Pele E Lábios
26 Capítulo 26
PdV do Izzy
–Por que você não tá usando sua aliança? – Axl me perguntou, olhando para minha mão – Você brigou com o Flake?
–Sim. – eu respondi com indiferença, enquanto andávamos em direção ao portão da escola.
–Posso saber por quê?
–Ah, ele me traiu com o Till, aí eu quis terminar.
O queixo dele caiu.
–Ele fodeu o Till?
–Não. Só o beijou e o Till foi preso por isso.
–E tudo isso aconteceu em um dia?!
–Em dois dias. Anteontem o Till foi preso e ontem eu terminei com o Flake.
–Wow... – ele correu uma mão pelos cabelos – Eu devia ficar feliz com isso?
–Tanto faz. – eu levantei os ombros.
Fomos para a classe e ficamos lá até o professor chegar. O professor de filosofia chegou e começou a dar aula normalmente. Deu uma meia hora e eu estava quase dormindo, como sempre, quando o diretor entrou na sala.
–Bom dia. – ele disse.
–Bom dia... – a classe respondeu em uníssono.
–Vim dar um recado. Vocês já devem estar sabendo que o substituto do professor Arden, o senhor Lindemann, foi preso anteontem por pedofilia.
A maioria da classe fez “oooh!”. Eu apenas sorri.
–E ontem às 2 da manhã, a vítima dele, Christian Lorenz foi dada como desaparecida.
Um silêncio mórbido tomou conta da classe. Eu senti como se tivesse tomado um balde de água fria na cara.
–Desapareceu? – eu perguntei. Minha voz estava trêmula – Como assim “desapareceu”? Ele não pode simplesmente sumir...
Uma preocupação estranha tomou conta de mim.
–A polícia não acha que ele pode estar morto, já que ele levou consigo algumas roupas e dinheiro.
–Tentaram ligar pra ele?
–Sim, mas ninguém atende.
Eu me levantei da carteira e saí andando. Axl foi atrás de mim.
–Onde você tá indo? – ele me perguntou, tentando acompanhar meus passos apressados.
–Pra a casa dele. Talvez ele tenha me deixado algo.
–Por que ele te deixaria algo?
–Porque... Ele me ama ainda...?
Parei de andar abruptamente. Fiquei pensando... O Flake tinha sumido por minha culpa. Porque eu tinha gritado com ele e terminado o relacionamento. Eu me esqueci do quão frágil ele é. Ele acha que consegue se virar na rua... Mas não... E aquela história de “a vida ser uma merda”...
–Axl, ele vai morrer. – eu senti minhas pernas tremerem. Eu sabia que não devia estar dando a mínima. Mas parte de mim ainda gostava daquele espaguete cru, lombriga albina escorrida.
–Que?! Do que você tá falando?
–O Christian, porra! – eu gritei e saí correndo em direção à casa dele – Ele vai se matar!
–Vai nada, Izzy! Você vai ver, daqui a três dias esse puto vai voltar!
Fomos à casa da Beth. Toquei a capainha. Ela atendeu e parecia mais pálida. Claro que ela estava preocupada, ela tomava conta do Flake como se ele fosse filho dela.
–Oi. Vocês estão procurando o Chris? Bem, ele não está mais aqui. – eu vi lágrimas se formarem nos olhos dela.
–Ele deixou algum bilhete? – eu perguntei suavemente.
–Uhum. – ela limpou as lágrimas que não tinham caído com a manga do suéter azul claro – Ele disse “Obrigado por tudo, Beth. Você foi para mim a mãe que eu perdi.”
Eu suspirei tristemente.
–Nada para mim?
–Não. Só esse bilhete. Ele pegou o dinheiro dele e algumas roupas e foi embora. Mas deixou umas roupas aqui. Então eu acho que ele vai voltar.
–Ok... Obrigado, Beth. – eu disse, abraçando-a.
Tomei caminho para minha casa. Axl foi atrás de mim, calado. Ele estava me deixando pensar.
–Ele não deve ter ido para longe. – ele disse numa voz baixa.
–Não mesmo. – eu disse – Mesmo assim... Esse mundo aí é perigoso. Eu não queria que ele ficasse sozinho.
Peguei meu celular e disquei o número dele. Ficou chamando, mas ninguém atendeu e caiu na caixa postal.
–Flake? – eu disse – Flake, quando você ouvir essa mensagem você pode me ligar? Estou preocupado. Todo mundo está te procurando. Me desculpa.
Eu desliguei o telefone, sentindo meu peito doer. Aquilo tudo era minha culpa. Ele não precisava ter agido assim, também. Axl veio e me abraçou.
–Ele vai ficar bem. – ele disse, segurando meu queixo com dois dedos, obrigando-me o olhar para ele. Aproximou lentamente o rosto do meu até nossos lábios se tocarem. Nós nos beijamos apaixonadamente.
Eu deslizei minha mão por baixo da camisa dele. Ele riu e separou nossas bocas.
–Aqui?
–Claro que não! – eu sorri – Vamos para a minha casa!
Axl sorriu e me beijou de novo. Me pendurei no braço dele e fomos para minha casa...
Notas finais
You decide
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