Gunnar, o nórdico, andava pelas ruas de Tarnarium e parecia muito frustrado. Uma carroça passa por ele e ele pega seu machado e acerta a roda, fazendo a carroça despencar.

—Ei, qual é o seu problema? –Pergunta o homem que dirigia a carroça. –Vai pagar pelos estragos que me causou?

—Não to afim, irmão, obrigado.

—Então deixa que eu mesmo tiro o dinheiro de você. –Ele fala tirando uma espada da sua bainha.

Gunnar pega seu machado longo e fala. –Então vem, amigão!

O homem ataca Gunnar com a espada, mas ele se defende com o cabo, e joga a lâmina para o lado. Depois acerta o rosto homem com a parte de baixo do cabo do machado, deixando-o atordoado. Ele levanta seu machado, gira-o por cima de sua cabeça conseguindo energia e acerta o rosto do oponente, fazendo seu rosto de abrir em dois.

Kawada aparece logo em seguida.

—Hey, Gunnar! O que está acontecendo com você?

—Eu estou furioso, Kawada. Eu vim para o sul para saquear e conquistar riquezas e até agora eu não pude saquear nenhuma cidade, nem conquistar nenhuma terra! Eu fui enganado!

—Não! Não fale assim. A oportunidade de saquear vai chegar ainda. É só uma questão de tempo.

—Sim, vai chegar e vai ser agora! –Fala Gunnar, saindo correndo pelas ruas, roubando riquezas de metal das pessoas e das casas e destruindo tudo. Alguns ficam irritados e vão para cima de Gunnar. Kawada vai para ajudá-lo.

Enquanto isto, Marcius se encontra com Arcmênidas no porto.

—Ah, olá, Arc. Você me chamou aqui não? O que quer?

—E ai, Marcius. O negócio é o seguinte. Os ricões da cidade vão dar uma festa hoje, logo antes do Grande Evento, como estão todos chamando. Eu, como sou um dos mais bem estimados desta cidade, fui convidado. Então falei que era amigo de Marcius Fulvius Aquilius e eles rapidamente disseram para convidá-lo também!

—Oh. Fico muito feliz.

—Sim, e também disseram que cada um pode convidar mais duas pessoas. Vamos convidar o pessoal e nos divertirmos antes do grande evento.

—Claro!

Logo eles ouvem um tumulto e uma pequena aglomeração um pouco perto e correm até ela. Chegando perto, eles vêem Kawada e Gunnar lutando contra um punhado de homens furiosos. Kawada velozmente desvia o golpe de uma espada inimiga com a sua e leva sua lâmina à garganta do inimigo, cortando-a. Outro o ataca por cima, ele facilmente se defende e em uma fração de segundo, contra-ataca cortando a sua barriga. Outro ia atingi-lo com uma maça e ele desvia, empurrando o inimigo pra cima de Gunnar, que arranca a maça dele com um golpe de seu machado e depois, enfia sua lâmina na sua cabeça.

—Hey! O que está acontecendo aqui? –Pergunta Marcius.

—Estamos só... praticando. –Fala Kawada.

—É. Estamos praticando para o evento gladiatorial que vai acontecer hoje, porra. Não pode mais?

—Vocês são imprudentes e irresponsáveis, sabiam? –Fala Marcius.

Logo aparece um grande contingente de soldados armados.

—O que está acontecendo aqui? –Pergunta o chefe da guarda.

—Calma, amigo. Tenho tudo sob controle. –Fala Marcius. –Quem é você?

—Por acaso eu sou o líder da guarda mercenária vândala do senador Gaius Flamingus Palva. Estava rondando as ruas com meus homens e vi este tumulto e resolvi vir ver. Esse dois encrenqueiros precisam pagar.

Seus homens já estavam apartando a situação.

—Está tudo sob controle, amigo. Pode falar ao senador que não tem anda atrapalhando seus interesses aqui. –Fala Marcius.

O guarda fica irritado.

—E você quem é, amigo? Bonita armadura de legionário. Achei que este pessoal tinha largado esta cidade para o diabo. Então acho incomum ver um aqui.

—Sou ninguém mais ninguém menos do que Marcius Fulvius Aquilius.

—Nunca ouvi falar.

—Não? Maior general romano vivo. Já comandei exércitos vitoriosos contra visigodos, burgúndios, turíngios, alamanos e outros em diversas batalhas campais no norte. Mestre dos Soldados das Províncias Imperiais, segundo homem mais poderoso do Império.

