Pele E Lábios
12 Capítulo 12
Notas iniciais
BOA LEITURA
PdV do Flake
Quando eu abri os olhos novamente, eu vi tudo branco. “Morri.” Eu pensei “Agora minha Mutti vem me buscar”. E eu esperei. Esperei... Até que notei que estava respirando. Eu estava vivo?! Sim... Mas eu não conseguia me mexer ou falar. Eu me assustei quando um rosto de um homem velho com uma máscara branca flutuou sobre o meu.
–Christian, você está no hospital. – ele disse – Você fraturou o maxilar e duas costelas, além de ter perdido quase dois litros de sangue.
“Que ótimo...” eu pensei. O médico olhou por cima do ombro e depois disse:
–Tem um menino aqui, ele dormiu ao seu lado a noite inteira.
“Izzy” eu pensei e quase sorri, mas não conseguia por causa da trava na minha mandíbula. O médico saiu de cima de mim e eu ouvi a porta do quartos ser aberta e depois fechada. Eu esperei por um menino de cabelos pretos e cheios e olhos castanhos, mas o que eu recebi foi um menino com um mullet loiro, um sorriso maravilhoso e olhos castanhos. Meu coração parou por um segundo. Eu comecei a chorar. Não, eu estava morto, aquilo não era possível!
–Flakechen... – ele disse. Deus, aquela voz! Eu achei que eu nunca mais a ouviria! – Eu vim te ver, eu soube que você enfrentou um estuprador que tinha quatro vezes o seu tamanho. – ele riu – E aí ele quase te matou. Flake, no que você estava pensando? Você achou que teria alguma chance?
Eu queria muito falar com ele, mas não conseguia. Só conseguia chorar. Ele segurou na minha mão.
–Bem, como você notou, eu sobrevivi ao bombardeio. Eu consegui me esconder num bunker porque eu estava na rua quando aconteceu. Eu fui um dos únicos sobreviventes. – ele apertou os lábios – Mas uma bomba caiu bem em cima da sua casa, a sua família estava dentro.
Eu chorei mais. Eu não sabia se chorava de alegria porque ele tinha sobrevivido ou se chorava de tristeza porque agora estava confirmado que a minha família tinha morrido.
–Flake, não chora! Você sabe que eu odeio te ver chorando! – aí Paul começou a chorar – Eles estão bem agora...
Ficamos em silêncio, um olhando para o outro. Acho que o choque era tanto que nós não sabíamos o que dizer. Paul se inclinou e me beijou na testa e depois no ombro, enquanto acariciava o meu cabelo. Eu também queria tocá-lo e falar com ele.
–Bem, vou deixar você descansar agora.
“Não vá, Paul! Eu preciso de você!” eu pensei e gemi. Ele me olhou confuso.
–Você quer que eu fique?
Eu gemi, tentando dizer “sim”. Ele sorriu e se sentou na poltrona ao meu lado.
A segunda pessoa a me visitar foi Beth. Ela foi muito gentil, me dando flores. Rosas brancas, bem bonitas.
–Oi Chris. – ela sorriu – Eu espero que você esteja bem, aí dentro.
Eu entendi o que ela quis dizer com “aí dentro”. Como eu não conseguia falar ou me mexer, era como se eu estivesse “preso” no meu próprio corpo, como se ele fosse uma concha. Não era um estado vegetativo, eu só não conseguia falar ou me mexer por causa das fraturas e do meu estômago retalhado.
–Eu não me importo em ter que pagar as suas cirurgias... – ela começou – Mas eu só queria que você raciocinasse de vez em quando para não se meter em encrenca, como essa que quase tirou sua vida.
Depois que a Beth saiu, vieram o Axl e o Izzy. Meu estômago revirou quando eu vi o Izzy. Eu fiquei muito feliz. Ele me deu um selinho apenas e começou a passar a mão no meu cabelo. Eu me senti muito mais tranqüilo depois que ele apareceu.
–Flake – ele disse – Não tenta mais me vingar. – ele riu – Se você for me vingar de novo, chama o Axl pelo menos. Ele é bom de briga.
Axl riu e deu um empurrãozinho em Izzy. Eu tentei rir também, mas só saíram gemidos da minha boca.
Naquela noite, Izzy, Axl e Paul dormiram no meu quarto. Eles levaram uns sacos de dormir e se ajeitaram lá. Eu fiquei feliz em ter meus três melhores amigos (e ficante) comigo naquele momento. Eles ficaram conversando até tarde da noite. Eu só fiquei ouvindo-os conversar. Eu não me importava mais em não conseguir falar. Ouvir a voz deles três já era bem confortável. Eu acho que eu nunca dormi tão bem num hospital.
Notas finais
Mutti - mamãe
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