Pele E Lábios
1 Capítulo 1
PdV do Flake
Depois de quase 12 horas de vôo, eu finalmente aterrissei em solo americano. Estava inseguro, não com medo. Apenas inseguro. Era a primeira vez que eu viajava para fora do país e estava desacompanhado. Sou menor de idade, tenho 16 anos. Saí do aeroporto em Detroit e peguei um ônibus até Lafayette. Mais cinco horas de viagem. Minha sorte é que eu não estava com fome. Me joguei em um banco duplo do ônibus e cruzei os braços. As pessoas me olhavam estranho. Elas não gostavam das minhas roupas de punk esfarrapadas, do meu cabelo loiro tingido, da minha pele excessivamente branca e do meu sotaque. Dei de ombros e fiquei lendo uma revista de música até adormecer.
–Ei! Menino! – ouvi alguém dizer. Gemi e abri os olhos. Era o motorista do ônibus, me cutucando para que eu acordasse – Temos que esvaziar o ônibus.
–Cheguei, schon? – eu disse, bocejando e me levantando do banco. Saí do ônibus e peguei o endereço num papelzinho dobrado. Suspirei. É difícil saber apenas o básico de inglês e não fazer ideia de onde você está. Vou ter que pegar um taxi.
Meu relógio de pulso marcava meio-dia. O sol queimava minha cabeça e eu estava ficando estressado, porque não conseguia pegar nenhum taxi. Até que, finalmente, um parou. Entrei nele e o frio do ar-condicionado me tomou. Pelo menos um pequeno conforto.
–Bom dia. – eu disse. O motorista acenou e eu lhe entreguei o papelzinho. Ele me perguntou algo estranho e eu balancei a cabeça negativamente. Ele levantou os ombros e ligou o carro. Não demorou muito para chegarmos ao endereço da minha “nova família”. Paguei o taxi e fiquei parado, observando a casinha.
Era uma casinha bonita, branca, de janelas não muito grandes e nem muito pequenas. O telhado não era muito inclinado, então eu deduzi que não devia nevar muito naquele lugar. Mas a casa tinha um aspecto acolhedor. Toquei a campainha. Uma mulher de uns 40 anos de idade abriu a porta. Ela sorriu.
–Você deve ser o...
–Christian... Lorenz... – senti meu rosto formigar. Eu estava corando de vergonha. Verdammt.
–Oi, Christian. Meu nome é Beth. Pode entrar.
Entrei na casa. Era um lugar bem legal de se viver, bem arrumado e espaçoso. Beth me levou até meu quarto. Era um quarto simples, com uma cama, um armário grande e uma escrivaninha. Depois, ela me mostrou o resto da casa e foi falando:
–O computador fica no escritório, o banheiro é ali... A cozinha fica perto do seu quarto, aliás. – ela sorriu – Você tá com fome? O que você costuma comer? Se é que você come... Você é tão magro... Ah, nós não temos comida alemã aqui...
–Eu como qualquer coisa. – eu ri – Não estou com fome, danke. Só quero... Schlafen...
–Hm? – ela ficou confusa com a minha mistura de línguas. Era difícil mudar do alemão para o inglês em tão pouco tempo.
–Dormir. – eu me lembrei da palavra em inglês.
–Ah, ok. – ela me levou de volta para o meu quarto – Com licença. – ela disse, antes de fechar a porta.
Respirei fundo e tirei minha camisa de flanela. Estava muito quente naquele dia. Eu nunca imaginei que os verões na América fossem tão quentes. Os verões na Alemanha são meio frios. E os invernos, então...
Deitei-me na cama confortável e fechei os olhos. Dormi bem, até porque eu tinha que dormir bem. No dia seguinte, eu iria para minha nova escola.
Notas finais
GLOSSARIO:
Schon - já
Verdammt - maldição
Schlafen - dormir
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