Pedaços Transformados
140 Pensar em si
pensar em si
maio, 2 anos atrás.
O sorriso de Calum era falso, Luke podia dizer só de olhar – Luke sempre podia dizer só de olhar. E aquele totalmente era. E ele estava triste, não desconfortável; ele estava com raiva, não irritado; ele se distanciou, acenando como se tudo estivesse bem, em vez de se aproximar.
Luke queria segui-lo.
Mas não fez.
Não porque queria deixar Calum ter o espaço dele, mas porque... Luke queria que Calum tentasse entrar no dele, entrasse no seu espaço, porque, por um momento, nem que fosse apenas por um momento, Luke não queria ser o responsável, aquela que pensava nas consequências, aquele que pensava nos outros antes de si mesmo.
Luke queria pensar em si.
Luke queria pensar em si e não na sua irmã, no que ela podia ou não estar fazendo naquela hora, no quão bêbada ela já estava, em quantos garotos tentariam se aproveitar dela e em quantos saíram machucados se ao menos pensassem nisso.
Luke queria pensar em si e não no seu melhor amigo, no porque ele tinha ignorado-o, no porque estava tão estranho, no porque de ter sorrido daquele jeito. Para ele.
Luke queria pensar em si.
E, talvez, isso significasse que ele devesse aproveitar, ser um adolescente como qualquer outro, numa festa qualquer, com uma garota qualquer.
Talvez isso significasse pensar em si.
Talvez isso significasse não pensar.
E talvez isso significasse fingir que não via ou não entendia algo, mas seus lábios grudaram com os da Lydia, seus olhos se fecharam e Luke tentou não pensar.
Em nada
Em ninguém.
Apenas em si.
(Onde estava Calum?)
(...)
(E onde havia se metido Julie? Aquela garota não podia ficar sozinha para o bem dos outros.)
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