—Hahaha! Quer que eu acredite nisto? O que um homem com esta envergadura estaria fazendo em um fim de mundo sem lei como esta cidade?

—É uma longa história. E não tenho tempo agora.

—Ah, mas eu tenho tempo para ouvi-la.

—Mas eu não tenho tempo para gastar com você. –Ele fala indo embora.

—Há ha. Vai com Deus, soldadinho que se acha um general.

—Até logo, barbarozinho que se acha autoridade.

Os quatro vão embora dali.

—Tome mais cuidado com o que vocês fazem. Não queremos arrumar encrenca neste lugar. Só queremos conseguir dinheiro na arena.

—Não! Se esta cidade é sem lei, por que eu não posso fazer o que eu quiser em paz? –Pergunta Gunnar.

—Não vou deixar você saquear nada aqui, Gunnar. Uma hora a oportunidade vai aparecer.

—É, eu espero que apareça.

—Se vocês já acabaram, gostaria de avisar que hoje de noite vai rolar uma grande festa. Vocês tão convidados. Vai ter bebida à vontade por conta da casa.

—Tá, tudo bem. –Fala Gunnar.

Eu não creio que tenha roupas para uma festa.

—Ah, não se preocupa. É só ficar com sua armadura peitoral, suas calças e sem armas e já tudo certo. Pelo menos todos saberão que você é um guerreiro prestigiado.

Na hora da festa estão os seis reunidos. Ela acontecia num grande salão com uma longa mesa de banquetes, uma fonte de vinho, várias escravas seminuas e pessoas em togas e em armaduras rindo. Os seis guerreiros estão juntos.

Uma escrava chega a Arcmênidas e lhe oferece algumas taças de metal com vinho. Arcmênidas pega a taça e a jarra, bebe a taça inteira e logo a enche mais, ponto a jarra de volta na bandeja. Os outros pegam bebidas também.

—Eu vou dar uma volta. –Fala Gunnar.

—Divirta-se. Fala Arthanna.

—É uma festa impressionante. –Fala Marcius.

Eles encontram com Muitus Brutus lá.

—Ah, meu amigo Muitus! Até você foi convidado?

—Claro. Afinal de contas, eu sou o maior vendedor de armas desse lugar. Praticamente todos os gladiadores ou mestres de gladiadores compraram suas armas comigo e eu sou rico. Seria uma ofensa não me convidarem. Vou compartilhar o camarote com alguns senadores de menor estatura. Viram só como estou crescendo?

—E em quem você está apostando? -Pergunta Marcius.

—Fiz algumas apostas pequenas em Aedwulf e umas mais pesadas em Xahab.

—Poxa nenhuma em nós?

—Eu não duvido do potencial de vocês, mas apostei muito dinheiro em Xahab, entendem? Se apostasse em mais alguém passaria do limite de segurança e me arriscaria demais a falir. Preciso ser pragmático. Vou indo, amigos.

—Ah, meu caro amigo Arcmênidas! –Fala um homem em vestes nobres se aproximando com alguns guarda-costas.

—Gaius Flamingus Palva! E ai, companheiro.

—Sou grato a este homem, sabiam? –Fala o senador aos amigos dele. –Eu já apostei pesado várias vezes nele e ele nunca me decepcionou! Me deixou rico.

—Sim, e você me deu uma grande parte dos ganhos, lembra-se. Uma grande parceria.

—Ah conheçam a minha mulher Lucia Silvia. –Ele apresenta a mulher ao seu lado com o cabelo incrivelmente arrumado e lindas vestes. Ela os cumprimenta.

—Vejo muitos guerreiros exóticos. São seus escravos, Arc?

—Não. Como sabe, escravos não foram convidados para festa. Estes são guerreiros livres e prestigiados, meus grandes amigos. E lutaremos juntos na arena.

—Uau! Isto é uma mulher bárbara? –Ela pergunta apontando para Aurel.

—Ela é alamana! –Fala Marcius.

—Ah, então é uma bárbara mesmo. Nunca tinha visto um animal destes tão de perto! Eles não são tão selvagens assim quando olhamos de perto, não é mesmo amor?

—Cuide com o que fala, romana. –Fala Aurel em resposta.

—Puxa! Ela fala a nossa língua. Impressionante. Não sei quem a domou, mas está de parabéns.

—Muito bem, senhora, acho que ouvi uma amiga sua chamando-a. Por que não vai conversar com ela? –Fala Marcius.

