"Pede, que eu faço"
3 três.
Quando Cecília aceitou o temporário da produção do Anavitoria, foi pra passar mais tempo com a namorada. E ela era super profissional! Hora de trabalho é hora de trabalho,não é hora de namoro. De vez em quando até dava pra roubar um beijo de Ana, mas o foco era a produção.
Com as meninas no palco, Cecília tirava foto, falava no rádio com a equipe, checava água, equipamento, o que precisasse. Era eficiente.
Depois da apresentação no hotel, numa quarta ou quinta feira, a banda tinha um merecido descanso. Mas se artista descansa, produção não para. Tem que organizar o espaço, assinar retirada disso e daquilo, blá blá bla… eram mais ou menos 2h da manhã quando Cecília finalmente encerrou o espediente. Subiu pro quarto, tentando não fazer barulho pra não acordar Ana, mas nem precisava. Ela tava acordada, e muito bem acordada.
“Tu aceitou o trabalho pra gente ficar mais tempo junta, mas tu mal tem tempo pra mim por causa do trabalho” — foi o que Cecília ouviu assim que pôs os pés no quarto.
Ana não tinha cara de chateada, nem brava, nem triste. Foi só uma constatação.
Cecília tirou os tênis, as meias, e sentou na cama, ao lado da namorada, lhe dando beijinhos na bochecha — “Desculpa… É que cês fazem muito sucesso, a culpa num é minha” — brincou.
Ana não viu graça. Não saiu do carinho, mas também não carinhou de volta.
“A gente dorme no mesmo quarto, e tem 3 dias que num dorme junta porque tu tá pra cima e pra baixo”
Cecília desistiu dos beijos. Pôs o queixo no ombro de Ana, conformada.
“Tá” — começou, tentando não comprar briga — “Mas… você tá dormindo, eu tô trabalhando. E eu tô trabalhando pra você poder dormir, e enquanto você tá trabalhando, eu tô trabalhando… Tá todo mundo trabalho”
Ana não era fã de constatações óbvias. Virou de frente pra Cecília, puxando briga sem dar uma palavra.
“Cê fala que fazem três dias que a gente não dorme junta, mas é porque fazem três dias que eu não durmo” — Cecilia retrucou aquele silêncio briguento de Ana.
Fez sentido. Ana derreteu com a honestidade da frase, e com o bico que Cecília fazia quando se enfezava. Aos poucos foi abrindo um sorriso.
“Oh meu Deus” — mudou completamente o tom — “e o que é que falta pra tu dormir?”
“Minha namorada me abraçando, me enchendo de beijo, me chamando de amor” — Cecília respondeu, se jogando deitada no colchão macio e convidativo.
Ana foi pra cima dela, sorrindo, beijando testa, bochecha, nariz.
“Tá morrendo de sono, né, tu?”
Cecília abraçou a namorada pelo cintura, deu um beijinho carinhoso.
“Nem tanto…”
As duas riram.
“Pois diga aí pra mim, do que a senhorira precisa. Pede que eu faço” — Ana brincou, e as duas riram.
“Cê faz, tudo que eu pedir?”
“Tudo.” — Ana foi incisiva — “Peça”
“Faz uma massagem?” — Cecília choramingou — “minhas costas tão me matando”
E eu sei, como você sabe, e Ana sabia, mas pra Cecília foi surpresa, que a massagem começaria com movimentos delicados nos ombros, e terminaria com beijos românticos e mordidas deliciosas entre o ventre e os seios dela.
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