Notas iniciais
Eu realmente amo postar tanto capitulo um atrás do outro, mas odeio não saber o que escrever nas notas. Eu não sabia como começar esse capitulo, a ideia veio de Livre Estou, qualquer semelhança (se encontrar alguma avise) não é mera coincidência. E, se durante sua leitura, (desse capitulo atual, passado ou futuro – isso parece tão fantasma de Scrooge) você encontrar algum # ou elefante avise, eles podem ser perigosos, eles podem te atacar quando você menos espera e te deixar sem dormir, perguntando-se “do que diabos aquela louca queria falar quando colocou #/elefante?”

remissão

CALUM, 9 ANOS. MALIA, 9 ANOS.

A neve branca caia no chão e era tão branca que Malia se impressionou – ela nunca tinha visto tanta neve em toda sua vida! Ela queria sair e afundar seus pés, deixar pegadas da Abominável Crianças das Neves, fazer anjos e guerras de neve.

Mas aquela quantidade absurda de neve era... Absurda.

Se saísse, seus pés iriam realmente afundar e adeus anjos e guerras, porque a Abominável Crianças das Neves seria congelada até que o inverno terminasse.

Se pudesse sair ela teria que ir para casa e, mesmo que se sentisse meio que triste meio que feliz por não passar o natal em casa devido a neve e as interdições na estrada, Malia estava completamente acolhida pelos Hemmings. E gostava disso.

Quem ela estava querendo enganar? Dentro de casa, com um moletom, um edredom e o braço do seu irmão ao seu redor, Malia tremia de frio!

Bem, ela suspirou, amanhã Malia Hood faria tudo que queria quando o sol estivesse tão alto que deixaria seus olhos queimando, mas agora ela precisava vencer. E suas chances eram mínimas, porque, basicamente, todas as peças de dominó estavam em suas mãos e Malia queria saber como isso era possível.

Não tinha como isso ser possível.

Não tinha.

Não com ela roubando.

Natal era a época de perdoar os pecados, de remissão – Malia conhecia a palavra devido a... tudo. Ela estava em remissão, como Andrew dizia, e Malia queria saber se os seus recentes pecados também seriam perdoados, porque seu moletom escondia peças nos punhos, o edredom facilitava na hora de pegá-las e ela ainda tinha o acréscimo de olhar para as do seu irmão, então, como – como – Malia Hood perdia?

—Eu disse que você é uma péssima mentirosa – sussurrou Calum em seu ouvido. – E parece que é uma péssima ladra também.

—Hunf – bufou Malia, olhando para suas peças e para o tabuleiro, indo e vindo.

—É sua vez, Malia – disse Luke, como se ela não soubesse sozinha.

—A menos que você não tenha e queira pegar mais uma – sugeriu Julie, inclinando-se sobre o tabuleiro. – Ah, não, espere, você já pegou todas!

—Hunf.

Malia queria pular diretamente para cima de Julie e...Urg, ela odiava como Julie estava certa. Malia queria pegar mais uma peça, contudo todas já tinham sido pegas. Por ela mesma.

—Você vai passar? – questionou Julie, sorrindo para sua amiga.

—Hunf – bufou Calum por ela. Sua irmã morreria antes de admitir que estava errada.

Não, sua irmã morreria antes de admitir que estava errada e Julie certa, porque a questão não era ela está errada – Malia podia aceitar estar errada, mas não se isso significasse que errou para Julie, porque Julie era uma idiota e Malia tinha que fazer sua parte para que idiotas não dominassem o mundo. Um idiota por vez e menos pós apocalipse que poderiam ser evitados.

—Vocês ainda estão acordados? – questionou Andrew, descendo as escadas e franzindo a testa para a confraternização da sua sala. – Vocês deveriam estar dormindo há...

—Duas horas e trinta e sete segundos e... – disse Liz calmamente da cozinha, sentada numa das cadeiras ao redor da bancada, como se saber horas e segundos e minutos fosse normal, qualquer um soubesse. Sem. Olhar. Num. Relógio. Sem cronometrar. Sem pensar.

—Ainda está claro – interrompeu Luke, apontando para a neve branca. Neve branca, sol no céu, certo? Não era como se existissem lâmpadas. Lâmpadas ainda não haviam sido desenvolvidas. Lâmpadas era um conceito sonhador.

—Exato! – exclamou seu pai, apontando para a janela. – Vocês não tiram soneca da tarde?

—Eu tenho certeza que quando recebi o manual de Como Cuidar de Crianças no hospital, ele dizia – murmurou Liz para si mesma, sem parar de folhear o livro – elas devem cochilar...

