Pele E Lábios
45 Capítulo 45
PdV do Flake
–Eu tinha medo de escolher e pegar um ruim, então eu achei melhor vir com você... Mas eu queria que fosse uma surpresa. – Till disse, suas mãos cobriam os meus olhos.
–Então já que não é mais uma surpresa, por que você tem que cobrir os meus olhos? – eu disse, enquanto Till me guiava. Eu senti que eu estava entrando num lugar com ar-condicionado e tinha música tocando nesse lugar. Era Queen, eu acho. Till tirou as mãos dos meus olhos e eu me vi numa loja de instrumentos musicais. Fiquei boquiaberto – Você tá brincando comigo...
–Não! – Till riu – Escolhe um teclado.
–Quê?! – minha voz saiu esganiçada e eu engasguei.
–Não olhe para o preço, apenas escolha.
–Till, você não tem que...
–Eu quero. – ele segurou no meu rosto – É o meu presente para você, Flocka.
Eu ri alegremente e o abracei.
–Você não sabe o quanto isso é especial pra mim... – eu sussurrei no peito dele. Till acariciou meu cabelo.
–Você merece, Engel Flake. Ich liebe dich.
–Ich auch. – eu sorri. Till acenou com a cabeça para mim e eu fui correndo até a prateleira onde estavam os teclados diversos.
Eram todos tão lindos e grandes... Um todo branco, maravilhoso, chamou minha atenção.
–Magst du es? – Till sorriu, vendo que eu não tirava os olhos do teclado. Era um Casio LK-280.
–Ja... – eu acariciei as teclas suavemente.
Till chamou um funcionário da loja, que pegou o teclado para mim. Depois, compramos um pequeno amplificador e um cabo e voltamos para casa.
–Você tá feliz? – Till colocou seu braço nos meus ombros.
–Uhum... – eu sorri – Muito obrigado mesmo. Eu queria um teclado faz tempo, mas meus pais nunca tiveram dinheiro para me comprar um.
–Sei como é. Também demorou um tempão para que eu comprasse a minha primeira bateria. Não era uma bateria boa, mas dava pro gasto. – ele riu suavemente – Mas, bem... Eu quero muito ouvir você tocar. O que você toca?
–Uhmm... Clássico, jazz... Eu não sei tocar rock, nunca me ensinaram. Meu pai me ensinava a tocar piano.
–Você pediu para ele te ensinar rock?
–Não... – um nervosismo estranho começou a crescer dentro de mim.
–Por que?
–Ele não ensinaria. Quer dizer, ele não tinha nada contra, mas ele só trabalhava com jazz e clássico.
–Ah, então seu pai era músico?
–Só como um hobbie. Ele trabalhava com máquinas numa fábrica de cereais.
–Por isso seu nome é “Flake”? “Corn Flake”?
Eu comecei a rir muito.
–Não, foi o Paul que deu esse nome pra mim! A gente tinha uns cinco anos e ele começou a me chamar de “Flake”, eu ainda não sei porque.
–Entendi, Flah-keh. – ele pronunciou meu nome debochadamente – Mas “Corn Flake” é um apelido fofo. Posso te chamar assim?
–Não. – eu corei, sorrindo.
–Por favooor. – ele disse melosamente – Posso te chamar do que então?
–Qualquer coisa, menos “Corn Flake”. – eu segurei a risada, tentando parecer sério.
–Ok, Sonnenschein.
“Começou...” eu pensei.
–Morgenstern, Süßer, Schmuckzi, Schöner... De qual você gostou mais?
–Eu gosto de Schmuckzi. – senti minhas orelhas flamejarem – Mas... Me chame de Flakechen.
–Claro, Schmuckzi Flakechen. – ele zombou, rindo.
–Tillchen Schatz. – eu retruquei. Till quase me fez cair e derrubar o teclado quando me agarrou e me beijou.
Fomos para casa e logo as pessoas pularam em cima de mim quando viram o teclado.
–Flake! Flake! – Izzy cantarolou – Toca para a gente!
Eu sorri e comecei a arrumar as coisas; liguei o amplificador, pluguei o teclado, etc. Pressionei uma tecla e senti um arrepio. Era tão bom tocar piano novamente. E agora era um teclado, o que significava que eu podia expandir meus conhecimentos. Rock. Fick ja.
Apesar de eu não ter treinado muito, eu consegui tocar a Apassionata inteira e perfeitamente. Os queixos de todos caíram com a rapidez dos meus movimentos. Depois eu passei para Moonlight Sonata e terminei com essa mesma. Izzy começou com uma salva de aplausos e eu fiquei com vergonha.
–Você nunca me disse que você era incrível assim, Flake! – Izzy disse – Já podemos montar uma banda! O Duff toca baixo, ou guitarra se ele quiser, o Axl canta, eu toco guitarra e você toca teclado. Só precisamos de um baterista agora.
Till riu ironicamente.
–Você toca bateria? – Izzy levantou as sobrancelhas.
–Sim. – Till respondeu, olhando para baixo e rindo.
–Pronto! Temos uma banda inteira! Nós fomos feitos uns para os outros! – Izzy cantarolou daquele jeito animado dele.
–Mas como vai se chamar a banda? – Duff disse.
–Five motherfuckers. – Till riu.
–The Hammer. – eu sugeri.
–Legal, Flake. – Izzy disse – The I.
–Gesicht.
–Sem alemão, Flake. – Izzy riu – Ninguém vai ouvir o nosso som.
–Você que acha. – cruzei meus braços defensivamente.
–Roses for Julia. – Axl disse.
–Die Hard. – Till disse.
–Mas que estilo a gente vai tocar? – eu disse.
–Rock, claro! Tipo Rolling Stones e Zeppelin.
Meu coração foi parar no estômago quando eu percebi que a gente tinha alguma chance de sermos grandes como os Stones. “É só um sonho” eu disse a mim mesmo “A banda vai acabar em dois anos no máximo. Ninguém nunca vai nos ouvir”.
Mas algo me dizia que aquilo ia dar certo.
Notas finais
Engel - Anjo
Ich liebe dich - eu te amo
Ich auch - eu também
Magst du es? - Você gostou disso?
Ja - Sim
Morgenstern - estrela da manhã
Süßer - docinho
Schmuckzi - precioso
Schöner - lindo
Schatz - tesouro
Gesicht - rosto
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