—Ah, deve ser Emilia. Vamos ver o que ela quer. –Ela vai embora.

—Desculpem-me pela minha mulher. –Fala Gauius. –Ela às vezes se esquece que até nossos guarda-costas são bárbaros.

—Eu conheci seu guarda vândalo hoje cedo.

—Ah, ele não lhe causou nenhum transtorno não é?

—Nada que eu não pudesse relevar.

—Perdão. Sabe que vândalos tendem a ser bem arrogantes às vezes.

—Sem problemas.

—Mas e ai, Gaius. Você vai apostar em nós de novo não vai? Ouvi dizer que as apostas neste evento estão altas como não eram em muito tempo.

—Bem, lamento te decepcionar, Arcmênidas. Mas eu apostei em Xahab desta vez.

—No Xahab? Mas e nossa velha parceria?

—Desculpe, mas o Xahab está a mais de 13 partidas invicto! A maioria ta apostando nele!

—Vamos! Eu sei que vou vencer! E não quero vê-lo perdendo dinheiro em vez de partilhá-lo comigo.

—Agradeço a preocupação. Mas não será desta vez.

—Sem problema. Mas antes de ir, me faça um último favor: precisamos de patrocínio ainda para esta luta. Sabe quem é que está organizando este evento de hoje e onde ele está? Gostaria de falar com ele.

—Ah, sim. O anfitrião da festa e dos jogos é Cornelius Corinthianus Justus, o mais rico senador desta cidade. Acho difícil se aproximarem dele. Vive cercado de bajuladores. Só sendo um grande e prestigiado general ou algo do tipo para que ele tenha sua atenção. Está no camarote agora.

—Eu entendo. Daremos um jeito, não se preocupe.

Logo, eles chegam onde ele estava. O senador dava muitas risadas e bebia muito, ao que comia coxinhas de franco. Ele estava com um diadema de louros como Baco.

—Eu estou dizendo. Estes jogos serão como jogos nunca antes vistos. Eu chamei apenas os melhores dos melhores dos gladiadores e mercenários desta cidade para participar. Nobres de inúmeras cidades estão vindo para ver o espetáculo. Isto vai me deixar mais rico do que Crasso! A Casa Justus nunca foi tão grande como agora!

—Senador Corinthianus! –Fala Arc chegando lá.

—Ah olá Arc. Desculpe, mas estou ocupado no momento.

—Não! É importante. Precisamos discutir algumas coisas.

—E o que é tão importante de se discutir que você veio direto a mim? Você não é mais o melhor de Tarnarium, esteve muito tempo ausente. O foco das apostas se voltou para outros campeões. Deveria procurar apostas a seu favor entre os menos proeminentes.

—Bem, talvez queira ouvir o que temos a dizer, seas palavras vierem de Marcius Fulvius Aquilius, o que acha?

—M-Marcius Aquilius?

—Sim, ele está aqui. –Fala Arcmênidas apontando para ele.

—Por tudo que é mais sagrado! O maior guerreiro que o Império teve a oferecer nos últimos tempos. –Ele fala indo até Marcius e apertando sua mão e abraçando-o.

—Fico feliz que alguém aqui me reconheça.

— Mas o que está fazendo nesta cidade?

—Bem, ficou sabendo de Odoacro?

—É claro. Eu tenho prestado bastante a atenção nas notícias vindas de Ravenna nos últimos tempos. O Imperador foi deposto e agora aquele bárbaro governa toda a Itália.

—Sim. E eu me opus a ele.

—Por que você fez isto? Devia ter se juntado a ele!

—Por que eu preferi lutar pela virtude e continuidade do Império de Roma!

—Ora. Que tipo de problema para Roma Odoacro poderia trazer?

—É infeliz vivermos em um tempo em que tais palavras saiam da boca de um senador romano.

—Odoacro não ameaçou os bispos e nem o senado! Inclusive o senado lhe deu legitimidade. Você não pode fazer nada contra isto!

—É claro que o senado lhe deu legitimidade! Os senadores aceitam a autoridade de qualquer homem que apareça na sua frente com um punhado de soldados armados! Depois, que ele vai embora, se aparece mais um com exército logo depois, vocês aceitam a autoridade dele também. Vocês não ligam para Roma! Só ligam para seu dinheiro!

—Eu ligo para Roma o suficiente para não querer vê-la saqueada por mais um maldito chefe bárbaro insatisfeito. E você?