—Esse foi o seu trabalho de conclusão do curso, querida.

—E?

—Você não havia dormido há duas noites por causa das crianças – explicou Andrew calmamente – e já estava delirando.

—Não, não foi – retrucou Liz, finalmente levantando os olhos. – Eu tenho certeza que não tinha nada disso no meu trabalho. Eu o reli uma e duas e três vezes. Eu iria ler a quarta, mas alguém o enviou.

—Eu fui seu editor? – sugeriu Andrew, sem sinal de culpa ou afirmação quando sua esposa aproximou-se. – Eu cortei todas as partes que não faziam sentido? Eu coloquei sentido? Talvez? Apenas talvez?

—Uau – assobiou Julie. – Mamãe trapaceou na faculdade. E papai ajudou.

—Por que você não me deixou dormir para fazer um bom trabalho? – questionou Liz ao invés disso, percebendo que sua primeira tática não funcionava. – Que tipo de pai, marido, ser humano – zombou ela, inclinando-se para trás para vê-lo – você é?

—Certo, vá, vá, querida – disse Andrew, balançando a mão em direção as escadas. – Vá dormir.

Os dois pararam se encarando e Calum moveu os olhos entre ambos. Eles não iriam... iriam? Seria a primeira vez que veria Liz e Andrew brigando (e por um motivo idiota e antigo além do mais) – e ele sabia que sempre existia uma primeira vez para tudo, mas preferia não ser agora, não hoje, porque aquele dia estava sendo maravilhoso e Calum queria que isso continuasse assim.

Sua irmã merecia, não?

Sua irmã tinha passado quase dois meses indo e vindo do hospital, mas tinha valido a pena, Calum havia feito a escolha certa e agora ela estava boa. Alegre, energética e não tão pálida, não tinha aquela áurea da morte ao seu redor, que parecia acompanhá-la desde que descobriu que ela tinha câncer.

—Não fique assustado, Calum – disse Luke, batendo no seu ombro. – Eles não estão brigando, apenas...

—Mostrando o amor – completou Julie, suspirando apaixonada ao apoiar o queixo na mão. – Eu quero tanto isso na minha vida.

—Você tem problemas – comentou Malia.

—Você não faz nem ideia.

—E eu pensei que você fosse assexual.

—Sim, assexual, não incapaz de ter sentimentos.

—Você tem sentimentos? – piscaram todos, surpresos.

—Vocês não fazem nem... espere, o que?! Eu esperava isso de todo mundo menos de você – disse Julie, olhando decepcionada para Luke e Calum.

—Quem? – questionaram ambos depois de se olharem, brevemente, perguntando-se um ao outro e a si mesmo mentalmente “ela está falando de você?”.

—Eu não sei – reclamou Julie, gemendo ao empurrar as mãos no rosto. – Eu apenas gosto de pensar que existe alguém, em algum lugar aí, que eu gosto que não iria zombar de mim em algum momento, embora eu saiba que não iria gostar de alguém que não zombasse de mim em algum momento.

—Certo – disse Liz, estralando o dedo e apontando para sua filha antes de apontar para si mesmo e a cozinha. – Você cuida disso, eu vou fazer a ceia.

—Você vai fazer a ceia? – recuou Andrew.

—Por que a surpresa? Vai me dizer agora que o curso de cozinhar foi um sonho também – bufou Liz, dando as costas. – É por isso que digo, crianças, nunca se casem, porque vocês vão ficar com as crianças e as dividas...

—Pai? – chamou Luke depois de um momento.

—Hum?

—Mamãe fez curso de...

—Shiii! – pediu ele num sussurro, tapando a boca do seu filho e mantendo a mão lá mesmo quando Luke balançou a cabeça para cima e para baixo, sinalizando que entendeu. – Você realmente quer ouvir sobre o curso? Agora? Nesse instante?

—Eu ouvir isso! – gritou Liz, balançando a colher ameaçadoramente e sorridente.

—Sabe o que isso significa? – questionou Andrew olhando para ela. Sua esposa por sua vez suspirou desanimada e murmurou “oh, não” com um revirar de olhos. – É isso ai! – exclamou. – Vamos jogar forca! O primeiro a perder um membro vital morre!

Notas finais
Eu amo a relação do Andrew e da Liz, me diverti escrevendo – eles são tão engraçados e maravilhosos e amorosos um com o outro. Julie não está sozinha, eu também quero algo assim. Não é porque sou assexual que não quero uma ligação emocional com alguém! Embora, eu reconheça, que não ser fisicamente atraída por alguém dificulta as coisas.