Quando Marcius acorda, descobre que está amarrado. Ele olha para o lado e se depara com Arcmênidas acordado.

—O quê? Onde estamos? O que aconteceu? Você se lembra?

—Não gosto de lembrar disto, mas nós todos fomos derrotados por uma única mulher bárbara. E agora estamos dentro de uma carroça indo para não sei aonde.

—Não acredito! Fomos capturados por estes pagãos e estão nos levando para longe!

—Droga. Não foi isto que eu tinha em mente para esta missão. -Fala Arcmênidas. -Agora nós perdemos tudo! O imperador, as carroças... espera, estamos dentro das nossas próprias carroças!

—Sim. Os bárbaros não possuem este tipo de tecnologia. Mas a pergunta é: quem é aquela alamana e por que ainda estamos vivos?

Marcius põe a cabeça para fora da janela da carroça e se depara com a mesma mulher a dirigindo.

—Ah! Você! Quem é você? O que querem com a gente?

—Calado, romano! -Ela responde.

—Espera, você fala nossa língua?

—Como pode perceber, eu falo...

—Impressionante. Parece que você não é tão animal assim então. Escute, queremos saber onde estamos indo, porque nos capturaram e quanto tempo nós estivemos apagados!

—Você apagou por 15 horas. Seu amigo grego acordou um pouco antes e os outros 2 ainda estão apagados. Estamos a um dia das montanhas e vocês serão levados para a Alamania.

—O quê? Por que estão nos levando para a sua terra? O que ganham com isto?

—Você pergunta demais, romano. Logo virão respostas.

Arcmênidas percebe que as carroças estão cercadas pelo exército alamano. Eles são empurrados para dentro da carroça por guerreiros e trancados lá.

Após três dias atravessando os alpes e mais quatro se distanciando deles, com os nossos guerreiros trancados dentro da carroça o tempo todo, eles são finalmente libertados. Eles se deparam dentro de uma grande vila bárbara.

—Onde estamos? O que querem conosco, malditos? -Pergunta Marcius correndo na direção de um guerreiro. Ele toma m soco na cara e é afastado. Os bárbaros começam a gritar e urrar.

Um guerreiro alamano com uma pele de lobo na cabeça sai do meio da multidão.

—E bom se por em seu lugar, romano. Você está no nosso país agora! Vai descobrir que insultar o povo daqui não o servirá de nada.

—Você também fala latim? -Pergunta Marcius.

—Sim, por que não falaria?

—Tudo bem, o que quer com a gente? Quem é você?

—Eu sou Gundoric, chefe desta aldeia.

—Ah, é o chefe, que ótimo, então eu posso perguntar por que o seu povo está invadindo o Império Romano tanto ultimamente e porque vocês nos raptaram?

—Ora mas não é óbvio o porquê? Incontáveis povos germânicos já receberam terras dos romanos. Os burgúndios, os francos; os godos, estes fundaram dois reinos no seu Império. Mas nós, os alamanos? Roma sempre nos negou isto! Por que nós não? Nós só estamos reclamando o que é deveria ser um direito nosso.

—Palavras vitimadoras para uma verdade muito mais profunda. Vocês são saqueadores, conquistadores, assassinos, que invadiram o território romano apenas por ganância e sede de poder e maiores terras.

—Hum... está falando de nós ou de vocês? Vocês se esquecem, romano, que meu povo já sofreu muito nas mãos do seu no passado; massacres horrendos e traições. Seu povo também conquistou e massacrou povos inteiros por ganância e terras. Por que vocês têm este direito e nós não?

—Vocês têm inveja do poder e esplendor de Roma e querem roubar isto de nós. E isto que vocês e todas as nações bárbaras querem. Mas eu não vou deixar que isto aconteça!

—Haha! Você tem bastante confiança para alguém que está preso e a quilômetros de casa! Bem, me foi informado que com vocês em sua comitiva estava o imperador de Roma em pessoa e nós achamos isto deveras interessante. Usaremos vocês como reféns para demandar um resgate. Em troca de suas vidas, pediremos para nos tornarmos aliados de Roma e receber terras prósperas em seus territórios. Caso eles neguem isto, sacrificaremos vocês todos aos deuses, para que eles nos ajudem a conquistar Roma, assim que a invadirmos novamente!

