nada & tudo

CALUM, 13 ANOS.

—Hum, Luke? — chamou Calum, hesitante. — Sobre o que aconteceu antes, sobre o... — ele tossiu, coçando a garganta, prolongando o momento, evitando o momento, não querendo que o momento chegasse.

Luke o interrompeu.

—Está tudo bem — disse. — Não é nada. Não foi nada. Quer dizer... — Ele riu, nervoso, desviando o olhar, recusando-se a olhá-lo. — Nada. Não foi nada.

—Sim.

Calum concordou, rindo e se encolhendo por cada risada, que parecia cutucá-lo em cada lugar que doia, em cada lugar que goi acertado há poucos minutos por algo pontudo e doloroso e...

E ele sentiu nada.

Calum sentiu-se como nada.

Porque nada havia acontecido.

Porque nada que merecesse atenção aconteceu.

Porque ele era nada.

(E queria ser tudo.)