Pedaços Transformados

273 show – P A R T E U M


show – P A R T E U M

outubro, duas semanas e um dia

—Boa noite.

Julie sorriu para sua plateia.

Era uma grande. E idiota plateia.

Quem ia num show desses, comprar outras pessoas? Traficantes de órgãos. Pessoas realmente solitárias. E desesperadas por companhia. Ou talvez pessoas nobres que nem ela, que só estavam ali porque o dinheiro iria para uma causa nobre.

—Estamos aqui hoje — lembrou Julie — para uma doação totalmente voluntária, que vocês tirarão do bolso para os belos garotos — apontou para os belos garotos sentados na primeira fila — do time de basquete deeee — prolongou Julie a vogal enquanto tentava se lembrar qual era o nome da sua escola. Qual era mesmo? Ela estudava ali há um tempo considerável e não conseguia se lembrar — Dessa escola — decidiu por fim. — O dinheiro arrecadado será doado para... — Julie olhou para seu cartão. — Você disse que era para comprar roupas quentes para crianças pequenas e indefesas e órfãs, Ashton! — exclamou ela, olhando para baixo. — Aqui — balançou o cartão — está dizendo que é para comprar roupas que definitivamente não são quentes para pros...

— Julie! — interrompeu Luke, empurrando Ash que apenas sorria. — Controle -se! Principalmente essa sua língua.

—Mudança de planos. — Julie voltou para sua plateia que ria dela. — O dinheiro arrecadado hoje será dado para comprar roupas quentes para quem precisa! O inverno está chegando, então se preparem para se aquecer com a visão que teremos aqui hoje!

—Que frase foi essa? — riu alguém.

—Uma salva de palmas para eles! — Palmas educadas. Julie tinha certeza que encerraria aquele show com palmas enlouquecedoras. Ou não se chamava como se chamava. — O primeiro garoto dessa noite é um dos titulares do time, um garoto que eu realmente não gosto muito — confessou ela — mas que eu tenho que admitir que é mediano. E que já me chamou para sair. Eu sei. — Julie sorriu para sua plateia, que não sorria de volta. Essa era uma plateia exigente. Desse jeito, precisaria mais do que seu belo charme natural. — Metade de vocês já me chamou para sair. Aqui está ele, um pouco atrasado, mas aqui: Jakeee... Jace? — tentou quando balançaram a cabeça. — Seja qual for o seu nome que eu não me lembro no momento, Jorg. Oh, é Jorg, não é? — lembrou. — Aqui no papel que jaz em minhas mãos diz que há um valor base. Um momento, Jorg, eu sei que você está ansioso, mas respire fundo. Lembrando que o garoto comprado hoje não é um prostituto, ele vai ser seu apenas por um dia... É, parece prostituição — percebeu. — Mas não é. Voltando para Jake-que-na-verdade-é-Jorg. Levante-se, JORG, nos deixe ver seu lindo rosto. E corpo. Você está envergonhado?

—Cale-se, Julie — murmurou ele.

—Qual o problema? Beijar desconhecidos é melhor?

—É, porque sair com desconhecidos é muito diferente — retrucou.

—O primeiro lance é de dez reais. Quem dar dez? Vamos, gente, eu quase dei minha aprovação, isso é alguma coisa. Olhe ali — apontou Julie — uma garota corajosa.

—Ah, eu não... — A garota levantou as mãos, olhou ao redor, e voltou a se sentar, como uma boa moça de família, recatada e do lar.

—Onze reais? — tentou Julie.

—Vinte reais — ofereceu outra garota.

—Eu não quero você, Margaret — disse Jorg, cruzando os braços.

—Calado — disse ela.

—Sua opinião não importa — concordou Julie. — Vale um, vale dois, vale três, veendido! Pague e leve, Margaret. O próximo é... — Julie olhou para baixo. — Água, por favor. Eu estou com sede. Obrigado, Calum, e já que está em pé, fique assim. Calum é meu melhor amigo do mundo inteiro — contou — e eu sei que vocês querem o mesmo, mas adivinhem? Luke está levando-o. — Julie sorriu para o seu irmão que queria desaparecer. — Mais sorte na próxima, garotos, que esse já tem um. Quanto você dar, Luke? Meu papelzinho diz que Calum Hood vale quinze. Então você está dando trinta?

—Sim, certo — resmungou seu irmão, com uma mão nos olhos, sem olhá-la.

—Trinta e cinco? — ofegou Julie, escandalizada, abanando-se com a dama recatada que era.

—Sim, sim, sim...

—Você quer dizer que vai dar...

—Trinta e cinco, Julie — interrompeu Luke, levantando os olhos, as bochechas pegando fogo. — E nenhum centavo a mais para você.

—Eu não estou roubando, Luke!

—Hã, sim, você não vai pegar uma comissão — zombou ele.

—Eu não "pego comissão" de pessoas necessitadas. Eu sei o que é voluntário e doação e eu não sou uma ladra. Continuando.