—Maldito pagão! -Fala Marcius.

—Isto não vai ficar assim. Se quero ver conseguirem matar um espartano, seus bárbaros malditos! -Grita Arcmênidas.

—Leve eles daqui agora, minha filha. -Ele fala para a guerreira que derrotou eles na Itália.

—Sim, pai. -Ela responde.

Ela os leva para a frente de uma cabana, antes que eles falem.

—Você? Você é a filha do chefe? -Pergunta Marcius.

—Sim. Sou Aurel, filha de Gundoric. E ele não é só o chefe desta aldeia e antigo rei dos gortungos. Ele foi eleito o rei de todos os alamanos e comandante máximo do exército, portanto, isto faz de mim a princesa e uma das mais poderosas do país.

—E o que eu tenho a ver com isto? -Pergunta Marcius.

—Tem a ver que eu tenho muita influência entre o meu povo e é por causa de mim que vocês ainda estão vivos! Fui eu quem convenci meu pai a não os matar assim que foram capturados. A hora que eu quiser, vocês morrem!

—O quê? E por que você nos mantém vivos? -Pergunta Arcmênidas.

—É por um grande propósito, vocês não acreditariam.

—O quê? Pois abra a boca, somos todo ouvidos.

—Muito bem então. Muito longe no profundo leste desta terra, um exército massivo e destrutivo se aproxima.

—O quê? Como assim?

—Em uma aventura que eu participei, em que fui com o exército de minha tribo para um ataque no Leste, na Turíngia há um ano, eu fiquei sabendo de uma invasão vinda a todos os povos da Terra!

—Está falando do Apocalipse? -Pergunta Marcius.

—Quase isso. Um dos camponeses turíngios da vila que nós atacamos, gritou e mencionou alguma coisa de ataques dos hunos. Eu perguntei a ele do que ele estava falando, e ele disse que apenas um mês antes ele tinha avistado um exército de hunos se reunindo com o exército de uma tribo veneti à margem do rio Suevus, do topo de uma colina. Pelo que pareceu, os dois exércitos estavam forjando uma aliança, pois seus líderes estavam apertando as mãos. E uma aliança entre os hunos e os veneti pode significar uma grande invasão!

—HAHAHAHA! Isto foi a coisa mais engraçada e tola que eu já ouvi. Ah, puxa vida. Quer mesmo me fazer acreditar que os hunos iam lançar uma invasão ao oeste novamente? E seriam vistos tão a oeste quanto no Suevo? Desde que Átila morreu, os hunos são desunidos e nunca mais representaram uma ameaça significativa, tendo sido derrotados facilmente todas as vezes que tentaram atacar novamente. O último lugar que se tem notícia deles estarem habitando, é nas profundezas da Scythia, às margens do mar Pontus, recuados, fracos e divididos. E não falam mais deles há cerca de seis anos. E os Veneti são um povo pacífico. Não há razão para acreditar nesta história. Foi apenas um aldeão louco e em pânico que você ouviu.

—Não, não foi. O aldeão me mostrou um capacete e uma espada que ele recolheu e manteve guardados, que os exércitos abandonaram quando foram embora. Era uma espada huna recém forjada e um capacete huno recém forjado. Em nenhuma terra algo que alguém olharia e diria que foi feito há mais de 20 anos. Não podemos ignorar a possibilidade de os hunos estarem formando uma aliança com povos das regiões próximas à Germânia e se organizando para invadir o oeste novamente. Todos os povos se lembram da destruição e desgraça que eles trouxeram vinte anos atrás e do imenso território que eles conquistaram com suas invasões e nenhum povo, seja os romanos ou os germânicos, quer sofrê-los novamente. Por sorte eles foram derrotados, mas se não reunirmos um exército cedo suficiente para nos opormos a eles, eles podem não ser derrotados da próxima vez.

—É uma excelente história para assustar crianças, mas acho difícil de acreditar. E mesmo assim, por que você não informou isto ao seu pai e o convenceu a formar um exército para se opor a eles em vez de invadir o Império Romano? -Pergunta Arcmênidas.

—Meu pai não me deu ouvidos. Ele tinha apenas olhos para Roma.

—Seu pai parece sensato. Se ele não a ouviu por que nós o faríamos? E como é que você acha que nós 4 vamos ajudar a derrotar um exército inteiro de hunos?

