PdV do Till

–Esse cara, o que fica me estuprando... O que ele fez? – eu perguntei ao Victor uma vez que nós estávamos de bobeira na cela.

Victor riu suavemente. Ele era um cara bonito, jovem como eu; tinha olhos azuis (que, por acaso, me lembravam os do Flake) e um cabelão liso e preto, que descia até sua cintura.

–Ele matou a mulher numa vez que eles brigaram. Ah, e o nome dele é John, mas ninguém o chama assim. Chamam-no de “Death”.

–655321, tem visita para você. – o carcereiro falou, abrindo a porta da cela.

–Flakechen! – eu exclamei alegremente.

Eu fui para aquela salinha de visitas. Eu quase desabei em lágrimas quando o vi.

–Você cortou o cabelo, Flakechen! – eu disse, abraçando-o com força.

–Cortei. – ele sorriu – Você gostou?

–Uhum... – eu acariciei o cabelo novo. Era curto, mas o deixava bonito do mesmo jeito – Como você está?

–Bem... Tirando a pneumonia que eu peguei há um tempo atrás... – ele riu.

–Pneumonia é ruim. – eu sorri, e percebi que ainda não tinha soltado-o – Você tá melhor?

–Sim, sim... e você? Como estão as coisas por aqui?

–Ah... – eu lambi os lábios nervosamente. Eu devia contar a ele?

–Não tá tudo bem, né? – ele suspirou – Me conta o que tá acontecendo.

–Não é nada. – me passou pela cabeça as imagens das coisas que aquele cara fazia, as sessões de boquete que eu era obrigado a pagar todo dia – Verdammt. – eu sussurrei.

Was?

–Ah, só... As coisas não tão indo bem por aqui.

–E...?

–Eu prefiro que você não saiba.

Pelo olhar dele, eu soube que ele estava irritado comigo.

–Tem alguém te machucando. – ele disse, irritado – Dá pra perceber. Me fala quem é e o que tá fazendo.

–Flake, meu amor, eu prefiro te poupar disso. – eu corri minha mão pelo cabelo dele.

–Till! – ele explodiu comigo – Me fala o que é! Eu quero te ajudar!

–Ninguém pode me ajudar. – minha voz ondulou.

Flake grunhiu de raiva e enterrou as mãos nos olhos. Izzy foi até ele e o envolveu nos braços.

–Pára de ser assim, Lindemann!

–Me desculpa. – eu sussurrei – Não tem nada que você possa fazer por mim, Christian.

Ele finalmente começou a chorar de ódio e saiu da sala. Izzy foi atrás dele. Eu suspirei tristemente enquanto era levado de volta para minha cela. Não era minha intenção fazê-lo ficar bravo e eu tinha desperdiçado uma visita dele. Só acho que é melhor poupá-lo do meu próprio sofrimento. O Christian já é um menino perturbado e eu não queria perturbá-lo ainda mais.

–E aí? – Victor acenou com a cabeça para mim assim que eu entrei na cela.

–Ele ficou bravo comigo porque eu não quis contar a ele que estava sendo estuprado.

Ele suspirou e levantou os ombros.

–Acho que você fez certo. Estupro é algo doentio e... Quantos anos tem esse moleque mesmo?

–Dezesseis.

–Ah, é uma criança ainda.

–É a minha criança...

Du bist das schönste Kind von allen... Ich halte dich wie mein eigen Blut...


Notas finais
GLOSSARIO:
Verdammt - maldição
Was - o que
Du bist das schönste Kind von allen... Ich halte dich wie mein eigen Blut... - Você é a criança mais linda de todas... Eu te tenho como meu próprio sangue