. O lugar ainda estava em construção devido à falta de materiais). Enquanto isso Selene ajudava a carregar algumas caixas, verificava as armas e munições do local cuidando das partes administrativas. Enquanto isso três crianças brincavam de bola e depois de correr pelo lugar. Quando dava por volta do meio dia a uma hora, Carol chamava os pequeninos para ajudar a chamar as pessoas para o almoço e fazerem uma pausa.
— Opa opa.. Já estava cheio da fome.. –Dizia Thomas sem camisa segurando seu machado e olhando para Milles.
— Eu também. –Respirava, Milles estava mais cansado que Thomas, pois não estava habituado a fazer esse tipo de coisa. Limpava o suor da testa com seu pulso e bebia um pouco de água de sua garrafa.
Ambos iam até o centro dali, onde estava a fogueira. Enquanto isso os trabalhadores dos outros locais também apareciam, exceto alguns guardas pois tinham que vigiar. Agora poderia ser visto cerca de vinte e cinco pessoas ali. Selene aparecia com um caderno e o entregava para Carol ali fora. Os irmãos se reencontravam e sorriam. Ao redor da fogueira tinha um grande caldeirão, e também uma mesinha e uma pilha de pratos. Foi formada uma grande fila para que todos pudessem comer. A comida era despejada no prato de cada um que era servida por um dos moradores. Na vez de Milles e Selene repararam que era uma sopa, nela tinha cenoura, batatas, um vegetal e um pedaço de alguma outra coisa que acabava afundando. Todos também recebiam uma fruta como maça ou banana e uma garrafa dágua.
— O QUÊ MAS ISSO NÃO É POSSÍVEL! –Falava carol intrigada, ajeitando seus óculos na face e parecendo encarar o caderno. Selene se aproximou dela mais para o canto, enquanto Milles saia dali e se sentou em um lugar mais distanciado, prestando atenção apenas em sua comida.
— O que houve Carol? –Disse Selene segurando seu prato com cuidado pois estava quente.
— Parece que alguém tem nos roubado. Sumiram algumas munições, comidas e remédios. As contas não batem. Tínhamos o necessário para uma semana, agora vejo que o estoque que temos não durará mais que quatro dias.
— É o que podemos fazer? –Perguntava apreensiva.-
As pessoas notaram o espanto da mulher e começaram a se ajuntar ali a sua volta. O ar de curiosidade e espanto fez com que pensassem que fosse algum problema a respeito dos zumbis.
— Carol o que está havendo algum problema? O que houve Carol? Carol? O que está acontecendo? -Todos perguntavam.-
— Parece que temos sido roubados. É possível que haja um traidor entre nós.
— É O QUÊ? MAS ISSO NÃO É POSSÍVEL!!! – As pessoas falavam incrédulos, todos se olhavam uns para os outros. Pairou um símbolo de desconfiança no ar. – O ???? tem agido estranho ultimamente.. – Eu não vi o ??? ontem.. – Deve ser os forasteiros. – Ontem ficamos acordados até tarde. – Pode ser um dos seguranças. – Temos que achar o traidor. – Foram os novatos.
Carol ouvia os sussurros mais atrás e as acusações lá no fundo. Ela não queria alarmar as pessoas e nem deixar um clima de desconfiança, a mulher sabia que em momentos de crise as pessoas tinham que se manter unidas. — CALMA GENTE, EU AINDA VOU REVER AS CONTAS E INVESTIGAR ISSO.. SÓ SE ACALMEM E NÃO IREMOS NOS PRECIPITAR. VOU INVESTIGAR ISSO A FUNDO. APENAS COMAM E VOLTEM COM SEUS AFAZERES. –A mulher olhou para Selene de maneira desconfiada, afinal ainda não a conhecia direito. Selene não deixou de perceber esse olhar, mas faria de tudo para que ela não lhe tivesse suspeitas, para provar a sua inocência.
.
Enquanto isso Milles estava sentado comendo sua refeição, viu as pessoas se ajuntarem formando um círculo ao redor de alguém. O que você acha que..
— Está acontecendo alguma coisa. –Respondeu Thomas cortando-o antes que pudesse terminar a fala.-
— É o que você acha que é?
— Seja lá o que for, logo iremos descobrir! As notícias correm rápido por aqui.
Milles terminava sua comida, bebia um pouco da água e mordia sua maça. Neste tempo foi até Selene que estava ao lado de Carol.
— O que está havendo aqui Carol?
— Parece que alguém tem furtado nossos suprimentos no depósito.
— Mas não possui vigias?
— Tem, mais isso não os impediu..
— Então deve ser algum deles. –Milles dizia fechando seus olhos brevemente.-
— Poderia ser alguém que conhecia a troca de seus turnos.. Ou uma pessoa esperando à espreita pelo momento certo. Algum invasor ou um grupo..