—Não estou falando de vocês quatro. Você é um Mestre dos Soldados romano, não é? Pode usar sua influência no Império para formar um exército e nos ajudar! Assim que eu o vi sabia que poderia ser de ajuda!

—Sinto muito princesa, mas não vai acontecer! -Fala Marcius.

—É, temos nossa própria missão para cumprir. -Completa Arcmênidas.

—Além disso, o Império já está numa imensa e profunda crise e lutas internas e tenho isto para resolver também.

—Mas se o império souber dos hunos isto pode uni-lo novamente! Vocês já os derrotaram uma vez lembra?

—Ah, sim, derrotados pelo grande general Aécio, ao lado do qual, meu pai serviu.

—Pense que você pode ser como ele.

—Sim! General Aquilus, Hunicus Maximus! Isto iria restaurar minha honra!

—Desculpe bárbara, mas meu amigo está delirando. A resposta ainda é não. -Fala Arcmêmidas.

—Vocês falam com bastante irreverência para quem está preso e sem opções. Vocês não têm como fugir daqui. E mesmo que conseguissem, nunca iriam achar o caminho de volta para casa. Nos estamos muito além da Floresta Negra.

—Bem, você pode estar certa, mas isto seria chantagem e isto é imoral! -Fala Marcius.

—Não ligo. Se quiserem cumprir sua missão, terão que me ajudar. Pensem nisso. -Ela fala empurrando os dois para dentro da cabana e fechando a porta.

Na manhã seguinte, eles são libertados e podem andar livremente pela aldeia. Eles então, se sentam em um banco que havia na rua.

—Eles nos libertaram. É nossa chance de fugir daqui, Marcius. -Fala Arcmênidas.

—Não seja ingênuo. Eles só fizeram isto porque sabem que não podemos ir a lugar nenhum. Como vamos fugir sem saber onde está o imperador e os seus homens.

—Então vamos procurá-los!

—Arc, pelo amor de Deus, mesmo que os achássemos e conseguíssemos fugir daqui, estamos sendo vigiados o tempo inteiro e não fazemos ideia de onde estamos.

—Aposto que você está pensando naquilo que a bárbara falou de ser o derrotador dos hunos e tudo mais.

—Ora, não seja ridículo. Estou apenas sendo racional. Tudo o que podemos fazer é negociar com ela.

—Não pense nem por um segundo em fazer o que ela está exigindo. Temos uma missão importantíssima para cumprir e já nos desviamos dela que chega!

—Arc, abra seus olhos! Se o que ela diz for verdade, temos todos os motivos para aceitar. Além disso, como ela mesma disse, não temos opções.

—Argh! Tudo bem. Mas eu não gosto nada disso.

—Não se preocupe. Vamos apenas investigar se o que ela diz sobre os Hunos é verdade, o que eu duvido. Se não for, ela nos liberta e voltamos a Ravenna com o Imperador. No máximo um mês e estaremos com a missão cumprida e você poderá retornar a Tarnarium com o seu tesouro e aproveitar.

—Tudo bem. Mas espero que esteja certo! -Fala Arcmênidas.

—Que bom que concordaram em me ajudar. -Fala Aurel, que aparece logo atrás deles.

—Ah, você estava nos espreitando, que susto! -Fala Marcius.

—Sim. E já que concordaram, tem uma coisa que eu quero mostrar a vocês, me sigam.

Eles seguem ela até uma cabana. Ela abre a porta e se depara com uma mulher linda, de olhos verdes, cabelos ruivos, alta e magra. Ela usava uma roupa verde.

—Uau, que mulher magnífica! -Fala Arcmênidas.

—Sim. Esta é Arthanna, a bretã. Meu pai a comprou como escrava de um grupo de saxões, há dois meses. Consegui convencê-la a se juntar a mim também.

—Se juntar a nós? E o que ela faz de útil? -Pergunta Marcius.

—Com todo respeito, romano, mas eu sou a maior arqueira da Bretanha. Matei dezenas de saxões em várias batalhas contra eles em suas invasões à minha terra. Até que o exército que eu pertencia foi derrotado e eu fui capturada e vendida como escrava a esta tribo.

—Triste história a sua.

