Pele E Lábios
36 Capítulo 36
PdV do Izzy
Eu estava no meu quarto, tocando guitarra tranquilamente, quando Axl entrou, quase arrancando a porta das dobradiças.
–Izzy! Izzyizzyizzyizzyizzy!!! – ele me desfez da minha guitarra (com cuidado para não quebra-la) e quase me levantou no colo – Izzy do céu!
–Que foi, sua bicha?! – eu ri do desespero dele – O Paul McCartney vem pros Estados Unidos?
–Nãão, maano, você vai ficar doido! Só não desmaia, por favor, Não to afim de cuidar de gente desmaiada.
–Tá, agora me fala o que aconteceu!
–Acharam o Flake!
Meu coração foi parar no estômago e eu comecei a tremer.
–Cadê ele? Eu quero vê-lo agora!
–Essa é a parte em que você fica puto. – Axl levantou os ombros – Ele tá no hospital, morrendo de pneumonia.
–Argh, esse cara sempre arruma um jeito de se foder! – eu resmunguei. Peguei meu casaco e enfiei minha boina de um jeito violento na cabeça.
Agarrei o braço de Axl e o arrastei para fora do meu quarto.
–Eu nem preciso perguntar... – ele disse.
–Vamos ver o Flake.
Eu fui correndo para o único hospital que tinha em Lafayette. Me falaram que eu não podia visitar Flake ainda, porque ele ainda estava mal para receber visitas. Eu e Axl nos sentamos ao lado de um homem meio velho.
–Você tá aqui por causa do Flake também? – eu perguntei sarcasticamente, já que ele era a única pessoa além de nós na sala de espera.
Ele sorriu e disse:
–Sim. Eu sou o Aljoscha. Eu cuidei dele enquanto ele estava na rua. Ele também cuidou de mim. O menino é legal... – ele levantou os ombros e riu.
–Obrigado! – parte de mim queria abraça-lo, mas eu preferi não abraça-lo naquela hora – Sabe, o Flake é muito burro. Quer dizer, ele tinha 10 em todas as matérias, mas ele sempre arruma um jeito de se foder na vida. – eu ri.
–Que é isso. Só me senti na obrigação, ele foi legal comigo. Você é o Izzy?
–Uhmm... – eu levantei uma sobrancelha – Sim... Como você sabe o meu nome?
–O Flake me contou de você.
–O que ele contou? – eu estava ficando apreensivo.
–Que você é o ex-namorado dele e que ele gosta muito de você. Mas não se preocupa, eu não tenho preconceito.
–Ah... – eu abaixei a cabeça e mordi os lábios, tentando parar as lágrimas que vinham. “Flake imbecil, sempre me fazendo chorar!” eu pensei, secando as lágrimas desesperadamente com a mão.
Um médico saiu do quarto onde Flake estava e veio falar com a gente.
–Nós ainda estamos cuidando do Christian, a pneumonia dele está grave, então eu acho que daqui há uma semana mais ou menos ele já pode receber visitas.
“Internado de novo, senhor Lorenz...” eu pensei tristemente.
–Uma semana?! – eu gemi, frustrado – Mas pelo menos me diz que ele não corre risco de vida!
O médico riu suavemente.
–Não corre, mas ele ainda está muito fraco. Ele nem acordou ainda.
–Merda... – eu suspirei – Posso vê-lo?
–Mas...
–Por favor! Só eu entro lá! Eu só quero ver como ele está e segurar a mão dele!
O médico suspirou, nervoso.
–Ok, mas você tem cinco minutos.
Eu abri um sorriso enorme e corri para dentro do quarto. Lá estava ele, inerte na cama branca, parecendo morto. Não, parecia mais que ele estava dormindo, apesar da palidez estranha do seu rosto.
–Flakezinho, eu estou aqui. – eu sussurrei no ouvido dele, enquanto meus dedos acariciavam as costas de sua mão – Eu te amo, apesar de a gente não poder mais ficar juntos. – eu senti as lágrimas querendo sair dos meus olhos – Eu te amo muito.
Eu dei um beijo na bochecha dele, bem perto dos lábios. Ele respirou estranhamente e gemeu de dor, eu acho. Meu coração foi parar no estômago quando os olhos azuis maravilhosos dele se abriram.
–Izzy... – ele disse num sussurro quase inaudível. Eu sabia que o médico ia me matar por tê-lo acordado – O meu...
–Não precisa dizer nada. – eu plantei um beijo curto nos lábios pálidos dele.
Ele gemeu, acho que de raiva por eu não ter deixado-o falar. Eu ri da reação dele. Flake desfez sua mão da minha e tentou pegar algo em seu bolso, mas percebeu que não estava com suas roupas mais. Eu vi o pânico tomar conta do rosto dele.
–Calma, calma... – eu disse, passando uma mão nos cabelos dele – Eu pego pra você no bolso da sua calça.
Eu virei o rosto e vi as roupas dele, cuidadosamente dobradas na cadeira ao lado da cama. Peguei a calça e enfiei as mãos nos bolsos. Tinha algo pequeno, parecido com uma moeda. Eu tirei a moeda de lá e explodi em lágrimas. Não, não era uma moeda. Era a aliança.
–Flake, você é lindo! – eu exclamei, segurando o anelzinho contra o meu peito, enquanto mais lágrimas desciam impiedosamente dos meus olhos.
Ele riu suavemente.
–Qualquer coisa, menos bonito. – ele disse com dificuldade, respirando pesadamente.
Eu me joguei em cima dele e o beijei quase que com violência. Ele correspondeu ao beijo vorazmente. Tiveram que me arrancar do quarto, heh, porque eu não queria sair. Mas eu fui para casa com um sorriso enorme no rosto.
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