Pela Princesa - Interativa
7 Caminho e Chegada
Notas iniciais
e s t r a d a d o r e i
— Me diga, como planeja achar a princesa, Sor Borys?
Borys segurou mais um suspiro aquela manhã, tendo mais uma pergunta feita por Aelor Targaryen. O jovem rapaz vinha cavalgando ao lado dele desde que haviam se encontrado, já que havia pedido um cavalo para um de seus homens e agora dois tinham que dividir o mesmo animal. Afinal, não se dizia não aos dragões, ainda mais quando aquele era filho da Mão do Rei.
— Minha casa tem muitos homens, vamos mandá-los para cada castelo, cidade, vilarejo e estrada de Westeros. — Ele respondeu com semblante ainda frio e sério, já que não sabia ser sorrisos e encantos como Roberta ou mesmo cordial como Warren. — Ao menos é o que imagino que meu pai vá fazer.
— Hum… — Ele respondeu com ar de desdém, como se tivesse um plano muito melhor do que aquele, coisa que o Baratheon duvidava veemente.
Borys havia conhecido o irmão de Aelor superficialmente, quando Daeron tinha ido ser escudeiro de seu pai. Porém, não tinha tido a oportunidade de passar um tempo de verdade ao lado do outro rapaz, pois tinha sido mandado para treinar primeiro em Poleiro do Grifo e depois em Dorne. Ainda assim, mesmo tendo visto o herdeiro de Solarestival tão pouco, preferia mil vezes a companhia de Daeron do que a daquele que estava preso a si como carrapato em um cão.
— Gosta de torneios?
— Não.
— Por que não? — O prateado insistiu na pergunta.
— São apenas eventos para se exibir, sem verdadeiro perigo ou ganho. — Respondeu sem sutilezas e imaginando que a ofensa fosse levada pelo garoto, já que o mesmo ainda vinha vestido em armadura prateada e dourada para torneio.
— Pois eu discordo Sor, sempre encontro muita emoção e perigos nas justas. — Aelor rebateu não parecendo muito afetado enquanto tirava o cabelo da frente do rosto. — Uma queda mais forte e você pode ficar sem o movimento das pernas para sempre.
— Não sei o que quer nas costas de um cavalo quando poderia estar nas costas de um dragão. — Borys comentou levantando para a besta acima deles, brilhando no céu com as mesmas cores da armadura de seu dono. O Baratheon ficava incomodado com a fera estando tão perto, mas não esboçou aquilo na frente de ninguém. — Inclusive, já poderia ter chegado em Porto Real muito antes de nós.
A alfinetada não fora em vão, ao menos o mais velho achava que não, pois a boca do outro se repuxou em um sorriso de canto.
— Se tivesse voado em Quicksilver, teria perdido a oportunidade de tal viagem ao seu lado e de seus bravos companheiros. — Exclamou olhando com um sorriso mostrando todos os dentes para os homens atrás deles. Os dois que tinham que dividir um cavalo por causa dele ainda mantinham a carranca toda vez que o viam.
O herdeiro Baratheon não respondeu, achando que finalmente poderiam ter um pouco de silêncio e imaginando quando poderia finalmente deixar aquele garoto seguir para onde quisesse na corte. Os dois se separariam em caminhos distintos, ele iria saber o que o pai queria dele na busca por Alyssana e depois iria ver Roberta depois de algum tempo sem vê-la. Sabia apenas através de cartas que a irmã mais nova amava a vida na corte e que aquele era seu lugar, assim como o de Warren era com a cara na frente de um livro.
Seus pensamentos foram cortados pela voz melodiosa de Aelor novamente.
— Eu estava a caminho de Pentos, sabia? — O Targaryen comentou olhando para o leste, na direção de Essos.
— Não me diga, lá também tem torneios?
Conseguiu tirar uma gargalhada do garoto, por mais que não tivesse sido sua intenção.
— Nem de longe, estava indo para o outro lado do mundo porque estava cansado de torneios. — Por um momento ele pareceu pensar verdadeiramente, calado por alguns segundos antes de abrir a grande boca mais uma vez. — Queria algo novo.
— Sua família não sentiria sua falta? — Questionou com pouco interesse, colocando o corcel para seguir por uma das últimas curvas que faziam ziguezague naquela parte da Estrada do Rei.
Uma risada amarga saiu do garoto, o suficiente para Borys virar a face para perceber um Targaryen mais sombrio do que antes.
— Meu pai nunca se importou conosco, ainda mais depois que conseguiu o posto como Mão. — Começou com as mãos mais firmes ao redor das rédeas. — Daerys sempre preferiu Daeron em… todos os sentidos. E Daeron, ele…
Aelor pareceu voltar a si, colocando sua face brincalhona de volta.
— Ele foi sempre o que era esperado.
Borys achava que devia falar algo, mas não sabia o que, ele nunca fora bom com palavras e isso não mudou ao longo dos anos. De qualquer forma, não havia mais tempo para trocar conversa quando tinham saído perto do Água Negra. Porto Real crescia impiedosa, com muitas pessoas indo em direção a uma de suas entradas, fazendo o grupo perceber que não eram os únicos com intenções de atravessar o Portão do Rio. O Baratheon incitou o cavalo a frente, fazendo com que o grupo aumentasse a velocidade também.