—Sim, mas esta guerreira bárbara me ofereceu liberdade em troca de ajuda.

—Engraçado, ela fez a mesma coisa conosco. -Fala Arcmênidas. -Para você não soa como chantagem também?

—Já estou farta da sua ironia, grego. Se dependesse do meu pai vocês ainda estariam como servos ou mortos.

—Está bem, está bem, agora, uma pergunta de grande interesse de todos nós: quando saímos do acampamento? -Fala Marcius.

—Amanhã, hoje à noite celebraremos os feitos dos nossos ancestrais com canções heroicas e um grande banquete. Mas mais importante, antes de partirmos precisamos consultar o xamã da nossa tribo, para nós certificarmos do que está à nossa frente e das escolhas que devemos tomar.

—Não creio que vá mesmo consultar um sacerdote pagão supersticioso sobre nosso destino. -Fala o romano.

—Você está na minha tribo agora, então vai respeitar nossos deuses, pois aqui, eles é que são os verdadeiros. Não seu único Deus! -Fala Aurel.

—Tudo bem, como quiser.

Assim, de noite, há um grande banquete num imenso salão, onde os homens e mulheres dançavam e bebiam cerveja, enquanto cantavam belas músicas sobre feitos grandiosos de batalhas, que compunha muito da tradição daquele povo. Eles abocanham cochas de frango com as mãos sujas. Arcmênidas e Marcius estavam presentes no banquete. Arthanna estava servindo a comida e a bebida nas mesas.

—Aí, esse pessoal é legal pra caramba até. -Fala Arcmênidas bêbado.

—Já está bebendo de novo? Puxa vida, você não perde uma oportunidade. -Fala Marcius.

—Não podemos perder nunca. Ainda mais que esta tal de cerveja é maravilhosamente deliciosa!

—Bem, vou me limitar à comida e, talvez aproveitar um pouco das canções.

No dia seguinte, eles estão já se preparando para deixar a vila em segredo.

—Você está se arriscando muito com sua posição nobre e com seu pai ao fazer isto, Aurel. Obrigado. -Fala Marcius.

—Eu estou fazendo o que acho certo. Se meu pai não pode ver isto, não posso fazer nada. Agora, vamos, está na hora de consultar nossa sorte. -Ela fala.

Eles saem para fora da vila e adentram um bosque há alguns minutos de distância, onde se deparam com um pequeno acampamento de um xamã. Ele tinha longas barbas e um manto branco.

—Ah, olá Aurel, minha princesa e senhora. Veio querer saber alguma coisa dos deuses com seus amigos estranhos?

—Sim, meu sacerdote. Irei partir em uma aventura para recrutar um exército para lutar contra os Hunos. Preciso que pergunte aos deuses qual a melhor forma de realizar esta tarefa.

—Ah, a pequena Aurel está em busca de uma batalha contra os outrora poderosos e terríveis hunos. Nós, os alamanos já fomos seus aliados nos tempos em que seu pai ainda era jovem e você ainda não possuía nem a idade de aprender a guerrear. Mas eles foram derrotados em incontáveis batalhas e seu território tomado pelas nações que eles outrora governaram. Será que eles teriam poder para retornar atualmente? Preciso fazer um sacrifício aos deuses em busca da resposta. -Ele fala, pegando um veado que estava amarrado a uma arvore e o levando à frente de um grande totem de madeira com o formato de um deus barbudo e encapuzado.

—Ah, por favor, diga-me que ele não vai fazer o que eu penso que ele vai. -Fala Marcius.

Ele pega uma faca e o mata com um corte na garganta.

—Ó, poderosos deuses da natureza! Aceitem este sacrifício de sangue e respondam minhas perguntas! Os hunos retornaram a conquistar povos? -Ele pergunta com as mãos para cima. -Qual o melhor jeito para nossa princesa impedi-los e qual será sua sorte nesta missão?

Ele mergulha suas mãos na poça de sangue do animal e fica com os olhos fechados, escutando os supostos deuses, se contorcendo e emitindo grunhidos.

—Ah sim, eu vejo. Os deuses me disseram que sim, os Hunos voltaram. E para você conseguir ajuda, deve rumar para o extremo norte do Mundo, para a terra da Scanza (Escandinávia). A terra de onde vieram os ancestrais dos povos germânicos, e onde os próprios deuses e mais poderosos e selvagens guerreiros habitam. Se quiser salvar a Terra do ocidente da fúria dos Hunos, deve apelar para a ajuda destes guerreiros e empreender na dura e árdua aventura de se dirigir a esta aterradora região.

