Notas iniciais
N.A
Lisa receberá uma visita surpresa... Mas acho que todo mundo imagina quem seja, o que acontecerá? O que ela sente por esse ser? Hum...

Despertara novamente e a superfície gélida em que suas delicadas mãos tocavam dava a entender que ainda permanecia naquele inferno. Uma espécie de letargia, mas era o pior de todos os sonos, pois era consciente. Lisa não sabia a quanto tempo se encontrava trancafiada naquele lugar medonho.

Estava numa espécie de esquife de vidro cheio de um líquido estranho. Apesar do esquife estar lotado de água ela respirava. Ela podia ver seu reflexo no vidro. Seus olhos eram estranhos, eram vermelhos e tinham uma pupila diferente das normais. Mas o que era normal a Lisa? Sentia que passara a vida inteira presa naquele lugar, naquele laboratório, um porão estranho cheio de livros e cobaias, como ela... Lisa não tinha noção do real, tão pouco alguma envergadura para definir o que se configuraria como real ou não.

Seus cabelos pratiados se movimentavam com a água, ao contrario do seu corpo que permanecia imóvel e estático sentado numa espécie de banco, a posição era fetal. Ao menos os fetos nascem se tornam bebês crescem, vivem, sonham. Ela não. A impressão que tinha era a de que nunca havia se levantado na vida. A única coisa que via durante muito tempo era si mesma. Como ela já houveram vários, como dois amigos que chegaram ao local em estado critico. Ou rapaz muito bonito que fora transformado em um monstro.

Por falar em monstro lembrava-se de um monstro verdadeiro, aquele homem maldito. Um vulto de jaleco branco e uma risada asquerosa, assim como seu sorriso. Ele tinha os cabelos negros e médios, sempre presos a um rabo de cavalo e uma testa larga. Lisa sentia que o fato dela ser uma aberração se devia a aquele homem que sempre falava coisas sem sentido, como algo sobre reunião, células de Jenova, etc.

Apesar de todos os infortúnios de sua vida infeliz naquele tubo, Lisa tinha um tesouro. Amava. Ou pelo menos sentia aquilo que poderia ser dado como amor. Não sabia o seu nome, não sabia nada sobre ele. O vira uma única vez, mas desejava ardentemente o ver novamente. Sabia que o seu destino estava imbricado ao daquele homem de alguma maneira. Lisa não tinha plena certeza se podia chamar aquilo de amor, mas sentia que tal atração não poderia ser nomeada de outra forma.

As vezes ela sonhava com esse seu amado. Ele andava calmamente e ela tentava chegar a ele, mas ele sempre estava tão distante. Ela o via numa espécie de pedestal e várias outras pessoas a sua volta. Querendo um pouco de sua atenção. Ela faria tudo que ele ordenasse, ela queria-o para perto de si. Ou ao menos ouvir a sua voz. O que sentia por ele era uma espécie de adoração.

Lembrava-se do seu semblante, de sua expressão convidativa, deslizava a mão pelo vidro. Ele parecia forte, aspecto imponente... Ela também seria! Fechou um dos punhos e num movimento deu um soco no vidro. Ele andava e seus cabelos prateados dançavam... Tinham os cabelos parecidos! Deu outro soco. Seus olhos eram verdes, diferentes dos seus, de Lisa, que eram vermelhos. Belos olhos! Deu outro soco. Lembrava-se do seu aspecto melancólico lendo aquele amontoado de livros. Pobrezinho! Outro soco. Lembrava-se que ele ficara nervoso, ao descobrir que eram iguais... Mais um soco. Ele precisava de ajuda! Outro soco. Um insight! Lembrou do nome de seu amado, era SEPHIROTH. Com o nome ecoando em sua cabeça dera um soco com força suficiente para romper o tubo gélido que lhe roubou os anos e a felicidade. Porém, Lisa tinha plena consciência de que teria alguma possibilidade de ser feliz, bastava achá-lo.

Num sobressalto despertou gritando aquele nome, aquilo era real? Era ela? Quem era aquele homem, Sephiroth, que lugar era aquele. Bobagem! Fora só um pesadelo. Viu que estava em seu quarto, em Calm, estava tudo na mais normalidade.

Estava no seu quarto e viu ao seu lado na cabeceira um telegrama. Era das indústrias Shinra e dizia:

POUCOS DIAS INDEBIZAÇÃO ACIDENTE.

