Notas iniciais
Feliz ano novo, liebe Leute! Amo vcs, todos vcs ^^
Boa leitura!

PdV do Flake



Um mês.


–Não vou fazer outra fogueira. – eu disse, entre um ataque de tosse. Cuspi o catarro no chão e esfreguei os braços – Eu quero beber a vodka.

–Mas Flake, olha pra você! – Aljoscha se irritou – Você tá doente por causa desse frio!

–Mas eu não quero acabar com a vodka! – eu comecei a chorar e enterrei as mãos na cabeça, que por acaso latejava. Daí eu tive mais um ataque de tosse e fodeu tudo, porque eu não tava conseguindo respirar, minha cabeça fervia e eu estava morrendo de hipotermia.

Aljoscha tirou minhas mãos cuidadosamente do meu rosto e colocou sua mão na minha testa e depois nos lados do meu pescoço.

–Nossa, você tá com muita febre! – ele disse.

–Percebi! – eu resmunguei, tentando me ajeitar para dormir. Tossi mais, até minha garganta doer. Peguei a garrafa de vodka e tentei beber, mas eu não aguentei o peso da garrafa e ela caiu no chão, mas não se quebrou – Merda! – o álcool que ficou nos meus lábios os deixou formigando.

Ele pegou a garrafa e jogou um pouquinho da vodka num balde de plástico. Depois, pegou meu isqueiro e ateou fogo no balde. Me segurou nos braços e me levou para perto da fogueira. Eu e ele estávamos tremendo muito.

–Obrigado, Aljoscha. – eu sussurrei – Na maioria das vezes eu sou muito idiota.

Ele riu suavemente.

–Que é isso, Flakechen. Eu só me sinto na obrigação de cuidar de você, porque você é pequeno.

Comparado a ele, até o Till é pequeno...

–Você tem filhos?

–Não, e sou solteiro.

–Eu posso ser seu filho. Minha família morreu na Alemanha.

–Nossa, que merda... – ele disse com tristeza – Ah, no bombardeio?

–Uhum. – eu me contorci para me deitar melhor nos braços do Aljoscha.

–Merda mesmo... Minha família, ou seja, só minha mãe, está lá na Suíça.

–A Suíça é legal? – eu abri os olhos um pouco – Eu só saí de Berlim pra vir pra cá.

–É legalzinho. Normal, tranquilo, frio... Mas o chocolate é bom. – Aljoscha riu.

–Eu amo chocolate! Uma vez, o Izzy me fez um chocolate quente maravilhoso. – eu lambi os lábios, pensando no gosto.

Ele riu novamente.

–Também gosto de chocolate. Vou comprar para a gente.

–Ok. Quanto dinheiro ainda temos?

–Uns 100...

Verdammt! – eu quase me levantei, mas estava sem forças – A gente já acabou com o dinheiro?

–Foi você que ficou comprando vodka e cigarro ao invés de comida. – ele resmungou – Mas bem... Vou lá comprar. Você fica bem aqui?

–Fico...

Aljoscha sorriu e foi para o mercado. Eu fiquei lá, em baixo da cobertura da loja (tossindo igual um condenado). Fiquei tossindo por mais uma década, não dava nem pra pensar de tanto que eu tossia. Cuspi um monte de catarro no chão. E foi assim: tossir, cuspir, tossir, cuspir. Eu esperava uma gosma amarelada, mas o que saiu foi um líquido quente e vermelho. Sangue.

E antes que eu pudesse dizer “Oh mein Gott”, eu já tinha caído no chão, inconsciente.


Notas finais
GLOSSARIO:
Verdammt - maldição
Oh mein Gott - oh meu Deus