Notas iniciais
Essa é uma fanfic bem especial, foi escrita baseada em alguns sonhos que eu tive e alguns sentimentos que tem passado por mim. Foi escrita um pouco na pressa, desculpem.

Boa leitura!

Três anos morando no mesmo prédio e elas nunca tinham se visto. Na verdade Angela conhecia pouquíssimas pessoas de lá, não fazia questão, ninguém a incomodava ou era necessário em sua rotina, então preferia que as coisas continuassem assim.

Era para ser um dia qualquer em sua vida, iria academia pela manhã, depois direto para o hospital, voltava a noite, Jack já a esperava com o jantar feito, conversavam sobre seu dia, casualmente assistiam alguma coisa e iam dormir. Um dia normal, tudo seguia seu caminho, quando sua ala de atendimento foi evacuada. Aparamente alguém com uma doença rara e extremamente infecciosa passou pelo seu setor, todas as sala, leitos ou balcões na qual o paciente passou foram isolados em quarentena, todos os médicos tiverem que fazer exames para terem certeza de que não foram infectados, não havendo mais consultório, não havia necessidade de todos aqueles médicos e ela foi dispensada.

Seu tempo corrido como medica e seu marido como capitão do exercito lhe davam pouco tempo de ócio, pouco tempo aproveitando o próprio lar. Decidiu que aquele seria o dia perfeito para reorganizar a casa, havia coisas ali que ela nem mesmo lembrava que tinha. Estava separando algumas roupas velhas para doação quando notou no reflexo do espelho alguém na janela do apartamento em frente. Sentada em frente ao seu grande espelho do quarto viu a jovem tranquila, tomando uma xicara de chá. Ela tinha a pele negra, mas seus traços eram finos e seu cabelo liso, na altura dos ombros. Ela tinha um enfeite no cabelo que lhe conferia um certo charme, não devia ter mais do que trinta anos.

O vento sacudia seus finos cabelos negros, Angela se pegou observando a garota, ela via pessoas o tempo o inteiro, era medica afinal, mulheres bonitas sempre iam parar em seu consultório, mas algo nela havia chamado a sua atenção, os olhos talvez? Ela parecia o tipo de mulher que ela sairia para se divertir antes de começar seu relacionamento com o capitão. Ele nunca a impediu de sair com suas amigas ou colegas de trabalho, mas sentia que com ele presente se divertia mais. A morena saiu da sacada deixando que a doutora voltasse as suas atividades, era um dia diferente, então ela faria o jantar dessa vez.

Gostava de cozinhar com alguma musica tocando ao fundo, fazia com que ela esquecesse que estava sozinha. Ela não era uma chef na cozinha, mas sabia fazer algumas coisas especiais, hoje teriam ratatouille para o jantar, mesmo que ficasse ruim, Jack comeria falando que estava ótimo, ele não gostava de desanima-la quando ela tomava uma iniciativa. Deixou o recipiente no forno, ele chegaria em breve e ainda estava podre a cebolas. Voltava ao quarto quando notou da janela da sala que ela era visível, a loira se assustou na mesma hora, escondeu-se atrás da cortina para espia-la, não queria ser pega em flagrante. A garota estava na varanda, havia um saco de pancadas e alguns pesos espalhados pelo chão, ela estava deitada fazendo algumas flexões. Seu corpo estremeceu ao percebe-la, pensou por um instante se não estava fazendo algo errado, ora, o que havia de errado em casualmente observar sua vizinha?. Prosseguiu para o seu banho.

Como era de se esperar, o jantar estava terrível, incomestível parar ser mais precisa. Por mais que seu marido tivesse tido toda a boa vontade e jurasse que estava ótimo, ela preferiu pedir uma pizza para que não morressem de fome.

O sono chegou rápido para os dois, quando dormia de barriga para cima, sempre tinha pesadelos, mas aquela noite não foram sonhos terríveis que invadiram sua noite. Sonhou que estava em um dos bares que ia quando estava na faculdade, o som de alguma banda indie tocava, várias de suas amigas estavam presentes, mas a vizinha misteriosa também estava lá. Elas dançavam e conversavam como se a conhecesse há algum tempo, a proximidade entre as duas começou a ficar diferente, a morena beijava suas bochechas constantemente, até que passou para o pescoço. Ela não se retraiu em momento algum, pelo contrário, desejava aquilo, ansiava pelo toque da outra. Seus beijos pareciam tão naturais como de parceiros que já estavam juntos há algum tempo, no fim da festa a mais nova a levou até sua casa, sabia que nada daquilo havia sido real, mas sentia que o toque dela era tão quente, tão prazeroso, tão encaixado com seu próprio corpo que ela desejou que fosse real.

Jack sempre não estava mais quando ela acordava e foi melhor assim, se sentia culpada pelo sonho que teve naquela noite. Olhou mais uma vez através do tecido mais fino da cortina. Ela não estava mais lá. Seguiu para a sua academia, o elevador estava parado no andar anterior, se não morasse no 10º andar, iria de escada. A porta abriu e para sua surpresa a vizinha estava dentro. Ela era mais alto do que Angela imaginava que seria de perto, vestia um uniforme da aeronáutica, em seu peito estava gravado Cap. Phareeha Amari, A+. Seu coração estremeceu, não tinha onde se olhar, mas teve certeza de que seu rosto estava vermelho como um tomate, Phareeha mexia em seu celular, provavelmente nem notara que ela estava lá.

O elevador parecia eu descia mais lento que o normal, mas sabia que era seu nervosismo. Queria que ela a notasse e ao mesmo tempo não. Não teve coragem de começar uma conversa, tinha medo de não soar natural e do que adiantaria? Elas não ficariam juntas de qualquer maneira. O elevador parou no térreo, a porta se abriu e a capitã saiu, mas dizendo antes "Tenha um bom dia", deixando para trás um certa doutora loira boba, nervosa e completamente excitada.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim, foi ótimo pra mim escrevê-la.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!