— Com certeza foi um deles! –Falava agora Gabriel se referindo aos irmãos e ajeitando seu boné enquanto andava.-
— Não foi a gente Carol, jamais faríamos isso. –Indo ao lado do irmão, abraçando seu braço.-
— O depósito fica no posto de gasolina, apenas eu possuo as chaves, não sei como. Mas é cedo para decidirmos, ainda vou averiguar os fatos. O estoque de comida está acabando, preciso que alguém vá até o mercado da cidade.
— Carol, eu e a Selene podemos ir. Assim podemos lhe ajudar a pagar por nossas despesas e depois daremos o fora daqui. Estou acostumado a andar por aí fora mesmo.
Carol olhava para Milles e Selene, ela confiava em suas pessoas, mas nos novatos? Ainda não tinha plena confiança. Deixar Milles sair com Selene por aquelas portas, se forem mesmo eles, seria uma boa oportunidade de fugirem, e isso era algo que ela não poderia deixar de forma alguma até descobrir os culpados.
— Está bem, você pode ir Milles.. -Ela deu um passo para frente dele o encarando.- -Mas Selene fica, preciso dela para algumas coisas.
— SERÁ QUE VOCÊ NÃO PODE SER MAIS DIRETA??.. –Ele também deu um passo para a frente à encarando, mantendo seus olhos fixos nos dela por cima de seus óculos- — E NÓS ACUSAR LOGO.
Neste momento dois guardas armados apareciam atrás de Milles, Carol fazia um gesto com as mãos para que eles abaixassem as armas, e logo respondeu. – Tente entender a minha situação Milles. Você pode ir, chamarei outros com você para te ajudar.
— Me vigiar você quer dizer.
—Carol andava para sair dali, e antes respondeu.- — Apenas, pegue suas coisas e se prepare.
— Meu irmão, está tudo bem, eu ficarei aqui e ajudarei a Carol com as coisas. Vou provar nossa inocência. Você.. Só tome o máximo de cuidado okay? –O abraçou, e depois foi até a Carol.-
Thomas se aproximou de Milles e colocou a mão em seu ombro. – Relaxe, eu confio em ti. Sei que não foi você. Eu vou contigo nisso, estava querendo esticar as pernas mesmo. – Neste caso eu também vou, alguém tem que ficar de olho nesse aí. –Dizia Gabriel sorrindo de maneira maliciosa.- — Eu já estava com vontade de caçar um zumbis.. –Falava Sam se aproximando deles. E eu também conheço o caminho.
.
Milles foi até a sua barraca, pegou sua mochila, verificou sua pistola no bolso, pegando tudo aquilo que lhe era necessário. Nesse meio tempo que esperava os outros viu uma barraca de madeira, e ali um homem que vendia armas como: facas, facões, machados, bestas, arcos, flechas, lanças e armas improvisadas (armas de fogo eram de uso comum e ficavam no depósito).
— Ora.. Brinquedinhos legais que você tem aqui, poderia me arranjar alguns?? –Falava o ruivo tocando nas coisas.-
— Gostou? Eu era especialista em criar réplicas de armas medievais. Você sabe, antes disso tudo acontecer. A propósito vi que você e novo por aqui, eu sou Jhon.
— Prazer eu sou Milles. Gostei dessa machadinha aí.
— E quanto você tem garoto?
— Me desculpe, mas creio que dinheiro nos dias de hoje não valem lá muita coisa.
— E quem disse que eu refiro à dinheiro. Olha, aqui nós trocamos coisas por suprimentos, é a nossa moeda de troca.
— Bem, eu não tenho nada aqui. Mas estou indo na cidade buscar por suprimentos.
— Então garoto. –Jhon era um homem que parecia ter seus 50 anos. Era branco e usava uma barba ralada, cabelos grisalhos curtos e bagunçados. Era um pouco gordinho e tinha olheira em sua face, usava um casaco preto e uma calça, suas mãos apoiadas no balcão estavam um pouco trêmulas. Ele olhou para os lados de forma desconfiada e aproximou a face de Milles como se fosse lhe contar um segredo.- -Se você me trouxer uma bebida e cigarros em segredo, eu posso fazer algo por você.
— Pensei que os recursos fossem para todos.
— Alguns sim, outros não, apenas mantimentos básicos, armas de fogo e munições. Uma das coisas boas de se ir lá fora e poder achar alguma outra coisa e pegá-la para si. Aqui nós trocamos objetos por objetos, e as vezes por comida. Eu não gosto de ir lá fora, então fabrico coisas e troco por outras que necessito.
— Eu entendi.. Vou ver o que posso fazer.