—O quê? Mas o que os deuses falaram sobre a ajuda dos exércitos romanos que este romano comigo pode conseguir?

—Os romanos? Ah os deuses atentaram para não confiar nos romanos. Este povo ganancioso e cego por poder está fraco e desunido. Os romanos nunca esquecerão seus esforços de lutar pelo poder em sua própria terra para atender o pedido de ajuda da princesa dos alamanos. Não, especialmente em se tratando dos hunos, que eles acreditam terem derrotado para sempre e derrotado há muito tempo.

—É só isso que os deuses proferiram? -Ela pergunta.

—Sim, eles não revelaram mais nada.

—Pois está ótimo. Agora, vamos partir.

—Adeus, grande Aurel. Que os deuses estejam certos e que a guiem nesta jornada.

Depois de Aurel traduzir o que o xamã disse aos outros, Arthanna fala:

—Escandinávia? O que é esta Escandinávia?

—Escandinávia é uma terra, dizem as histórias, longínqua, no mais distante norte da Terra. Ela é separada da terra principal pelo Oceano Externo, que se estreita ao passar entre a Escandinávia e a Terra principal, dando origem ao mar germânico a leste da passagem. O ambiente lá é praticamente inóspito e dominado pelo mais extremo frio que se possa imaginar e pelas tempestades de neve.

—E por que os seus deuses querem que a gente vá para lá? -Pergunta Arcmênidas.

—Pois, justamente pela terra da Scandza ser dominada por estas condições, as raças que lá habitam são as mais poderosas e selvagens do mundo. Os povos da Escandinávia, dizem, são quase como os germânicos, porém são tanto mais altos, como mais fortes, selvagens e animalescos. Dizem que são tão selvagens que em vez de viver dos grãos da terra, eles preferem caçar leviatãs no mar e feras na terra e a maioria das línguas faladas lá não possui mais do que 300 palavras. Um só dos guerreiros de lá possui a força de 10 hunos.

—Uau, então se conseguíssemos um exército de lá, nos conseguiríamos facilmente derrotar os hunos! -Fala Arthanna.

—Exatamente! -Fala Aurel.

—Vocês não estão mesmo sugerindo que a gente empreenda mesmo em uma jornada a estas terras inexploradas e hostis não é mesmo? -Pergunta Marcius. Isto é uma enganação! Os deuses que seu bruxo afirma ter escutado, são na verdade espíritos malignos sussurrando em seus ouvidos, tentando nos levar à nossa ruína. Não devemos dar ouvidos!

—Acho que devemos tentar. -Fala Arthanna. Eu irei com Aurel.

—Se elas vão, então acho que vou também. -Fala Arcmênidas.

—Arc, logo você que estava pessimista sobre esta missão? Não acredito!

—Você mesmo disse que não temos escolha, Marcius. -Além do mais, eu estou afim de participar de uma aventura aos confins da terra e desbravar este mundo.

—Não podemos dar as costas para Roma quando ela mais precisa! As notícias de que o Imperador não chegou a Ravenna já devem ter se espalhado e usurpadores, tanto generais romanos, quanto senhores da guerra e reis bárbaros, devem estar planejando tomar o trono.

—Ah, agora você liga para Roma? Por que não ligou quando ficou dois meses trancado em sua casa? -Pergunta Arc.

—Malditos! Malditos sejam todos vocês. Tudo bem, eu vou.

—Finalmente! Agora vamos retornar à aldeia e terminar de arrumar nossas coisas. Hoje à noite estaremos partindo.

Assim, eles se despedem do sacerdote.

Logo, a caravana está quase pronta. Cassiodoro e Nikos estão com nossos quatro heróis, assim como o imperador Rômulo Augusto.

—Rápido, antes que alguém veja. -Fala Aurel.

—Calma, estamos terminando de carregar a carroça de suprimentos, bárbara. -Fala Arcmênidas. -Além disso estão todos dormindo.

—Mas ainda assim, todo o esmero é pouco. -Fala Aurel.

