Peeta Mellark - Jogos Vorazes
18 Capítulo 18
Notas iniciais
A manhã voou, e logo a tarde chegou, eu estava olhando para fora, acredito que já era meio da tarde e ouvi Katniss se mexendo, logo ela olhou para fora e sentando-se me falou:
– Você deveria ter me acordado, dormi demais.
– Acordar para que? Não está acontecendo nada, está bem parado por aqui. E outra eu gosto de ver você dormindo, você perde a carranca e fica com aparência melhor.
Mal falo isso e ela apresenta aquela carranca eu não aguento e acabo rindo, e então vejo que ela começa a me analisar, logo ela pergunta se eu tomei água durante esse tempo, a verdade é que eu nem tomei, acho que no máximo um gole ou dois em algum ponto do dia, não mais que isso.
Ela também verifica minha temperatura e sente que eu ainda estou quente, então me dá comprimidos e me faz beber os dois galões de água, e eu faço isso sem discutir, depois ela mexe nos meus ferimentos mais leves que estão melhorando, até o momento que ela decide tirar o curativo da perna cortada.
Ela tenta esconder, mas eu vejo sua primeira reação, é nojo e medo, o machucado inchou mais, não tem mais aquele pus de antes, mas está com umas listras vermelhas subindo pela perna, sei o que significa é septicemia, e eu sei que é uma infecção que pode me matar, com tudo a Katniss tenta ser positiva e diz:
– Agora deu apenas uma inchada, mas não tem pus.
– Katniss sei o que é uma septicemia, mesmo que minha mãe não seja uma pessoa que entenda do assunto, como a sua mãe entende.
– Mas você vai ser mais forte e superar a todos, e lá na Capital eles vão tratar você, então temos que vencer.
– Tudo bem Katniss, esse é o plano – Eu confesso que não tenho muitas esperanças, mas se eu puder passar esse tempo ao lado dela, eu vou aproveitar.
– Você tem que comer, para manter-se forte, vou fazer uma sopa.
– Não acenda uma fogueira, não vai valer a pena. – Mal digo isso e ela sai com o pote para fora da caverna, eu fico ali sentando e pensando, Katniss está muito empenhada em me manter vivo, mas será que isso significa algo, será que eu realmente toquei o coração dela, ou ela tem todo um plano e ta fingindo.
Não ela não fingiria isso tão bem, ela realmente pode estar começando a gostar de mim, ela ta me cuidando, ela até me beijou, ela tenta disfarçar o que há de errado, tenta amenizar minha dor e me dá esperança, isso não é algo que se possa fingir.
Depois de tirar isso da cabeça eu começo a pensar na minha família, como sinto falta do meu pai, me dando conselhos, me ensinando as coisas na padaria, me ouvindo, me consolando. Sinto falta dos meus irmãos me fazendo rir com bobeiras, até de me incomodarem, sinto falta até dos gritos e xingos da minha mãe, sinto falta da Delly minha amiga, que me ouviu tantas e tantas vezes falando de coisas que parecia realmente que ela não entendia, mas tinha sempre uma boa resposta.
Começo a me sentir cansado de estar sentando e no chão então me transfiro para o saco de dormir, e a dor na minha perna começa a incomodar, e então eu começo a decidir que irei aproveitar esse pouco tempo que tenho com Katniss, direi a ela tudo que sinto, pelo menos se eu morrer ela saberá tudo que sinto por ela, assim que finalizo esse pensamento, ela entra na caverna, dou um meio sorriso, mas não sei se escondi toda a dor que estou sentindo, ela se aproxima e coloca um pano molhado na minha testa, mas acho que estou ardendo em febre porque ela logo retira.
– Você quer alguma coisa? – Ela me pergunta e eu não sei o que responder, por isso eu digo:
– Não, por agora nada – só quero ver e ouvir ela, e então acabo tendo uma idéia – espera, me conta uma história?
– Uma história? Sobre o que?
– Qualquer coisa, mas algo alegre, pode ser sobre o dia mais feliz da sua vida.
Ouço um suspiro escapando da boca dela, e ela parece pensar um pouco, mas eu acho que seria uma boa eu saber um pouco sobre ela, e assim vou mantendo ela falando, a voz dela me acalma, me faz bem, e eu quero guardar cada tom da voz dela na minha memória. E então ela começa:
– Já te contei como eu consegui a cabra da Prim? – Eu balanço a cabeça e ela prossegue, ela me diz que a mãe dela possuía um velho medalhão guardado, e que não tinha mais interesse, que lhe deu e disse para fazer o que quisesse, e assim ela saiu e vendeu o medalhão, um dia antes o do aniversário de Prim, mas que ela ainda não tinha idéia do que comprar e no dia seguinte saiu para ver o que seria mais bonito para a irmã.
Ela e Gale foram ao mercado para comprar as coisas para um vestido, mas enquanto ela analisava, algo havia chamado sua atenção e ela foi ver, um velho tinha cabras e uma delas estava machucada, ela conversou, ele falou que não venderia, mas no fim aceitou, e com o pouco que sobrou ela comprou um laço rosa.
Enquanto ela contava essa história, eu analisava suas expressões, em determinados momentos eu via uma alegria mesmo que escondida, via também o quanto ela ama a irmã, só no jeito de falar da sua preocupação em arrumar um presente. No fim ela fez a irmã feliz e ainda conseguiram uma renda, mesmo que pequena, a mais na casa delas, na hora que ela chegou com a cabra ela falou que Prim não sabia nem como reagir, e que logo ela e a mãe se colocaram a tratar da cabra, com isso eu sem me tocar pensei e falei:
– Elas se parecem com você
– Ah isso não é verdade, elas fazem mágica, a cabra não morreria, nem mesmo se tentasse — e então ela morde a língua acho que ela pensou no que falou e no que significa eu e ela aqui, então eu decido tranquiliza-la.
– Relaxa, eu nem estou tentando, pode continuar a história.
– Ah no fim Prim amou tanto a cabra que dormiu com ela em frente a lareira, e antes de dormirem a cabra lambeu ela, então acredito que as duas já se amavam muito ali na hora.
– E a cabra ainda estava com a fitinha rosa?
– Acho que sim, por quê?
– Por nada, só quero tentar visualizar a cena, com esses detalhes é possível entender o porquê de ser um dia tão feliz para você.
– Ah eu percebi a pequena mina de ouro que ela poderia ser
– Claro, não quis dizer nada sobre a alegria da sua irmã que você ama tanto a ponto de se voluntariar para os jogos.
– Mas a cabra se pagou muito mais do que eu paguei por ela.
– Ah, ela não faria outra coisa, depois de você ter salvado a vida dela e eu pretendo fazer o mesmo.
– Sério? Quanto você já me custou mesmo?
– Muitos problemas, mas pode deixar você vai receber tudo de volta.
– Você não sabe o que esta dizendo – com isso ela colocou a mão na minha testa e exclamou – mas pelo menos está menos quente.
E assim nossa meio conversa, meio discussão termina e de final o som dos trompetes são soados e Katniss corre para a entrada da caverna, para olhar para o céu e ver as novidades do dia, mas eu me surpreendo quando a voz de Claudius Templesmith soa e ele está fazendo um convite aos tributos restantes.
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