No céu havia mais do que um dragão.
♜
e s t r a d a d a r o s a
Para Fuchs nunca havia sido tão difícil dividir uma carruagem com a irmã como naquela viagem até a capital. Ele observava Eleonora com o semblante tão fechado quanto seu rosto amigável permitia, enquanto ela o ignorava completamente, fingindo que não percebia o olhar frio dele. Ela observava os campos que passavam pela pequena janela, com o vento batendo-lhe no rosto.
— Ficar me encarando por toda a viagem não vai fazer eu voltar para Jardim de Cima. — Eleo disse se virando finalmente e dando o mínimo de atenção para o irmão. Ela não parecia nem um pouco abalada com tudo o que havia feito no banquete e inclusive havia sido a primeira a se despedir dos parentes abraçando cada um quando a pomposa comitiva que iria acompanhar ambos estava para partir.
— Não se arrepende nem um pouco do que fez com nossa prima? — Questionou tentando ver o mínimo de remorso, pois Niana não havia sido nada menos do que doce com os primos Tyrell desde a infância em que brincavam nos jardins. — Você manchou a imagem dela para todo o sempre!
Eleonora levantou a face, sempre se achando acima de todos e inclusive do irmão.
— Por favor, ela que acabou com a própria pureza e não soube fechar as pernas. — As palavras eram puramente ácidas.
— Como se você não tivesse feito o mesmo! — Rebateu imediatamente.
— Eu não fui burra o suficiente para dizer sobre tais coisas em cartas ou me deixar levar por amor bobo igual Niana, ela cavou a própria cova e teve sorte da única punição que terá será voltar para Jardim de Cima. — Eleonora disse revirando os olhos para as falas do irmão.
— Você sempre se colocou na frente de todos, na frente da família. — Fuchs virou o rosto, com raiva demais da irmã naquele momento. — Nunca se importou com os sentimentos de ninguém, inclusive com os meus, por isso que fez tudo aquilo em seu casamento.
Eleonora bufou inconformada com o rumo da conversa.
— Não creio que ainda está ressentido por algo tão distante e que deveria ter sido deixado no passado. — Ela puxou as mãos de Fuchs unindo os dedos e tomando a atenção do mesmo. — Meu casamento com aquele porco fora apenas uma forma de vovó para me mandar para longe, onde eu estaria presa. Os Lannisters não tem mais poder e eu ficaria presa dentro de uma pedra gigante pelo resto da minha vida, fiz o que precisava fazer para me livrar de tal destino.
Fuchs podia acreditar que era o único com o dom das palavras e da política, mas ela também não era nenhuma tapada e sabia mentir com a mesma habilidade. Dizendo o que era esperado dela, ignorando o fato do casamento dela com Loren Lannister ter terminado o jeito mais trágico possível por conta de seu puro capricho e interesses. Ela ainda assim não se arrependia nem um pouco, ainda se lembrava da sensação de ter passado a adaga pela garganta do marido antes que ele sonhasse em se deitar com ela.
Seu irmão não parecia nem um pouco tocado e quebrou o laço.
— Novamente, nem um pingo de ressentimento. — Ele suspirou, fechando os olhos por alguns segundos. — Você ao menos se lembra do nome dele?
— De Loren?
— Não, do cavaleiro que levou a culpa por você, do homem que você seduziu e fez pagar por tudo o que você armou. — As palavras eram acusatórias e cheias de dor, quase se partindo num tom rouco que lembrava chorro.
Eleonora não conseguiu evitar e revirou os olhos novamente.
— Por favor, não me diga que você ainda se lembra daquele cavaleiro bobo. — Ela se referia ao cavaleiro que o irmão havia se envolvido quando era mais novo, um rapaz nada mais do que comum aos olhos dela e que fora facilmente ludibriado por ela. Eleo não tinha noção de que Fuchs tinha tais sentimentos pelo rapaz que ela havia feito pagar pelos crimes que havia cometido, colocando a culpa no homem pelo assassinato de Loren.
Achava que o irmão podia ser passional demais.
— O nome dele era Andrus. — Fuchs disse por fim, se encostando no fundo da carruagem e se afastando dela.
Eleonora também deixou o assunto sumir de dentro do recinto apertado, sabendo que não era o momento para continuar tocando naquela ferida que aparentemente nunca havia se cicatrizado totalmente. No fim, ela não se importava com um cavaleiro qualquer como o irmão fazia e sabia que ele ao menos havia ajudado ela a fugir daquele casamento com o Lannister.
Voltou a falar minutos depois.
— Não se preocupe irmão, por mais que possa estar chateado, ainda assim saiba que vou te ajudar na corte. — Ela comentou imaginando realmente como seria estar no lugar que sempre imaginou e que acreditava ser onde mais se encaixaria. Ignorou a raiva de Fuchs e voltou a olhar os campos que passavam na paisagem calma da Campina. — Vai ver como não teremos que mover um dedo para acharmos Alyssana e eu cuidarei do trabalho complicado por você. Pense no seu casamento com ela como o meu presente, para por fim esquecermos dos problemas do passado.
Ele não a respondeu.
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