Eles estavam sendo iluminados apenas por uma tocha na mão de Arthanna. Atrás deles estava um absoluto breu, e das sombras, uma mão agarra o Imperador Rômulo Augusto que estava ao lado de Aurel.

—Aahh! Socorro!! -Grita ele.

Eles iluminam e veem que é um guerreiro da tribo.

—Peguei você tentando fugir com os prisioneiros princesa! O rei não vai gostar nada disto quando descobrir. -Fala ele com o imperador nos braços.

—Pare com esta bobagem. Nos devolva o garoto ou eu disparo em você. -Fala Arthanna com uma flecha apontada para o homem.

O homem pega um berrante feito do chifre de um animal e começa a tocá-lo. Logo aparecem vários guerreiros, incluindo o rei Gundoric.

—Filha! O que pensa que está fazendo com os prisioneiros?

—Eles vão fazer o que você não quer, pai! Me ajudarem a lutar contra os Hunos!

—Aurel, os hunos não existem mais como ameaça! Quando você vai entender? São apenas delírios seus!

—Mas e se for verdade? Quer mesmo que a terra da qual você se tornou rei há pouco tempo seja conquistada e se torne vassala deles novamente?

—Isto não está em discussão! Eu sou rei e decreto que se você fugir, cairá em desgraça tanto do seu povo, quanto dos deuses!

—Adeus, papai!

Com tudo pronto, eles fogem com suas carroças e o rei manda os guerreiros atirarem com seus arcos, o que eles o fazem, mas não são bem-sucedidos em pará-los.

—Aurel, está maluca? Abandonamos o Imperador! -Fala Marcius.

—Bem, se voltarmos agora, estaremos mortos. Além do mais, acho que meu pai não fará mal ao garoto.

Assim, o rei e seus homens vêm a caravana se afastando para longe da aldeia.

—SAIBA QUE DE HOJE EM DIANTE, EU NÃO ACEITAREI DE VOLTA, FILHA!

—Senhor, eles conseguiram fugir, mas ficamos com o Imperador. Devemos matá-lo?

Aaaaah!! -Grita o rei. -Não. Não o mate. Como o Imperador de Roma, tenho uma utilidade maior para ele. Amanhã, mande uma mensagem a Roma e diga que temos seu imperador em nossa custódia. Se eles quiserem que ele continue vivo e seja devolvido, a única coisa que exigimos em troca, é alguma porção de terra e oportunidade de forjarmos alianças pacíficas com o Império. Tenho certeza que a paz entre nós é muito apreciada por eles.

—Sim, meu senhor. Amanhã mesmo, enviaremos diplomatas para Roma.

—Vamos, menino. Você será bem tratado em nossa aldeia. -Fala o rei, empurrando as costas do imperador desesperado, para de volta para dentro da aldeia.

Notas finais
Arcmênidas: Por séculos, Esparta foi a mais poderosa cidade-estado da Grécia e com a reputação de ter os guerreiros mais habilidosos e imbatíveis. E isto era verdade, como se provou na batalha das Termópilas em 480 a.C. quando apenas 300 espartanos lutaram por três dias contra um exército de persas pelo menos dez vezes maior. Mas esta tradição bélica dos espartanos foi se perdendo após a conquista romana da Grécia em 146 a.C. Ou será que foi? Um grupo de 300 espartanos, vendo a decadência da sua cidade, resolveu fundar uma ordem reclusa das instituições políticas da cidade, quase secreta, onde seus membros preservariam as tradições que fizeram dos espartanos guerreiros tão poderosos. Quase 600 anos depois, nasceria Arcmênidas. Seus pais faziam parte desta ordem e ele foi treinado ao modo ancestral espartano para o combate, aprendendo desde os 7 anos, a lidar com dor e ser um artista marcial tão habilidoso que era capaz de lidar com até 20 homens ao mesmo tempo e, acima de tudo, se mantendo pagão como todos na ordem em um mundo cada vez mais cristão. Se tornou o líder da ordem em 470, recebendo o título de rei dos espartanos. Também havia embarcado em uma carreira de mercenário. algum tempo antes. Contratou três ajudantes e viaja pelo mundo como um dos mais habilidosos dos mercenários, realizando missões e mais missões pelo maior preço possível e sempre com filas de gente para contratá-lo.