—Ha há! Vocês mesmos que destruíram Roma há muito tempo. Transformaram-na em uma cidade conhecida por sua decadência, excessos e luxúria, onde os senadores assistem espetáculos no anfiteatro enquanto o império ao seu redor rui! Eu acredito em Roma e no que ela representa. Mas me parece que a cidade em que eu acredito já não existe mais, pois seus moradores e governantes a rebaixaram a um grau deplorável nestas últimas gerações.

O senador põe a mão no ombro de Marcius.

—Você tem sorte de ser o maior guerreiro desta terra, rapaz. E você tem coragem. Não tem medo de dizer a verdade a quem merece escutá-la. Admiro isto. Diga-me o que você quer.

—Nós temos aspirações. E para atingi-las, precisamos de dinheiro. Muito dinheiro. Patrocine-nos para estes jogos. Aposte pesado na gente. Ninguém mais na cidade está apostando a nosso favor.

—E isto deveria ser um incentivo?

—Claro! Imagine quanto dinheiro você vai ganhar se tiver sido o único que apostou em nós depois que ganharmos!

—Desculpe-me rapaz. Mas como sabe, como organizador do evento, minhas apostas são as mais altas e já apostei todas as minhas moedas em Xahab e mais seis guerreiros que chegaram há algumas semanas que lutam como verdadeiras bestas. Não acho que seriam tão poderosos quanto eles.

—Ah é? Pois nós seis aqui já derrotamos um exército de hunos, já derrotamos bandos de saxões sozinhos, matamos matilhas de lobos com mais de três metros de comprimento. Lembre-se: eu sou Marcius Aquilius, o maior general do Império. E Arcmênidas dispensa apresentações. Nossos amigos lutam tanto quanto nós. Consegue imaginar? Nós apostaríamos todo o nosso dinheiro uns nos outros, mas não temos nada e como sabe, não podemos apostar sem nada.

—Se estão tão confiantes que vão ganhar, o dinheiro do prêmio já não está bom o suficiente?

—Seria infeliz ficarmos ricos e ver toda a cidade ficar pobre por apostar nos guerreiros errados.

—Tudo bem. Eu vou apostar metade das minhas moedas em vocês. Mas se qualquer um perder nas primeiras batalhas, irei retirar a aposta.

—Vamos, aposte tudo. Se ganharmos, você nos dá 50% do que ganhar. Se perdermos, nos tornamos seus escravos até que recupere os custos.

—É muito dinheiro envolvido. Não faz sentido apostar tanto em quem não está nas lutas principais.

—Então ponha-nos nas lutas principais.

—Ah, aí você já está pedindo demais.

—Vamos, você tem poder para fazer isto,não tem?

—Claro que tenho. Mas façamos o seguinte: conquistem o clamor e favoritismo da plateia nas primeiras lutas. Se fizerem isto, eu não vejo motivo para não movê-los para as lutas principais.

—Apostará tudo na gente então? Temos um acordo?

—Não sei.... Por que eu deveria confiar em você?

—Eu sou o último romano honesto desta terra. Honra, virtude e honestidade pra mim valem mais do que qualquer ouro. Que Deus seja testemunha e amaldiçoe a minha alma pela eternidade se eu não cumprir com a minha palavra.

—Tudo bem, amigo! Trato feito.

Eles apertão a mão.

—Agora beba em homenagem ao nosso acordo! –Fala Corinthianus.

Eles batem as taças e bebem.

Marcius se vira para seus amigos.

—Consegui o patrocínio de Corinthianus, pessoal!

—Boa, Marcius! Só alguém como você para conseguir algo assim!

—Fala Arcmênidas.

—Mas ele estava muito seguro das apostas que tinha feito antes. Será que estes guerreiros que estão todos falando são tão poderosos assim? –Fala Aurel.

—Não sei. Mas temos que descobrir.

Logo um romano ao lado de Marcius fala para um amigo:

—Veja, lá estão os novos campeões! Aedwulf, o saxão, Gwengalon, o bretão e os outros.

Eles vêem os seis passando pelo salão. Além dos dois, havia uma assassina persa, um cavaleiro sármata, um xamã germânico e um druida picto.

—Estes caras parecem ser barra pesada. Fala Kawada.

—O saxão deve ser mais alto que o Gunnar. –Fala Aurel.

—Acho que sei porque estão todos apostando nesses caras. –Fala Arthanna. –Ainda acha que vamos ganhar fácil, Marcius?

—Já não tenho tanta certeza.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.