Pegunta ainda sem resposta
1 Oneshot
Notas iniciais
Fazia quase um ano desde que a barreira fora enfim destruída por Frisk e a reinclusão dos monstros na sociedade estava progredindo a cada dia que se passava. No início foi muito difícil para que os líderes humanos aceitassem que uma criança recebesse as honras de ser chamada de “embaixador dos monstros”. Quer dizer... Sério? Logo uma criança que quase parecia ser muda e não apresentava nenhum semblante diferente daquela face neutra que sempre usava.
Como estavam enganados... E isso era algo que os monstros entendiam. Frisk era uma criança incrível, que sempre fazia tudo pensando nos outros com um sorriso calmo e dócil. O subterrâneo inteiro adorava Frisk e, agora, a criança possuía uma família que nunca sonhara poder ter.
Frisk acordaria todas as manhãs com a voz cálida de Toriel, se reuniria com ela para tomar o desjejum, partiria para escola, apenas para, no fim, se encontrar com os irmãos esqueletos e Undyne (as vezes Aphys apareceria também), para gastarem o tempo juntos.
Com o passar do tempo, Frisk conheceu cada pequena parte dos novos amigos, da nova família. Entendeu cada detalhe das distintas personalidades, assim como cada pedaço da história de cada um.
Entretanto, havia uma pergunta que ainda não fora respondida para os monstros.
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— Então minha criança, porque você subiu no monte Ebott? — a voz de Toriel invadiu seus ouvidos, quebrando o silêncio daquela manhã da mesma forma que a Asriel havia quebrado quando fez a mesma pergunta antes de Frisk ir à superfície com os monstros.
“Apenas você sabe a resposta, não é?” Asriel havia dito, finalizando o assunto.
Porém, o olhar de Toriel não dava indícios que o assunto iria acabar por ali.
— Foi para conhecer você, mamãe. — a criança respondeu, arrancando algumas risadas doces de Toriel.
— Oh, minha criança, você é tão doce. — a ex-rainha disse, não percebendo o sorriso forçado no rosto de Frisk.
Uma memória de um orfanato recluso e algumas crianças traiçoeiras cintilou em sua memória.
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— Hey, moleque, tá tudo bem? — o esqueleto em seu lado perguntou, terminando de pagar os sorvetes que ambos haviam comprado para o grupo que os esperava a alguns metros dali. O eterno sorriso de seu “rosto” dando um ar de preocupação — Você está me deixando preocupado até o osso com essa expressão. — Sans não pode perder a deixa, mas não gostou da reação tensa de Frisk, que geralmente respondia aos seus trocadilhos, nem que seja uma pequena risada.
Era sábado, não havia aula, então Frisk tinha um dia livre para passar com seus amigos, que era algo que aprendera rapidamente a amar. Seja ver as seções de treinamento de Undyne e Papyrus, ver os animes estranhos de Alphys ou mesmo passar um tempo com seu comediante favorito.
Infelizmente, o tal comediante era mais observador que praticamente todos os seus amigos juntos e isso meio que... O deixava desconfortável algumas vezes.
— Está tudo bem Sans. — mentiu a criança. — Só estava pensando no teste de matemática que fiz ontem. — riu desconfortável. — Nada de mais.
Se o esqueleto tivesse sobrancelhas, com certeza estariam arqueadas.
— Ah é? Sobre o que era? — bastou essa pergunta e o esqueleto já viu a hesitação da criança e logo soube que o motivo era outro. — Vamos lá, criança, o que tá te incomodando?
Frisk sentiu um arrepio subir sua espinha.
— Ei, seus dois trouxas! — Undyne gritou de onde estava, junto com Papyrus. — Vão demorar muito com esse sorvete ou vou precisar ir aí?
— EU, O GRANDE PAPYRUS, NÃO VEJO A HORA DE TER O MEU CONE COM CREME DE SABOR ESTRANHAMENTE ADOCICADO.
— Argh, pela última vez Papyrus, eles chamam de sorvete! De baunilha! — resmungou a mulher-peixe, com os dedos massageando suas têmporas.
Frisk soltou uma risadinha com a cena e entregando um dos sorvetes para Undyne enquanto Sans passava outro para Papyrus, deixando a criança contente porque o assunto foi embora.
Mas mal sabia que esse assunto retornaria mais do que gostaria.
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— HUMANO, PORQUÊ VOCÊ CAIU NO MONTE EBOTT? — Papyrus perguntou à Frisk, que naquela noite decidira jantar (espaguete) com os irmãos esqueletos, uma vez que Toriel tinha que ir trabalhar até mais tarde devido a alguns problemas em sua escola.
A pergunta foi tão repentina que Frisk quase se engasgou com o espaguete em sua boca e acabou por engoli-lo forçadamente, sentindo-o rasgar sua garganta.
— F-foi pra... Hm... Ter um encontro com você, é claro. — a criança deu uma risada ao ver a reação “fangirling” do amante de espaguete, sentindo a garganta ainda doer.
Lembranças de solidão invadiram a mente da criança.
Nada daquilo passou despercebido por certo esqueleto baixinho.
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E mais uma vez...
— Ei moleque, você ainda não me contou porque acabou no monte Ebott. — Undyne disse despreocupadamente, enquanto acompanhava Frisk na volta da escola. — Então, qual o segredo?
