Pedido
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Quanto tempo que não escrevo uma one, sério! Bateu uma inspiração e uma vontade de presentear vocês com algum especial de fim de ano, então aqui está!
Desejo para vocês um maravilhoso 2018, carregado de paz, boas energias e muitas coisas boas. Espero continuarmos juntos ano que vem nas fanfics, firmes e fortes ;)
Agora, aproveitem o meu shipper favorito!
Boa Leitura!
Os dedos dela passeavam pelo violão como se o acariciassem, com uma técnica e delicadeza admirável para qualquer um que observasse. Embora o bar estivesse cheio, e as conversas quase sobrepusessem a música, no momento em que a garota no palco começou a cantar Send My Love, aos poucos o silêncio foi tomando conta do ambiente. Sua voz parecia um furacão: avassalador, forte e intenso.
Eu me lembrava bem de quando a vira pela primeira vez naquele mesmo bar: tinha acabado de sair de um divórcio, enclausurado em minha própria mente, resignado em encontrar outro amor. Então a voz dela me alcançou, e como um laço, me arrastou para fora dos meus pensamentos soturnos, forçando-me a encará-la de frente.
E me deparar com olhos verdes, cabelos róseos e um sorriso gentil.
Nosso primeiro contato foi através de um pedido de música, e o primeiro encontro em uma casa de jogos. Talvez parecesse surreal à primeira vista: uma garota tão cheia de luz ao lado de alguém terrivelmente morto por dentro. Entretanto, Sakura não era alguém fácil de abalar.
O primeiro beijo foi depois de dez cervejas, e a primeira noite em meio à neve de dezembro. Percebi que poderia me acostumar com a presença de Sakura, que não me incomodava com suas manias, seus trejeitos e seu mau humor matinal.
Ela me fez arrumar a casa para ação de graças, e decorá-la para o natal. Eu não era alguém familiarizado com festas, já que instalado em Nova York e com minha família no Japão, acabava por manter as comemorações pelo telefone. Mas Sakura estava disposta a mudar minha rotina, minha vida, e meu coração.
Enturmou-me com seus melhores amigos, aos quais eu conhecia apenas de vista, apresentou-me aos seus pais e me surpreendi quando comecei a encontrar objetos seus em meu apartamento.
Eu era ocupado demais com o escritório de advocacia, no entanto, Sakura me auxiliou a diminuir a taxa de trabalho e ver a vida de uma maneira diferente. Enquanto eu analisava processos, ela cantava no quarto para um novo show, e aquele gesto não mudava meu humor como em outrora com os vizinhos.
Vieram às primeiras brigas, as divergências entre os compromissos de cada um, mas Sakura me fazia fugir do trabalho às vezes. Tornava-me alguém melhor, mais vivo. Soube que precisava dela na minha vida para sempre quando atravessamos o maior período de distância: ela foi chamada para gravar um disco em Londres, graças ao sucesso dos seus covers lançados no Youtube, e precisou ficar seis meses fora.
Sorri de canto para o palco, e Sakura dedilhou os dedos pelo violão com maestria, encantando as pessoas do bar. Seus olhos encontraram os meus, e mantive a caixinha segura no bolso da calça.
— É mais fácil do que parece — dissera Naruto, em um dia qualquer no escritório. — Quando pedi Hinata, achei que ela fosse desmaiar. Então fiquei aliviado porque não era só eu que estava nervoso...
Eu estava prestes a enganchar minha vida mais uma vez à de outra pessoa, desejando dividir rotina, cama, objetos e trabalho. Estava disposto às briguinhas sem sentido, ao caminho tortuoso dos sete anos de casado...
Estava disposto a viver novamente “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” até que enfim a morte nos separasse. Mas será que ela seria capaz disso?
Send my love to your new lover
Treat her better
We've gotta let go of all of our ghosts
We both know we ain't kids no more
Sakura finalizou a música, e os aplausos foram instantâneos. Ino fechou a apresentação dela, garantindo que quanto mais famosa, mais caro seria beber nas noites em que sua melhor amiga estivesse cantando.
Vi minha rosada descer do palco com seu violão, sorrindo largamente. Alguns pararam para pedir um autógrafo e cumprimentá-la pelos vídeos. Aproximei-me quando um cara bêbado demais demonstrou certa ousadia, e Sakura riu para mim como sempre fazia aos meus gestos de superproteção — e ciúme, como ela sempre acrescentava.
Não sabia que estava suando quando deixamos o bar para encarar a noite fria de fim de ano. Fogos começavam a preencher o céu graças às pessoas mais antecipadas, e carros com jovens alegres demais percorriam as ruas da agitada Times Square.
— O que foi? Você parece tenso — Sakura quebrou o silêncio, apertando minha mão com a sua. — Eu prometo me arrumar rápido hoje. Você pode ir à frente se preferir para encontrar nossos pais no restaurante.
