Pedaços Transformados
220 Querida
querida
setembro, um dia depois
Querida.
Querida.
Calum ainda podia ouvir o eco de querida.
Sua mente não o deixava esquecer, não parava de repetir.
Querida.
Ele não era sua querida nem a de ninguém, ele não era querida e nem nunca seria.
E ele sentia como se estivesse sendo uma lesma subindo pelo poço, andando 4 centímetros durante o dia e então deslizando 3 para baixo a noite.
Calum suspirou cansado, triste e tão tão cansado, puxando o lençol sobre sua cabeça e girando para o lado — quando isso iria acabar? Ele mal podia esperar o momento que sairia desse poço, em que estaria finalmente livre, porque se tinha uma coisa que tinha aprendido era que, em algum momento, a lesma sairia, pois ela avançava mais do que deslizava, caia.
Ele estava fazendo progresso.
Ele estava fazendo progresso, repetiu mais uma vez para si, mas os sentimentos de sufoco e de tristeza e raiva ainda apertavam dentro de si, porque sua mãe podia estar fazendo progresso também, mas ele estava cansado.
Calum queria ver a luz do sol logo.
Agora.
Nesse instante.
Ele queria ser querido.
Querida, querida, querida, amaldiçoou sua mente num eco sem fim.
Calum queria ser querido, pensou mais alto, mas ele não se ouvia.
Querida.
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