Pele E Lábios
29 Capítulo 29
Notas iniciais
PdV do Till
A saudade me cortava como mil facas. Eu nunca achei que eu ficaria assim por causa de um garotinho de 16 anos. Eu me apaixonei por ele no momento em que o vi. Eu sei que eu nunca devia ter me relacionado com ele, apesar de ter sido só um beijo. Mas não foi só um beijo, ou uma atração sexual momentânea. Era amor.
–Oh, Christian... – eu sussurrei, enfiando minhas mãos nos meus olhos cheios d’água.
–Você ainda tá chorando por aquele moleque? – o meu companheiro de cela, Victor, disse – Ah, Till... Você é ridículo. – ele sorriu malignamente. Victor tinha um senso de humor que até hoje eu não entendo.
–Ai, Victor! – eu solucei – Por que tem que ser assim?
–A vida é um saco, meu querido. – ele deu uns tapinhas no meu ombro.
A sirene tocou, indicando que devíamos sair de nossas celas. Almoço e atividades físicas do dia. Eu gostava das atividades, só não gostava do almoço (da comida no geral). Saímos da cela e fomos para o refeitório. Peguei minha bandeja, me servi da gosma amarela e fui para a mesa com o Victor. Eu mal tinha tocado na “comida”, quando alguém me chamou:
–Novato! Vem cá, novato!
Eu me virei. Quem me chamava era um cara grande, loiro e barbudo, com as mãos e um braço tatuados. Fui até ele, que disse:
–Você tá aqui por quê?
–Pedofilia.
Ele riu alto.
–Quantos anos tinha a gatinha?
–Não era... Uma menina... – eu sentia a vergonha me queimando.
–Além de pedófilo você é gay ainda! Que coisa nojenta...
–Foi com consentimento! Eu não o estuprei, eu só estava beijando-o.
–Sei, sei onde esse beijo ia acabar. Bem, eu não gosto de pedófilos. Têm tesão por criancinhas... – ele suspirou e balançou a cabeça negativamente – Eu mando nessa porra, ok? Se eu mandar você se curvar pra mim, você se curva. Se eu mandar você matar o seu companheiro de cela, você mata. É só me obedecer e você não vai se foder nessa história toda.
–E o que você quer que eu faça? – eu disse sarcasticamente.
–Bem... – ele sorriu maliciosamente – Você parece jovem. Quantos anos?
–Vinte.
–Hmm... Dá pro gasto. – ele abaixou
as calças (sim, em pleno refeitório) e eu senti minha espinha gelar. – Ele não tem 10 anos de idade, mas é o seu novo amigo. Diga “oi” para ele.
Eu queria vomitar, comecei a suar frio. O pau dele não era lá muito bonito. Era velho e sujo.
–Não, por favor... – eu disse, querendo chorar.
–Ah, mas você não é gay? Não gosta de menininhos de 15 anos? Me chupa.
–Não. – eu cerrei os punhos, tentando tomar coragem.
–Me chupa logo, sua vadia! – ele disse. Eu senti algo pontiagudo encostar nas minhas costas. Aquilo não era bom.
Me coloquei de joelhos no chão e envolvi o pau dele na minha boca. Era nojento, acho que não tinha sido lavado há meses. Ele segurou minha cabeça e a moveu para frente e para trás, me fazendo chupá-lo. Aí as palavras de um noticiário que eu tinha visto há uns anos atrás preencheram minha cabeça: qualquer toque sem consentimento é estupro. Estupro. Ele não estava metendo em mim, mas aquilo era estupro. Depois de 10 minutos ele gozou na minha boca. Eu cuspi o gozo e ele me deu um tapa no rosto.
–Engole, vadia! – ele disse.
Ele meteu minha cara no chão e a esfregou na gosma amarga. Depois, me soltou e foi embora como se nada tivesse acontecido. Fiquei de quatro no chão, cuspindo, quase vomitando. Senti uma mão nas minhas costas e tremi.
–Calma. – Victor disse.
–Calma?! – minha voz saiu esganiçada – O cara me fez chupar o pau nojento dele e você me pede pra ter calma?!!
Ele suspirou.
–Vamos voltar para a cela, Till.
–Mas e as atividades físicas?
–Esquece essa porra.
Victor me ajudou a levantar e nós fomos para a cela. Apesar de ele ter bebido e atropelado uma pessoa, ele não era um cara ruim. E eu sabia que ele seria meu único amigo naquele inferno por dois anos.
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