Frisk remexeu as mãos, para aliviar o nervosismo.
— Foi porque eu queria me tornar o melhor, assim como você. — o garoto disse, encenando o melhor olhar determinado que podia, deixando a mulher-peixe com um semblante orgulhoso.
“Frisk é tão estranho... estranha, ah, sei lá, não me admira que vá passar a vida toda nesse orfanato”.
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Não foi o suficiente.
— F-Frisk... Porque vo-você veio ao monte Ebott quan-quando é tão... pe-perigoso? — Alphys finalmente perguntou, quase temendo a resposta.
— Foi pra assistir Mew Mew com você. — a criança forçou um sorriso.
Infelizmente, Frisk viu que sua mentira não foi o suficiente para convencer a cientista, mas pelo menos ela não pediu outra resposta.
“Ew... Eu não quero que Frisk brinque com a gente”.
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E finalmente...
— Hey moleque... — Sans chamou sua atenção do outro lado do sofá.
Era tarde da noite e mais uma vez Toriel tinha afazeres na escola, deixando novamente Frisk na casa dos esqueletos. Contudo, dessa vez, Papyrus ainda não havia chegado de seu... treino com Undyne, deixando a tarefa de babá para Sans. O comediante não gostava muito de trabalhar, mas não via mal em passar tempo com Frisk, uma vez que a amizade de ambos crescera mais forte desde que saíram do subterrâneo. Praticamente como irmãos.
— [...] sabe, eu ouvi uma história engraçada dos outros. Sobre como você acabou caindo naquele buraco. — o esqueleto continuou, atraindo o olhar perturbado da criança humana ao seu lado. — Estávamos discutindo sobre você e acabamos chegando nesse ponto, que é de certa forma muito interessante, e, tipo,... percebemos que, pra cada um, você disse uma resposta diferente. — Sans coçou a parte de trás de seu “pescoço”, incomodado com tensão de Frisk. — Sabe criança, somos família agora, estamos preocupados, então... Por quê?
Frisk abriu a boca para falar, mas nada saiu. Não havia uma desculpa agora.
“Hey Frisk, já ouviu sobre o Monte Ebott?...” Uma das crianças do orfanato disse.
Um lágrima escorreu pelo rosto da criança e Sans entrou em choque. Nunca vira Frisk chorar, nem depois de todas aquelas lutas, nem depois das mortes e saves pelos quais teve que passar.
“Me falaram que quem vai lá desaparece... Porque você não sobe lá e some também?” As outras crianças riram.
Tarde de mais, Frisk estava em prantos.
Sans recompôs a compostura, tomando uma expressão triste, quase como se já entendesse a situação, embora só pudesse imaginar o que tenha acontecido. Lentamente envolveu a criança humana em um abraço, sentindo o seu choro sendo abafado pelo casaco azul que o esqueleto sempre usava. Frisk sentiu os dedos esqueléticos acariciando o topo de sua cabeça, mas com certo cuidado, a fim de não enroscar os fios castanhos nas juntas dos ossos.
O esqueleto esperou as lágrimas diminuírem, não adiantaria empurrar a criança a responder, a força, algo que lhe causasse tanta dor. Isso só iria tornar as coisas piores e Sans tinha que se lembrar de que Frisk ainda era somente uma criança.
Aos poucos os soluços diminuíram e Sans pode ouvir a voz baixa da criança eu seus braços.
— Eles não... eles não... — Frisk fez uma pausa rápida, afim de não desabar novamente. — Eles não gostavam que eu... Que eu ficasse por perto. Diziam que, que... — ele fungou. — Diziam que era pra eu sumir... Pra subir o Monte Ebott e... desaparecer. — finalmente disse, enterrando o rosto nas dobras do casaco azul novamente e chorando em silêncio.
Embora não tenha sido uma explicação muito detalhada, certamente foi o suficiente para Sans entender o que tinha realmente acontecido.
E como entendeu.
No momento em que juntara as peças, sentiu o olho esquerdo ardendo em luz azul ardente, obrigando-se a “respirar” fundo para se acalmar. Não era o momento de ter um ataque de raiva.
— Escuta aqui moleque. — Sans chamou de forma suave, atraindo o olhar aguado da criança. — Não importa o que tenham dito pra você no passado, você está com a gente agora, nós te amamos, você faz parte da família. — um pequeno sorriso brotou nos lábios de Frisk, fazendo Sans ampliar o seu próprio. — Você é uma criança boa, passou por um mal bocado enorme lá em baixo e mesmo assim não apontou uma arma pra nenhum de nós, mesmo que alguns quisessem te matar num primeiro momento. Então... não deixa umas palavras idiotas te colocarem pra baixo, tá? E se você quiser falar, tem sempre eu, a Tori, o Paps e todos os outros pra te ouvir. Ok?
Frisk sorriu, com algumas lágrimas escorrendo dos olhos, mas acenou positivamente. Logo em seguida, pulou no esqueleto, em um abraço necessitado.
— He-hey, calma aí moleque, vai deslocar algum osso desse jeito. — Sans riu, envolvendo a criança novamente. — Tudo bem, tudo bem, acho que podemos ficar assim por um momento.
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