Permaneci em silêncio por alguns segundos, o cenho franzido e as palavras presas na garganta. Entramos no meu carro, e Sakura começou a falar sobre o que pretendia comer, o que poderia vestir, e a maquiagem que usaria. Fez inúmeras perguntas sobre minha família (Será que vão gostar de mim? Você disse que eles não gostam muito de rock...) e ri de algumas questões suas.
— Você não precisa se preocupar — falei, apertando o volante com força. — Eles vão adorar você.
Sakura me encarou com ternura, sorrindo. Chegamos ao prédio, e levei o violão dela (mesmo sabendo de seu ciúme incondicional pelo instrumento), enquanto ela abria a porta do apartamento e acendia as luzes.
Deixei o violão no sofá, e a vi se dirigir ao quarto, arrancando as botas de couro e a jaqueta de preta com pressa. Sorri de canto. Mesmo detestando atrasos, aquela noite era especial demais para me frustrar com ela.
— Acho que o espírito do ano novo está te deixando diferente, Sasuke — comentou Sakura, enquanto eu sentava na cama, e ela escolhia alguma coisa no closet. — Você não está nem um pouquinho nervoso comigo por estarmos muito atrasados?
— Não. Já avisei os meus pais e os seus — revelei, sorrindo de canto com sua expressão de surpresa, enquanto ela colocava um vestido azul.
— Isso é bom — Ela franziu o cenho, ao mesmo tempo sorrindo e me beijou. A puxei para sentar no meu colo, e a vi gargalhar.
— Você poderia cantar para mim — sussurrei ao seu ouvido, e Sakura me encarou com uma sobrancelha arqueada.
— Mas... E o jantar? Sasuke, o que há com você hoje? — ela me indagou, me fitando com aqueles olhos tão profundos e carregados de luz.
Beijei seus lábios, mordendo-os levemente. Encarei-a novamente com um sorriso de canto.
— Apenas uma música. Não vamos ficar mais atrasados por causa disso. — acariciei seu queixo com o polegar. — Pode escolher a música.
Observei-a avaliar minha proposta, e acreditei que estivesse pensando em qual canção deixaria seus lábios para mim. Ela sorriu como se tivesse tido uma ideia, e levantou-se do meu colo rapidamente, saindo do quarto. Esperei-a retornar, sabendo bem que voltaria com seu violão.
E como pensei, Sakura retornou com seu instrumento, sorridente. Sentou-se ao meu lado na cama, iniciando o caminho dos seus dedos pelo violão. Logo o primeiro verso deixou seus lábios, e a admirei sentir a música XO, mantendo os olhos fechados, em seguida abrindo-os para se dedicar aos acordes que liberava facilmente.
We don’t have forever
Oooh, baby daylight’s wasting
You better kiss me
Before our time is run out
Hmm
Nobody sees what we see
They’re just hopelessly gazing
Eu sabia o quanto aquela canção significava para Sakura. Foi à música que cantou pela primeira vez no bar da Ino, quando mal sabia se comportar em um palco e apenas deixou que a música a levasse. Para mim, aquela fora a música que a ouvi interpretar em outro show, quando a notei pela primeira vez.
Coloquei a mão no bolso da calça. Sakura estava com os olhos fechados, dedilhando os dedos pelo violão rapidamente, alcançando as últimas estrofes da música com maestria, dominando os sons e os efeitos que causava em mim.
All that I see
Give you everything
Baby, love me lights out
Baby, love me lights out
You can turn my lights out
Fiquei de joelhos ao pé da cama, e ela nem ao menos percebeu, sentindo a música, alheia a tudo ao seu redor, apenas meneando a cabeça ao som da sua melodia. Encarei-a por mais alguns instantes, tendo certeza de que estava tomando a maior e melhor decisão da minha vida.
Sakura abriu os olhos lentamente ao fim da música, arregalando-os em seguida quando me notou ali, aos seus pés, com uma caixinha de veludo aberta revelando um anel revestido de prata.
— Sasuke... — sussurrou surpresa, ainda segurando com firmeza o violão, os cabelos curtos caindo em seu rosto conforme ela encarava melhor o anel e me fitava nos olhos, aos poucos parecendo entender o que estava acontecendo.
— Sakura — falei, sorrindo de canto. — Case-se comigo.
Notas finais
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Me inspirei nos covers maravilhosos da Carol Bianzin, então:
Cover de Send My Love: https://www.youtube.com/watch?v=1r3TKr5Jo_A
Cover de XO: https://www.youtube.com/watch?v=NPtvLVIUKFQ
Conheçam, porque essa menina canta demais :)
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Não se esqueçam de comentar, dizendo o que acharam.
Beijokas :3
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