Lisa recordou-se de sua vida real, se lembrou que morava em Calm e havia se mudado de Midigard depois de um acidente que sofrera próxima a um reator. Ela trabalhava na cidade no setor 11 de camelô e certo dia houve uma explosão. Sofrera graves danos colaterais como a mudança de cor de seus olhos que eram vermelhos. Diziam que fora por conta da grande quantidade de Mako que fora exposta. Além disso, ela devia ter visitas periódicas com um dos cientistas da empresa. O maior dano, para ela foram os psicológicos, era tinha horror a tudo que era movido por esse tipo de energia.

Quando tinha que ir a localidades mais distantes não ia com nenhum veículo movido a Mako, ia a pé. Ela sabia e todos lhe alertavam sobre os monstros que ela poderia encontrar no caminho, mas ela havia desenvolvido uma série de habilidades de luta. Assim, podia fazer o trajeto sem nenhuma dificuldade. Ela não sabia se isso era também efeito da exposição a Mako. Em sua pensão nada era movido com essa energia. Tudo funcionava a lenha, como aquecedor, e o chuveiro.

Com uma parte da indenização pode comprar uma casa melhor em Calm, onde gostava de fazer de pensão. Mas a pensão ficava na maioria das vezes vazia. As pessoas não gostavam de freqüentar a pensão devido aos boatos do acidente.

Havia outro aspecto que fazia com que Lisa sentia muita vergonha, era a cor do seu cabelo, que era prateado. A solução foi mais fácil, seus cabelos eram tingidos de negro.

Hoje era inicio de mês e receberia visita do encarregado da empresa. Pela hora ele já estava quase chegando. Foi até o espelho que havia no quarto e começou a se observar. As pessoas morriam de medo de olhar para ela. Lisa se sentia um monstro, uma calamidade. Viu que precisava retocar a raiz.

__Droga... __Mas como não havia hospedes ela poderia ir sem problema algum.

A sineta na porta anunciava que havia alguém. Depois da vista iria ao mercado da cidade.

Em pouco tempo ela se arrumou, se vestia de modo simples, suas vestes eram todas na cor negra. Que entravam em contraste com aquele cabelo horroroso preto e liso.

__Bom dia. __Disse o cientista que entrava na sua casa em companhia de mais duas pessoas. Era o cientista com quem havia sonhado.

__Bom dia, Doutor... __Disse ela olhando para as outras duas pessoas ambos usavam ternos azul marinho. Eles ficavam na porta como se vigiassem.

__Sabe que eu sonhei com você hoje? __Disse ela se sentando no sofá enquanto ele a examinava.

__He...He... E o que andou sonhando 002?

Lisa se irritava profundamente pelo fato de não ser tratada do seu nome. No fundo odiava aquela pessoa na sua frente e não revelou a natureza do sonho, já que não era real.

__Não me lembro. Só lembro do seu rosto e de uma outra pessoa que nunca vi na vida.

__Deve ser uma premonição... __Disse um dos rapazes de terno que foi repreendido pelo outro que disse.

__Não fale com a expe...

__O que? __Perguntou Lisa.

__Idiotas, querem calar a boca! Não se assuste com as bobagens desses dois, são novatos. __Ele disse preparando uma injeção que aplicava mensalmente em Lisa. Segundo ele era para conter outros efeitos negativos da exposição a Mako, mas toda vez que ela recebia um dose se sentia pior.

__Pronto... __Guardou os objetos na maleta. __Vejo que não tem hospedes...

__Isso não é da sua conta! __Todos se assustaram com a resposta e ela emendou. __Sinto muito, tenho vergonha das pessoas terem medo de mim.

__Sente algo estranho? Que não me disse?

__Não.

__Até mês que vem. __Disse ele com um tom seco e saiu. Lisa não os suportavam, odiava aquela empresa que lhe deixara daquela forma.

Começou a arrumar a pensão, onde o primeiro andar era constituído de um bar que ficava cheio a noite, e nesse dia estava muito desordenado. A renda de Lisa era, basicamente, os lucros advindos do bar, já que a pensão que recebia da empresa sempre atrasava.

Quando ia começar a varrer ouviu a sineta novamente, deve haver algo que aquele cara esqueceu. Despreocupadamente Lisa abriu a porta deparando-se com algo que a deixou atônita ao ponto de fazê-la recuar. Não podia acreditar o que lhe acontecera.

.....

Notas finais
Tem mais...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.