Depois disso o restante do pessoal aparecia de carro em uma picape preta vindo lá de trás do posto e chamava Milles para partir, o esperando na saída do portão. Thomas aparecia ao seu lado. – Vamos!! Estão nos esperando. E peguei isso para você. –Revelou, entregando para ele uma espingarda junto com uma caixinha com algumas munições e o chamando consigo. Sam era quem dirigia o carro, Gabriel ia na parte da frente no banco de carona. Thomas e Milles iam atrás na caçamba, de onde o tinha um grande espaço aberto. Saindo do local, pegaram uma longa estrada ao sul em alta velocidade, eles explicavam no caminho que todos os lugares da região já tiveram quase tudo vasculhados antes dos zumbis tomarem conta, ou outras pessoas, e por isso deveriam ir cada vez mais longe em busca de suprimentos. Tinham um mapa e dali apontava para uma pequena cidade.
— Essa arma é pesada Thomas, eu nunca atirei com algo assim antes. –Analisando a espingarda e seu funcionamento. Já estava carregada e ela comportava sete balas, fora as que havia na caixinha de munições. Tinha uma expressão contente, pois gostava daquilo.-
— É eu sei, essa belezinha faz um bom estrago. Você precisa acertar apenas um tiro e BAM. E abre um grande buraco no sujeito. Peguei ela para você, achei que fizesse mais o seu estilo. Eu tenho certeza que vai saber usá-la. Eu por outro lado não prefiro atirar com algo maior que um revólver.
.
E tudo parecia correr bem, já haviam se passado meia hora desde que saíram da base, conversam sobre o lugar e das suas histórias de zumbis . Agora era por volta das três da tarde e havia uma grande reta na estrada. Até que todos ficavam assustados com o barulho de tiros que quase os acertavam. Milles e Thomas olharam para ver o que eram, tinham dois Jipes militares mais atrás os seguindo, um estava mais na frente e o outro bem mais atrás, com pessoas armadas, com a parte do corpo pelo lado de fora da janela mandando tiro contra eles. – ESTÃO NOS ATACANDO MERDA. VOCÊS AÍ DE TRÁS FAÇAM ALGUMA COISA. -Falava Sam aos berros.- — Droga, são os bandidos.. Milles se abaixe. –Falava Thomas deitando ali, ele sacava sua pistola e mandava tiro em cima dos carros.- -Enquanto isso Gabriel no banco do carona colocava a cara para fora, dando tiros pra cima dos bandidos, alguns pegavam no chão, devido ao balanço e aceleração do carro, outros acertavam a carroceria. Os bandidos acertavam o carro deles, mas em nenhuma parte importante, exceto os dois retrovisores que caiam para fora do carro os assustando-
Milles se abaixava, seu coração estava acelerado. Um dos tiros pegou de raspão na picape na parte de onde ele estava, quase atingindo seu braço. Pegou sua espingarda e se posicionou com cuidado, mirou mais ou menos no bandido que estava pela janela direita no banco de trás, esperando pelo momento certo. E atirou. Um estouro, com um barulho muito alto. Seu corpo foi jogado para trás pelo recuo da arma fazendo suas costas baterem no vidro da traseira do carro, o impacto da arma era grande e ele não esperou por isso. Mas seu tiro dera certo, o bandido em questão caia para fora do carro morto, criando um trajeto de sangue. – MAS É ISSO QUE EU TO FALANDO GAROTO. –Exclamou Thomas sorrindo, mandando mais uns tiros pra cima dos jipes, depois de lançar suas últimas quatro balas seu último tiro acertava na roda do carro o fazendo perder a direção.
Neste meio tempo Milles recarregou sua arma e mandava um tiro na direção do vidro da frente, o estourando, fazendo os estilhaços voarem e as balas atravessarem o corpo da pessoa atingida o colando na cadeira, que era o homem que dirigia o automóvel. O carro começava a andar em ziguezague perdendo o rumo. O inimigo que estava ao lado do motorista teve que sair da janela para tentar tomar a direção do volante, mas tudo acontecia muito rápido e eles estavam saindo da pista e indo para o lado. O jipe de trás os alcançava e acabava batendo com o da frente, fazendo o primeiro perder a direção completamente e o de trás ter que parar. O Grupo de Milles se mandava nesse meio tempo acelerando com o carro, eles poderiam ver que os bandidos perdiam a direção do carro e este caia em direção ao gramado fora da estrada girando o veículo e ficando de cabeça para baixo e então os bandidos desse primeiro jipe não foram mais vistos.
— MAS VOCÊ E BOM MESMO.. – Falou Thomas.- — Até que você não e nada mal ruivo. –Disse Sam que dirigia o carro sorrindo, Gabriel apenas ficou quieto.-
— Eu realmente me dei bem com essa belezinha.. – Olhava para eles, enquanto recarregava sua espingarda.- — Mas você também foi muito bem Thomas.
Momentos depois eles chegavam na cidade, na parte que se encontravam ela parecia estar deserta. Havia vários prédios, lojas e um grande supermercado onde em seu estacionamento tinham vários carros parados. Dali eles estacionaram e decidiam seguir a pé, pegando suas coisas e verificando se o local á sua volta era seguro ...
Fale com o autor