nunca

setembro, um dia depois

—Cadê a mamãe? — questionou Luke, uma vez que sua irmã estava confortavelmente deitada ao lado de Calum e Ashton havia encontrado seu lugar na única cadeira disponível.

—Oh, ela? — perguntou Julie, desinteressada. — Ela está.... Onde ela está mesmo, Ashton?

—Na última vez que a vimos? Ela estava dormindo e você estava me convencendo a roubar a chave do carro.

—Você... — engasgou Calum. — Você roubou a chave do carro?

—Não — respondeu Julie. — Eu estava convencendo Ashton a roubá-la.

—Você roubou a chave do carro? — corrigiu Calum para a pessoa que a roubou.

—Não — respondeu Ashton, acomodando- se na poltrona. — Liz acordou. E nos mandou voltar para a cama.

—Então como...

—Eu liguei para Michael — confessou Julie.

—Você... — piscou Luke. — Você o que?

—Michael. Nos. Trouxe. Aqui — disse ela, devagar. — Ah, sim, bem lembrado, Luke.

—Eu não disse nada — murmurou ele, confuso.

—Mas está pensando — observou. — Eu disse a ele, Calum, desculpe aí.

—Você... — Calum balançou a cabeça. — Explique direito e do começo e não me deixe confuso.

—Isso é difícil — opinou ela. — Eu gosto de coisas difíceis... — suspirou. — Bem, eu disse a Ashton sobre a Malia.

Calum encarou-o profundamente, com os olhos arregalados. Ela disse?

Ashton pensou em acenar em reconhecimento, mas parecia tão... iria parecer como se fosse algo tão sem importância, como se ter uma irmã e tê-la perdido não fosse nada. Ele apenas assentiu. Sim, Julie havia dito sobre Malia. Em algum momento, durante uma de suas acordadas noturnas, em meio a murmúrios sonolentos e distantes, ela tinha falado mais de Malia do que falava normalmente de si mesma durante o mesmo período de tempo.

Ashton estava cansado — ele sabia mais sobre Malia do que pensou que um dia fosse saber, ele não tinha dormido nada. Ele havia acordado de instante em instantes para encontrar uma Julie remexendo-se inquieta no sono, tremendo, chorando sem lágrimas, apenas com dor.

Tristeza.

Coração partido.

Ela não se lembrava de nada disso, Ash soube assim que ela o acordou de manhã. Ela não se lembrava... de nada. E Ashton não contaria, mesmo quando tudo isso fosse uma cena distante, algo sem importância, um erro médico descuidado... ele guardaria tudo para si e nunca se gabaria de tê-la visto chorar, de tê-la segurado em seus braços, dela tê-lo permitido ficar ao lado dela, de Julie Agnes Hemminsg não ser tão perfeita quanto dizia que era, porque não a queria ver mais quebrada.

—E eu disse a Michael sobre você. E Malia — completou Julie.

—E a Demi — completou Ashton, os olhos fechados. Nunca mais.

—É — disse Julie, surpresa. — E a Demi. — Como ela tinha se esquecido da Demi? — Desculpe — murmurou.

Calum balançou a cabeça para si mesmo.

—Tudo bem — disse. — Não sabia que não podíamos falar dela.

—Eu pensei que não podíamos – comentou Julie calmamente, suavemente, tristemente.

—Ela é tanto sua quanto minha.

Julie assentiu.

Ainda não parecia verdade.

Ainda não era.

Nunca seria.

Malia era sua e apenas sua e então de Calum, assim como ela era apenas dela e no fundo, profundamente, onde seu gene a tornava quem era, ela era de Luke.